quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

LEITURAS 2015 - I - VERGÍLIO FERREIRA


"conta corrente 1", de Vergílio Ferreira foi o primeiro livro que li em 2015.

Vergílio Ferreira grande escritor!

Era realmente um escritor fantástico, sinto um grande, enorme prazer quando leio os livros dele, sinto-me como se estivesse numa ilha deserta, isolado de tudo e de todos apenas com o melancólico mas doce som do silêncio.

Não será um escritor fácil, bem pelo contrário, é daqueles que nos faz pensar, que nos empurra contra a parede, (dizia ele:

-um livro não pode simplesmente distrair-nos . É necessário um "saldo"final que nos comprometa com a vida. Que nos perturbe-).

Estes diários, publicados em nove volumes, sob o título de conta corrente, já os tinha eu lido em 2011, mas estou a voltar e a relê-los pois são efectivamente fascinantes.

"conta corrente 1" aborda os anos de 1969 a 1976.

Estes seus escritos são assim como que uma história do que foram os últimos quarenta anos do século XX. 

São verdadeiras pérolas alguns dos seus pensamentos, que voltei a reler, neste seu "conta corrente 1":

-o problema da morte é para vivos, e um velho começa a sê-lo menos

-o que mais nos custa é não entender a grandeza de muitos outros, para percebermos bem a nossa distância deles

-só se imagina o que está ausente

-o silêncio é bom enquanto dura a memória do ruído

-Uma das tragédias do casamento é que quando alguém se casa não se casa só com uma pessoa, casa-se sempre com uma data de gente

-os pequenos crescem. Um modo de nós diminuirmos



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OS LIVROS QUE LI EM 2014

0 - li, mas não me merece mais do que zero, porque não entendi
1 - desisti  (quando, a páginas tantas, não sei nem compreendo o que se trata, desisto, embora me custe muito desistir de qualquer livro
2 - li, mas não me cativou  (e se for a primeira vez que leio este autor dificilmente voltarei a lê-lo)
3 - razoável (costumo dar-lhe uma segunda oportunidade, não ao livro mas sim ao autor) 
3,5 - interessante  (gostei e será mais um autor a ter em consideração)
4 - bom  (gostei muito pelo que estarei sempre atento a obras do autor)
5 - muito bom (fico sempre com a vontade de o voltar a ler-o livro-)
6 - excelente  (um autor que passará a ser primeiro nas minhas preferências
7 - obra prima  (só muito raramente costumo ter a sorte de o encontrar)




Por ordem de satisfação, com pontuação de 0 a 7:


  1. CANADÁ - Richard Ford - 6
  2. O HERÓI DISCRETO - Mário Vargas Llosa - 5
  3. O PALÁCIO DA LUA - Paul Auster - 5
  4. CLARABÓIA - José Saramago - 5
  5. O RETORNO - Dulce Maria Cardoso - 5
  6. ANTOLOGIA INDISPENSÁVEL - Flannery O'Connor - 5 
  7. ATÉ AO FIM - Vergílio Ferreira - 4 
  8. A CIDADE DE ULISSES - Teolinda Gersão - 4
  9. A PRIMAVERA HÁ-DE CHEGAR, BANDINI - John Fante - 4 
  10. RÓMULO DE CARVALHO/ANTÓNIO GEDEÃO - PRÍNCIPE PERFEITO - Cristina Carvalho - 4
  11. HOMER & LANGLEY - E.L.DOCTOROW - 4
  12. CRÓNICA, SAUDADE DA LITERATURA - Manuel António Pina - 4
  13. PASSAGENS - Teolinda Gersão - 4
  14. O BOTEQUIM DA LIBERDADE (Natália Correia) - Fernando Dacosta - 4
  15. O INQUILINO - Javier Cercas - 4
  16. CARTAS A LUCÍLIO - Lúcio Abreu Séneca - 4
  17. DIÁRIO DE INVERNO (memórias) - Paul Auster - 4
  18. PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS - Afonso Cruz - 4
  19. DESISTO - Philippe Claudel - 4 
  20. O GERÂNIO - CONTOS DISPERSOS - Flannery O'Connor - 4
  21. O INTRÍNSECO DE MANOLO - João Rebocho Pais - 4
  22. O LIVRO DE AGUSTINA BESSA LUÍS - (por ela própria) - 4
  23. TEORIA GERAL DO ESQUECIMENTO - José Eduardo Agualusa - 4
  24. JESUS CRISTO BEBIA CERVEJA - Afonso Cruz - 4
  25. A METAMORFOSE - Franz Kafka - 4
  26. PAPÉIS DE JORNAL - António Mega Ferreira - 4
  27. A LOUCA DA CASA - Rosa Montero - 3,5
  28. A CIVILIZAÇÃO DO ESPECTÁCULO - Mário Vargas Llosa - 3,5
  29. A GUERRA DO SALAVISA - J. F. Matias - 3,5
  30. A ÚLTIMA ENTREVISTA DE JOSÉ SARAMAGO - José Rodrigues Santos - 3,5
  31. A INFÂNCIA DE JESUS - J. M. Coetzee - 3,5
  32. ENTRE COZ E ALPEDRIZ - José Cipriano Catarino - 3,5
  33. PORTUGAL - A FLOR E A FOICE - J. Rentes de Carvalho - 3,5
  34. UMA OUTRA VOZ - Gabriela Ruivo Trindade - 3,5
  35. VIVER E RESISTIR NO TEMPO DE SALAZAR - Maria Alice Samara/Raquel P. Henriques - 3,5 
  36. O ASSASSINO DO AQUEDUTO - Anabela Natário - 3,5
  37. FALAR É FÁCIL - Zé Diogo Quintela - 3,5
  38. A ESPÉCIE HUMANA - Robert Antelme - 3,5
  39. 1914-PORTUGAL NO ANO DA GRANDE GUERRA - Ricardo Marques - 3,5
  40. AUTORES,LEITORES E EDITORES - Francisco Vale - 3,5
  41. AS VIDAS DOS OUTROS - Pedro Mexia - 3,5
  42. GOODBYE, COLUMBUS - Philip Roth - 3,5
  43. VICENTE JORGE SILVA CONVERSAS COM ISABEL LUCAS - 3,5
  44. TEMPO DE COMBATE - Baptista-Bastos - 3
  45. OS FACTOS - Philip Roth - 3
  46. O MUNDO DOS VIVOS - Pedro Mexia - 3
  47. OS NÍVEIS DA VIDA - Julian Barnes - 3
  48. CARÍSSIMAS 40 CANÇÕES - Sérgio Godinho - 3
  49. OS PRIMOS DA AMÉRICA - Ferreira Fernandes - 3
  50. A IRMÃ DE FREUD - Goce Smilovski
  51. AS VIDAS DOS ANIMAIS - J.M.Coetzee - 3
  52. A ILHA - J.M.Coetzee - 3
  53. OS OLHOS DE TIRÉSIAS - Cristina Drios - 3
  54. AS PRIMEIRAS COISAS - Bruno Vieira Amaral - 3
  55.  SONO - Haruki Murakami - 3
  56. OS ESCRITORES (TAMBÉM) TÊM COISAS A DIZER - Carlos Vaz Marques - 3
  57. AQUILO EM QUE ACREDITO - Carlos Fuentes - 3
  58. PÁGINAS DO PÁGINAS SOLTAS - Bárbara Guimarães - 3
  59. NADA A TEMER - Julian Barnes - 2
  60. O EIXO DA BÚSSOLA - Mário Cláudio - 2
  61. VIVER PARA CONTÁ-LA - Gabriel Garcia Marquez - 2
  62. EXPLICAÇÕES DE PORTUGUÊS-EXPLICADAS OUTRA VEZ - Miguel Esteves Cardoso - 2
  63. RETRATO DE RAPAZ - Mário Cláudio - 2
  64. OS VENTOS E OUTROS CONTOS - Eudora Welty - 2
  65. UMA BIBLIOTECA DA LITERATURA UNIVERSAL - Hermann Hesse - 2
  66. HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA - Jorge Luís Borges - 2
  67. TUDO SÃO HISTÓRIAS DE AMOR - Dulce Maria Cardoso -2 
  68. ENCICLOPÉDIA DA HISTÓRIA UNIVERSAL - Afonso Cruz - 2
  69. OLHOS DE CÃO AZUL (contos) - Gabriel Garcia Marquez - 2
  70. UMA MENTIRA MIL VEZES REPETIDA - Manuel Jorge Marmelo - 1
  71. DESUMANIZAÇÃO - Valter Hugo Mãe - 1
  72. MISTÉRIOS - KNUT HAMSUN - 1
  73. A RECOMPENSA DO SOLDADO - William Faulkner - 1
  74. CANÇÕES MEXICANAS - Gonçalo M. Tavares - 0




sábado, 10 de janeiro de 2015

TONY CARREIRA/MIKE BRANT


Tony Carreira

Na semana passada ouvi, na Antena Um, uma curiosa entrevista (de cerca de duas horas) feita pelo grande António Macedo a um dos maiores sucessos de venda, da música ligeira portuguesa, Tony Carreira.


Mike Brant - 1947-1975

De propósito referi curiosa entrevista, apesar de a mesma não ter acrescentado nada à personalidade deste cantor romântico, para além da sua humildade na descrição do que foram os seus inícios, um pouco mala de cartão e um pouco o fado português de "desgraçadinho", não referiu nem gostos nem interesses por algo de cultural para além da sua melodia sempre igual, mas curiosamente referiu como seu ídolo na música um cantor que me fez recuar à minha adolescência: MIKE BRANT, e que, um pouco estranhamente, o entrevistador revelou desconhecer em absoluto (uma surpresa para mim).

Mike Brant foi um cantor da minha adolescência, quando reinava o eterno Salvatore Adamo, cuja nacionalidade nem sempre foi (para mim) muito clara, tive sempre dúvidas se era francês, belga, suiço, ou italiano (afinal parece que é mesmo italiano, da Sicília, ao que parece nascido em Como, embora belga do coração, como ele costuma salientar e conforme me disse o meu amigo Kim um verdadeiro e eterno fã de Adamo) ...

Mike Brant foi um cantor francês (porém de nacionalidade israelita) pouco conhecido em Portugal, até porque morreu cedo (suicidou-se ao 28 anos), que até poderá ter tido algumas semelhanças com Tony Carreira, pelo menos na pose para a fotografia...

Esta sua canção -de Mike Brant- (Rien qu'un larme) traz-me à lembrança milhentas recordações.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

ÚLTIMO LIVRO QUE LI EM 2014




"VICENTE JORGE SILVA CONVERSAS COM ISABEL LUCAS"

Foi este o último livro que li em 2014.

Vicente Jorge Silva é um grande homem dos jornais um homem a quem me habituei a reconhecer uma qualidade que não vejo a mais ninguém na imprensa deste país.
Este livro retrata bem o seu trabalho ao longo de toda uma vida dedicada aos jornais, desde o mítico jornal cor de rosa "O Comércio do Funchal" até àquele que foi, na altura, uma pedrada no charco "O PÚBLICO", passando, claro, pelo EXPRESSO.




Este livro é uma longa conversa que passa a vida profissional e pessoal de Vicente Jorge Silva, sessenta e oito anos, natural do Funchal, jornalista, um homem que marcou alguns dos mais estimulantes projectos do jornalismo em Portugal.



Aqui se fala de pessoas - 
-António Guterres que me pareceu demasiado condescendente, sem firmeza bastante para defender as suas convicções
-Augusto Santos Silva um homem de mão e um panfletário grosseiro do socratismo
-Manuel Alegre, independentemente das suas vaidades pessoais, tinha uma energia de combate, um certo idealismo com o qual eu me identificava um pouco
-com Jorge Sampaio as coisas eram mais simples, transparentes
-Cavaco Silva é uma personagem oblíqua   
-Alberto João Jardim - Há tempos, numa inauguração num bairro social, um grupo de populares lançou uns impropérios contra Jardim e ele respondeu: "não vale a pena ladrar porque ainda não aprenderam a ser cachorros". A verdade é que ele sempre olhou para os madeirenses como cachorros dóceis e mudos e, agora, os cachorros começaram a ladrar..."
e muitos outros - Belmiro de Azevedo, Mário Soares, Ferro Rodrigues, Álvaro Cunhal...

Aqui se fala de livros:

-"A SANGUE FRIO" de Truman Capote-um livro absolutamente extraordinário, de uma força esmagadora.
-"AS PALAVRAS" de Jean Paul Sartre-talvez seja o livro mais fabuloso sobre a infância e a construção de uma personalidade a partir da infância
-"O ESTRANGEIRO" de Albert Camus - foi um romance essencial da minha adolescência, que li e reli não sei quantas vezes.

Um livro que li com curiosidade e satisfação. 












Contudo, notei uma falta, que talvez até possa considerar uma lacuna, é que não foi abordado algo que creio ter sido uma iniciativa pioneira do jornal lançado por Vicente Jorge Silva "O PÚBLICO": a venda de livros juntamente com o jornal, nomeadamente a excelente "COLECÇÃO MIL FOLHAS" de 100 títulos; e julgo que também Vicente Jorge Silva terá estado neste extraordinário projecto da imprensa portuguesa, daí a minha estranheza na não abordagem deste tema.