quarta-feira, 30 de março de 2016

A LENDA - JOHAN CRUIJFF


Até hoje, Cruijff foi o jogador que mais gostei de ver jogar futebol.

Um autêntico líder em campo (e fora dele-como treinador)! 

Foi porventura o jogador (e treinador) que mais influenciou o futebol moderno.

O líder da selecção holandesa que ficou conhecida como "laranja mecânica" foi o expoente máximo do futebol total.




Como em todas as artes há aqueles (muito poucos) que são quase sobrenaturais na sua; no futebol ouso nomear quatro (já retirados) dos que vi jogar: Pelé, Maradona, Eusébio e Cruijff.

O seleccionador Rinus Michelis (talvez o melhor treinador de futebol que conheci até hoje), que levou a Holanda à final do Mundial de 1974 dizia: "sem Cruijff não tenho equipa".

Morreu em Barcelona a 24 de Março de 2016, vítima de cancro do pulmão que lhe havia sido diagnosticado em Outubro de 2015.
   
Johannes Cruijff ( há 4 dias)-  Amesterdão - 1947 - 2016



Johannes Cruijff disse:

  •  - Não sou religioso. Em Espanha, os 22 jogadores faziam o sinal da cruz antes de entrar em campo. Se isso funcionasse todas as partidas terminariam empatadas


  • - Jogadores que não são verdadeiros líderes mas tentam ser, discutem sempre com os outros depois de um erro. Os verdadeiros líderes dentro do campo já sabem que os outros vão errar.

sábado, 26 de março de 2016

LEITURAS 2016 - XIII - "ÍNDICE MÉDIO DE FELICIDADE" - DAVID MACHADO


David Machado (n. em Lisboa em 1978) é um dos grandes talentos da nova geração de escritores.

Já tinha gostado do seu excelente romance "Deixem falar as pedras" e este "ÍNDICE MÉDIO DE FELICIDADE" veio reafirmar o seu talento, pois é um romance admirável e extremamente actual sobre a crise que tem varrido Portugal e o quanto mal ela tem causado às pessoas, sobretudo àquelas que perderam os seus empregos e que viram as suas vidas viradas do avesso, como é o caso de Daniel o protagonista principal deste excelente livro.

Daniel tinha um plano de vida, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a via parecia fácil - e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a renda casa, a conta da água, do gás da electricidade e a mulher também desempregada...

David Machado é, sem dúvida, um dos melhores ficcionistas da sua geração.

3.5 - interessante



0 - li, mas foi zero
1 - desisti
2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5-interessante 
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra-prima  

terça-feira, 22 de março de 2016

LEITURAS 2016 - XII - "AMOR QUE MATA" - ROSA MONTERO


Desde que li "A louca da Casa", da espanhola Rosa Montero fiquei sempre atento aos seus livros e "Instruções para salvar o mundo" e "História do Rei Transparente" foram mais dois excelentes livros que contribuíram para que continuasse a ser um seu leitor. 

Acabei agora de ler "AMOR QUE MATA" e confesso que este, ao contrário do que antes acontecera, soube-me a pouco e acho que não irá acrescentar muito à sua obra literária.

"AMOR QUE MATA" fala de um outro lado da vida de quatro dos tiranos mais conhecidos: a intimidade partilhada com as mulheres das suas vidas. Esposas, amantes, filhas, sobrinhas, todas elas desempenharam um papel significativo na vida destes ditadores; algumas delas foram determinantes no decurso de certos acontecimentos históricos. 

-ESTALINE-que era violento e cruel com as mulheres, levando-as ao desespero, mas ponderava o suicídio quando elas morriam.

-MUSSOLINI-um machista cruel que dizia que as mulheres eram como as massas, ambas feitas para serem violadas.

-HITLER-que nunca quis assumir qualquer relação, consciente de que a sua "disponibilidade" seria um factor decisivo junto do eleitorado feminino.

-FRANCO-que ordenou as mais bárbaras execuções mas, na intimidade, era altamente influenciado pela mulher, D. Carmen, extremamente mandona, extremamente religiosa (uma ferrenha beata) e uma autêntica avarenta que não olhava a meios para aumentar o seu património, (a sua avidez levou-a, por exemplo, a fundir as medalhas, bandejas e placas que Franco fora recebendo, convertendo-as em lingotes de prata ou de ouro).   

"AMOR QUE MATA" não deixa contudo de se revelar um documento curioso que nos ajuda a conhecer um outro lado destes cruéis ditadores.   


Rosa Montero, Madrid 1951
  

quinta-feira, 17 de março de 2016

LEITURAS 2016 - XI - "HISTÓRIAS DE VER E ANDAR" - TEOLINDA GERSÃO

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A escrita de TEOLINDA GERSÃO é simples, fácil, acessível, directa. Qualquer um dos seus livros que já li nenhum me desiludiu, todos li com muito agrado; recomendo especialmente o  romance "PASSAGENS".


"HISTÓRIAS DE VER E ANDAR" é um bom livro de contos, quase todos de apenas duas ou três páginas, mas excelentes.

Como se refere na contracapa do livro, no fim de cada um dos contos descobriremos que a vida, a nossa própria vida, não estava exactamente no lugar que pensávamos.

Gostei de todos os contos, gostei especialmente de "As cartas deitadas" em que se retrata exactamente os tempos em que os filhos dos empregados usavam a roupa que os meninos já tinham deixado de usar, que brincam com os filhos dos patrões quando eles querem brincar (são eles que têem os brinquedos).

São catorze contos onde são descritas situações que certamente muitos de nós poderão ter passado.




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sábado, 12 de março de 2016

LEITURAS 2016 - X - "BUTCHER'S CROSSING" - JOHN WILLIAMS


John Williams, Professor Universitário, autor e editor escreveu apenas quatro romances (deixou um quinto inacabado). Que eu saiba apenas dois foram publicados em Portugal, este "BUTCHER'S CROSSING" (escrito em 1960) e "STONER" (em 1965) que ainda não li mas que, pelo que tenho ouvido e do que já tive oportunidade de espreitar, deverá ser excelente.

"BUTCHER'S CROSSING" é uma excelente história: em 1870 Will Andrews, que se fartou de Harvard (onde frequentava a Universidade), ansioso por aventura, chega a Butcher's Crossing uma pequena localidade no duro Oeste, onde vai conhecer figuras curiosas, gente dura e que se confunde com a paisagem.Ali encontra o seu mentor: Miller, um caçador de poucas falas, que conhece o refúgio da última grande manada de búfalos. Seduzido pela promessa de aventura, o protagonista junta-se à expedição. Serão quatro homens em marcha, por terra bravia, numa luta épica contra o tempo, a sede e os elementos.

É um grande romance que, tal como "STONER", passou despercebido durante mais de cinquenta anos. É um grande romance de um grande escritor. 

Excelente!

Nota: a páginas tantas (não tomei nota do nº. de página) leio estavam enxendo os copos, em vez de enchendo os copos; não queria acreditar mas é verdade como é que uma editora lança um livro com um erro destes, é que eu atrevo-me a pensar que poderá não ser uma gralha mas que eventualmente até poderá tratar-se mesmo de um erro de quem não sabe. Por vezes já começo a duvidar de mim próprio nesta questão do português, tantos pontapés na língua que ouço e, pasme-se, agora até os leio num livro á venda ao público!  


John Edward Williams - Texas   EUA  -  1922-1994
   


terça-feira, 8 de março de 2016

LEITURAS 2016 - IX - "O PEQUENO LIVRO DO GRANDE TERRAMOTO" - RUI TAVARES


O Terramoto de 1755 foi, seguramente, a maior catástrofe natural que algum dia se abateu sobre Portugal e é considerado como o maior dos sismos de que há notícia histórica. 

Com epicentro localizado a cerca de cento e cinquenta quilómetros a sudoeste do Cabo de S, Vicente, os seus efeitos destrutivos, sentidos fortemente em Lisboa, estenderam-se ao Algarve, sul de Espanha e a uma vasta área de Marrocos (onde foi sentido à mesma hora e com igual rigor). Por acção conjunta do tremor de terra e do tsunami que se lhe seguiu Lisboa, Setúbal e muitas outras povoações foram largamente destruídas tendo morrido milhares de Portugueses. Embora sem causar danos, também foi sentido por quase toda a Europa, nos Açores e na Madeira.

"O PEQUENO LIVRO DO GRANDE TERRAMOTO", um ensaio sobre 1755, propõe uma abordagem inovadora da história e acompanha-nos numa travessia a que é difícil resistir e ficamos a conhecer factos curiosos sobre esta calamidade; 

-o sismo deu-se às nove e meia da manhã do dia 1 de Novembro de 1755.
-o tsunami terá ocorrido entre uma e duas horas depois
-os incêndios que terão começado logo durante o abalo só se tornaram notórios a partir do meio-dia e duraram vários dias
-o terramoto durou mais de sete minutos, com duas curtas paragens
-a onda gigante chegou à capital do reino e tinha seis metros de altura   



Neste ensaio sobre o terramoto de 1755 fiquei a saber quem eram algumas das figuras que só conhecia por nome de rua, como por exemplo, entre outras, o engenheiro militar MANUEL DA MAIA que ficou como sua obra principal a construção do Aqueduto das Águaas Livres e que no próprio dia do sismo passou-o, tentando salvar, com sucesso os documentos do arquivo da Torre do Tombo (de que foi guarda-mor).

É um ensaio interessante sobre esta grande calamidade. Devo no entanto confessar que cheguei a temer pela continuação da leitura do livro já que as primeiras trinta páginas, em que era abordada uma relação entre o terramoto de 1755, o 11 de Setembro de 2001, o tsunami de 2004 e os incêndios de Roma em 64 d.c., não me conseguiram prender e achei-as (estas primeiras trinta e tal páginas) desinteressantes no contexto do que pretendia o leitor ( o meu caso) -saber mais sobre o Terramoto de 1755, o que, no entanto, foi, quanto a mim, conseguido.

Rui Tavares nasceu em Lisboa em 1972

sexta-feira, 4 de março de 2016

UMBERTO ECO E OS LIVROS

Itália  1932-2016

Não li mais de três/quatro livros de UMBERTO ECO, o escritor, filósofo, semiólogo, linguísta, bibliófilo e sábio italiano, que faleceu há pouco mais de quinze dias (dia 19 de Fevereiro 2016), com 83 anos.

Dos livros que já li deste grande escritor italiano tenho extraído e anotado algumas considerações, que vou relendo de vez em quando; eis duas delas:

-"Tenho cinco mil livros e há sempre o imbecil do costume que entra (em minha casa) e diz: quantos livros tem? leu-os todos?
E o que é  que eu respondo? nenhum, de modo porque os guardaria aqui? o senhor porventura costuma guardar as latas de conserva depois de as esvaziar? os cinquenta mil que já li ofereci-os a prisões e hospitais. E o imbecil estremece...
(do livro "A MISTERIOSA CHAMA DA RAINHA LOANA"



-"Os perdedores, como os autodidatas, têm sempre conhecimentos mais vastos do que os vencedores; se queres vencer, tens de saber uma coisa só e não perder tempo a sabê-las todas, o prazer da erudição está reservado aos perdedores"
(do livro "NÚMERO ZERO")