quinta-feira, 23 de março de 2017

LIVROS INESQUECÍVEIS

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Há livros que nos marcam, que são absolutamente inesquecíveis e que tencionamos vir a reler um dia. Sobre este, "O PÁSSARO PINTADO" de JERZY KOSINSKI, que li há muito, muito tempo mas que nunca, nunca esqueci, disse o realizador espanhol Luis Buñuel: "Talvez o livro que mais me tenha impressionado". Por seu lado Arthur Miller, dramaturgo norte-americano, que foi casado com Marilyn Monroe, afirmou: "Um feito literário muito importante e muito difícil de conseguir".

Livro baseado nas memórias de infância do próprio autor e que retrata as deambulações de uma criança que foi deixada ao cuidado de uma velhota, durante a 2ª. Guerra Mundial. A velhota responsável morre, e o rapaz vê-se sozinho ao frio, em busca de abrigo e de alimento, sofrendo os mais tenebrosos actos de agressividade e maldade humana. Um relato de grande sofrimento e de uma grande tristeza.



sábado, 11 de março de 2017

"O ESTRANHO DEVER DO CEPTICISMO" - MÁRIO MESQUITA - LEITURAS 2017 - V

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Contrariando o que se pode ler na contracapa deste (bonito e apetecível) livro, a sensação com que fiquei ao ler estes comentários reunidos, foi que a grande maioria deles foram escritos num tempo já muito distante e que, ainda por cima, estão povoados de personagens tão desinteressantes e caquéticas, como Cavaco, Guterres, Freitas, Sampaio, Soares, etc. etc....talvez por isso, tivesse ficado com um sabor amargo perante uma escrita de tanta excelência para temas tão desactualizados e cinzentões.  

Só a excelente prosa deste grande jornalista e professor de Comunicação determinou que não deixasse o livro a meio, já que Mário Mesquita quase consegue transformar comentários de raiz vincadamente política em interessantes ensaios.

O livro é-nos apresentado de um modo atraente, estando dividido por TEMAS, começando pelo tema PESSOAS, onde são focadas algumas interessantes personagens, como George Steiner, Charles de Gaulle, George Orwell, Jean Paul Sartre, Sigmund Freud, Günter Grass e outras figuras nacionais e internacionais, algumas bem misteriosas, como é o caso do antigo presidente da República Francesa, François Mitterrand que, referindo-se a ele próprio, dizia isto: "Ninguém conhece de mim mais do que um terço...não é por ter coisas a esconder, mas porque sou assim. E não gosto de pessoas transparentes." 
Seguem-se outros temas: MEMÓRIA (o caso Aldo Moro, a pantufa de Proust...), ACONTECIMENTOS (os coleccionadores de cabeças-o caso de Sacavém...), CONJUNTURAS (a esquizofrenia da austeridade...), INSTITUIÇÕES (o S.I.S....), CRISES (o 11 de Setembro de 2001, Timor-Leste, o Iraque...)

São mais de quinhentas páginas contando crise a crise, acontecimento a acontecimento, ocorrência a ocorrência, pessoa a pessoa constituindo uma lição de bem escrever (que pena grande parte dos temas serem tão cinzentos e ultrapassados).


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Mário Mesquita, Açoriano - 1950

nota 2  -  li, mas não me cativou

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quarta-feira, 1 de março de 2017

"O GÉNIO E A DEUSA" - Jeffrey Meyers - LEITURAS 2017 - IV

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"O GÉNIO E A DEUSA", baseado na longa amizade do autor (JEFFREY MEYERS) com Arthur Miller, é um retrato do casamento deste dramaturgo com Marilyn Monroe (casados entre 1956 e 1961), mas não só... o que sobretudo, mais me interessou neste livro foi o desvendar de mais alguns pedaços duma vida tão atribulada e sofrida e, ao mesmo tempo, tão longa e tão curta de alguém que tanto parecia ter, mas que, afinal, nunca teve aquilo que mais procurou: amor. A vida desta grande figura do cinema (Marilyn Monroe) sempre me interessou.


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. Filmagem às duas e meia da manhã "O PECADO MORA AO LADO"
à saída do Metropolitano de Nova Iorque, uma enorme multidão apareceu para ver

     MARILYN MONROE (não me alimento de quases, não me contento com a metade! Nunca serei a sua meio amiga, ou seu meio amor...é tudo ou nada

A INFÂNCIA:
-Quando nasceu, em Los Angeles a 1 de Junho de 1926, deram-lhe o nome de Norma Jeane Baker, inspirado no de uma actriz popular, Norma Talmage.

Sua mãe, Gladys Monroe, nasceu no México em 1902 e a loucura sempre a perseguiu, vindo a morrer num hospício estatal.
O pai, Stanley Gifford, supervisor de laboratório da indústria cinematográfica, nunca reconheceu a filha nem se disponibilizou para ajudar. 

Norma Jeane passou os seus primeiros sete anos de vida com uma família de acolhimento, os Bolanders, que eram fanáticos religiosos que impunham uma disciplina severa e inflexível.
Quando a mãe tomou conta dela, cujo regime hedonista (aquele/a que considera o prazer como único fim de vida) era a completa antítese do dos Bolanders, transformou completamente a vida quotidiana e os valores morais de Norma Jeane. 
Teve ainda outras famílias de acolhimento, entre estadias em orfanatos pelo meio.

A ADOLESCÊNCIA: 
-Desde que começou a posar para os fotógrafos como uma bonita adolescente, aprendera a tornar-se "Marilyn Monroe" e tinha vivido, numa estranha dissociação, como duas mulheres. Uma era a rapariga vulgar que queria uma vida familiar estável, com amigos, casamento e filhos; a outra era o ídolo do cinema e a deusa do sexo, com a figura de ampulheta, lábios brilhantes e cabelo louro.   

MARILYN MONROE E OS KENNEDYS:
-Para John Kennedy, Marilyn era apenas mais um (dos muitíssimos) engates e nunca gostou dela, ao contrário de seu irmão, Bobby Kennedy, que esteve mesmo apaixonado por MM e que, também ao invés de John, era meigo, querido e brincalhão.


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MARILYN MONROE EM HOLLYWOOD:
-Marilyn, uma hedonista desinibida, sempre disposta a dormir com homens que pensava poderem ajudá-la.
Em 1951, assinou contrato com a FOX. Obteve pequenos papéis, muitas vezes em troca de favores sexuais a homens influentes.  
Orson Wells chamou a atenção para o facto de quase toda a gente em Hollywood ter dormido com ela.
Em 1953, contra as expectativas. atingiu o estrelato.  

MARILYN MONROE E OS LIVROS:
-Marilyn possuía 400 livros de escritores americanos e ingleses e de outros países europeus. Folheava revistas e lia argumentos de filmes, mas a sua última secretária nunca a viu a ler nada senão romances baratos de Harold Robbins. Seu marido, Arthur Miller, confirmou que, possivelmente à excepção de "Chérie" de Colette e de alguns contos, nunca deu por que ela lesse fosse o que fosse. Mas estava decidida a melhorar os seus conhecimentos pois queria compreender as conversas sobre livros.
Marilyn não só lia poesia, mas também a escrevia para expressar os seus conhecimentos quando estava deprimida.


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MARILYN E UM DOS SEUS GRANDES DEFEITOS:
-Se a grande força de MM era o desejo de aprender, a sua grande falha pessoal e profissional eram os atrasos crónicos. Nunca chegava a tempo e os atrasos eram mesmo de muitas horas mostrando uma total falta de consideração pelos que com ela trabalhavam não querendo tão pouco saber dos milhões que tais atrasos implicavam no custo total do filme. Era, neste caso, mal educada, mesquinha, indelicada e completamente egoísta.

MARILYN E O SEXO:
-Séria e ingénua, Marilyn considerava o sexo com ligeireza e oferecia como recompensa o único bem de que dispunha. O sexo era a sua maneira de dizer obrigado. Entre final da década de 1940/década de 1950-doze abortos provocados; seguiram-se, até ao fim da vida, outros abortos espontâneos.
-Uma garota sábia beija mas não ama, escuta mas não acredita e parte antes de ser abandonada (Marilyn Monroe)-

 A MORTE DE MARILYN:
-O relatório da autópsia afirmava que ingerira entre quarenta a cinquenta Nembutals e um grande número de comprimidos de cloral. A causa da morte foi envenenamento agudo de barbitúricos. Ingestão de overdose. O óbito foi declarado às 3h50 da manhã de domingo 5 de Agosto de 1962.
Apesar do relatório da autópsia ser concludente, as muitas mentiras que rodearam o suicídio de MM tornaram evidentes as tentativas de encobrimento com o objectivo de ocultar qualquer delito e esconder a sua relação íntima com os Kennedys.  
Pode ter morrido de uma overdose acidental, ter-se tratado de um suicídio deliberado ou (como alguns pensam) ter sido vítima de um homicídio com motivações políticas. Nunca teremos a certeza.

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Marilyn Monroe é encontrada morta no seu quarto a 5 de Agosto de 1962

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Cesário I, Cesário II, Cesário III, José Maria I, José Maria II ...


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Cesário I, Cesário II, Cesário III, José Maria I, José Maria II e José Maria III, Fernando Mendonça, João Mendonça e Jorge Mendonça (Sporting de Braga); Garcia, Coureles e Picareta, Manteigueiro e Cafum, Lãzinha e Couceiro (Sporting da Covilhã); Vital, Teotónio, Batalha, Caraça, Flora e Falé, José Pedro, Patalino (Lusitano de Évora)...toda esta galeria de nomes (e rostos) fazia parte dos bonecos da bola que alegraram a minha infância e que ainda estão bem vivos na minha memória. Todos estes bonecos eram colados em cadernetas (normalmente com farinha, na falta de cola) que constituíam a nossa felicidade quando completadas o que não era nada fácil; o "boneco da bola" -que estava colado no fundo da lata- e que normalmente saía "à casa", e que, por ser o último, valia uma bola de caut-chug (algo que, na altura, sair-nos em sorte seria como se nos saísse a sorte grande).   

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Coureles (e não Courelas)
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Couceiro


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Pois foi esta "bela memória" que, na última sexta-feira, revi numa interessante exposição que está actualmente patente em Lisboa, na Biblioteca Nacional de Portugal (ao Campo Grande), que, para além dos bonecos da bola, apresenta outros cromos que igualmente povoaram (e adocicaram) a minha infância, como a célebre "RAÇAS HUMANAS", "EMBLEMAS DESPORTIVOS", "HISTÓRIA NATURAL", "BANDEIRAS MUNDIAIS", "HISTÓRIA DE PORTUGAL", "ARTISTAS DE CINEMA" e outras interessantes colecções que eram autênticas mostras de carácter enciclopédico.


Esta bela exposição dedicada ao cromo em Portugal, para além das colecções nacionais expostas, inclui também edições estrangeiras, com ela relacionadas, ilustrações originais, uma máquina (manual) de fabricar rebuçados, latas de caramelos, brindes das colecções...reminiscências com história de um quotidiano nacional cuja memória merece ser conservada. 

Uma excelente iniciativa apresentada pela Biblioteca Nacional com o apoio do Clube Português da Banda Desenhada que representa um evento digno de nota e que vale a pena ver.

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Cadernetas de cromos

100 anos do cromo colecionável em Portugal

EXPOSIÇÃO | 1 fev. '17 | 19h15 | Galeria do Auditório | Entrada Livre / até 29 abr. '17

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"A BIBLIOTECA À NOITE" - ALBERTO MANGUEL - LEITURAS 2017 - III

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ALBERTO MANGUEL é um entusiasta do prazer dos livros, e o seu entusiasmo, está aqui exposto ao abordar a Biblioteca de todas as maneiras e feitios, seja a Biblioteca como Mito, como Ordem, como Espaço, como Poder, como Sombra, como Forma, como Acaso, como Oficina, como Mente, como Ilha, como Sobrevivência, como Esquecimento, como Imaginação, como Identidade e até a Biblioteca como Lar.

Efectivamente, Alberto Manguel, um dos maiores bibliófilos do mundo, a partir da sua mítica biblioteca pessoal, com mais de 40 mil livros num antigo presbitério em França, conta-nos tudo o que sabe sobre a história, o fascínio e os enigmas das bibliotecas, para além de nos contar belas histórias também sobre leitores. A copiosa biblioteca de Charles Dickens, o catálogo imaginário de Colette e tantos outros.

É um livro para quem gosta de livros, para quem tem a paixão da leitura, não será certamente um livro para quem apenas lê um livro de vez em quando, isso não.

Os livros queimados, os livros não lidos, os livros proibidos, a falta de espaço, a arrumação dos livros, os livros esquecidos que quando menos esperamos voltam a ser uma novidade quando afinal já os possuímos há tanto tempo, uma fotografia que já havíamos esquecido nas páginas de Pearl Buck, uma nota de vinte escudos dentro de um John Steinbeck, um bilhete de eléctrico cor de rosa velho entre as páginas do rei verde do P. L. Sulitzer, são situações que, de algum modo, são abordados neste belo livro.

Este é um daqueles livros que, não sendo de modo nenhum um livro fácil, não é um livro de uma só leitura é um livro que, tenho a certeza, irei voltar a ele com muita frequência, porque é um livro em que na primeira leitura muita coisa ficará por descobrir.

Alberto Manguel é um autor extremamente versátil: ensaísta, ficcionista e tradutor mas conheço-o fundamentalmente como o mais cativante, o mais eclético, o mais criativo de todos os ensaístas da actualidade e sobretudo um entusiasta que mais fala de livros do prazer dos livros, embora, por vezes, na minha perspectiva um pouco académico.


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Alberto Manguel  1948  - Buenos Aires

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

ARGUS

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Quando ontem me desloquei ao cemitério da Amadora, tive a felicidade de observar uma cena que paradoxalmente me paralisou e me marejou os olhos: deitado junto à campa do dono estava um cão que ali se mantinha e ladrava a quem se aproximava do dono; foi uma cena que me comoveu e que cimenta ainda mais o meu amor pelos animais; os seus latidos mais pareciam lamentos e choros de não ver fisicamente o seu dono.

Não sei se se chamaria Argus mas fez com que me lembrasse de Ulisses que, depois do longo exílio, volta a casa (à sua ilha de Ítaca) disfarçado de mendigo sendo reconhecido apenas por Argus, o seu cão, já bem velho, sem forças para fazer mais do que abanar o rabo ao reencontrar o dono. Ulisses então chora, e as lágrimas provocadas pela saudação de Argus dão a medida da cumplicidade que infelizmente apenas parece possível entre cães e homens.

Uma cena inesquecível ao olhar a tristeza daquele animal que não voltará a sentir a alegria de ser acarinhado pelo dono, não mais pode correr em volta dele para o levar a passear.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

MIGUEL TORGA - Diário Vols. V e VI - LEITURAS 2017 - II

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Estes diários (vols. V e VI) foram escritos entre Abril de 1949 e e Maio de 1953, já lá vão portanto cerca de 60 anos e, no entanto, continua a ser uma leitura actual porque a mestria, o saber e o génio dum grande escritor estão aqui presentes, todos os dias.
Situações que aconteceram há sessenta anos mas que poderiam perfeitamente estar a acontecer nos dias de hoje.

Nestes diários tomo sempre muitas notas, por exemplo, esta, muito curiosa:

  - um escritor como Eça de Queiroz, o mais púdico dos nossos artistas — tão púdico que até as inofensivas intimidades da sua vida cobria dum véu literário—, não teria dito tudo? Ficaria dele algum segredo escondido? Alguém precisa ainda de saber mais?

  - o homem que não se revolta não cria. Puxa o carro da rotina.

  - (falando - em 1951- de um leitor, seu doente-); -um homem capaz ainda de se debruçar sobre um poema, atento e enlevado horas a fio. A vida levou nos seus braços velozes a calma dos dias passados, que dava para fazer passeios, pelos campos e pelos livros. Agora reduziu tudo ao essencial, ao caldo e às batatas, e só verdadeiros heróis, sujeitos deformados e anacrónicos, têm necessidade de ler e meditar. Por isso é preciso acarinhar estes fenómenos. E não tanto pela arte, que, afinal, se não é precisa não tem nada que fazer no mundo, mas por eles, que são doentes diferentes, condenados paladinos duma causa perdida.

  - ninguém faz inteiramente o que quer, diz tudo o que pensa, ou pensa exactamente como procede.

  - a nossa velhice é que envelhece as coisas.

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha - 1907-1995 - era médico; ainda conheci o seu consultório na baixa de Coimbra, creio que num segundo andar, mesmo em frente ao antigo BNU e muito perto da estação dos caminhos de ferro.


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nota 4  -  bom

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

"OURO E CINZA" - PAULO VARELA GOMES - LEITURAS 2017 - I

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Comprei este livro dois meses depois de ter ocorrido a morte deste escritor, professor, historiador de arquitectura e antigo delegado em Goa da Fundação Oriente— Paulo Varela Gomes, que morreu, vítima de cancro, a 30 de Abril de 2016.

Mas só agora o li, aliás, como é quase norma minha, pois geralmente conservo os livros em lista de espera e todos os dias vou olhando para a estante prevendo uma data próxima para os ler e com este aconteceu agora, meio ano depois de o ter comprado (na última Feira do Livro de Lisboa).

É um bonito livro de crónicas (até na capa, no volume, no papel), pequenas como eu gosto (uma, duas páginas, no máximo). A maioria destas crónicas foram escritas na Índia (sobre a Índia actual) e o autor dá-nos a conhecer uma Índia (Deli, Bombaim, Goa...) a fazer lembrar-me o Algarve pois a destruição do património, a destruição das vilas e aldeias tem sido catastrófica também naquela zona do globo (lá está...a tal globalização) com a invasão do betão em tudo quanto é sítio onde os patos-bravos (lá como cá) possam fazer uso da sua ganância, assim transformando cidades como Deli numa mancha de retalhos metropolitana com vinte milhões de habitantes e um lugar onde se misturam cidades e aldeias medievais com cidades-jardim europeias, bairros de prédios cercados de muros, pedaços de floresta cheios de macacos e shoppings inacreditavelmente luxuosos, mercados de rua de todas as espécies, residências com piscinas e jardins sumptuosos, bairros de lata miseráveis.  


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Paulo Varela Gomes  1952-2016

nota 4  -  bom

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

BALANÇO DAS LEITURAS 2016

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Início a lista dos livros que li em 2016 com o que mais gostei; pontuo-os pela tabela que costumo utilizar aqui:


  1. A SANGUE FRIO - Truman Capote - 6
  2. REFLEXOS NUM OLHO DOURADO - Carson McCullers - 6
  3. A HARPA DE ERVAS - Truman Capote - 5
  4. LUZ EM AGOSTO - William Faulkner - 5
  5. A GUERRA DO FIM DO MUNDO - Mário Vargas Llosa - 4
  6. BUTCHER´S CROSSING - John Williams - 4
  7. O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON - F. Scott Fitzgerald - 4
  8. PALAVRAS E INSPIRAÇÕES DE MARTIN LUTHER KING - SONHO  -  4
  9. OBLOMOV - O MAGNÍFICO PREGUIÇOSO - Ivan Goncharov  - 4
  10. FRANKIE E O CASAMENTO - Carson McCullers - 4
  11. A SENDA ESTREITA PARA O NORTE PROFUNDO - Richard Flanagan - 4
  12. CONTRA BERNARDO SOARES E OUTRAS OBSERVAÇÕES - Vasco da Graça Moura - 3,5
  13. HISTÓRIA(S) DO ESTADO NOVO - Marcelo Teixeira - 3,5
  14. ERNESTINA - J. Rentes de Carvalho - 3,5
  15. HISTÓRIAS DE VER E ANDAR - Teolinda Gersão - 3,5
  16. ÍNDICE MÉDIO DE FELICIDADE - David Machado - 3,5
  17. DIÁRIO - Vols III e IV - Miguel Torga - 3,5
  18. "conta-corrente" nova série IV- Vergílio Ferreira - 3,5
  19. BONECA DE LUXO - Truman Capote - 3,5
  20. O CERCO - Helen Dunmore - 3,5
  21. CONTOS COMPLETOS I - John Cheever - 3,5
  22. A CANETA QUE ESCREVE E A QUE PRESCREVE (medicina e literatura) - 3,5
  23. O SILÊNCIO DOS LIVROS - George Steiner - 3,5
  24. O DISCURSO SOBRE O FILHO DA PUTA - Alberto Pimenta - 3,5
  25. SÚPLICAS ATENDIDAS - Truman Capote - 3,5
  26. A GUERRA QUE PORTUGAL QUIS ESQUECER - Manuel Carvalho - 3,5
  27. A VIAGEM VERTICAL - Enrique Vila-Matos - 3,5
  28. A PRIMEIRA PESSOA - Pedro Mexia - 3
  29. O PEQUENO LIVRO DO GRANDE TERRAMOTO - Rui Tavares - 3
  30. AMOR QUE MATA - Rosa Montero - 3
  31. MENTIRA - Henrique de Hériz - 3
  32. "UM POSTAL DE DETROIT" - João Ricardo Pedro - 3
  33. OS ÚLTIMOS DIAS DO REI - Nuno Galopim - 3
  34. DORA BRUDER - Patrick Modiano - 2
  35. NOVO MUNDO MUNDO NOVO - António Ferro - 2
  36. UMA HISTÓRIA DA CURIOSIDADE - Alberto Manguel - 2
  37. ESTRADA DE MORRER - Urbano Tavares Rodrigues - 2
  38. O GRANDE REBANHO - Jean Giorno - 1
  39. O IMPOSTOR - Javier Cercas - 1
  40.  O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO - Svetlana Aleksievitch - 1
  41. A PROFECIA CELESTINA - James Redfield - 1
  42. UM PINGUIM NA GARAGEM - Luís Caminha - 0
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sábado, 7 de janeiro de 2017

"LUZ EM AGOSTO" - WILLIAM FAULKNER - LEITURAS 2016 XLII

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Parti para a leitura deste livro com alguma "cautela" pois um amigo tinha-me avisado que se tratava de um escritor difícil.

E essa dificuldade confirmou-se mas, ao mesmo tempo, descobri mais um grande escritor, cujo primeiro livro que li foi este.

"LUZ EM AGOSTO" é um grande, intenso, poderoso e perturbante livro em que está devidamente dimensionada a crueldade humana, a tragédia do que foi o racismo na América, as relações humanas, toda a sua complexidade estão efectivamente neste livro tão bem descritos.

Gostei imenso deste livro, uma leitura que chega, por vezes, a ser perturbante, sempre ansioso da página seguinte pelo que irá acontecer e que drama se irá desenrolar.

Se Joe Christmas é a personagem central, um branco que acredita ter sangue negro, atormentado pela falta de identidade e sofrendo todo o tipo de violência e intolerância racial no Sul dos Estados Unidos, a orfã, que abre abre magistralmente este livro (é dos melhores inícios que li), que já vem do Alabama procurando o homem que a abandonou grávida, será a personagem secundária que acompanhamos ao longo de toda esta grande obra.

Alguém escreveu: Há escritores que escrevem grandes livros. Há outros mais raros, que instauram mundos. William Faulkner pertence a essa linhagem. É num ambiente de fracasso, culpa, preconceito e fanatismo religioso que se debatem os personagens de "Luz em Agosto", todos em busca do seu lugar num mundo que reservou para eles um destino trágico."

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William Faulkner -  1897 - EUA - 1962

-nota.-foi este o último livro que li em 2016 (o 42º.)-

nota 5  - muito bom

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

MAIS LIVROS 2016


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Novos livros adquiridos em 2016, alguns foram-me oferecidos e que me puseram a pensar se poderei continuar a trazer livros para casa, é que já não tenho espaço:


  1. O HOMEM NA ESCURIDÃO - Paul Auster
  2. O PRINCIPEZINHO - Antoine de Saint-Exupéry (c/comentários de José Luís Peixoto)
  3. Mais de 350 Livros, Filmes, Discos, Obras de Arte e Séries de TV-Edições Expresso
  4. O LIVRO DO LIVRO - A palavra ao leitor
  5.  O VELHO E O MAR - Ernest Hemingway
  6. BIBLIOTECA - Pedro Mexia
  7. PORTO-História e Memórias - Germano Silva
  8. NOVO MUNDO, NOVO MUNDO - António Ferro
  9. DESENRAIZADOS - Erich Maria-Remarque
  10. ANTES DO AMANHECER - Somerset Maugham
  11. MEMÓRIA DE ELEFANTE - António Lobo Antunes
  12. PÁSCOA FELIZ - José Rodrigues Miguéis
  13. HISTÓRIAS DA MINHA RUA - Maria Cecília Correia
  14. NOITE SEM LUA - John Steinbeck
  15. A GATA - Colette
  16. DUNA - parte I - Frank Herbert
  17. DUNA - parte II - Frank Herbert
  18. AS PRIMEIRAS QUINZE VIDAS DE HARRY AUGUST - Claire North
  19.  A FEIRA - John Updick
  20. AMOK - Stefan Zweig
  21. O VENTO - Claude Simon
  22. O LIVRO DAS ILUSÕES - Paul Auster
  23. OS HOMENS DO MAR - Victor Hugo
  24. O MESTRE - Ana Hatherly
  25. O FIM DA AVENTURA - Graham Greene
  26. O LIVRO DO DESASSOSSEGO - Fernando Pessoa
  27. ENTREVISTAS PARIS REVIEW 2
  28. OURO E CINZA - Paulo Varela Gomes
  29. SE ISTO É UMA MULHER - Sarah Helm
  30. LILA - Marilynne Robinson
  31. A MODISTA - Rosalie Ham
  32. NO LIMIAR DA ETERNIDADE - Ken Follett
  33. DICIONÁRIO PRÁTICO ILUSTRADO DA LELLO
  34. MARIA ADELAIDE COELHO DA CUNHA - DOIDA NÃO E NÃO - Manuela Gonzaga
  35. NOTÍCIA DE UM SEQUESTRO - Gabriel Garcia Marquez
  36. DEUSES E DEMÓNIOS DA MEDICINA - Fernando Namora - Vol. I
  37. DEUSES E DEMÓNIOS DA MEDICINA - Fernando Namora - Vol. II
  38. CENAS DA VIDA DE UM MINOTAURO - José Viale Moutinho
  39. OS REMORSOS DA LUA - Cristina Cruz
  40. VOZES UIVANDO PARA A LUA CHEIA - António Ferreira
  41. O MISTÉRIO DA LÉGUA DA PÓVOA - Agustina Bessa-Luís
  42. A MULHER RAPOSA - David Garnett
  43. PORGY E BESS - Du Bose Heiward
  44. A FÁBRICA DO ABSOLUTO - Karel Kapec
  45. A BIBLIOTECA À NOITE - Alberto Manguel
  46. ALGUMAS DISTRACÇÕES - Francisco José Viegas
  47. ORLANDO - Virginia Wolf
  48. O 5 DE OUTUBRO - Jacinto Baptista
  49. A SELVA - Ferreira de Castro
  50. EMIGRANTES - Ferreira de Castro
  51. A CURVA DA ESTRADA - Ferreira de Castro
  52. O INSTINTO SUPREMO  - Ferreira de Castro
  53. A MISSÃO/ A EXPERIÊNCIA/ O SENHOR DOS NAVEGANTES - Ferreira de Castro
  54. OS FRAGMENTOS - Ferreira de Castro
  55. PEQUENOS MUNDOS E VELHAS CIVILIZAÇÕES - I Vol. - Ferreira de Castro
  56. PEQUENOS MUNDOS E VELHAS CIVILIZAÇÕES - II Vol. - Ferreira de Castro
  57. A VOLTA AO MUNDO - I Vol. - Ferreira de Castro
  58. A VOLTA AO MUNDO - II Vol. - Ferreira de Castro
  59. A VOLTA AO MUNDO - III Vol. - Ferreira de Castro
  60. AS MARAVILHAS ARTÍSTICAS DO MUNDO - I Vol. - Ferreira de Castro
  61. AS MARAVILHAS ARTÍSTICAS DO MUNDO - II Vol. - Ferreira de Castro

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"A GUERRA QUE PORTUGAL QUIS ESQUECER" - MANUEL CARVALHO - LEITURAS 2016 XLI

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A I Guerra Mundial (1914-1918) foi realmente uma machadada e uma grande humilhação para o prestígio das tropas portuguesas, dado que resultou num dos maiores desastres de sempre das tropas nacionais, tanto na frente europeia como nas nossas colónias. 

E é de uma dessas humilhações que Manuel Carvalho, jornalista do Público, nos fala neste livro, relatando-nos as memórias dos soldados, as denúncias de cobardia e de incompetência das chefias, na guerra que decorreu em Moçambique.

Entre 1914 e 1918, Portugal enviou mais de vinte mil soldados para Moçambique com o objectivo de garantir a sua defesa e fazer frente às ambições e à ganância de expansão colonial dos Alemães. E, apesar da nossa superioridade em número e no equipamento, a humilhação das tropas portuguesas foi absoluta e a sua actuação foi um descalabro, redundando num dos maiores desastres de sempre das tropas nacionais, ficando uma mancha tão extensa que dificilmente se apagará da história do nosso exército. Na Primeira Guerra morreram em Moçambique mais portugueses do que na frente europeia.

"Nestas últimas semanas da guerra, as intermináveis filas de soldados ao abandono pelas ruas de Lourenço Marques sublinhavam a vitória da derrota. Entregues à sua sorte, sem lugar nos hospitais ou  nos quartéis, sem salários em dia, sem roupas e sem condições de higiene, o estado dos soldados tornou-se um problema e suscitou indignação. Já em Maio, o jornal "O Africano", fundado em 1908 pelo jornalista João dos Santos Albasini, protestava: "O estado em que se vê, passeando as ruas da cidade, uma grande parte, quase a totalidade dos nossos soldados que aqui se encontram, convalescendo ou aguardando transporte, é verdadeiramente lamentável: uns esfarrapados, outros porquíssimos, de capacetes esburacados ou sem abas, botas rotas, numa miséria, enfim, que implica seriamente com o nosso brio nacional, que faz corar de vergonha todo o bom português, especialmente quando se nota que essa miséria é desfrutada e censurada por numerosos estrangeiros".


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o autor, Manuel Carvalho, actualmente redactor principal do Jornal Público

nota 3,5 - interessante



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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"OS ÚLTIMOS DIAS DO REI" - NUNO GALOPIM - LEITURAS 2016 - XL

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Até cerca de dez/quinze páginas do fim, li com muito agrado este livro. Interessante. Dá-nos um retrato, ou melhor, uma pincelada interessante, do que foram o Regicídio e os dois últimos anos (1908-1910) da governação deste último rei de Portugal - D. Manuel II, e ainda, sobretudo, do que foram os seus últimos vinte e dois anos de vida, passados no exílio (para onde embarcou, acompanhado da família real, na praia da Ericeira, para Inglaterra) e onde se dedicou brilhantemente ao estudo de livros raros portugueses dos séculos XV e XVI, sobre os quais publicou três volumes, o último dos quais já postumamente. Morreu (sufocado) repentinamente devido a um edema da globe. O seu corpo veio para Portugal, onde as suas exéquias se revestiram de grande importância.
Nasceu em Lisboa-Belém 9.11.1889 e morreu em Inglaterra em Twickenham em 2.7.1932.

Li com muito agrado e leveza (é realmente uma escrita leve e simples) este livro do Nuno Galopim (filho do Professor Galopim de Carvalho). O Nuno Galopim é um excelente jornalista que leio há muitos anos, creio que desde o Jornal O SETE (se não estou em erro, ou será do BLITZ?). Contudo, não sei o que lhe passou pela cabeça, pois, como já salientei no início deste post, aí para a página 260 (tem 272) o livro começa a mastigar e a caminhar para o fim maçadoramente já que o autor se pôs a inventar finais para o livro que, me pareceram completamente desajustados para não lhe chamar outra coisa, e assim quase conseguiu "borrar a pintura" pois um livro que se lê com muito interesse apanha ali (numa altura crucial) uma marretada que quase consegue engasgar o que até ali tinha sido tão saboroso.

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nota 3 - razoável


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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"SÚPLICAS ATENDIDAS" - TRUMAN CAPOTE - LEITURAS 2016 - XXXIX

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Truman Capote foi uma das figuras mais carismáticas e controversas (e pervertidas) da cultura americana do século XX e um dos seus grande escritores. Nasceu em Nova Orleães em 1924 e faleceu em Los Angeles em 1984.

Este "SÚPLICAS ATENDIDAS" foi considerado o mais famoso romance não publicado da literatura norte-americana: é que foi anunciado por Truman Capote cerca de vinte anos antes da data em que viria a ser publicado, o que só se aconteceria após a sua morte.

É, na minha perspectiva, realmente um livro adiado, cheio de capítulos que parecem ter sido escritos em cima do joelho. Mas a escrita de Truman Capote (mesmo à pressa) é extraordinária, é uma maravilha mesmo escrevendo sobre banalidades para "encher". Este "Súplicas Atendidas" leva-nos dos salões literários aos mais caros bordéis, e nele se retratam personagens reais da vida mundana daquela altura (anos 50/60 do século XX), por aqui passando a escritora francesa Collete, a duquesa de Windsor, o grande actor de cinema dos anos 50, Montgomery Clift, Jackie Kennedy e outras estranhas personagens com quem este escritor homossexual conviveu.
Não sendo, como já dei a entender, um grande livro, vale sobretudo pela excelente prosa deste grande escritor cuja maior obra "A SANGUE FRIO" é uma obra-prima que vale a pena ler.

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Marilyn Monroe e Truman Capote
nota 3,5 - interessante

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"A SENDA ESTREITA PARA O NORTE PROFUNDO" - RICHARD FLANAGAN - LEITURAS 2016 - XXXVIII


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Há imagens (e sons) que para sempre nos ficam na memória; dos filmes que ao longo da minha vida já vi, há uma imagem e uma música que para sempre retive, e já lá vão tantos, tantos anos, é uma imagem (e um som) marcante(s) (retida ainda na minha infância): 
-Alec Guinness na parada à frente dos homens que comandava no campo de concentração em que centenas de milhares de prisioneiros são forçados pelos japoneses a um trabalho escravo nas selvas da Indochina durante a Segunda Guerra Mundial, e aquela música - aquele assobio que nunca mais esqueci...A PONTE DO RIO KWAI


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Alec Guinness - no filme "A PONTE DO RIO KWAI"
"A SENDA ESTREITA PARA O NORTE PROFUNDO" é um excelente livro, vencedor do MAN BOOKER PRIZE 2014, que, numa narrativa cruel, nos dá a conhecer uma verdadeira barbárie que foi a construção, num prazo ínfimo e sem maquinaria adequada, de uma via férrea de 450 quilómetros ligando o Sião (hoje Tailândia) à Birmânia (hoje Myanmar). Até à conclusão da linha em 1943, morreram dezenas de milhares de homens.
É impressionante o relato das atrocidades dos fanáticos do exército nipónico que, em nome do seu imperador, torturaram, decapitaram e praticaram as maiores crueldades — um fanatismo incrível. 

É neste clima de desespero que o cirurgião Dorrigo Evans, prisioneiro neste campo de guerra japonês na Ferrovia da Morte, se vê assombrado pela relação amorosa que manteve com a jovem esposa do seu tio dois anos atrás, um amor vivido em segredo nos momentos em que não estava de serviço, enquanto tenta evitar que os homens sob o seu comando morram de fome, doença, ou sejam simplesmente espancados.

Curioso também o retrato pós-guerra, tanto daqueles que no campo de concentração foram massacrados e que, no final, estiveram do lado vencedor como dos verdugos que, para bem da justiça, foram vencidos, neste caso do Japão.

É um excelente livro que aborda as diferentes formas que o amor, a morte, a guerra e a verdade podem assumir, à medida que um homem envelhece e tem consciência de tudo o que perdeu.     

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nota 4 - bom

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

"FRANKIE E O CASAMENTO" - CARSON McCULLERS - LEITURAS 2016 - XXXVII

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Aconteceu naquele Verão verde e absurdo quando Frankie tinha doze anos. Este foi o Verão em que, há muito, ela não era sócia de nada. Não pertencia a nenhum clube, não era sócia de nada no mundo. Frankie tornara-se uma pessoa desvinculada que rondava pelas portas, e tinha medo.............

Quando um livro começa assim sinto logo aquela satisfação que nos envolve quando se aproxima algo de bom e que de imediato nos amarra ao livro com um prazer enorme, uma grande satisfação e alegria, diria mesmo felicidade.


"FRANKIE E O CASAMENTO" é mais um belo livro deste excelente escritora norte americana que continuo a descobrir a cada livro que leio e dos três que já li, para além deste, ("O CORAÇÃO É UM CAÇADOR SOLITÁRIO", "A BALADA DO CAFÉ TRISTE", "REFLEXOS NUM OLHO DOURADO") não sei sinceramente qual deles mais gostei.

O Universo que CARSON MCCULLERS constrói faz-me muito lembrar os desenhados por Flannery O'Connor, Joyce Carol Oates ou Truman Capote, universos estranhos mas cheios de imaginação e que nos surpreendem a cada página.

Carson McCullers constrói neste livro três personagens sublimes, Frankie, a personagem principal que a meio do livro muda de identidade (auto-intitulando-se F.Jasmine) já que é seu desejo dar outro rumo à sua vida, quer ir à procura de outro mundo já que sente que aquele onde vive é para ela tão pequeno. É uma criança de 12 anos mas com pensamentos profundos.
Outra interessante personagem é John Henry, um rapaz de 6 anos que segue Frankie (sua prima) para todo o lado.
A terceira personagem é a cozinheira da família, Berenice, uma mulher negra, que tem um olho de vidro azul brilhante e que constantemente confronta Frankie nas sua ideias e planos.

Tudo começa quando Frankie é convidada para o casamento do irmão lá bem longe (Alasca) do pequeno lugar onde vive. É a oportunidade que esperava para ir conhecer outro mundo.

Realmente o universo que Carson McCullers constrói com a sua escrita é fascinante; apenas alguns lampejos:

-o rádio esteve ligado dia e noite, de tal modo que já ninguém o ouvia...

-na vizinhança, ouviu o som das vozes do entardecer...

-não se pode fazer uma bolsa de seda com a orelha de uma porca...


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Carson McCullers   -   Columbus 1917  -  Nova Iorque  1967

nota 4 - bom

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