segunda-feira, 22 de julho de 2019

"HOMEM INVISÍVEL" - RALPH ELLISON - LEITURAS 2019 - XII

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O começo deste livro não me cativou!

Contudo, a meio do mesmo cheguei a entusiasmar-me. 

Todavia, não fosse a minha (quase) completa recusa de deixar um livro a meio, teria certamente desistido quando até já só faltavam cerca de oitenta páginas, pois a leitura começou a arrastar-se de tal modo que se estava a tornar demasiado penoso, mas lá levei a água ao moinho. 

Efectivamente não gosto nada, mas mesmo nada, num livro de quinhentas páginas, desistir quando faltam tão poucas.

Tal como já salientei, a meio do livro cheguei a entusiasmar-me e cheguei a pensar que estava perante um grande livro, mas... 

"Homem Invisível" revela a dor da existência do homem negro num mundo branco. 

É a história da viagem de um jovem negro pelos estados sulistas da América nos primeiros anos do século XX. 

Com o passar do tempo, entre experiências frequentemente contraditórias, o protagonista fica a conhecer o mundo dos negros, o mundo dos brancos e o seu próprio mundo. Trata-se de uma peregrinação que pretende ser esclarecedora sobre questões fundamentais como a raça, a existência humana ou os ideais democráticos (para mim não foi esclarecedora). 

E se este é um tema que eu adoro, daí o meu prazer na leitura de Carson McCullers, Truman Capote, Harper Lee, Erskine Caldwell, Joyce Carol Oates, Flannery O'Connor.

Criei demasiadas expectativas relativamente a este livro, que havia comprado em 2008, na Feira do Livro da Amadora, num alfarrabista por € 5,00, não direi que essas expectativas tivessem sido absolutamente goradas, só que eram muito altas e por isso me arrastei nas últimas cem páginas do livro. E quando isto acontece precisamos urgentemente de ler um bom livro, vamos lá a ver...   


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Ralph Ellison  -  EUA  -  1914 - 1994
Li e reflecti:

-(pág.287) - Diz o que as pessoas querem ouvir, mas di-lo de forma que façam o queremos que façam. A teoria nasce sempre da prática.


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sexta-feira, 21 de junho de 2019

"O DIÁRIO SECRETO DE HENDRIK GROEN AOS 83 ANOS E 1/4" - LEITURAS 2019 - XI


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Lar da 3ª. idade/Residência Sénior, a vida dos seus residentes e a forma como são actualmente tratados os idosos, o arrastar de pés atrás dos andarilhos, queixumes, solidão, suspiros angustiantes, gemidos, Alzheimer, demência, o retrato assustador do que é a vida real de um idoso num lar, tudo isto e muito mais nos conta este romance comovente, triste, mas por vezes divertido, e que se tornou um fenómeno literário em todo o mundo. 

Hendrik Groen é um pseudónimo e o lançamento deste seu diário (o relato de todos os seus dias durante um ano), causou um intenso debate na Holanda, o seu país de origem. A sua identidade é ate hoje desconhecida; será que terá a mesma idade do idoso retratado?

Hendrik Groen pode estar velho, mas ainda muito longe de estar morto, e espera não ser enterrado tão cedo. Os seus passeios diários são cada vez mais curtos porque as pernas começam a dar de si, e as suas idas ao médico são agora mais frequentes do que ele gostaria. Hendrik está velho, mas quem disse que tem de viver confinado ao lar para idosos perto de Amesterdão esperando que a morte chegue? 

O fim da vida aproxima-se e o lar da 3ª. idade é aqui retratado com a crueza que efectivamente a situação impõe. Os residentes a quem já ninguém visita, os amigos que já não existem, para além dos habitantes do lar... É realmente um tema muito delicado e que, página a página, nos põe a pensar, independentemente da nossa idade...


retive e anotei:

-Com a idade, reduz drasticamente o conhecimento que se tem de si mesmo. Da mesma forma que, inversamente, aumenta nas crianças à medida que crescem.



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segunda-feira, 10 de junho de 2019

"SUL PROFUNDO" - PAUL THEROUX - LEITURAS 2019 - X


Paul Theroux é um reconhecido escritor de livros de viagens.

Este "Sul Profundo" é uma longa viagem, durante quatro estações, pelos sítios mais recônditos do Sul da América.

A América das grandes extensões e as estradas solitárias, os móteis sujos, as lojas à beira da estrada, o espírito hospitaleiro e acolhedor do Sul. 

Igrejas e barbearias, feiras de armas que nos ajudam a perceber certos mitos e o porquê da discussão sobre a possibilidade das pessoas puderem usar armas no seu dia a dia, cidades abandonadas, lugares essenciais na luta dos negros pelos direitos civis. 

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Paul Theroux - EUA - 1941
Ao longo desta viagem (536 páginas) são abordados os mais variados temas que se prendem naturalmente com os locais por onde o autor passou:

Ku-Klux-Klan - O KKK originou-se em meados do séc. XIX, não entre os brancos pobres, mas na classe dos plantadores que usavam o terror para manter os negros a trabalhar nos campos, para controlar a mão de obra, e para perpetuar o sistema repressivo da plantação do Sul. 
Em Agosto de 1980 Ronald Reagan voou até à cidade que era o quartel general do KKK no Mississipi, ele queria dizer: estou do vosso lado.
Foi Ronald Reagan que se opôs à criação de um feriado nacional em homenagem ao Rev. Dr. Martin Luther King Jr.    

William Faulkner - um dos maiores escritores americanos e mais subtis pensadores - um homem tímido, mas um ousado e opinioso génio literário com um conhecimento enciclopédico da história sulista. impossível de ignorar por quem viaje pelo Sul — viveu toda a sua vida no centro dessa comunidade racionalmente dividida sem sequer uma vez sugerir claramente, na sua sábia voz, numa cidade que ele se orgulhava de chamar sua, que um estudante negro tinha o direito inalienável de estudar na universidade — tudo a seu tempo, era o seu lema. 
O vencedor do Prémio Nobel ficava-se, enquanto negros eram corridos do Campus, admitidos como criados só pela porta traseira e, uma vez feito o trabalho, mandados embora. Faulkner morreu em Julho de 1962.

Erskine Caldwell- Um dos escritores que, na opinião deste blogueiro, melhor descreveu a segregação e o sofrimento. Filho de um pregador, Caldwell era, contudo, tão detestado pelos seus compatriotas georgianos, que se sentiam que ele fizera deles um motivo de chacota, que deixou o Sul, viveu em São Francisco e Nova Iorque, e durante alguns anos numa pequena cidade do Maine. Viajou pela Europa e pela União Soviética, onde trabalhou como correspondente de guerra, sendo também visto como um cronista da vida camponesa nos Estados Unidos.   


Permito-me uma curiosidade: do Erskine Caldwell possuo um livro (O Pregador) autografado:    



Retive e anotei:

MARGARET BOURKE-WHITE - EUA - uma pioneira dos momentos importantes da fotografia. 1904-1971 - por exemplo, a grande e imortal foto da mulher da depressão (associei-a sempre ao grande romance de Steinbeck "As Vinhas da Ira") 
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sexta-feira, 10 de maio de 2019

"NUNCA DANCEI NUM CORETO" - MARIA FILOMENA MÓNICA - LEITURAS 2019 -IX


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Mais um livro lido desta excelente escritora, a socióloga Drª. Maria Filomena Mónica. E mais uma vez não me desiludiu, gostei!

Comecei a lê-la já há alguns anos com "Bilhete de Identidade" (bonita capa) onde fala de si e, ao que me lembro, dos outros e das mais variadas situações, sempre interessantes. É realmente uma boa escritora.e tenho pena de não a conhecer pessoalmente pois parece-me uma mulher que sabe o que quer, uma mulher forte, determinada, justa e extremamente culta pois tenho aprendido muito com ela.

Tal como já salientei também gostei deste "Nunca dancei num coreto", um conjunto de crónicas publicadas no Expresso entre 2011 e 1018. São interessantes, breves e quase todas de apenas página e meia, abordando os mais variados temas. 

Falando, por exemplo:
- dos velhos descobre-se que Portugal é hoje o sétimo país mais envelhecido do mundo.

- de Steve Jobs, alguém que um dia, declarou: Muitas vezes as pessoas não sabem o que querem até que lhas mostramos.

-recordando Henry Ford, o impulsionador do automóvel, que igualmente desprezava as sondagens: "se tivesse interrogado as pessoas sobre o que desejavam, provavelmente ter-me-iam dito que desejavam uma carruagem com cavalos mais velozes"


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Maria Filomena Mónica - n.Lisboa 1943

retive e anotei:


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-Reconheço que as mulheres pouco são mencionadas na História, mas as coisas mudaram a partir do momento em que no séc. XVIII, uma mulher inglesa, Mary Wollstonecraft, publicou um livro defendendo os direitos femininos.




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sábado, 4 de maio de 2019

UM FILME - CINEMA PARAÍSO

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Revi esta semana na RTP2, um dos poucos canais onde consigo ver alguma coisa do meu agrado, um grandioso filme, "CINEMA PARAÍSO".

Para mim, um dos melhores filmes de todos os tempos e uma das mais belas e conseguidas homenagens ao cinema.

É como que um retrato da vida do realizador Giuseppe Tornatore. 
Filmado nos arredores de Palermo. onde Tornatore nasceu, o filme narra, em flashback (registo de recordação ou facto ocorrido antes, interrompendo a sequência cronológica), a evolução de uma sala de cinema (o Cinema Paraíso) e a amizade entre um projectista (grande interpretação do francês Philippe Noiret) e uma criança (noutra magistral interpretação do pequeno Salvatore Cascio) que lhe serve de assistente.

Premiado com o Óscar da Academia de Hollywood, de melhor filme estrangeiro em 1989, não demorou mais de quatro semanas a ser rodado.

Passado na época pré-televisão (princípio dos anos cinquenta, cenários e guarda roupa fantásticos) a história evolui com o jovem Salvatore a dedicar-se ao cinema quando chega à adolescência, acabando por chegar até realizador de televisão. Depois...é ver o filme —fantástico—!

A música do filme é uma inolvidável banda sonora do grande Ennio Morricone, de uma beleza que nos inunda de uma serena nostalgia.

Um filme absolutamente inesquecível e um dos mais belos da história do cinema!


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extraordinárias interpretações de Philippe Noiret e do pequeno Salvatore Cascio

sábado, 20 de abril de 2019

"OS VÍCIOS DOS ESCRITORES" - ANDRÉ CANHOTO COSTA - LEITURAS 2019 - VIII

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JAMES JOYCE confrontado com a ilegibilidade da sua escrita, o autor do misterioso, enigmático, e, segundo alguns, incompreensível "Ulisses" o autor respondeu; em vez de escrever um livro para ser lido por um milhão de pessoas, preferia escrever um livro que uma pessoa pudesse ler um milhão de vezes.

JAROSLAV HASEK ("O valente soldado Chveik") - Anarquista, passava o tempo a beber. Depois de embriagado, ia fazer as necessidades diante da esquadra da polícia.

MARCEL PROUST parece ter desenvolvido um genuíno gosto por jovens raparigas menores. Quando mais velho usava sempre luvas não apertando a mão a ninguém, mais por hipocondria do que por snobismo. Sempre rodeado de formol e outros desinfectantes.

WILLIAM FAULKNER era um homem tímido, com receio das multidões e da exposição pública. Desconfiava dos médicos, curando tudo com whisky, desde uma dor de garganta a uma distensão nas costas.

HERMAN MELVILLE tiranizava a vida familiar, sobretudo quando bebia. 

KAFKA um hipocondríaco vegetariano com um gosto suspeito por menores.

EÇA DE QUEIROZ um mulherengo vaidoso com tendência para o cinismo.

CAMILO CASTELO BRANCO um maníaco-depressivo, com tendência para o jogo.

CHARLES DICKENS manteve uma amante secreta e expulsou a mulher de casa.

GOGOL era uma fanático religioso e um homossexual reprimido.

DOSTOIEVSKI arruinou financeiramente a família no casino.

Realmente, como salienta o autor deste livro, os especialistas em literatura  afirmam que a vida dos escritores não tem utilidade para compreender os seus livros e, sem dúvida que algumas passagens deste livro comprovam-no.

É um livro que se lê com curiosidade e interesse, os capítulos não são extensos, o que é algo que muito contribui para uma leitura agradável. Eu gostei.

Contudo, não posso deixar de realçar que algumas das minhas expectativas sobre esta obra foram algo defraudadas —é que o título do livro, na verdade, não será o mais adequado para não dizer até de alguma "habilidade infantil", pois que, na minha perspectiva, estes vícios dos escritores não são mais do que pequenas biografias não muito diferentes das que já foram mil vezes difundidas. Mas é escritor para eu estar atento.



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André Canhoto Costa - Oeiras  1978


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sábado, 13 de abril de 2019

"MORTE DUM CAIXEIRO VIAJANTE" - ARTHUR MILLER - LEITURAS 2019 - VII


Livro Morte dum Caixeiro Viajante Arthur Miller |2549978 - HáTudo Portugal

Arthur Miller, que foi casado com Marilyn Monroe entre 1956 e 1961, escreveu esta excelente peça de teatro em 1949. 

Que perturbante e envolvente livro em que Arthur Miller tão bem expressa todo o drama social e familiar de Willy Loman — o caixeiro viajante — que vê sucumbir toda a sua ilusão de grandeza e que projectava para os seus filhos o sucesso que ele próprio gostaria de ter alcançado.

Willy Loman, pai de dois filhos, é um caixeiro viajante orgulhoso dos seus longos anos de vendas em que tinha em cada cliente um amigo, em que a amizade se sobrepunha às regras económicas, mas que, de repente, vê esfumar-se todo este seu mundo e se encontra, surpreendentemente (para si), desempregado.

A mestria de Miller dá-nos um excelente panorama do que é uma sociedade impiedosa que transforma um homem simples num simples número, num fracassado, logo que este se faz notar pela sua desadequação ao tempo e aos lugares em que se movimenta, depois de ver definhar a sua carteira de clientes, alcançada ao longo de anos de estrada, surgindo assim toda a sua inaptidão face à sua falta de competitividade quando passa a ser pago à comissão.  

Toda a sua vida de ilusório sucesso desaba e a este drama social junta-se um drama familiar quando é visto, por um dos seus filhos, com uma amante.

E acontece a trajectória descendente até ao suicídio.

Que bem narra Arthur Miller a cultura do "sucesso" medido através da comparação com os outros; é a sociedade que quase reduz a vida a uma procura constante de rendimentos mais elevados, onde é preciso ganhar cada vez mais dinheiro para comprar, comprar, comprar....

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Arthur Miller - n. Nova Iorque - 1915-2005



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(da pág.91) - de brincalhões toda a gente gosta, mas ninguém é capaz de lhes confiar um centavo.


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domingo, 7 de abril de 2019

"UMA LONGA VIAGEM COM ANTÓNIO LOBO ANTUNES" - JOÃO CÉU E SILVA - LEITURAS 2019 - V

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António Lobo Antunes é, na minha opinião, um escritor difícil. Confesso que actualmente não me "atrevo" a começar a ler um livro seu (o último que li "esfrangalhou-me" (Explicação dos Pássaros)).
Todavia, gosto e continuo a ler todos os seus livros de crónicas.

Curiosamente gostei e entusiasmei-me com a leitura dos seus três primeiros livros "Memória de Elefante", "Os Cus de Judas" e "Conhecimento do Inferno". 

António Lobo Antunes é um escritor que me interessa muito pela sua personalidade e pela sua história de vida.

Este "Uma longa viagem com António Lobo Antunes" não sendo, como li algures, uma cara do escritor será talvez o escritor munido das suas muitas caras.

João Céu e Silva fez aqui um grande e muito interessante trabalho, e este não será propriamente um livro de entrevistas — isto é literatura —  

Gostei, saboreei com muito prazer este excelente livro e fiquei expectante com outras longas viagens do autor, por exemplo, com José Saramago.


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retive e anotei:  
-(pág. 22)  -  Não tenho computador. Gosto de desenhar as letras 

-(pág.29)   -  Há um velho provérbio húngaro que diz: "Na cova do lobo não há ateus"


-(pág.47)   -  Eu tenho uma vida muito simples. Infelizmente não gosto de comer, de maneira que como em restaurantes aqui perto e não ligo muito ao que me servem                

-(pág. 50)  -  Os bares estão cheios — via-o quando ia buscar o Zé (Cardoso Pires) —de escritores que não escreviam, de pintores que não pintavam e de cantores que não cantavam

-(pág.306) -  Eu não sei mexer num computador, não tenho cartão multibanco, não tenho    automóvel,não tenho cartão de crédito...


-(pág.309)  - Conhece aquela célebre história de Picasso sobre os retratos de Jacqueline    todos verdes e há um que é encarnado, e aquilo era muito discutido até que foram perguntar ao homem. Porquê encarnado? E ele respondeu: "porque se me acabou o verde"  


-(pág.419)  -  "Pensar é ouvir com mais força" - Beckett


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António Lobo Antunes - n. Lisboa - 1942

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terça-feira, 2 de abril de 2019

"MANOBRAS DE GUERRILHA" - BRUNO VIEIRA AMARAL - LEITURAS 2019 - IV

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Nestas pequenas crónicas publicadas em diversos jornais, revistas e blogues, são abordados os mais diversos temas, desde o futebol à literatura, falando de Chalana, de algumas curiosidades sobre Muhamed Ali, da louca vida de Fredie Mercury, do olho azul e do olho castanho do David Bowie, do apego à terra do escritor Rentes de Carvalho e das suas constantes idas a Amsterdão onde leccionou (a propósito, deste autor, já leram "Com os Holandeses"? vale a pena).

Bruno Vieira Amaral é um jovem escritor que até agora ainda não me surpreendeu mas também ainda não me desiludiu.

Um lamentável senão com que deparamos em muitíssimas das 280 páginas deste livro é o facto de ter inúmeras notas (algumas bem longas) em inglês sem qualquer tradução. Desleixo ou falta de respeito pelo leitor?

- gostei e anotei   (página 232) -  sem temor não há crença -


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Bruno Vieira Amaral  - n. 1978 - Barreiro
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sábado, 16 de fevereiro de 2019

"CONTOS" - VERGÍLIO FERREIRA - LEITURAS 2019 - III

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Os 26 contos aqui reunidos abrangem uma diversidade de temas bem característicos da obra de Vergílio Ferreira.

Divagações filosóficas marcam cada um dos contos, onde o existencialismo e o drama quase sempre estão presentes.
São contos pequenos, não mais de 5/6 páginas cada um.

Dizia Vergílio Ferreira:
"Escrever contos foi-me sempre uma actividade marginal e eles relevam assim um pouco da desocupação e do ludismo. E se um conto (como uma cerâmica ou uma gravura), bem realizado, excede em importância um mal realizado romance (ou um quadro a óleo) será sempre um conto, ao que julgo, de uma dimensão menor que a dum romance."


Na minha opinião, destes 26 contos, alguns, não mais de seis ou sete, são bons, os outros nem por isso, acho que, como o autor salientou, não se comparam aos seus romances, não que os não tivesse trabalhado com o mesmo afã dos romances mas um conto é um conto sempre inferior à dimensão de um romance.

Nalguns vem ao de cima o seu grande sentido de humor que tive oportunidade de saborear no seu espectacular "conta-corrente", em 9 volumes, absolutamente imperdível.

Vergílio Ferreira é um dos grandes escritores da língua portuguesa!  

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

"PORTO-SUDÃO" - OLIVIER ROLIN - LEITURAS 2019 - II



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Foi este o último livro, o nº. 10, publicado na interessante colecção Miniatura dos Livros do Brasil — bonitos livros —.

Creio que se poderá dizer que esta é uma colecção retomada, e não reeditada porque agora são outros os  títulos editados; e digo isto porque, por exemplo, tenho o nº. 6 da colecção antiga (O terceiro homem-Graham Greene) que comprei num alfarrabista e tem uma dedicatória, certamente do dono inicial, com uma data (1951), enquanto que o mesmo nº. 6, desta nova colecção, é "História do Bom Deus" de Rainer Maria Rilke.

Este nº. 10, "PORTO-SUDÃO" de Olivier Rolin, que acabei de ler, não me entusiasmou (nem me decepcionou), apesar de ter uma história interessante e com personagens muito bem imaginadas. Contudo, estas personagens ocupam muito pouco da história, porventura não mais de 10% das suas noventa e cinco páginas e, talvez por isso, o autor não me tenha ganho. 

Há neste livro muita melancolia, onde se fala muito da morte, do luto, da depressão. 

Deste autor nascido em França, com muitos anos de África, que esteve recentemente em Lisboa, quero ver se leio "O Meteorologista".

"Porto-Sudão" foi o primeiro livro que li deste escritor francês que completará 72 anos de idade no próximo mês de Maio.


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Olivier Rolin - França - 1947


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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

"CONTOS ARGENTINOS" - LEITURAS 2019 - I


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Foi este o primeiro livro que li em 2019.

São nove contos de autores argentinos (finais séc. XIX e princípios séc. XX), seleccionados e apresentados pelo escritor argentino Jorge Luís Borges (ao que dizem o maior — confesso a minha ignorância sobre o porquê de tal título— os dois livros que dele li não deram, longe disso, para confirmar tal grandiosidade)

Autores seleccionados: 
  1. Leopoldo Lugones (1874-1938)
  2. Adolfo Bioy Casares  (1914-1999)
  3. Arturo Cancela  (1892-1957)
  4. Pilar de Lusarreta   (1914-1967)
  5. Júlio Cortázar  (1914-1984)
  6. Manuel Mujica Láinez   (1910-1984)
  7. Silvina Ocampo   (1906-1993)
  8. Frederico Peltzer   (1924-2009)
  9. Manuel Peyrou   (1902-1973)
  10. Maria Esther Vásquez  (n. 1937)
Devo confessar que nenhum dos contos me fascinou de tal modo que me levasse à procura de outros livros destes autores (o que costumo fazer quando gosto).

Contudo, YZUR, de Leopoldo Lugones, não deixa de ser um conto interessante, em que um homem tenta, durante anos, ensinar um macaco a falar.  

O CHOCO OPTA PELA TINTA - Adolfo Bioy Casares - uma alegação, segundo Borges, contra a estupidez e a cobardia.

Do mesmo modo que CASA OCUPADA de Júlio Cortázar é um conto fascinante em que dois irmãos vivem em incesto.

Mas talvez aquele que mais me prendeu terá sido O DESTINO É CANHESTRO escrito a duas mãos - Arturo Cancela e Pilar de Lusarreta - a história de um guarda-freio que, graças à pressa e ao desmazelo de um médico, ficou com a perna direita encurtada em 4 cm.

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Jorge Luís Borges - Buenos Aires - 1899-1986
Este foi o último livro que adquiri desta excelente colecção de literatura fantástica A Biblioteca de Babel, editada pela Presença. Este é o nº. 17 e nos outros dezasseis já editados, todos tão bonitos como este, contam-se grandes nomes da literatura como Henry James, Edgar Allan Poe, Jack London, Tolstói, Kafka, Oscar Wilde e sobretudo o fantástico livro "BARTLEBY, O ESCRIVÃO" de Hermann Melville (imperdível).  


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

BALANÇO LEITURAS 2018

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Utilizo este blogue principalmente para aqui ir mencionando, ao longo do ano, os livros que vou lendo, mas não só, embora ultimamente apenas para isto o tenha utilizado.

Será sobre os livros que li em 2018 que se centra esta minha abordagem. 

2018 não foi um ano de muitas leituras — li 33 livros— algumas surpresas muito agradáveis como foi o caso do excelente "Adeus, até amanhã", que desconhecia por completo e que comprei, por € 6,00, em saldos, na última Feira do Livro de Lisboa, numa daquelas bancadas que estão no meio do caminho. 

"Teresa Desqueyroux" de François Mauriac e "1933 Foi um mau ano" do admirável John Fante, foram outros dois excelentes livros que me entusiasmaram, principalmente "Teresa Desqueyroux" (uma bela surpresa que estava há anos a apanhar pó na estante).

John Fante não foi para mim uma surpresa pois sou um seu leitor fiel. Para além deste "1933 Foi um mau ano", já havia lido "A Primavera Há-de Chegar", "Estrada para Los Angeles", "Pergunta ao Pó", "Sonhos de Bunker Hill" e "A Confraria do Vinho" e foram livros que me agarraram da primeira à última página.

Mas também algumas desilusões, como foi o caso dos "Contos" de Dorothy Parker, escritora em quem depositava muitas expectativas, apesar de, como disse Vergílio Ferreira, um conto será sempre um conto, de uma dimensão menor que a de um romance.

Outra grande desilusão foi "O escritor Fantasma" de um dos meus escritores preferidos, Philip Roth.  

Mas vamos aos livros que li em 2018, por ordem de satisfação (de 0 a 6):   
  1. ADEUS, ATÉ AMANHà -  William Maxwell  -  6   
  2. TERESA DESQUEYROUX  -  François Mauriac  -  5
  3. 1933 FOI UM MAU ANO  -  John Fante  -  5
  4. A NOVELA DE XADREZ  -  Stefan Zeig  -  5
  5. RELÓGIO SEM PONTEIROS  -  Carson McCullers  -  4
  6. O ALIENISTA  -  Machado de Assis  -  4
  7. A CARNE  -  Rosa Montero  -  4
  8. PÁTRIA  .  Fernando Aramburu  -  4
  9. A ESTRADA DO TABACO  -  Erskine Caldwell  -  4
  10. SÓ ACONTECE AOS OUTROS  -  Maria Antónia Palla  -  4
  11. HISTÓRIAS DE ALMANAQUE  -  Bertold Brecht  -  3,5
  12. MOBY DICK  -  Herman Melville  -  3,5
  13. REMÉDIOS LITERÁRIOS  -  Ella Berthoud e Susan Elderkin  -  3,5
  14. PASSAPORTE  -  Maria Filomena Mónica  -  3,5
  15. O MUNDO DE ONTEM  -  Stefan Zweig  -  3,5
  16. GUIA PARA 50 PERSONAGENS DA FICÇÃO PORTUGUESA - Bruno Vieira Amaral -  3,5
  17. AS ÚLTIMAS TESTEMUNHAS  -  Svetlana Alexievich  -  3,5 
  18. SEI PORQUE CANTA O PÁSSARO NA GAIOLA  -  Maya Angelou  -  3,5
  19. VIDAS  -  Maria Filomena Mónica  -  3,5
  20. O CÃO E O DONO  -  Thomas Mann  -  3
  21. ENTREVISTAS DE PARIS REVIEW  -  3
  22. DICIONÁRIO DE COISAS PRÁTICAS   -  Francisco José Viegas  -  3
  23. ESTAÇÕES DIFERENTES  - Stephan King  -  3
  24. CENAS DA VIDA AMERICANA  -  Clara Ferreira Alves  -  3
  25. VOZES E PERCURSOS  - A MEMÓRIA DOS OUTROS I  - Marcelo Duarte Mathias  -  3
  26. O QUE ESCREVERAM OS AUTORES  -  3
  27. OS RICOS  -  Maria Filomena Mónica  -  3
  28. LEVANTE-SE O RÉU OUTRA VEZ  -  Rui Cardoso Martins  -  2
  29. EMBALANDO A MINHA BIBLIOTECA  -  Alberto Manguel  -  2
  30. INSTANTÂNEOS  -  Cláudio Magris  -  2
  31. ERRO EXTREMO  -  Miguel Tamen  -  2
  32. CONTOS  -  Dorothy Parker  -  1
  33. O ESCRITOR FANTASMA  -  Philip Roth  -  1    


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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"OS RICOS" - MARIA FILOMENA MÓNICA - LEITURAS 2018 - XXXIII

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Sou um fiel leitor desta bonita lisboeta doutorada em Sociologia pela Universidade de Oxford.

Neste livro, que foi o último que li em 2018, são retratadas as grandes fortunas nacionais, seu usos e costumes.

A galeria de personagens vai desde os fidalgos antigos como o 1º. Duque de Palmela, os condes de Vila Real, condes de Rio Maior até aos capitães da indústria do século XX, Alfredo da Silva, Jorge de Mello, António Champalimaud, Américo Amorim e Belmiro de Azevedo, passando pelos milionários do liberalismo, Eugénio d´Almeida, Dona Antónia Ferreira (Ferreirinha), José do Canto e conde de Burnay.

Através destas biografias ficamos a conhecer melhor a história de Portugal e dá para vislumbrar quanta fome meia dúzia de indivíduos semearam por este país (muita fome —grandes fomes—têem passado a grande maioria dos portugueses, ao longo dos séculos), enquanto meia dúzia sempre viveu "à tripa-forra".

Um senão neste livro: as constantes notas de rodapé, algumas parecendo-me demasiado longas, quiçá, perfeitamente dispensáveis; senti que quebram o ritmo da leitura. 

Confesso que este livro (pelo tema abordado) ficou aquém das minhas expectativas.

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Maria Filomena Mónica
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

"SEI PORQUE CANTA O PÁSSARO NA GAIOLA" - MAYA ANGELOU - LEITURAS 2018 - XXXII


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Desconhecia em absoluto este clássico americano que marcou gerações e que conserva toda a sua actualidade.

Um livro de memórias da activista social norte americana Maya Angelou (1928-2014), que é uma poética viagem de libertação.

Um relato inspirador da infância e da juventude da autora, nos anos 30 e 40, do século passado.

O olhar de uma extraordinária criança sobre a violência inexplicável do mundo de adultos e a crueldade do racismo, na procura da dignidade em tempos adversos.

Do Arkansas rural às cidades da Califórnia, Maya Angelou traça neste livro um tocante retrato da comunidade negra do Estados Unidos, durante a segregação.

Através deste livro fiquei a conhecer aquele que é considerado o primeiro abolicionista branco americano, John Brown - 1800-1850, que defendia a insurreição armada que era, para si, a única maneira de acabar com a escravatura nos Estados Unidos.

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John Brown
Foi considerado, por alguns, um vilão desequilibrado, e o pai do terrorismo, por outros um mártir heróico da liberdade e o homem que acabou com a escravidão.
Foi preso, julgado por traição e enforcado.
A sua morte acendeu a fagulha para o início da Guerra da Sucessão. 


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Maya Angelou  -  St.Louis, Missouri 1928-2014

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