segunda-feira, 9 de julho de 2018

"CENAS DA VIDA AMERICANA" - CLARA FERREIRA ALVES - LEITURAS 2018 - XIV

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Não foi a bela capa deste livro que me levou a lê-lo mas sim a excelente escrita de Clara Ferreira Alves. 

Efectivamente a capa deste livro é deliciosa. É a América de Edward Hopper. E, tal como muito bem salienta a autora nas primeiras páginas deste livro, os seus quadros estão saturados de silêncio e solidão, a pior das solidões, a que presume companhia. 

E que bem escreve CFA sobre os quadros deste grande pintor americano, nascido em 1882: "É uma América estática, que vai do princípio ao meio do séc. XX, com ruas principais, bombas de gasolina desertas, fins de semana em Cape Cood, motéis à beira da estrada, casas à beira da linha de comboio, manhãs tranquilas, noites pasmadas. É uma América branca, confortável, habitada por personagens que respiram o ar seco do desalento." -Só pelas descrições que Clara Ferreira Alves faz sobre os quadros de Edward Hopper já valeu a pena ler o livro-.

Clara Ferreira Alves é uma excelente jornalista; no Expresso é sempre a sua crónica que primeiramente vou ler.

Os textos deste livro, escritos entre 1995 e 2016, teem o brilho da sua escrita mas a grande maioria deles são demasiado datados, para não dizer ultrapassados, pois talvez mais de metade referem-se a crónicas sobre as eleições americanas (Bush, Obama, Clinton), e são situações claramente ultrapassadas, já para não falar na Guerra do Iraque, o que me deixou alguma frustração.


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domingo, 17 de junho de 2018

"REMÉDIOS LITERÁRIOS" - ELLA BERTHOUD & SUSAN ELDERKIN - LEITURAS 2018 - XIII


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Para quem gosta de ler, este interessante livro, organizado por ordem alfabética, em jeito de dicionário, apresenta uma grande variedade de opções literárias, incluindo um vasto número de listas, e quem gosta de livros adora este tipo de listas sobre os livros mais adequados a determinadas situações, fazendo até um resumo dos mesmos, o que permite ao leitor ficar a conhecer o tema de livros que, algures, já lhe despertaram a atenção mas que nunca teve oportunidade de folhear. 

Para as mais variadas situações são recomendados determinados livros, como por exemplo, sobre:
- o cansaço da cidade - "Um mês no campo" - J.L.Carr 
- sobre compras compulsivas "Terna é a noite" - F. Scott Fitzgerald 
- sobre a depressão - "A campânula de vidro" - Sylvia Plath 
- sobre o desemprego - "Crónica do pássaro de corda" - Haruki Murakami
- sobre a calvície - "A mosca da morte" - Patrícia Cornwell

As mais variadas listas:
- os melhores romances para os mais tristes 
- "Herzog" - Saul Bellow
- "Uma saída para Brooklyn"  - Hubert Selby Jr.
- "Alguma esperança e leite materno" - Edward St. Aubyn
- "Rumo ao Farol" - Virgínia Woolf
- "Revolutionary Road" - Richard Yates 

-os melhores romances para fazer chorar:
- A culpa é das estrelas" - John Green
- "Tess dÚrbeville" - Thomas Hardy
- A escolha de Sofia" - William Styron

Igualmente interessantes são as pequenas secções com dicas e ideias sobre a leitura (desistir a meio dum livro, ter um parceiro não leitor) elucidando o leitor qual, para este tipo de situações, a solução aconselhada.

É realmente tentador descobrir livros sobre os quais não tínhamos o mínimo ou nenhum conhecimento, e que passaram assim a ficar na nossa lista de previsíveis leituras. 

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as autoras deste livro

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sábado, 9 de junho de 2018

"ESTAÇÕES DIFERENTES" - STEPHEN KING - LEITURAS 2018 - XII

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Desde que, há alguns anos, vi no cinema e, posteriormente, por mais do que uma vez na televisão, um grande filme, "Os condenados de Shawshank", fiquei logo na expectativa de ler o livro em que o filme se baseia ("Estações Diferentes"). 

Sempre que um filme se baseia num determinado livro gosto sempre de o ler.

Contudo, só agora consegui encontrar, numa biblioteca onde o requisitei, este livro de Stephen King, uma edição do Círculo de Leitores de 1999. 

O livro é excelente, ou melhor este conto, já que os outros três não são tão bons como aquele ("Os condenados de Shawshank") que deu origem a um dos melhores filmes de todos os tempos. Todavia, na minha opinião, ao contrário do que é costume nestes casos, o filme é melhor do que o livro.

Os outros três contos são:
- "A morte espreita"-um menino exemplar que "destapa" um antigo nazi que tenta desesperadamente manter-se no anonimato

- "A perda da inocência" - quatro rapazes e a sua viagem pelos bosques que se torna num ritual da perda da inocência

- "A técnica da respiração" - uma história macabra acerca de uma mulher determinada a dar à luz...


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segunda-feira, 4 de junho de 2018

"DICIONÁRIO DE COISAS PRÁTICAS" - FRANCISCO JOSÉ VIEGAS - LEITURAS 2018 - XI

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Uma selecção de textos publicados numa coluna que o autor mantém num diário matutino; são pequenos artigos, não mais de meia página, sobre os mais diversos assuntos da cultura à política, da sociedade ao desporto, personalidades nacionais e internacionais. 

Muito interessante ler e ficar a saber o pensamento e opinião deste homem da cultura (que, na minha opinião, só se precipitou relativamente ao novo Acordo Ortográfico à pressa com que deu o seu ámen). 

Por exemplo (Agostinho da Silva) - gente inculta e gente ignorante (são duas coisas diferentes).

(Aldous Huxley) - dizia que os factos não deixam de existir só porque são ignorados.

...é a tentação dos novos ricos que não distinguem entre informação e conhecimento, entre leitura e acesso à leitura

Um pequeno manual com muitas e interessantes leituras.

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Francisco José Viegas 
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domingo, 20 de maio de 2018

"A CARNE" - ROSA MONTERO - LEITURAS 2018 - X

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Dolores e Soledad, duas irmãs gémeas que praticamente não conheceram o pai, cuja mãe parecia odiá-las e cuja infância foi praticamente  passada enfiadas num armário, trancadas durante horas entre casacos velhos, para fugirem da mãe.

Isso foi realmente a sua infância e, depois, a vida passou tão depressa. Agora Soledad estava com sessenta anos e a sua irmã gémea internada num hospício, praticamente enterrada em vida na sua loucura.

"A carne" é um romance que nos fala do passar dos anos, do medo, da morte, o tiquetaque do tempo é aqui muito bem retratado e é daqueles livros que deixamos com alguns sublinhados, por exemplo este:   "uma das ilusões mais generalizadas é a de pensarmos que não seremos como os outros velhos, que seremos diferentes."

É um romance audaz e surpreendente de uma excelente escritora. Dos livros que já li da Rosa Montero  (uns cinco ou seis) nenhum ainda me desiludiu.


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Rosa Montero  -  Madrid  1951



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segunda-feira, 14 de maio de 2018

"O ALIENISTA" - MACHADO DE ASSIS - LEITURAS 2018 - IX

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Esta pequena novela retrata muito bem o facto de o ser humano rotular os outros sem conhecer a pessoa.

Simão Bacamarte é o protagonista, médico conceituado em Portugal e Espanha, decide meter-se pelo campo da psiquiatria e inicia um estudo sobre a loucura e seus graus, classificando-os.

Instalou-se em Itaguarú, onde funda a Casa Verde, um hospício, e abastece-o de cobaias humanas para as suas pesquisas.

Passa a internar todas as pessoas da cidade que ele julgue loucas; o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa, etc etc..

Para o Dr. Simão Bacamarte a ciência era o seu universo e até chegou a internar a sua esposa, D. Evarista, pois, segundo ele, revelava algum desequilíbrio mental. 

Também o seu grande Crispim Soares, o boticário, não escapou ao internamento na Casa Verde. 

Foi o primeiro livro que li deste grande escritor brasileiro, e gostei! 

Este pequeno livro de 95 páginas é o nº. 5 duma colecção (Biblioteca de Verão) de 27 excelentes livrinhos pequenos e bonitos, que, em 2010, o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias distribuíam gratuitamente com o jornal de domingo.  


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Rio de Janeiro  1839-1908

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quarta-feira, 9 de maio de 2018

1933 foi um mau ano - JOHN FANTE - LEITURAS 2018 - VIII


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John Fante é um escritor arrebatador e com uma escrita tão genialmente simples!

"1933 foi um mau ano" é mais um grande livro (publicado dois anos após a sua morte).

Atingido pela diabetes em 1955, a doença levou-o à cegueira em 1978 e à amputação das duas pernas dois anos mais tarde, o que não impediu este italo-americano de continuar a escrever ditando os seus textos à sua mulher. 

Achei logo excelente, o primeiro romance da saga de Arturo Bandini, "A Primavera há-de chegar, Bandini", publicado em 1938.

Saga que inclui ainda "Estrada para Los Angeles", "Pergunta ao pó" e "Sonhos de Bunker Hill", que de todos gostei também muito.

"A confraria do vinho" é outro delicioso livro deste entusiasmante escritor, que Bukowski (poeta, contista e romancista alemão) considerava o seu Deus.  

"1933 foi um mau ano" é a história de um jovem de 18 anos dividido entre a tradição e a liberdade, entre a família e a autodeterminação, numa sociedade ressequida por uma devastadora crise económica (dos anos 30).

A um ano de terminar o liceu, Dominic Molise não vê o dia de sair da casa familiar, onde dominam a figura do pai, um pedreiro no desemprego e um constante desrespeitador da sua mãe, uma beata de todo o tamanho que jura ver a Virgem Maria no galinheiro do quintal.

Dominic sonha ser uma estrela do baseball, sonha com a fama, sonha com um grande amor, mas em vez disso, está preso numa cidadezinha dilacerada pela pobreza, onde se inclui a sua família -o seu pai, pedreiro, está desempregado há meses-.

Pequeno grande livro (apenas 109 páginas) que li com uma grande avidez. 


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Denver - USA  -1909-1983
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sábado, 5 de maio de 2018

"LEVANTE-SE O RÉU OUTRA VEZ" - RUI CARDOSO MARTINS - LEITURAS 2018 - VII

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"Levante-se o réu outra vez" foi distinguido com o Grande Prémio de Literatura Associação Portuguesa de Escritores.

Apesar de apenas ter lido, para além deste, "Deixem passar o homem invisível" (de que gostei muito) Rui Cardoso Martins é, na minha opinião, um excelente escritor.

Leio na contracapa deste livro: 
-Ao longo de 20 anos, Rui Cardoso Martins assistiu a mais de 700 casos de justiça em sessões públicas de tribunal. Depois, fixou-os num registo literário de efeitos ora cómicos, ora comoventes, sempre  com uma capacidade notável para captar com empatia e justiça e a injustiça, o chocante  e o caricato.

Este segundo volume selecciona mais cem crónicas da saudosa rubrica do jornal "Público".-

Não fosse Rui Cardoso Martins um excelente escritor e teria lido um livro fraquinho. 


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Rui Cardoso Martins

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domingo, 15 de abril de 2018

"MOBY DICK" - HERMAN MELVILLE - LEITURAS 2018 - VI

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Era ainda uma criança trigueira quando, na Feira do Livro de Lisboa de 1978, comprei este livro e desde essa data (23 de Maio de 1978) que ando a tentar arranjar uma oportunidade para o ler, só que as 656 páginas me têem desviado.

Finalmente deitei mãos à obra e não digo que estarei arrependido mas confesso que fiz algum sacrifício para o levar de vencida até ao fim, não deixando, no entanto, de reconhecer que é efectivamente um livro poderoso, um clássico da literatura mundial.

O que eu aprendi sobre a pesca, sobre navios, sobre os homens e, principalmente,  sobre a carnificina que era a pesca à baleia...

Aprendi, por exemplo, que:

 - NÓ é uma medida de velocidade correspondente a uma milha por hora (1.852 metros/hora) 

 - JARDA - unidade de comprimento utilizado em alguns países de cultura inglesa. Uma jarda equivale a 0,914 metros ou aproximadamente 91 centímetros

 - 1 metro - 3 PÉS

 - 1 metro são 39,370 POLEGADAS
 - 1 cm = 0,39370 POLEGADAS

 - LIBRA - unidade inglesa de massa e de peso equivalente a 453,6 gramas

 - BARLAVENTO - a área virada ao vento, a que está na direcção do vento; a direcção de onde sopra o vento  (Barlavento Algarvio - Albufeira, Aljezur, Lagoa, Lagos, Monchique, Portimão, Silves e Vila do Bispo)

 - SOTAVENTO - para onde sopra o vento (Sotavento Algarvio - Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, S. Brás Alportel, Tavira e Vila Real Stº. António)

 - PROA - parte dianteira do navio; frente

 - POPA - parte posterior do navio

E muito, mesmo muito mais sobre o mar e, sobretudo, sobre os homens...

Mas "MOBY DICK" não é apenas um simples manual da pesca à baleia, é a história de um velho navio, o "PEQUOD", do seu comandante AHAB, e de uma misteriosa baleia branca (Moby Dick). Uma história terrível que atinge os limites de uma autêntica tragédia.

O capitão AHAB (o comandante do navio) é uma personalidade inesquecível parecendo ter apenas um único objectivo na vida - a procura desesperada de Moby Dick que, num encontro anterior, lhe cortou uma das pernas. O ódio que o move não acalmará enquanto não se conseguir vingar.

Ao fim e ao cabo não dei o tempo por perdido (o que, aliás, nunca acontece quando é gasto a ler) embora eu tivesse feito algum esforço para vencer as 656 páginas deste livro UNIBOLSO QUÁDRUPLO.


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HERMAN MELVILLE - EUA - 1819-1891

3,5 - interessante

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quarta-feira, 14 de março de 2018

"TERESA DESQUEYROUX" - FRANÇOIS MAURIAC - LEITURAS 2018 - V

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Excelente!
Que livro triste, "pesado", nunca a solidão me tinha sido tão bem descrita, uma autêntica laje que sepultou em vida uma mulher (Teresa) órfã desde criança, educada por um pai radical, nunca conhecendo o carinho nem o amor.

O conflito entre uma natureza sedenta de afecto, confinada a um destino tragicamente solitário quando casa com um homem que acaba por lhe ser absolutamente indiferente e a quem, nem sei se de propósito, tentará envenenar. Contudo, a justiça não reconhece motivo bastante para proceder judicialmente contra Teresa e será o próprio depoimento do marido que lhe dará a liberdade. 
Só que o julgamento de "toda a gente", de todas pessoas da vila é violento, negro, cruel e de uma atrocidade total que irá como que julgar Teresa a uma morte em vida.
   
Entregue à sua consciência, Teresa vive três meses de solidão total, condenada pelo marido que a proíbe de sair do quatro, e ali vive enclausurada, não podendo sequer descer à cozinha, perdida ao mesmo tempo no seu imaginário amoroso (uma nova paixão que a vai lançar num processo destrutivo), até que apenas a dor se faça sentir. Três meses em que praticamente não se alimenta, não saindo do quarto esperando apenas a morte.

Já tinha saudades de ler um tão GRANDE LIVRO.




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François Mauriac - Bordéus-França - 1885-1970

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quarta-feira, 7 de março de 2018

"O CÃO E O DONO" - THOMAS MANN - LEITURAS 2018 - IV


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Este pequeno livrinho da INQUÉRITO - Antologia dos Amigos do Livro, cujo preço de capa está marcado 12 escudos (que, se estou a fazer bem as contas, corresponderão a 6 cêntimos), terá sido lançado, decerto, há mais de cinquenta anos. 

Comprei-o num Alfarrabista do Chiado (Livraria Camões), por 1€ (200$00), em 02.08.2013 (em todos os meus livros anoto, no início, a data da compra e o respectivo preço bem como, no fim do livro, a data em que o li, pois já me sucedeu voltar a ler um livro que já tinha lido há muito tempo e só dei por isso quando já ia muito adiantado na sua leitura).

É a história de um cão e do seu dono. O Bauschan (o nome do cão) é uma figura inesquecível e a relação afectiva dos dois é magnifica.

Vimos o Bauschan a saltar, a ladrar, a concordar com o dono a pensar, enfim uma magnifica relação que os cães proporcionam aos humanos.

Todavia, este livro não me surpreendeu, ficou até, aquém das minhas expectativas, já que tinha gostado imenso do primeiro livro que li deste autor (O ELEITO), e assim, deste modo, o bom é inimigo do óptimo!

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Thomas Mann  -  Alemanha  - 1875-1975


nota 3  -  razoável

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

LEITURAS 2018 III - "ENTREVISTAS DA PARIS REVIEW"

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Da revista Paris Review, criada em meados dos anos cinquenta (1950...) por um grupo de jovens intelectuais americanos, Carlos Vaz Marques seleccionou e traduziu uma série de entrevistas de conhecidos escritores, publicadas em livro pela Tinta da China.   

Neste livro são publicadas dez entrevistas e é curioso verificar o que dizem alguns escritores sobre, por exemplo. as suas leituras.

GRAHAM GREENE - o livro de François Mauriac "Terésa Desqueyroux" marcou-o intimamente.
GG não quis ser escritor. Queria ser comerciante.

Que o principal responsável por WILLIAM FAULKNER ser escritor foi Sherwood Anderson.

Segundo TRUMAN CAPOTE, Henry James é o mestre do ponto e vírgula e Hemingway é um especialista de primeira água em parágrafos, 
Quando perguntaram a TRUMAN CAPOTE se lia muito, respondeu: demasiado e de tudo, incluindo etiquetas, receitas e anúncios e viciado em jornais. Gosto de policiais.

BORIS PASTERNAK - Admiro Hemingway mas prefiro aquilo que conheço de Faulkner, "Luz em Agosto" é um livro maravilhoso. Também sempre gostei de literatura francesa.

SAUL BELLOW - Não considero Hemingway um grande romancista. Gosto mais dos romances de Fitzgerald (O grande Gatsby).

JORGE LUÍS BORGES - Penso que todo o mundo de Kafka se encontra de um modo mais complexo nas histórias de Henry James. Acho que ambos pensavam o mundo como sendo simultaneamente complexo e sem sentido.

Em suma, são dez entrevistas com escritores bem conhecidos e que nos confessam algumas curiosidades, não deixando, por isso, de ser (um livro) interessante (e bonito, como são quase todos os desta editora); contudo, abaixo das minhas expectativas (que eram bem mais elevadas).


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Henry James  EUA  1843-1916
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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

LEITURAS 2018 - II - HISTÓRIAS DE ALMANAQUE - BERTOLD BRECHT

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Bertold Brecht - Augsburgo-Alemanha  -  1898-1956 

São vinte pequenas histórias que, na maioria, não terão mais de três páginas cada uma, abarcando uma imensa variedade de situações humanas concretas, da Antiguidade aos nossos dias, encerrando quase sempre um ensinamento moral.

No início deste pequeno livro, de 125 páginas (duma interessante colecção Provisórios & Definitivos, das edições VEGA, que comprei por € 1 num alfarrabista) refere ainda o tradutor que nestas histórias - cujos cenários variados são os da caldeada experiência de um homem, Bertold Brecht, que a firmeza das suas convicções e a inclemência dos tempos em que viveu levaram a mudar "mais vezes de país do que de sapatos" - sentimos o homem e o escritor singularmente mais perto de nós.

São portanto pequenas histórias que radicam na descoberta de uma solidariedade humana fundamental: "Toda a criatura precisa da ajuda de todas as outras". É uma leitura muito tranquila já que estas crónicas são tão simples quanto breves, não deixando, no entanto, de serem significativas.

Nunca tinha lido nada de Brecht, gostei, mas não fiquei com uma imediata curiosidade, ao contrário do que acontece quando gosto muito de um autor, de ir à procura de mais livros dele, se calhar calhou...

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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

LEITURAS 2018 - I - "RELÓGIO SEM PONTEIROS" - Carson McCullers

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Este foi o primeiro livro que li neste ano de 2018.

Mais um livro de uma escritora que Tennessee Williams definia como alguém que entendia o coração dos homens com uma profundidade que nenhum outro escritor consegue alcançar.

Carson McCullers escreve magistralmente sobre a solidão, sobre a necessidade de encontrarmos amigos, de falar, em suma sobre as mais diversas inquietações e frustrações.

"Relógio sem Ponteiros" decorre numa pequena cidade no sul dos EUA, (por volta de 1953) em que quatro homens de diferentes idades se debruçam sobre o seu passado e futuro:

-J.T. Malone, um homem solitário de meia-idade que gere uma farmácia, descobre que está a morrer e tenta reconciliar-se com o que resta da sua vida.

-O velho Juiz Clane, antigo congressista e uma glória do estado e do Sul, membro da igreja e crente, resiste aos novos tempos (da libertação dos escravos) e anseia pelo regresso das antigas maneiras do Sul.

-Jester o seu neto, de ideias contrárias às do seu avô, mostra-se arrogante e, ao mesmo tempo, demasiado delicado, com qualquer coisa de misterioso na sua suavidade parecendo a sua inteligência demasiado perigosa.

-Sherman, um órfão negro, encontrado abandonado na Igreja da Sagrada Ascensão, por quem Jester nutre simpatia, é alegre e de olhos azuis e anda em procura da sua identidade pressentindo que o Juiz Malone lhe ocultava qualquer coisa de muito importante.

Este foi o último romance de Carson McCullers e mais uma vez o seu enorme talento se revela nestas 226 páginas ao descrever tão bem a América dos anos 50, em que ainda se fazem sentir os mais variados sintomas dos conflitos raciais nas pequenas cidades do Sul dos EUA, explorando igualmente com humor e talento temas como o preconceito, o segredo e a redenção.


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Carson McCullers -  Columbus - EUA - 1917 - 1967

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

BALANÇO DAS LEITURAS 2017





Eis a lista dos livros (24) que li em 2017, pela ordem dos que mais gostei; ordenei-os seguindo a tabela que aqui costumo utilizar:
  1. -  DOIS NEGROS EM ESTHERVILLE   -  Erskine Caldwell   -   6
  2. -  STONER  -   John Williams   -    5
  3. -  DESEJO SOB OS ULMEIROS   -   Eugene O'Neill   -   5
  4. -  O BARULHO DAS CHAVES   -  Philippe Claudel   -   4
  5. -  DIÁRIO DA ABUXARDA - 2007-2014   -   Marcello Duarte Mathias   -   4
  6. -  DIÁRIO V e VI   -   Miguel Torga   -   4
  7. -  BIBLIOTECA À NOITE   -  Alberto Manguel   -   4
  8. -  NAS SUAS PALAVRAS   -  José Saramago  -   4
  9. -  BLONDE  -   Joyce Carol Oates   -   4
  10. -  CERTAS MULHERES   -   Erskine Caldwell  -  4
  11. -  EPISÓDIO EM PALMETTO  -   Erskine Caldwell  -   4
  12. -  QUARTETO NO OUTONO  -   Bárbara Pym  -   4
  13. -  OURO E CINZA  -   Paulo Varela Gomes   -   4
  14. -  O MISTÉRIO DA LÉGUA DA PÓVOA   -   Agustina Bessa-Luís  -   3,5
  15. -  BILHETE PARA A VIOLÊNCIA   -   Luís Alves Milheiro   -   3,5
  16. -  O GÉNIO E A DEUSA  -   Jeffrey e a Deusa  -   3,5
  17. -  BIBLIOTECA  -   Pedro Mexia  -   3,5
  18. -  VALE A PENA - Conversas com escritores   -    Inês Fonseca Santos  -   3,5
  19. -  PAIXÕES-amores e desamores que mudaram a história   -   Rosa Montero  -  3,5
  20. -  DIÁRIO VII e VIII   -   Miguel Torga   -   3
  21. -  O SONHO DO CELTA  -   Mário Vargas Llosa  -   3
  22. -  A AMÉRICA E OS AMERICANOS  -  John Steinbeck   -   3
  23. -  O ADEUS ÀS ARMAS   -   Ernest Hemingway   -    2
  24. -  O ESTRANHO DEVER DO CEPTICISMO  -  Mário Mesquita   -   2


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sábado, 30 de dezembro de 2017

"O MISTÉRIO DA LÉGUA DA PÓVOA" - AGUSTINA BESSA-LUÍS - LEITURAS 2017 - XXIV


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Este "O MISTÉRIO DA LÉGUA DA PÓVOA" é um daqueles livros de capa amarela que integra a muita interessante colecção que, por volta de 2004, foi publicada pelo jornal O INDEPENDENTE, e que ainda se encontram nalguns alfarrabistas.
Antes de ter sido publicada em livro, esta crónica tinha sido publicada no referido jornal, entre 2001 e 2002, como folhetim.


Talvez por isso eu tenha achado o livro, em determinado capítulos, algo repetitivo pois a autora teve certamente a intenção de manter sempre a par do que ia acontecendo os leitores que iam chegando e que poderiam ter perdido alguns folhetins anteriores.


Nele se narra a história verídica de Maria Adelaide Coelho da Cunha, "Senhora de São Vicente", filha mais velha e herdeira do fundador e co-proprietário do Diário de Notícias, o jornalista Eduardo Coelho, e mulher de Alfredo Cunha também jornalista, que, no fim da tarde de quarta-feira dia 13 de Novembro de 1918, saiu de casa, o palácio de São Vicente, à Graça, para nunca mais voltar e, dirigindo-se à estação de comboios do Rossio, comprou um bilhete para Santa Comba Dão onde pretendia começar uma nova vida junto de Manuel Claro o motorista da família, na Serra da Gralheira, e para levar uma vida de pobre, ignorando a fortuna de que era detentora, já que efectivamente era uma mulher muito rica. 

Contudo, uma vez que a Maria Adelaide seria, como já foi referido, a detentora de uma grande fortuna, o marido com medo de a perder (a fortuna) invocando que ela estaria louca e sem condições de gerir a sua vida conseguiu que fosse internada à força num manicómio (Hospital de Conde de Ferreira no Porto), num quarto em que a porta estava trancada com 6 ferrolhos, isto depois de avaliada por três famosos e reputados médicos alienistas (médico especializado em doenças mentais) da altura (Dr. Egas Moniz, o Dr.Júlio de Mattos  e o Dr. Sobral Cid, director e adjunto do manicómio de Miguel Bombarda) que a definem como "louca lúcida". Deste manicómio ela consegue, contudo, evadir-se por duas vezes. Depois do segundo internamento de Maria Adelaide, Manuel Claro recolheu aos calabouços da Relação para lá ficar sepultado durante quatro anos, acusado de rapto, no meio da turba de prisioneiros (eram mais de setecentos) nas piores condições que se possam imaginar e que fizera dizer a D. João V "isto tem de ser demolido".  


Uma vez posta em liberdade, Maria Adelaide nunca mais regressou a Lisboa, ficando a viver no Porto. Primeiramente em casa da família de Bernardo Lucas mas aqui apenas por algum tempo, mudando de alojamento por diversas vezes é de presumir que com a libertação de Manuel Claro fossem ambos viver juntos, ao que se julga na Rua da da Cedofeita. Maria Adelaide saiu do Hospital de Conde de Ferreira por ordem do Ministério do Interior, depois de muitas diligências do Doutor Bernardo Lucas, amigo de Maria Adelaide, a pretexto de que ela fora internada num manicómio sem mandado nem confirmação judicial.

Agustina Bessa-Luís é realmente uma grande escritora portuguesa. Este é o terceiro livro que leio dela, contudo, gostei mais dos outros dois (o romance "A SIBILA" e o romance histórico "FANNY OWEN").

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Agustina Bessa-Luís      Vila Meã-Amarante, 1922

3,5-interessante

0 - li, mas foi zero
1 - desisti
2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima



sábado, 23 de dezembro de 2017

"O SONHO DO CELTA" - MÁRIO VARGAS LLOSA - LEITURAS 2017 - XXIII

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"O SONHO DO CELTA" baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico, defensor dos direitos humanos, nacionalista irlandês que muito lutou para conseguir a independência do seu país, resultando na sua prisão e condenação à morte e executado, por traição (à Coroa Britânica).

Mas é sobretudo a denúncia das atrocidades do regime colonial no Congo belga e na Amazónia peruana, em inícios do séc. XX, a parte que achei mais interessante deste livro de mais de quatrocentas páginas.

Efectivamente, durante duas décadas denunciou a crueldade que se abateu sobre as populações locais -os indígenas- que são tratadas como selvagens e escravos, cuja extracção da borracha é por eles feita em condições inumanas e de absoluta escravidão a quem são infligidos os mais cruéis castigos apenas com o intuito de enriquecer os mercenários e bárbaros capatazes ao serviço das empresas de borracha coloniais.

Roger Casement é mais do que um personagem de romance, a sua vida extraordinária cheia de aventuras, ousadias, sonhos e perseguições é também um fragmento da história da humanidade que não desiste de ser humana e justa apesar das muitas desilusões que a cercam. 

Deste autor peruano, Prémio Nobel da Literatura 2010, já tinha lido três livros e de todos tinha gostado:
-"A guerra do fim do mundo" - um bom romance, 
-"Civilização do espectáculo" - excelente ensaio
- e de um muito bom "O Herói discreto" - este foi o do que mais gostei e aconselho.  

Não gostei deste indolente calhamaço de 438 páginas, e embora não pretendendo ser injusto (para ambos os autores) muito menos sendo minha intenção fazer qualquer julgamento, o Mário Vargas Llosa deste "O Sonho do Celta" fez-me lembrar um certo autor português (dono duma oficina de escrita com muitos artífices em horário laboral) a quem fazem encomendas de 575 páginas por semestre.


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Mário Vargas Llosa - Perú 1938
3 - razoável

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1 - desisti
2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

"STONER" - JOHN WILLIAMS - LEITURAS 2017 - XXII


STONER foi dos livros que mais gostei em 2017.

Que belo livro!

O Stoner do título é o protagonista deste romance -um obscuro professor de literatura, que até ao dia da sua morte dá aulas numa universidade do interior. A sua vida, brevemente descrita nos dois primeiros parágrafos deste romance, oferece um triste obituário. O que se segue, numa prosa precisa, despojada, quase cruel, é uma sucessão de fracassos de uma personagem que perde quase tudo -menos a entrega incondicional à literatura.

Stoner, filho único de camponeses humildes, é um tipo esquisito, misterioso, calado, observador, trabalhador rural quando jovem, a sua vida decorre sem qualquer interesse a não ser o interesse e o amor que lhe despertam os livros. O falhanço faz parte da sua existência, vive mergulhado na tristeza e solidão e um casamento triste que o magoa, maltrata e corrói.



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John Williams - Texas 1922-1994


"Stoner não passa de um romance sobre um tipo que vai para a universidade e se torna professor. Mas é também uma das coisas mais fascinantes que já vi na vida."  -  TOM HANKS (actor norte americano)



5 - muito bom

0 - li, mas foi zero
1 - desisti
2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima


sábado, 25 de novembro de 2017

"DOIS NEGROS EM ESTHERVILLE" - ERSKINE CALDWELL - LEITURAS 2017 - XXI




Um livro imprescindível para se conhecer o lado mais pérfido e mais cruel do ser humano.

Dois irmãos, afro-americanos, Ganus e Kathyanne, vindos do campo, chegam à pequena cidade de Estherville para cuidar da velha tia doente.

Ganus é uma personagem admirável, a sua ingenuidade, a sua infantilidade são absolutamente trucidadas a cada passo da sua vida, enfrentando um verdadeiro calvário para tentar um emprego, de que tanto necessita, O leitor consegue sentir na pele o sofrimento deste irmão de Kathyanne, parecendo, por vezes, sentir ele próprio as injustiças, a malvadez e o horror de que estes dois irmãos são vítimas, sobretudo Ganus. 

Caldwell traça aqui mais um perfeito retrato da mesquinhez e da maldade humanas e do ambiente de pequenez e malvadez das pequenas cidades americanas, onde, neste caso, o racismo imperava.   

Este excelente pequeno/grande livro de 179 páginas, é o nº. 155 duma excelente colecção que, em tempos -anos 60-, foi editado pelos Livros do Brasil, a Colecção Miniatura. Estão actualmente a ser reeditados alguns números (creio que já saíram seis), não sei se a colecção inteira, mas creio que não até porque a numeração dos títulos não é igual à primitiva. 

Aconselho vivamente este excelente livro sobre o racismo mas, sobretudo, sobre a crueldade, a malvadez de que o ser humano é capaz, em determinadas situações e ambientes.


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Erskine Caldwell  -  EUA 1903-1987

4 - bom

0 - li, mas foi zero
1 - desisti
2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima