sábado, 25 de novembro de 2017

"DOIS NEGROS EM ESTHERVILLE" - ERSKINE CALDWELL - LEITURAS 2017 - XXI




Um livro imprescindível para se conhecer o lado mais pérfido e mais cruel do ser humano.

Dois irmãos, afro-americanos, Ganus e Kathyanne, vindos do campo, chegam à pequena cidade de Estherville para cuidar da velha tia doente.

Ganus é uma personagem admirável, a sua ingenuidade, a sua infantilidade são absolutamente trucidadas a cada passo da sua vida, enfrentando um verdadeiro calvário para tentar um emprego, de que tanto necessita, O leitor consegue sentir na pele o sofrimento deste irmão de Kathyanne, parecendo, por vezes, sentir ele próprio as injustiças, a malvadez e o horror de que estes dois irmãos são vítimas, sobretudo Ganus. 

Caldwell traça aqui mais um perfeito retrato da mesquinhez e da maldade humanas e do ambiente de pequenez e malvadez das pequenas cidades americanas, onde, neste caso, o racismo imperava.   

Este excelente pequeno/grande livro de 179 páginas, é o nº. 155 duma excelente colecção que, em tempos -anos 60-, foi editado pelos Livros do Brasil, a Colecção Miniatura. Estão actualmente a ser reeditados alguns números (creio que já saíram seis), não sei se a colecção inteira, mas creio que não até porque a numeração dos títulos não é igual à primitiva. 

Aconselho vivamente este excelente livro sobre o racismo mas, sobretudo, sobre a crueldade, a malvadez de que o ser humano é capaz, em determinadas situações e ambientes.


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Erskine Caldwell  -  EUA 1903-1987

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

"EPISÓDIO EM PALMETTO" - ERSKINE CALDWELL - LEITURAS 2017 - XX

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Também este, tal como todos os livros que já li de Erskine Caldwell, descreve muito bem a América rural, satiriza muito bem a situação dos pequenos proprietários rurais, da pequena burguesia das cidades provincianas às paixões racistas e religiosas.

Neste "EPISÓDIO EM PALMETTO" a principal protagonista, a professora Vernona Stevens é, por tendência instintiva, bem ao contrário da sua irmã velha que era indomavelmente impulsiva ou friamente calculista, conforme mais lhe convinha.

Vernona habituara-se a desejar os homens que não podia, ou não devia ter, mas isso não a impediu de tentar ser bem sucedida no cargo da nova professora do colégio de Palmetto.

A sua tentativa gorou-se, porém, antes mesmo de terminar a primeira semana de aulas, pois já então provocara nos habitantes da pequena cidade uma excitação nunca antes observada, atraindo numerosos e persistentes admiradores. 

Destes admiradores:
- um foi desencorajado com uma proposta audaciosa;
-outro foi bem acolhido mas, afinal, era casado;
-e um terceiro ameaçou suicidar-se se ela o desprezasse.

Perseguida pela sensualidade dos homens e pelos ciúmes das mulheres, Vernona acabará por dar largas à sua tendência instintiva ao longo de uma história que constitui um momento irónico à moralidade das cidades americanas.

Mais um bom livro deste que, não sendo um génio, foi um bom escritor, nascido pouco depois da viragem do século (1903-EUA), logo a seguir a uma série de outros grandes escritores americanos: Scott Fitzgerald e John dos Passos, Faulkner, Hemingway, Steinbeck.

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

"CERTAS MULHERES" - Erskine Caldwell - LEITURAS 2017 - XIX

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São sete pequenas e excelentes mas perturbantes histórias de certas mulheres que revelam bem os preconceitos e a mentalidade de certas pessoas e dos pequenos meios que conduzem a situações de mesquinhez e por vezes até dramáticas, talvez um livro um pouco triste. 

Erskine Caldwell colheu, uma rica e profunda da experiência humana, nos mais diversos meios sociais -em criança, como companheiro do pai, espécie de judeu errante sempre a saltar de terra em terra, mais tarde como operário, ajudante de cozinheiro, criado no bufete de uma estação. trabalhador numa fazenda algodoeira, maquinista num teatro de Filadélfia, profissional de basebol, jornalista, crítico, romancista e contista.

É pois um grande escritor fruto de todas estas circunstâncias que com este "CERTAS MULHERES" escreveu mais um belíssimo livro de que gostei imenso. Lê-se num ápice.

A edição que acabei de ler é uma edição muito antiga, o nº. 45, edição de 1963, de uma excelente colecção de livros de bolso da Editora Portugália e talvez por isso não tenha conseguido reproduzir a respectiva capa, pelo que, a que acima reproduzo, é de outra colecção da mesma editora.



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Erskine Caldwell - EUA - 1903-1987

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

"BLONDE" - JOYCE CAROL OATES - LEITURAS 2017 - XVIII


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As férias foram grandes mas finalmente  estou de volta com os livros que vou lendo.

Marilyn Monroe foi em toda a sua -curta- vida uma criança e uma mulher infeliz; nunca teve a vida que sempre desejou. 
Desejou ter uma família, mas o pai nunca o conheceu, a mãe cedo foi internada numa casa de saúde mental, teria Marilyn não mais de cinco anos, por isso mesmo cedo conheceu as agruras dum orfanato onde foi igualmente internada.

Contudo, Marilyn Monroe, ou melhor Norma Jean Baker (seu verdadeiro nome) nasceu com um dom: o de uma grande actriz de cinema e neste aspecto foi realmente grande.

Joyce Carol Oates foi quem me encorajou a pegar neste calhamaço de mais de 600 páginas, apesar de não há muito tempo ter lido uma extensa biografia de Marilyn, mas Joyce Carol Oates é uma grande escritora e daí o dito encorajamento..

É a vida de Marilyn Monroe, uma vida sofrida, uma vida tão curta, uma mente que se tornou doentia com tanto sofrimento que a vida lhe causou. 

Tal como se pode ler na contracapa do livro, Norma Jean Baker era uma rapariga normal. Mas foi sob o nome de Marilyn Monroe que o mundo a conheceu.  

Uma referência obrigatória na história da idade do ouro de Hollywood, Marilyn transfigurou-se numa lenda global, capaz de suscitar a curiosidade, a admiração e adoração de milhares de admiradores de sucessivas gerações.

Ao abordar a vida de Marilyn, Joyce Carol Oates construiu o livro mais ambicioso e empolgante da sua já longa e invulgar carreira.
Mais do que uma biografia romanceada, trata-se de uma viagem à voz mais intima de Marilyn. 

Percorrendo as páginas fascinantes de BLONDE, podemos redescobri a criança, a mulher, o mito, enfim, a estrela assombrada pelo seu próprio sucesso.

Marilyn foi uma mulher de uma sensibilidade imensa mas que viveu a vida de olhos fechados, tudo o que vinha à rede era peixe, por isso muitos homens a possuíram, incluindo o Presidente John Kennedy, episódio aqui muito bem retratado, pois relata alguns dos encontros que ambos tiveram tanto em hotéis como em casas de Verão de amigos do Presidente.

A sua relação com outros artistas que com ela contracenaram- adorava Clark Gable; Dean Martin desprezava-a pois o comportamento de Marilyn punha-o fora de si, pois era um comportamento pueril e egoísta, sempre a chegar atrasada e incapaz de se lembrar nos diálogos por desprezo ou estupidez ou seriam as drogas a destruir-lhe o cérebro obrigando Tony Curtis e os outros a repetições constantes.

A causa da sua morte ainda hoje é um mistério que continua por esclarecer, tal como o assassinato do Presidente Kennedy, situações que, indirectamente, parecem estar ligadas.

É um bom livro embora eu pense que seiscentas e tal páginas são excessivas, dado que haverá episódios que são demasiado densos e poderiam ser reduzidos. 

O mundo do cinema, com todas as suas crueldades está aqui muito bem retratado.


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