domingo, 30 de julho de 2017

"DESEJO SOB OS ULMEIROS" - Eugene O'Neill - LEITURAS 2017 - XVII


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Que grande livro!

Esta excelente peça de teatro, cujo texto, duro como os tempos de então, retrata muito bem o ambiente sulista daquelas noites quentes de Verão em que o personagem principal descansa numa cadeira de longos espaldares de madeira, debaixo do alpendre daquela típica casa sulista americana.

Todo o sonho americano e todas as suas vicissitudes estão aqui presentes, até o "cheiro" do ambiente tenso que anda no ar se consegue absorver, o fervilhar da tensão produzida pelas relações entre os três irmãos, o pai e a sua noiva, tal como se ouve assobiar o vento suave que se enovela debaixo dos ulmeiros que rodeiam a casa. 

De vez em quando "apanho" estas pérolas!  

Este "DESEJO SOB OS ULMEIROS" é o nº. 20 duma antiga e excelente colecção "Os livros das três abelhas", que comprei não há muito tempo num alfarrabista na baixa de Lisboa e é uma edição de 1963, com tradução do conceituado escritor e também dramaturgo Jorge de Sena.

É uma história muito violenta dum filho que deseja  a propriedade e a mulher do seu pai e é nomeada com uma das melhoras obras daquele que é considerado o maior dramaturgo americano do século XX - EUGENE O'NEILL, Prémio Nobel da Literatura de 1936.

Gosto imenso do tema abordado neste grande livrinho de apenas 144 páginas, o ambiente pesado e racial, as tensas relações das gentes do Sul dos Estados Unidos, do princípio do século XX, e que me traz à lembrança belíssimos livros sobre tema semelhante:
-"A sangue frio" e "A harpa de ervas", dois grandes livros de Truman Capote, 
o excelente, mas certamente pouco conhecido, "Sempre o Diabo" de Donald Ray Pollock, 
-"O coração é um excelente Caçador Solitário", "Reflexos num olho dourado" e "A balada do café triste", três grandes romances da magnífica Carson McCullers,
podendo ainda englobar nesta lista o grande livro "A filha do Coveiro" da escritora (com E grande), Joyce Carol Oates.


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Eugene O'Neill - Nova Iorque-EU-1888-1953



5 - muito bom

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2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima







terça-feira, 25 de julho de 2017

Diários de MIGUEL TORGA Vols. VII e VIII - LEITURAS 2017 XVI

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Estes diários de MIGUEL TORGA (num só volume) abrangem o período entre 20 de Maio de 1953 e o Natal de 1959.

Os diários de Miguel Torga, estes como todos os anteriores que já li, não serão, para determinadas alturas, uma leitura alegre que nos deixe com boa disposição, até porque me parece que Miguel Torga seria um homem pouco "colorido", um homem da terra que parece falar a linguagem das pedras.

Parece estar quase sempre de mal com a vida e com os homens, são raros ou, que me lembre, nunca, em qualquer dos seus diários que já li, me conseguiu "arrancar" não mais do que um sorriso amarelo, a sua leitura da alma humana portuguesa é retratada por ele como mais ninguém.

Gosto de diários e por isso continuo a lê-los pois marcam determinadas épocas e ficamos a conhecer situações por vezes curiosas da vida portuguesa (ao tempo) que certamente desconheceríamos se não fosse por esta via. 

Contudo, curiosamente, encontrei esta sua opinião (de 10.09.1953) que afinal me parece estar tão actual: "O milagre de Ataturk, a ocidentalização a martelo da Turquia, deu como resultado que em vez dum povo a mais na Europa, há um povo a menos no mundo. Um povo original, entenda-se."

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nota 3  -  razoável

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3,5-interessante
4-bom
5-muito bom
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sábado, 15 de julho de 2017

"QUARTETO NO OUTONO" - BARBARA PYM - LEITURAS 2017 - XV

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Só há pouco mais de um mês tomei conhecimento da existência desta escritora inglesa, BARBARA PYM e não conhecia nenhum dos seus livros publicados em Portugal.

Este "QUARTETO NO OUTONO" é um excelente livro, mas um livro triste, um livro que nos revela vidas tão solitárias e tão tristes que nos fazem pensar muito na vida.

Edwin, Norman, Letty e Marcia são quatro colegas que trabalham no mesmo escritório e que estão à beira da reforma.

"QUARTETO NO OUTONO" é efectivamente um excelente romance sobre quatro velhos solitários.

A solidão destes quatro colegas de trabalho que, contudo, estão sempre tão longe uns dos outros. Depois das horas em que estão juntos no trabalho, eles não se visitam, não acompanham uns com os outros, fazem a sua vida isolada e numa solidão que atormenta.

E chega o dia em que Marcia é a primeira a reformar-se... 

Um livro triste!

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Barbara Pym - Reino Unido  -  1913-1980




nota 4  -  bom

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4-bom
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segunda-feira, 10 de julho de 2017

"PAIXÕES" - ROSA MONTERO - LEITURAS 2017 - XIV


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"História do Rei Transparente", "A louca da casa" e, sobretudo, o magnífico romance "Instruções para salvar o mundo" são excelentes livros que já li (e me atrevo a aconselhar-tarefa extremamente subjectiva-), desta escritora espanhola, ROSA MONTERO. 

Este "PAIXÕES" (cujo subtítulo é Amores e Desamores que mudaram a história) reúne uma série de histórias (18) de grandes paixões de épocas passadas ou dos nossos dias, que foram primeiramente publicadas no jornal EL PAÍS, depois de uma pesquisa intensa da autora por jornais e livros.

O trágico amor  de Inês de Castro e D. Pedro.

O pró-nazi duque de Windsor, (um espírito exorbitantemente sovina, apesar de riquíssimo) que abdicou do trono de Inglaterra para casar com a socialité, bissexual, esquelética e, igualmente, pró-nazi Wallis Simpson (tinha sido amante de diversos fascistas célebres), uma mulher dura, competitiva, egocêntrica e que esteve sempre à beira da anorexia. 
Quando, já velha e viúva, os médicos tiveram de lhe fazer uma intervenção cirúrgica, viram-se em palpos de aranha para a entubar devido às selvagens operações estéticas que tinha feito ao pescoço.

Sónia e Leão Tolstói que foi sempre terrivelmente contraditório: anjo e besta, génio e miserável.

O louco e incendiário amor entre Liz Taylor e o inteligente e culto Richard Burton.

Juan Perón e a mitómana (mentirosa) Evita que, quando criança, era calada, bastante medíocre nos estudos, totalmente anódina (insignificante) e que, quando morreu, tinha nos seus armários mais de 100 casacos de vison, 400 vestidos e 800 pares de sapatos. Contudo e apesar do seu nepotismo (favorecimento de parentes), Evita também participou na distribuição social da riqueza, já que criou mais de 1.000 orfanatos, 1.000 escolas, 60 hospitais para além de um sem número de centros para idosos.

O venenoso e dramático relacionamento entre os poetas Rimbaud e Verlaine.

A vida alucinada de Yoko Ono e (curioso) do violentíssimo John Lennon.

São dezoito pequenas histórias biográficas de grandes amores; cada uma não terá mais de cinco páginas, que li com muito interesse e que aumentaram significativamente o meu conhecimento neste campo da vida. 



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Rosa Montero - n. 1951 em Madrid




nota 3,5  -  interessante

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1-desisti
2-li, mas não me cativou
3-razoável
3,5-interessante
4-bom
5-muito bom
6-excelente
7-obra-prima


domingo, 2 de julho de 2017

NO CAFÉ - HÁBITOS

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Gosto de frequentar cafés e quando têem esplanada, melhor. Com frequência verifico que são hábitos dos portugueses (e não só), quando ali permanecem, na esplanada ou no interior:
  • fumar o último cigarro e deixar o maço vazio em cima da mesa (afinal para que servem os CRIADOS de mesa?)
  • papel ou qualquer outro objecto (lixo) caído no chão do café passa a ser uma autêntica bola de futebol pontapeado por tudo quanto é gente, inclusive pelo empregado de mesa (apanhá-lo e colocá-lo no caixote do lixo? nunca/jamais).
  • ir ao WC e não puxar o autoclismo  
  • sair do WC, após fazer as necessidades, e não lavar as mãos 
  • puxar cadeiras do lado, quando são mais pessoas, e sair sem prestar a mínima atenção à desarrumação total que fica para trás (não é para isso que servem os criados de mesa?)


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