quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"A GUERRA QUE PORTUGAL QUIS ESQUECER" - MANUEL CARVALHO - LEITURAS 2016 XLI

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A I Guerra Mundial (1914-1918) foi realmente uma machadada e uma grande humilhação para o prestígio das tropas portuguesas, dado que resultou num dos maiores desastres de sempre das tropas nacionais, tanto na frente europeia como nas nossas colónias. 

E é de uma dessas humilhações que Manuel Carvalho, jornalista do Público, nos fala neste livro, relatando-nos as memórias dos soldados, as denúncias de cobardia e de incompetência das chefias, na guerra que decorreu em Moçambique.

Entre 1914 e 1918, Portugal enviou mais de vinte mil soldados para Moçambique com o objectivo de garantir a sua defesa e fazer frente às ambições e à ganância de expansão colonial dos Alemães. E, apesar da nossa superioridade em número e no equipamento, a humilhação das tropas portuguesas foi absoluta e a sua actuação foi um descalabro, redundando num dos maiores desastres de sempre das tropas nacionais, ficando uma mancha tão extensa que dificilmente se apagará da história do nosso exército. Na Primeira Guerra morreram em Moçambique mais portugueses do que na frente europeia.

"Nestas últimas semanas da guerra, as intermináveis filas de soldados ao abandono pelas ruas de Lourenço Marques sublinhavam a vitória da derrota. Entregues à sua sorte, sem lugar nos hospitais ou  nos quartéis, sem salários em dia, sem roupas e sem condições de higiene, o estado dos soldados tornou-se um problema e suscitou indignação. Já em Maio, o jornal "O Africano", fundado em 1908 pelo jornalista João dos Santos Albasini, protestava: "O estado em que se vê, passeando as ruas da cidade, uma grande parte, quase a totalidade dos nossos soldados que aqui se encontram, convalescendo ou aguardando transporte, é verdadeiramente lamentável: uns esfarrapados, outros porquíssimos, de capacetes esburacados ou sem abas, botas rotas, numa miséria, enfim, que implica seriamente com o nosso brio nacional, que faz corar de vergonha todo o bom português, especialmente quando se nota que essa miséria é desfrutada e censurada por numerosos estrangeiros".


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o autor, Manuel Carvalho, actualmente redactor principal do Jornal Público

nota 3,5 - interessante



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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"OS ÚLTIMOS DIAS DO REI" - NUNO GALOPIM - LEITURAS 2016 - XL

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Até cerca de dez/quinze páginas do fim, li com muito agrado este livro. Interessante. Dá-nos um retrato, ou melhor, uma pincelada interessante, do que foram o Regicídio e os dois últimos anos (1908-1910) da governação deste último rei de Portugal - D. Manuel II, e ainda, sobretudo, do que foram os seus últimos vinte e dois anos de vida, passados no exílio (para onde embarcou, acompanhado da família real, na praia da Ericeira, para Inglaterra) e onde se dedicou brilhantemente ao estudo de livros raros portugueses dos séculos XV e XVI, sobre os quais publicou três volumes, o último dos quais já postumamente. Morreu (sufocado) repentinamente devido a um edema da globe. O seu corpo veio para Portugal, onde as suas exéquias se revestiram de grande importância.
Nasceu em Lisboa-Belém 9.11.1889 e morreu em Inglaterra em Twickenham em 2.7.1932.

Li com muito agrado e leveza (é realmente uma escrita leve e simples) este livro do Nuno Galopim (filho do Professor Galopim de Carvalho). O Nuno Galopim é um excelente jornalista que leio há muitos anos, creio que desde o Jornal O SETE (se não estou em erro, ou será do BLITZ?). Contudo, não sei o que lhe passou pela cabeça, pois, como já salientei no início deste post, aí para a página 260 (tem 272) o livro começa a mastigar e a caminhar para o fim maçadoramente já que o autor se pôs a inventar finais para o livro que, me pareceram completamente desajustados para não lhe chamar outra coisa, e assim quase conseguiu "borrar a pintura" pois um livro que se lê com muito interesse apanha ali (numa altura crucial) uma marretada que quase consegue engasgar o que até ali tinha sido tão saboroso.

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nota 3 - razoável


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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"SÚPLICAS ATENDIDAS" - TRUMAN CAPOTE - LEITURAS 2016 - XXXIX

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Truman Capote foi uma das figuras mais carismáticas e controversas (e pervertidas) da cultura americana do século XX e um dos seus grande escritores. Nasceu em Nova Orleães em 1924 e faleceu em Los Angeles em 1984.

Este "SÚPLICAS ATENDIDAS" foi considerado o mais famoso romance não publicado da literatura norte-americana: é que foi anunciado por Truman Capote cerca de vinte anos antes da data em que viria a ser publicado, o que só se aconteceria após a sua morte.

É, na minha perspectiva, realmente um livro adiado, cheio de capítulos que parecem ter sido escritos em cima do joelho. Mas a escrita de Truman Capote (mesmo à pressa) é extraordinária, é uma maravilha mesmo escrevendo sobre banalidades para "encher". Este "Súplicas Atendidas" leva-nos dos salões literários aos mais caros bordéis, e nele se retratam personagens reais da vida mundana daquela altura (anos 50/60 do século XX), por aqui passando a escritora francesa Collete, a duquesa de Windsor, o grande actor de cinema dos anos 50, Montgomery Clift, Jackie Kennedy e outras estranhas personagens com quem este escritor homossexual conviveu.
Não sendo, como já dei a entender, um grande livro, vale sobretudo pela excelente prosa deste grande escritor cuja maior obra "A SANGUE FRIO" é uma obra-prima que vale a pena ler.

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Marilyn Monroe e Truman Capote
nota 3,5 - interessante

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"A SENDA ESTREITA PARA O NORTE PROFUNDO" - RICHARD FLANAGAN - LEITURAS 2016 - XXXVIII


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Há imagens (e sons) que para sempre nos ficam na memória; dos filmes que ao longo da minha vida já vi, há uma imagem e uma música que para sempre retive, e já lá vão tantos, tantos anos, é uma imagem (e um som) marcante(s) (retida ainda na minha infância): 
-Alec Guinness na parada à frente dos homens que comandava no campo de concentração em que centenas de milhares de prisioneiros são forçados pelos japoneses a um trabalho escravo nas selvas da Indochina durante a Segunda Guerra Mundial, e aquela música - aquele assobio que nunca mais esqueci...A PONTE DO RIO KWAI


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Alec Guinness - no filme "A PONTE DO RIO KWAI"
"A SENDA ESTREITA PARA O NORTE PROFUNDO" é um excelente livro, vencedor do MAN BOOKER PRIZE 2014, que, numa narrativa cruel, nos dá a conhecer uma verdadeira barbárie que foi a construção, num prazo ínfimo e sem maquinaria adequada, de uma via férrea de 450 quilómetros ligando o Sião (hoje Tailândia) à Birmânia (hoje Myanmar). Até à conclusão da linha em 1943, morreram dezenas de milhares de homens.
É impressionante o relato das atrocidades dos fanáticos do exército nipónico que, em nome do seu imperador, torturaram, decapitaram e praticaram as maiores crueldades — um fanatismo incrível. 

É neste clima de desespero que o cirurgião Dorrigo Evans, prisioneiro neste campo de guerra japonês na Ferrovia da Morte, se vê assombrado pela relação amorosa que manteve com a jovem esposa do seu tio dois anos atrás, um amor vivido em segredo nos momentos em que não estava de serviço, enquanto tenta evitar que os homens sob o seu comando morram de fome, doença, ou sejam simplesmente espancados.

Curioso também o retrato pós-guerra, tanto daqueles que no campo de concentração foram massacrados e que, no final, estiveram do lado vencedor como dos verdugos que, para bem da justiça, foram vencidos, neste caso do Japão.

É um excelente livro que aborda as diferentes formas que o amor, a morte, a guerra e a verdade podem assumir, à medida que um homem envelhece e tem consciência de tudo o que perdeu.     

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nota 4 - bom

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

"FRANKIE E O CASAMENTO" - CARSON McCULLERS - LEITURAS 2016 - XXXVII

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Aconteceu naquele Verão verde e absurdo quando Frankie tinha doze anos. Este foi o Verão em que, há muito, ela não era sócia de nada. Não pertencia a nenhum clube, não era sócia de nada no mundo. Frankie tornara-se uma pessoa desvinculada que rondava pelas portas, e tinha medo.............

Quando um livro começa assim sinto logo aquela satisfação que nos envolve quando se aproxima algo de bom e que de imediato nos amarra ao livro com um prazer enorme, uma grande satisfação e alegria, diria mesmo felicidade.


"FRANKIE E O CASAMENTO" é mais um belo livro deste excelente escritora norte americana que continuo a descobrir a cada livro que leio e dos três que já li, para além deste, ("O CORAÇÃO É UM CAÇADOR SOLITÁRIO", "A BALADA DO CAFÉ TRISTE", "REFLEXOS NUM OLHO DOURADO") não sei sinceramente qual deles mais gostei.

O Universo que CARSON MCCULLERS constrói faz-me muito lembrar os desenhados por Flannery O'Connor, Joyce Carol Oates ou Truman Capote, universos estranhos mas cheios de imaginação e que nos surpreendem a cada página.

Carson McCullers constrói neste livro três personagens sublimes, Frankie, a personagem principal que a meio do livro muda de identidade (auto-intitulando-se F.Jasmine) já que é seu desejo dar outro rumo à sua vida, quer ir à procura de outro mundo já que sente que aquele onde vive é para ela tão pequeno. É uma criança de 12 anos mas com pensamentos profundos.
Outra interessante personagem é John Henry, um rapaz de 6 anos que segue Frankie (sua prima) para todo o lado.
A terceira personagem é a cozinheira da família, Berenice, uma mulher negra, que tem um olho de vidro azul brilhante e que constantemente confronta Frankie nas sua ideias e planos.

Tudo começa quando Frankie é convidada para o casamento do irmão lá bem longe (Alasca) do pequeno lugar onde vive. É a oportunidade que esperava para ir conhecer outro mundo.

Realmente o universo que Carson McCullers constrói com a sua escrita é fascinante; apenas alguns lampejos:

-o rádio esteve ligado dia e noite, de tal modo que já ninguém o ouvia...

-na vizinhança, ouviu o som das vozes do entardecer...

-não se pode fazer uma bolsa de seda com a orelha de uma porca...


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Carson McCullers   -   Columbus 1917  -  Nova Iorque  1967

nota 4 - bom

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO

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Heinriche Heine


Até ler "O silêncio dos livros" de George Steiner, estava convencido que a célebre frase "A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO" seria uma expressão de Karl Marx, mas afinal foi Heinriche Heine quem efectivamente primeiramente a proferiu.

Heinriche Heine foi um poeta romântico alemão, conhecido como o "último dos românticos", nascido em Dusseldorf em 1797 e que morreu em Paris em 1855.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

"OBLOMOV - O MAGNÍFICO PREGUIÇOSO" - IVAN GONTCHAROV - LEITURAS 2016 XXXVI

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A história do bom e preguiçoso Oblomov, um tipo apático e adormecido, um preguiçoso e desinteressado que não se preocupa com o mundo à sua volta, que encolhe os ombros a tudo, não se perturba, não se aborrece, não faz ondas de espécie nenhuma, numa Rússia esclavagista onde imperam a injustiça e as leis duma sociedade medieval que só poderia ser radicalmente alterada, como o viria de facto a ser mais tarde.

São quase seiscentas páginas (e letra miudinha), é um livro para ir lendo e digerindo, uma das obras primas da literatura russa de meados do século XIX.

Um grande romance que demorei a ler, não só porque são muitas, muitas páginas, mas também porque quis ir lendo, lendo e saboreando (preguiçando, até) a deslizante e leve escrita deste excelente escritor russo do séc. XIX, IVAN GONTCHAROV, que, no entanto, parece ter sido depreciado por várias gerações de escritores russos, nomeadamente por Dostoiévski que, conforme li no jornal "O Público", o descreveu como "um funcionariozeco com olhos de peixe cozido a quem Deus (...) concedeu um talento brilhante."

Gostei, mas atenção, repito, é para se ir lendo com calma e saboreando as diversas cenas, por vezes até bastante irritantes de tanta indolência, tanta preguiça, ir calmamente observando personagens que, afinal, continuam por aí a pulular.

Mas não há bela sem senão — esta é uma edição miserável do Círculo de Leitores (Junho de 1973), com erros página sim página sim, letras e frases trocadas, uma vergonha absolutamente inenarrável, só vendo/lendo porque contado ninguém acredita...



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IVAN GONTCHAROV  -  Rússia - 1812 - 1891

nota 4 - bom

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sábado, 8 de outubro de 2016

"UM POSTAL DE DETROIT" - JOÃO RICARDO PEDRO - LEITURAS 2016 - XXXV


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Já lá vão mais de trinta anos quando, em Setembro de 1985, aconteceu este choque frontal de comboios em Alcafache. E quando, como eu tinha na altura, se tem pouco mais de vinte anos queremos abraçar o mundo e por isso, por vezes, passamos pelas coisas como cão por vinha vindimada, mesmo as maiores tragédias que acontecem ali ao nosso lado. A esta distância lembro-me que terá sido isso que, na altura, poderá ter acontecido comigo, pois conservo apenas uma ténue lembrança deste trágico acontecimento.

Neste choque de comboios algumas das vítimas mortais (cerca de duas centenas), presas nas carruagens a arder, nunca chegam a ser identificadas, daí não haver registos concludentes. É a partir daqui que o autor compõe um (muito) bom livro. Entusiasmante até! Contudo, tal como me aconteceu com o seu primeiro livro ("O teu rosto será o último"), quando deverão faltar para aí umas cinquenta ou sessenta páginas para o fim o entusiasmo foi diminuindo, diminuindo até chegar à última página (já) um pouco arrastado, acabando assim o livro com um final não sei se direi desinteressante se direi "desencontrado" de tudo o que imaginaria e de tudo o que seriam as minhas expectativas, tão bem alimentadas até quase ao fim. E assim, à semelhança do livro anterior (e primeiro do autor, o já referido "O teu rosto será o último"), deste não retirei qualquer conclusão. Às vezes acontece.

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João Ricardo Pedro - 18 Agosto 1973 - Reboleira - Amadora

nota 3,5-interessante

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

"DISCURSO SOBRE O FILHO DA PUTA" - ALBERTO PIMENTA - LEITURAS 2016 - XXXIV

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Não conheço pessoalmente ALBERTO PIMENTA mas desperta-me sempre imensa curiosidade o modo como parece estar na vida e a maneira aberta e livre como fala dela, o modo como aborda as mais diversas situações com que todos nós nos defrontamos diariamente; é daquelas personagens que há muitos anos me seduz pois parece conseguir estar sempre do outro lado deste mundo cão.

"DISCURSO SOBRE O FILHO DA PUTA" é um livro que impressiona pelo facto em que nele vemos retratada tanta gente que conhecemos, pessoas que passaram pela nossa própria vida e apenas nos deixaram a marca de filho da puta. Tantos personagens da vida política e social da actual sociedade portuguesa estão ali (tão bem) retratados; estamos a ler e a "ver" os personagens.   

"O filho da puta não diz que precisa diz que aceita o trabalho de alguém: "aceita-se trabalhador" dizem então todos os filhos da puta, e com isso estão rebaixando o trabalho que precisam e que dizem aceitar."

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Alberto Pimenta, professor universitário, escritor, poeta e ensaísta português - Porto  1937 

nota 3,5 - interessante

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3 . razoável
3,5 - interessante
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

"A GUERRA DO FIM DO MUNDO" - MÁRIO VARGAS LLOSA - LEITURAS 2016 - XXXIII


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Mário Vargas Llosa é um grande escritor e este é um grande livro — uma epopeia que relata a vida de parte de um povo que compõe este grande país, que é o Brasil.

Li-o com grande interesse, apesar das mais de quinhentas páginas (e letra pequenina).

Será certamente um dos grandes livros deste Nobel da Literatura (2010), nascido em Arequipa, no Peru, mas com dupla nacionalidade peruana e espanhola, e que foi em 1990 candidato, sem sucesso, às eleições presidenciais peruanas.  É apenas o segundo livro que leio deste excelente escritor, o outro, que também recomendo vivamente, foi o magnífico "O HERÓI DISCRETO".

Mário Vargas Llosa tem sido ultimamente notícia, não nas revistas literárias, mas sobretudo nas revistas cor de rosa, sendo actualmente, por força da sua paixão actual (Isabel Preysler, viúva desde 2014) um habitué do jet-set e da alta sociedade espanhola (tem nacionalidade espanhola desde 1993).

Sobre este excelente livro:
                                          — CANUDOS, uma remota localidade do nordeste brasileiro, foi nos finais do séc. XIX, o palco de um movimento de tipo messiânico que desembocou numa guerra civil (A GUERRA DE CANUDOS), na qual morreram milhares de brasileiros. Este vasto movimento popular formado em torno de um místico (António Vicente Mendes Maciel, O CONSELHEIRO, misto de santo e de profeta) funda uma sociedade à margem do mundo oficial. O governo do Rio de Janeiro reage, enviando uma força militar para repor a ordem. 
Mas a resistência foi imediata e eficaz obrigando a tropa a fugir, dando início à Guerra de Canudos.
É a história desta guerra que Mário Vargas Llosa nos conta, sobre a forma de romance, neste grande livro.


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Mário Vargas Llosa nasceu em 1936 (no Peru)

nota 4 para "A guerra do fim do mundo"

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

"REFLEXOS NUM OLHO DOURADO" - CARSON McCULLERS - LEITURAS 2016 - XXXII

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Bastaram as duas primeiras linhas deste magnífico livro para "sentir" que, após alguns (recentes) reveses, estava na presença de um grande, intenso e terrível livro!

Não poderia ter um começo mais entusiasmante:—"Uma base militar em tempo de paz é um lugar entediante. Acontecem coisas mas repetem-se vezes sem conta". E este excelente início viria a confirmar o que já sentira quando lera duas obras desta mesma autora norte-americana ("O coração é um caçador solitário" e "A balada do café triste"  — dois grandes livros—).

Como é misterioso o ser humano, como são difíceis as relações humanas sem as quais, no entanto, o homem tem dificuldade em viver.

A personagem do soldado Williams é antológica! de resto, todas as personagens deste livro são magníficas.

Lê-se na contracapa:  "Uma das vozes mais originais da literatura norte-americana, Carson McCullers explora os limites sempre instáveis entre a "normalidade" e a ordem e o foro íntimo das pulsões que movem as personagens deste romance. Numa base militar, na Geórgia, a rotina e o isolamento criam um insuportável sentimento de ódio que agudiza a tensão latente entre a "máscara" social e o mundo caótico de paixões, obsessões, frustrações e ódios secretos. Este singular inferno gira em torno de dois oficiais e as respectivas esposas, um excêntrico criado filipino, um cavalo e o jovem soldado Williams, o elemento que virá romper o delicado equilíbrio neste quadro de relações. McCullers escreve a sua história com simplicidade despretensiosa, mas imprime-lhe um cunho de estranheza e inquietação raras vezes conseguido, que lhe confere um discussão trágica".  

Grande livro (mas que pena ter somente 96 páginas). 

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Carson McCullers - EUA - 1917 - 1967
nota 6-excelente, para "Reflexos num olho dourado"

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domingo, 18 de setembro de 2016

"O SILÊNCIO DOS LIVROS" - GEORGE STEINER - LEITURAS 2016 - XXXI

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Posso até estar a proferir uma grande tolice ao escrever aqui que George Steiner é um erudito, mas um erudito em tamanho XXL que escreve -sobretudo- para eruditos, pelo que, de algum modo, parto para a leitura deste autor sempre "de pé atrás", ou seja, de que não será um livro fácil. Contudo, confesso isso nem sempre acontece, como é o caso. 

Efectivamente "O SILÊNCIO DOS LIVROS" não sendo um livro fácil não deixa de ser um livro deveras interessante, sobretudo pelo tema que aborda e que é sempre do meu agrado (fala de livros e, ao fim e ao cabo, da tristeza que seria um mundo sem livros).

Claro que não possuo um saber nem vasto nem profundo pelo que não poderei dizer que fiquei encantado com "O SILÊNCIO DOS LIVROS", mas li-o com muito agrado e sobretudo muita curiosidade (4 estrelas, num máximo de oito).

Naturalmente que as notas que tirei da leitura deste livro só poderiam acrescentar muita coisa ao meu ínfimo saber, embora, porque efectivamente não sendo um livro fácil, o efeito "um livro sobre livros" tenha perdido assim algum do encantamento que o tema me suscita; este foi um dos parágrafos que, por me ser algo familiar, anotei:

  -Hoje em dia a coisa mais extraordinária seria o espectáculo de um rapazinho correndo a refugiar-se na sombra de uma cabana munido do livro que está a ler. Ao rapazinho dos nossos dias nem sequer lhe passa pela cabeça entrar no quarto para devanear, abrir um romance numa página qualquer e deixar-se hipnotizar pelo mistérios dos caracteres. Estão à espera dele em toda a parte, a tribo chama por ele sem parar, na lição de judo, de karaté ou de vida, no clube de teatro, no clube de hipismo, nas mais variadas actividades, algumas por vezes sem sentido! A experiência da solidão, do olhar fixado na janela por cima dos telhados, a experiência dessa tão estranha e doce tristeza que se esconde no fundo de cada livro como uma luz de sombras, essa expeeriência fundamental que é, afinal, a iniciação ao mundo e à finitude, essa experiência é quase impossível, proibida até. E, em tal caso vejo-me obrigado a falar de "ódio."

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George Steiner nasceu m Paris em 1929

  

terça-feira, 13 de setembro de 2016

"A PROFECIA CELESTINA" - JAMES REDFIELD - LEITURAS 2016 - XXX



Nas conversas que, de quando em quando, costumo ter com um amigo, um dos temas que quase sempre vem ao de cima, é a partilha das nossas leituras (nem sempre os nossos gostos coincidem); desta vez fiquei curioso com o título que ele me confidenciou que no momento estava (com muito interesse) a ler (e que um amigo comum lhe teria recomendado). 

Comecei por isso a ler "A PROFECIA CELESTINA" (a 29ª. edição, note-se, é obra...e ainda por cima, um livro que surge uma vez na vida para mudar a vida para sempre); só que, ao fim do primeiro terço do livro, enviei-lhe esta mensagem, um pouco mordaz, talvez: "com tanto livro bom que tenho para ler, com tanta sabedoria e tanta inteligência, tanto génio à nossa disposição, começo a questionar-me : -mas afinal quem é este James Redfield de quem, sinceramente, nunca tinha ouvido falar, e que nada me está a conseguir transmitir, nada me diz (defeito meu, porventura), daí considerar que, repito, com tanta literatura para aprender (se assim se pode dizer), julgo que estou a esbanjar o meu precioso tempo e por isso, a um terço do livro que já levo "lido" ainda nada consegui apanhar. Nesta altura o autor fala-me na nona revelação e, sinceramente, eu ainda nem dei pela primeira, sequer... (é que nem minimamente senti uma, sequer)".

Lamento desiludir o meu caro amigo mas este livro (para mim, claro) não me conseguiu prender, não conseguiu minimamente "meter-me" no tema, o guru James não conseguiu, desta vez, arregimentar mais um seguidor, porque realmente nada entendi, nada me conseguiu transmitir; será, talvez, preciso acreditar (como diz a australiana (do mesmo género) Rhonda Byrne, que se tornou milionária com o seu "O SEGREDO" -acredita e acontece-...).

-Será uma questão de fé?-.



James Redfield  -  n. Alabama EUA - 1950



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"ESTRADA DE MORRER" - URBANO TAVARES RODRIGUES - LEITURAS 2016 XXIX

Estrada de morrer Urbano Tavares Rodrigues Seixal - imagem 1

São pequenos contos, não terão mais de quatro/cinco páginas cada um. Apesar de serem tão curtos não houve um só que me cativasse, um só de que retivesse algo...há livros assim, podem ser muito bons mas há alturas em que não sei explicar, mas quando às primeiras vinte páginas (neste caso aos dois primeiros contos) se não me prendem então dificilmente "conseguirei apanhar o comboio", só não desisti porque tão poucas páginas não compensariam a "mágoa" que sinto quando largo um livro a meio, só por isso não o larguei.

E os contos? lê-se na contracapa: -Como era Portugal, antes do 25 de Abril? Qual era o destino de quantos entendiam a liberdade como a condição essencial da vida humana? Quais os caminhos possíveis da dignidade e quais os caminhos forçados da humilhação, durante a longa, terrível e, dir-se-ia, infindável noite fascista? O cárcere, a tortura, a morte, o exílio, constítuíam, de facto, a moeda a pagar, na luta com a prepotência e a opressão? Urbano Tavares Rodrigues, muito justamente considerado um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea, denuncia, aberta e impiedosamente as prisões fascistas por onde passou e as diversas e maquievélicas faces do terror fascista.  
   
Urbano Tavares Rodrigues    -   1923 - 2013

sábado, 3 de setembro de 2016

"HISTÓRIA DA CURIOSIDADE" - ALBERTO MANGUEL - LEITURAS 2016 - XXVIII


Depositava (elevadas) expectativas na leitura deste livro, pois gosto de ler livros que falem sobre livros, e o tema (curiosidade) era-me imensamente apelativo. Todavia, "UMA HISTÓRIA DA CURIOSIDADE", falando efectivamente de livros mas sendo, sobretudo, uma reflexão sobre as questões da vida humana vista pelos olhos de um grande erudito, achei-o demasiadamente "maçudo" já que, ao fim e ao cabo, no meu entendimento, note-se, é quase (apenas e só) uma homenagem a Dante e por consequência à "Divina Comédia", abordando os outros escritores (referenciados na contracapa), mas apenas muito sumariamente.

Convenhamos que DANTE/DIVINA COMÉDIA não será propriamente matéria que esteja ao alcance de qualquer vulgo leitor (tal como eu, que estou no início de uma infindável aprendizagem). 
Gorou, por isso, completamente as minhas expectativas; mas, atenção, continuo fã (e leitor) de Alberto Manguel.

Lê-se na contracapa: 
                              "UMA HISTÓRIA DA CURIOSIDADE" procura abolir as fronteiras entre literatura, filosofia, história da arte e memória, e desafia o leitor a construir diferentes interpretações da ideia da "curiosidade". 

Para Alberto Manguel tudo se move pelo impulso da curiosidade, num círculo em que esta estimula a busca do conhecimento e a aquisição de conhecimento inspira mais curiosidade.
Depois de tudo o que leu e pensou, Manguel propõe um diálogo, interpela o leitor e alude a outras obras e à vida dos seus autores. Nesse percurso, acaba por traçar o mapa da sua própria vida intelectual, o que permite afirmar que este é o seu livro mais pessoal, aquele em que se descreve melhor.
Entre os escritores, artistas, pensadores e cientistas a que dedica cada capítulo, constam, por exemplo, Tomás de Aquino, David Hume, Lewis Carrol, Platão, Agostinho de Hipona e, acima de todos, Dante. Por intermédio destes eternos curiosos, Manguel convida-nos e concede-nos o necessárrio passaporte. 


ALBERTO MANGUEL nasceu em Buenos Aires-Argentina-1948 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

"O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO" - SVETLANA ALEKSIEVITCH - LEITURAS 2016 - XXVII

melhor Livro do Ano 2013 pela revista Lire

Quase quinhentas páginas dando voz a pessoas recalcadas (desgostosas, tristes, angustiadas e tantos com tantas saudades da URSS, e outros tantos revelando fascínio por Estaline), dando voz a pessoas que foram vítimas do Estalinismo, revelando situações absolutamente macabras, diria até surrealistas (um chofer preso por ser parecido com Estaline), dando voz a centenas de testemunhas, os humilhados, os desiludidos, o homem e a mulher pós-soviéticos, para assim manter viva a memória da tragédia da URSS.
São descritas situações extremamente curiosas, interessantes de pessoas que toda a vida viveram numa sociedade e que passam, do dia para a noite, a viver noutra realidade totalmente inversa. Um calhamaço muito interessante com o senão, de se transformar nisso mesmo -um cahamaço- com demasiadas páginas, passando, também o leitor, a páginas tantas, do prazer à sensaboria -eu senti-o!

Volvidos mais de duas décadas sobre a desagregação da URSS, que permitiu aos Russos descobrir o mundo e ao mundo descobrir os Russos, e após um breve período de enamoramento, o final feliz tão aguardado pela história mundial tem vindo a ser sucessivamente adiado. O mundo parece voltar ao tempo da Guerra Fria.

Enquanto no Ocidente ainda se recorda a era Gorbatchov com alguma simpatia, na Rússia há quem procure esquecer esse período e o designe por a Catástrofe Russa. E, desde então, emergiu uma nova geração de russos, que anseia pela grandiosidade de outrora, ao mesmo tempo que exalta Estaline como um grande homem.


Svetlana Aleksievitch - Prémio Nobel da Literatura 2015



segunda-feira, 4 de julho de 2016

"A CANETA QUE ESCREVE E A QUE PRESCREVE" - LEITURAS 2016 - XXVI


Acabo de ler uma interessante antologia que reune uma selecção de textos literários sobre doença e Medicina, agregando excertos representativos das diferentes épocas da literatura portuguesa, que vai do século XIII (Pedro Hispano 1210-1277) até à actualidade, passando, entre outros, por Fernão Lopes, D. Duarte, Gil Vicente, Garcia de Orta, Fernão Mendes Pinto, Padre António Vieira, Bocage, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro, Florbela Espanca, Vergílio Ferreira, José Saramago, Gonçalo M. Tavares, entre muitos, muitos outros grandes escritores.

Estes textos mostram como a representação da doença acompanhou a produção literária ao longo dos séculos. São cento e trinta autores que aqui expõem a doença e a medicina ao longo de mais de setecentos anos, mostrando-nos situações estranhas, quase aberrantes, de desamparo e de fragilidade provocado pelo sofrimento físico ou anímico e as várias práticas doutros tempos em que, por vezes, a medicina era praticada por ferreiros, barbeiros e outras profissões.   

Esta selecção de textos sobre a doença e medicina na literatura portuguesa, foi organizada por Clara Crabbé Rocha com a colaboração de Teresa Jorge Ferreira, com prefácio de Rui Vilar, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, que proporcionou a organização destes textos.   

Miguel Torga - o título deste livro foi extraído do seu Diário


 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

FERREIRA DE CASTRO - 100 ANOS VIDA LITERÁRIA




Antes de me dirigir à Biblioteca Nacional, parei na Livraria Bulhosa (ambas no Campo Grande), para ali tomar um café. Esta excelente livraria (uma instituição em Lisboa) proporciona-nos, para além do café, um excelente ambiente, podendo nós sentarmo-nos calmamente num sofá a folhear os livros ali expostos, só é pena que o pessoal não me pareça tão simpático como o ambiente (todavia pode ser impresssão minha); por acaso também por ali circulava com o à vontade que nos é proporcionado, folheando, mexendo, qual cherne-leitor, o ex-primeiro ministro Durão Barroso. 

Segui depois para a Biblioteca Nacional, quase mesmo ali em frente, onde decorreu até ontem uma mostra sobre Ferreira de Castro - 100 anos de Vida Literária, mostra que, não posso deixar de salientar, era total e estranhamente desconhecida dos funcionários da casa pois, dos três empregados a quem perguntei, nenhum deles me soube indicar o lugar onde a exposição funcionaria...(em casa de ferreiro espeto de pau) por fim lá descobri, mesmo em frente a um dos funcionários a quem tinha perguntado, uma pequena vitrine com meia dúzia de edições antigas (? os livros eram velhos não sei é se as edições seriam antigas, porque nada era esclarecedor), mas tudo tão fraquinho, tão insuficiente.

Uma total decepção, uma miséria franciscana, diria mesmo que indigna quer da Instituição que a expôe quer da celebração centenária que neste ano de 2016 decorre; qualquer leitor de Ferreira de Castro mostraria melhor. Nada de nada que pudesse revelar algo de pessoal, algo que pudesse mostrar a sua sensibilidade, o grande homem, para além do escritor que foi, apenas, como já disse, meia dúzia de livros velhos...muito, muito fraquinho!   
Uma desilusão total para quem ali se dirige para o efeito e para quem certamente Ferreira de Castro representa um gigante das letras portuguesas e, sobretudo, um homem de uma dimensão e de uma sensibilidade inimagináveis.



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domingo, 26 de junho de 2016

"DEIXEM-ME SER QUEM SOU"




"CHICO, UM RAPAZ DE ALMADA" é um pequeno caderno que gentilmente me foi oferecido pelo seu autor (LUIS ALVES MILHEIRO).

Trata-se de um texto biográfico de homenagem a um dos melhores actores amadores do Concelho de Almada, amigo do autor. 

É o retrato de um homem que foi biografado num livro que tem dos títulos mais belos ("Deixem-me ser Quem Sou") e mais reveladores de alguém que faz da simplicidade e generosidade lema de vida. 

Os livros, como este, alertam-me e proporcionam-me momentos de satisfação pois é bom saber que ainda há pessoas assim, pessoas que são capazes de ver sempre o melhor que existe em cada um de nós - é bom saber que ainda há mundo para além dos mercados...


Actor de grande talento
Personagem de amizade
Intérprete do sentimento
Da palavra lealdade

quarta-feira, 22 de junho de 2016

"CONTOS COMPLETOS I" - JOHN CHEEVER - LEITURAS 2016 - XXV


O meu amigo Almeidinha costuma responder-me, quando lhe pergunto se gostou dum determinado livro de contos que acabou de ler: - contos são contos e apenas contos!

Pode ler-se na contracapa deste livro que estes contos (28) parecem por vezes a história de um mundo há muito desaparecido, quando a cidade de Nova Iorque era ainda inundada pela luz do rio, quando se ouvia Benny Goodman (clarinetista e músico de jazz) no rádio da papelaria da esquina e quando quase toda a gente usava chapéu.

Confesso que tinha alguma curiosidade em descobrir este autor, considerado um dos maiores escritores americanos do século XX, conhecido sobretudo pelos seus contos. 

No entanto, esperava mais, pois, na minha perspectiva, pelo menos neste livro, John Cheever não supera de modo nenhum a qualidade de dois grandes escritores do género: Guy de Maupassant e Raymond Carver.

John Cheever  -  EUA - 1912-1982



sábado, 11 de junho de 2016

"O CERCO" - HELEN DUNMORE - LEITURAS 2016 - XXIV



Relativamente à Segunda Guerra Mundial, uma das imagens mais marcantes que me ficou na memória, e que vi num documentário televisivo sobre o Cerco de Leninegrado, foi uma velhota a puxar uma carreta de madeira em que transportava o cadáver de um velhote, certamente seu marido ou familiar. 

No Inverno de 1941, os tanques alemães cercam Leninegrado. Isolada do mundo, a cidade definha, martirizada. Nas ruas, nos parques, nas casas, as pessoas vão morrendo de fome e de frio.

Dia a dia, Anna e a família vão aprendendo a sobreviver, queimando livros para se aquecerem, fervendo um pedaço de couro para fazer sopa, ou cortando pedacinhos de pão para armazenar.

"O CERCO" é realmente uma história comovente sobre o triunfo individual e a tragédia colectiva que nos desafia a reavaliar os limites da nossa memória histórica.

É uma terrível história de guerra narrada do ponto de vista do coração, não das trincheiras.

Em O CERCO, HELEN DUNMORE contrapõe o amor e o ódio, a barbárie e a amizade, a vida e a morte, para construir uma obra impressionante, onde a guerra é vista no seu lado mais humano.

Simplesmente comovente e quase inenarrável o sofrimento porque passou aquela heróica gente, cercada pelo ódio e pela mais sinistra barbárie e um retrato muito cruel do que pode ser capaz o ser humano.


Helen Dunmore - 63 anos - Yorkshire - Reino  Unido








segunda-feira, 6 de junho de 2016

"BONECA DE LUXO" - TRUMAN CAPOTE - LEITURAS 2016 - XXIII


Da colecção Mil Folhas, editado em 2004 pelo jornal "O PÚBLICO", este "BONECA DE LUXO" é um bom livro, dum excelente escritor.

Efectivamente, TRUMAN CAPOTE é um escritor genial, um escritor virtuoso que consegue criar personagens fantásticas como é, neste livro, o caso de Holly Golightly, uma jovem provinciana que viaja para Nova Iorque em busca do estrelato e do luxo mas que acaba por sucumbir precocemente; disse-se, na altura, que Holly era ele mesmo (Capote).  

Truman passou por fases difíceis tornando-se, a dado passo da sua vida, um dependente do álcool e das drogas, e teria um fim triste, sem glória.

No fim da sua vida dá-se conta, segundo as suas palavras, que nunca conseguiu fazer explodir toda a energia e excitação estética que a sua escrita continha e, este lamento, aproxima-o da personagem principal da "BONECA DE LUXO", Holly quando esta desabafa: "Sabia perfeitamente que nunca viria a ser uma estrela de cinema. É muito difícil".

Truman Capote morreria em Los Angeles, a 26 de Agosto de 1984, com 59 anos, possivelmente de "overdose".


Truman Capote com o seu messi


Nota:-Fiquei leitor indefectível de Truman Capote quando li "A SANGUE FRIO", o melhor livro que li este ano.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

LEITURAS 2016 - XXII - "UM PINGUIM NA GARAGEM" - LUÍS CAMINHA


Mas que vou eu dizer sobre este livro? é que cheguei à página 71 e continuo a mastigar, a mastigar e, sinceramente, repito, nem sei o que escrever, sem ser inconveniente, sobre um livro sobre o qual tinha lido tão boas referências, (o melhor livro que li nos últimos tempos; um livro magnífico, etc. etc.)... 

É que já li setenta páginas e nada de nada, não entra, não consigo avançar, acabou, é que nem sei o que hei-de dizer, a conversa tem sido mastigada como se fosse pastilha elástica, às vezes acontece-nos isto, levamos com um livro que, bastam dez/quinze páginas, para sentirmos que irá ser uma caminhada difícil e por maior esforço que façamos, embora avançando, avançando vamos sentindo que não sabemos por onde já passámos, e este é efectivamente um livro que não consegui avançar para além da página 70, custa-me muito deixar livros a meio (às vezes nem a meio, como é este o caso) mas sinto que estou a perder tempo e penso: com tanto livro bom (sem disprimor para este) que tenho para ler porque hei-de continuar a tentar mastigar este que não me desperta o mínimo dos mínimos de entusiasmo, pelo contrário, até actua no sentido inverso, ou seja, desmotiva-me para a leitura, daí partir para outro, quem sabe se ainda virá o tempo em que lhe darei uma segunda oportunidade...o que, sinceramente, dificilmente julgo que possa acontecer.


Luís Caminha

sábado, 28 de maio de 2016

"NOVO MUNDO MUNDO NOVO" - ANTÓNIO FERRO - LEITURAS 2016 - XXI


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"NOVO MUNDO  MUNDO NOVO" é o primeiro dos doze volumes da colecção "Quem vê capas vê corações", editada pelo Jornal O PÚBLICO, com capa de Bernardo Marques, um dos criadores dos anos 20, e reúne as crónicas referente à visita que o jornalista António Ferro fez à América, em 1927, e que foram publicadas no Diário de Notícias, enquanto enviado especial do jornal aos Estados Unidos. A longa viagem tinha o propósito principal de dar a conhecer, ao público nacional, a América e a comunidade portuguesa emigrada nos EU.

As crónicas sucedem-se ao ritmo do avião do ídolo da América de então (Lindbergh), do automóvel que então dava brado, do "comboio palace", a máquina de escrever e das novidades artísticas (e não só) da época.

"Novo Mundo, Mundo Novo" é um diário da viagem de um jornalista surpreendido - encantado, apanhado desprevenido por uma América que descobre, ao mesmo tempo que a dá a descobrir aos seus leitores.

Apelidado por muitos como o "inventor do salazarismo" António Ferro foi uma figura polémica mas também incontornável na cultura portuguesa da época, jornalista e político (Lisboa 1895-1956). Editor da revista Orpheu, esteve ligado ao grupo inicial dos modernistas, que teria em Fernando Pessoa a figura principal.

Obviamente que este livro, publicado há mais de 90 anos, terá tido um impacto totalmente diferente para quem o leu na época, já que, nesta altura, tudo está absolutamente fora do contexto do que é a América em 2016. Li-o com os olhos de quem vivesse em 1930; é esta a magia dos livros, que nos faz viajar não só pelo mundo mas também pelas diversas épocas.      

Curioso o facto deste livro ter tido (à época-1930) duas edições, uma em que a ilustração da capa é a encarnado e preto e outra em que a mesma ilustração é em azul e preto. Nesta edição de O Público foram disponibilizadas em banca duas versões de capa reproduzindo o que foi feito na primeira edição. 


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António Ferro  -  1895-1956

terça-feira, 24 de maio de 2016

"DORA BRUDER" - PATRICK MODIANO - LEITURAS 2016 - XX


Decorria o ano de 2004 e quase diariamente, para moer o almoço, entrava na conhecida Livraria Barata (na Avª. de Roma em Lisboa) e, durante pelo menos meia hora, lá ia alimentando este vício dos livros, folheando os que ali tinha à disposição. Ao fundo desta livraria havia um grande tabuleiro com  montes de livros a preços módicos (de € 1 a € 5), muito mono mas de vez em quando encontrava alguns títulos que me despertavam a curiosidade e interesse, como "A amante Colombiana" de Lars Gustafsson de que já tinha lido um excelente livro ("A morte de um apicultor") e lá o arrematei por € 3,50 (ainda não o li). E foi lá também que adquiri, a € 1,50, este "DORA BRUDER" dum escritor francês que, mal sabia eu, viria a ser Prémio Nobel da Literatura dez anos depois (em 2014) - PATRICK MODIANO.

Este "DORA BRUDER" não será um grande livro, muito menos pelo número de páginas (124), mas não deixa de se ler com algum interesse, quanto mais não seja para tomar contacto com a escrita deste Prémio Nobel mas, sinceramente, para além deste facto, o livro não me cativou minimamente.

DORA BRUDER- Anos atrás, o narrador (o autor) deparou-se com um anúncio publicado no Paris-Soir de 31 de Dezembro de 1941: "Procura-se uma rapariga de 15 anos, Dora Bruder..."

Quem era Dora Bruder? Pois é esta jovem judia que o autor tenta encontrar ficando assim obcecado em reconstruir a sua história até aos momentos finais no campo de Auschwitz.
Contudo, o autor nunca nos consegue dar um retrato exacto do que foi o seu percurso durante os anos da ocupação alemã nem tão pouco qual foi concretamente o seu destino final? foi encontrada? encontrou os seus pais depois da guerra? sobreviveu a Auschwitz? são questões que ficam em aberto neste livro, daí ter ficado com a imagem e o destino de Dora Bruder envoltos numa intensa névoa, e talvez por isso a minha decepcção.Terá sido essa a intenção do autor? Será que Modiano apenas tinha a intenção de nos mostrar o seu combate contra o esquecimento que, ao fim e ao cabo, caíu sobre as incontáveis Doras Bruder vítimas da barbárie nazi?     

Devo confessar que não fiquei leitor de Patrick Modiano.

Patrick Modiano - Boulogne-Billancourt (França) -  1945