sexta-feira, 10 de maio de 2019

"NUNCA DANCEI NUM CORETO" - MARIA FILOMENA MÓNICA - LEITURAS 2019 -IX


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Mais um livro lido desta excelente escritora, a socióloga Drª. Maria Filomena Mónica. E mais uma vez não me desiludiu, gostei!

Comecei a lê-la já há alguns anos com "Bilhete de Identidade" (bonita capa) onde fala de si e, ao que me lembro, dos outros e das mais variadas situações, sempre interessantes. É realmente uma boa escritora.e tenho pena de não a conhecer pessoalmente pois parece-me uma mulher que sabe o que quer, uma mulher forte, determinada, justa e extremamente culta pois tenho aprendido muito com ela.

Tal como já salientei também gostei deste "Nunca dancei num coreto", um conjunto de crónicas publicadas no Expresso entre 2011 e 1018. São interessantes, breves e quase todas de apenas página e meia, abordando os mais variados temas. 

Falando, por exemplo:
- dos velhos descobre-se que Portugal é hoje o sétimo país mais envelhecido do mundo.

- de Steve Jobs, alguém que um dia, declarou: Muitas vezes as pessoas não sabem o que querem até que lhas mostramos.

-recordando Henry Ford, o impulsionador do automóvel, que igualmente desprezava as sondagens: "se tivesse interrogado as pessoas sobre o que desejavam, provavelmente ter-me-iam dito que desejavam uma carruagem com cavalos mais velozes"


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Maria Filomena Mónica - n.Lisboa 1943

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-Reconheço que as mulheres pouco são mencionadas na História, mas as coisas mudaram a partir do momento em que no séc. XVIII, uma mulher inglesa, Mary Wollstonecraft, publicou um livro defendendo os direitos femininos.




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sábado, 4 de maio de 2019

UM FILME - CINEMA PARAÍSO

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Revi esta semana na RTP2, um dos poucos canais onde consigo ver alguma coisa do meu agrado, um grandioso filme, "CINEMA PARAÍSO".

Para mim, um dos melhores filmes de todos os tempos e uma das mais belas e conseguidas homenagens ao cinema.

É como que um retrato da vida do realizador Giuseppe Tornatore. 
Filmado nos arredores de Palermo. onde Tornatore nasceu, o filme narra, em flashback (registo de recordação ou facto ocorrido antes, interrompendo a sequência cronológica), a evolução de uma sala de cinema (o Cinema Paraíso) e a amizade entre um projectista (grande interpretação do francês Philippe Noiret) e uma criança (noutra magistral interpretação do pequeno Salvatore Cascio) que lhe serve de assistente.

Premiado com o Óscar da Academia de Hollywood, de melhor filme estrangeiro em 1989, não demorou mais de quatro semanas a ser rodado.

Passado na época pré-televisão (princípio dos anos cinquenta, cenários e guarda roupa fantásticos) a história evolui com o jovem Salvatore a dedicar-se ao cinema quando chega à adolescência, acabando por chegar até realizador de televisão. Depois...é ver o filme —fantástico—!

A música do filme é uma inolvidável banda sonora do grande Ennio Morricone, de uma beleza que nos inunda de uma serena nostalgia.

Um filme absolutamente inesquecível e um dos mais belos da história do cinema!


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extraordinárias interpretações de Philippe Noiret e do pequeno Salvatore Cascio

sábado, 20 de abril de 2019

"OS VÍCIOS DOS ESCRITORES" - ANDRÉ CANHOTO COSTA - LEITURAS 2019 - VIII

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JAMES JOYCE confrontado com a ilegibilidade da sua escrita, o autor do misterioso, enigmático, e, segundo alguns, incompreensível "Ulisses" o autor respondeu; em vez de escrever um livro para ser lido por um milhão de pessoas, preferia escrever um livro que uma pessoa pudesse ler um milhão de vezes.

JAROSLAV HASEK ("O valente soldado Chveik") - Anarquista, passava o tempo a beber. Depois de embriagado, ia fazer as necessidades diante da esquadra da polícia.

MARCEL PROUST parece ter desenvolvido um genuíno gosto por jovens raparigas menores. Quando mais velho usava sempre luvas não apertando a mão a ninguém, mais por hipocondria do que por snobismo. Sempre rodeado de formol e outros desinfectantes.

WILLIAM FAULKNER era um homem tímido, com receio das multidões e da exposição pública. Desconfiava dos médicos, curando tudo com whisky, desde uma dor de garganta a uma distensão nas costas.

HERMAN MELVILLE tiranizava a vida familiar, sobretudo quando bebia. 

KAFKA um hipocondríaco vegetariano com um gosto suspeito por menores.

EÇA DE QUEIROZ um mulherengo vaidoso com tendência para o cinismo.

CAMILO CASTELO BRANCO um maníaco-depressivo, com tendência para o jogo.

CHARLES DICKENS manteve uma amante secreta e expulsou a mulher de casa.

GOGOL era uma fanático religioso e um homossexual reprimido.

DOSTOIEVSKI arruinou financeiramente a família no casino.

Realmente, como salienta o autor deste livro, os especialistas em literatura  afirmam que a vida dos escritores não tem utilidade para compreender os seus livros e, sem dúvida que algumas passagens deste livro comprovam-no.

É um livro que se lê com curiosidade e interesse, os capítulos não são extensos, o que é algo que muito contribui para uma leitura agradável. Eu gostei.

Contudo, não posso deixar de realçar que algumas das minhas expectativas sobre esta obra foram algo defraudadas —é que o título do livro, na verdade, não será o mais adequado para não dizer até de alguma "habilidade infantil", pois que, na minha perspectiva, estes vícios dos escritores não são mais do que pequenas biografias não muito diferentes das que já foram mil vezes difundidas. Mas é escritor para eu estar atento.



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André Canhoto Costa - Oeiras  1978


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sábado, 13 de abril de 2019

"MORTE DUM CAIXEIRO VIAJANTE" - ARTHUR MILLER - LEITURAS 2019 - VII

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Arthur Miller, que foi casado com Marilyn Monroe entre 1956 e 1961, escreveu esta excelente peça de teatro em 1949. 

Que perturbante e envolvente livro em que Arthur Miller tão bem expressa todo o drama social e familiar de Willy Loman — o caixeiro viajante — que vê sucumbir toda a sua ilusão de grandeza e que projectava para os seus filhos o sucesso que ele próprio gostaria de ter alcançado.

Willy Loman, pai de dois filhos, é um caixeiro viajante orgulhoso dos seus longos anos de vendas em que tinha em cada cliente um amigo, em que a amizade se sobrepunha às regras económicas, mas que, de repente, vê esfumar-se todo este seu mundo e se encontra, surpreendentemente (para si), desempregado.

A mestria de Miller dá-nos um excelente panorama do que é uma sociedade impiedosa que transforma um homem simples num simples número, num fracassado, logo que este se faz notar pela sua desadequação ao tempo e aos lugares em que se movimenta, depois de ver definhar a sua carteira de clientes, alcançada ao longo de anos de estrada, surgindo assim toda a sua inaptidão face à sua falta de competitividade quando passa a ser pago à comissão.  

Toda a sua vida de ilusório sucesso desaba e a este drama social junta-se um drama familiar quando é visto, por um dos seus filhos, com uma amante.

E acontece a trajectória descendente até ao suicídio.

Que bem narra Arthur Miller a cultura do "sucesso" medido através da comparação com os outros; é a sociedade que quase reduz a vida a uma procura constante de rendimentos mais elevados, onde é preciso ganhar cada vez mais dinheiro para comprar, comprar, comprar....

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Arthur Miller - n. Nova Iorque - 1915-2005



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(da pág.91) - de brincalhões toda a gente gosta, mas ninguém é capaz de lhes confiar um centavo.


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domingo, 7 de abril de 2019

"UMA LONGA VIAGEM COM ANTÓNIO LOBO ANTUNES" - JOÃO CÉU E SILVA - LEITURAS 2019 - V

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António Lobo Antunes é, na minha opinião, um escritor difícil. Confesso que actualmente não me "atrevo" a começar a ler um livro seu (o último que li "esfrangalhou-me" (Explicação dos Pássaros)).
Todavia, gosto e continuo a ler todos os seus livros de crónicas.

Curiosamente gostei e entusiasmei-me com a leitura dos seus três primeiros livros "Memória de Elefante", "Os Cus de Judas" e "Conhecimento do Inferno". 

António Lobo Antunes é um escritor que me interessa muito pela sua personalidade e pela sua história de vida.

Este "Uma longa viagem com António Lobo Antunes" não sendo, como li algures, uma cara do escritor será talvez o escritor munido das suas muitas caras.

João Céu e Silva fez aqui um grande e muito interessante trabalho, e este não será propriamente um livro de entrevistas — isto é literatura —  

Gostei, saboreei com muito prazer este excelente livro e fiquei expectante com outras longas viagens do autor, por exemplo, com José Saramago.


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-(pág. 22)  -  Não tenho computador. Gosto de desenhar as letras 

-(pág.29)   -  Há um velho provérbio húngaro que diz: "Na cova do lobo não há ateus"


-(pág.47)   -  Eu tenho uma vida muito simples. Infelizmente não gosto de comer, de maneira que como em restaurantes aqui perto e não ligo muito ao que me servem                

-(pág. 50)  -  Os bares estão cheios — via-o quando ia buscar o Zé (Cardoso Pires) —de escritores que não escreviam, de pintores que não pintavam e de cantores que não cantavam

-(pág.306) -  Eu não sei mexer num computador, não tenho cartão multibanco, não tenho    automóvel,não tenho cartão de crédito...


-(pág.309)  - Conhece aquela célebre história de Picasso sobre os retratos de Jacqueline    todos verdes e há um que é encarnado, e aquilo era muito discutido até que foram perguntar ao homem. Porquê encarnado? E ele respondeu: "porque se me acabou o verde"  


-(pág.419)  -  "Pensar é ouvir com mais força" - Beckett


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António Lobo Antunes - n. Lisboa - 1942

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terça-feira, 2 de abril de 2019

"MANOBRAS DE GUERRILHA" - BRUNO VIEIRA AMARAL - LEITURAS 2019 - IV

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Nestas pequenas crónicas publicadas em diversos jornais, revistas e blogues, são abordados os mais diversos temas, desde o futebol à literatura, falando de Chalana, de algumas curiosidades sobre Muhamed Ali, da louca vida de Fredie Mercury, do olho azul e do olho castanho do David Bowie, do apego à terra do escritor Rentes de Carvalho e das suas constantes idas a Amsterdão onde leccionou (a propósito, deste autor, já leram "Com os Holandeses"? vale a pena).

Bruno Vieira Amaral é um jovem escritor que até agora ainda não me surpreendeu mas também ainda não me desiludiu.

Um lamentável senão com que deparamos em muitíssimas das 280 páginas deste livro é o facto de ter inúmeras notas (algumas bem longas) em inglês sem qualquer tradução. Desleixo ou falta de respeito pelo leitor?

- gostei e anotei   (página 232) -  sem temor não há crença -


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Bruno Vieira Amaral  - n. 1978 - Barreiro
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sábado, 16 de fevereiro de 2019

"CONTOS" - VERGÍLIO FERREIRA - LEITURAS 2019 - III

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Os 26 contos aqui reunidos abrangem uma diversidade de temas bem característicos da obra de Vergílio Ferreira.

Divagações filosóficas marcam cada um dos contos, onde o existencialismo e o drama quase sempre estão presentes.
São contos pequenos, não mais de 5/6 páginas cada um.

Dizia Vergílio Ferreira:
"Escrever contos foi-me sempre uma actividade marginal e eles relevam assim um pouco da desocupação e do ludismo. E se um conto (como uma cerâmica ou uma gravura), bem realizado, excede em importância um mal realizado romance (ou um quadro a óleo) será sempre um conto, ao que julgo, de uma dimensão menor que a dum romance."


Na minha opinião, destes 26 contos, alguns, não mais de seis ou sete, são bons, os outros nem por isso, acho que, como o autor salientou, não se comparam aos seus romances, não que os não tivesse trabalhado com o mesmo afã dos romances mas um conto é um conto sempre inferior à dimensão de um romance.

Nalguns vem ao de cima o seu grande sentido de humor que tive oportunidade de saborear no seu espectacular "conta-corrente", em 9 volumes, absolutamente imperdível.

Vergílio Ferreira é um dos grandes escritores da língua portuguesa!  

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

"PORTO-SUDÃO" - OLIVIER ROLIN - LEITURAS 2019 - II

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Foi este o último livro, o nº. 10, publicado na interessante colecção Miniatura dos Livros do Brasil — bonitos livros —.

Creio que se poderá dizer que esta é uma colecção retomada, e não reeditada porque agora são outros os  títulos editados; e digo isto porque, por exemplo, tenho o nº. 6 da colecção antiga (O terceiro homem-Graham Greene) que comprei num alfarrabista e tem uma dedicatória, certamente do dono inicial, com uma data (1951), enquanto que o mesmo nº. 6, desta nova colecção, é "História do Bom Deus" de Rainer Maria Rilke.

Este nº. 10, "PORTO-SUDÃO" de Olivier Rolin, que acabei de ler, não me entusiasmou (nem me decepcionou), apesar de ter uma história interessante e com personagens muito bem imaginadas. Contudo, estas personagens ocupam muito pouco da história, porventura não mais de 10% das suas noventa e cinco páginas e, talvez por isso, o autor não me tenha ganho. 

Há neste livro muita melancolia, onde se fala muito da morte, do luto, da depressão. 

Deste autor nascido em França, com muitos anos de África, que esteve recentemente em Lisboa, quero ver se leio "O Meteorologista".

"Porto-Sudão" foi o primeiro livro que li deste escritor francês que completará 72 anos de idade no próximo mês de Maio.


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Olivier Rolin - França - n. 1947


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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

"CONTOS ARGENTINOS" - LEITURAS 2019 - I


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Foi este o primeiro livro que li em 2019.

São nove contos de autores argentinos (finais séc. XIX e princípios séc. XX), seleccionados e apresentados pelo escritor argentino Jorge Luís Borges (ao que dizem o maior — confesso a minha ignorância sobre o porquê de tal título— os dois livros que dele li não deram, longe disso, para confirmar tal grandiosidade)

Autores seleccionados: 
  1. Leopoldo Lugones (1874-1938)
  2. Adolfo Bioy Casares  (1914-1999)
  3. Arturo Cancela  (1892-1957)
  4. Pilar de Lusarreta   (1914-1967)
  5. Júlio Cortázar  (1914-1984)
  6. Manuel Mujica Láinez   (1910-1984)
  7. Silvina Ocampo   (1906-1993)
  8. Frederico Peltzer   (1924-2009)
  9. Manuel Peyrou   (1902-1973)
  10. Maria Esther Vásquez  (n. 1937)
Devo confessar que nenhum dos contos me fascinou de tal modo que me levasse à procura de outros livros destes autores (o que costumo fazer quando gosto).

Contudo, YZUR, de Leopoldo Lugones, não deixa de ser um conto interessante, em que um homem tenta, durante anos, ensinar um macaco a falar.  

O CHOCO OPTA PELA TINTA - Adolfo Bioy Casares - uma alegação, segundo Borges, contra a estupidez e a cobardia.

Do mesmo modo que CASA OCUPADA de Júlio Cortázar é um conto fascinante em que dois irmãos vivem em incesto.

Mas talvez aquele que mais me prendeu terá sido O DESTINO É CANHESTRO escrito a duas mãos - Arturo Cancela e Pilar de Lusarreta - a história de um guarda-freio que, graças à pressa e ao desmazelo de um médico, ficou com a perna direita encurtada em 4 cm.

Este foi o último livro que comprei desta excelente colecção de literatura fantástica A Biblioteca de Babel, editada pela Presença. Este é o nº. 17 e nos outros dezasseis já editados, todos tão bonitos como este, contam-se grandes nomes da literatura como Henry James, Edgar Allan Poe, Jack London, Tolstói, Kafka, Oscar Wilde e sobretudo o fantástico livro "BARTLEBY, O ESCRIVÃO" de Hermann Melville (imperdível).  

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Buenos Aires  -  1889-1986
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

BALANÇO LEITURAS 2018

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Utilizo este blogue principalmente para aqui ir mencionando, ao longo do ano, os livros que vou lendo, mas não só, embora ultimamente apenas para isto o tenha utilizado.

Será sobre os livros que li em 2018 que se centra esta minha abordagem. 

2018 não foi um ano de muitas leituras — li 33 livros— algumas surpresas muito agradáveis como foi o caso do excelente "Adeus, até amanhã", que desconhecia por completo e que comprei, por € 6,00, em saldos, na última Feira do Livro de Lisboa, numa daquelas bancadas que estão no meio do caminho. 

"Teresa Desqueyroux" de François Mauriac e "1933 Foi um mau ano" do admirável John Fante, foram outros dois excelentes livros que me entusiasmaram, principalmente "Teresa Desqueyroux" (uma bela surpresa que estava há anos a apanhar pó na estante).

John Fante não foi para mim uma surpresa pois sou um seu leitor fiel. Para além deste "1933 Foi um mau ano", já havia lido "A Primavera Há-de Chegar", "Estrada para Los Angeles", "Pergunta ao Pó", "Sonhos de Bunker Hill" e "A Confraria do Vinho" e foram livros que me agarraram da primeira à última página.

Mas também algumas desilusões, como foi o caso dos "Contos" de Dorothy Parker, escritora em quem depositava muitas expectativas, apesar de, como disse Vergílio Ferreira, um conto será sempre um conto, de uma dimensão menor que a de um romance.

Outra grande desilusão foi "O escritor Fantasma" de um dos meus escritores preferidos, Philip Roth.  

Mas vamos aos livros que li em 2018, por ordem de satisfação (de 0 a 6):   
  1. ADEUS, ATÉ AMANHà -  William Maxwell  -  6   
  2. TERESA DESQUEYROUX  -  François Mauriac  -  5
  3. 1933 FOI UM MAU ANO  -  John Fante  -  5
  4. A NOVELA DE XADREZ  -  Stefan Zeig  -  5
  5. RELÓGIO SEM PONTEIROS  -  Carson McCullers  -  4
  6. O ALIENISTA  -  Machado de Assis  -  4
  7. A CARNE  -  Rosa Montero  -  4
  8. PÁTRIA  .  Fernando Aramburu  -  4
  9. A ESTRADA DO TABACO  -  Erskine Caldwell  -  4
  10. SÓ ACONTECE AOS OUTROS  -  Maria Antónia Palla  -  4
  11. HISTÓRIAS DE ALMANAQUE  -  Bertold Brecht  -  3,5
  12. MOBY DICK  -  Herman Melville  -  3,5
  13. REMÉDIOS LITERÁRIOS  -  Ella Berthoud e Susan Elderkin  -  3,5
  14. PASSAPORTE  -  Maria Filomena Mónica  -  3,5
  15. O MUNDO DE ONTEM  -  Stefan Zweig  -  3,5
  16. GUIA PARA 50 PERSONAGENS DA FICÇÃO PORTUGUESA - Bruno Vieira Amaral -  3,5
  17. AS ÚLTIMAS TESTEMUNHAS  -  Svetlana Alexievich  -  3,5 
  18. SEI PORQUE CANTA O PÁSSARO NA GAIOLA  -  Maya Angelou  -  3,5
  19. VIDAS  -  Maria Filomena Mónica  -  3,5
  20. O CÃO E O DONO  -  Thomas Mann  -  3
  21. ENTREVISTAS DE PARIS REVIEW  -  3
  22. DICIONÁRIO DE COISAS PRÁTICAS   -  Francisco José Viegas  -  3
  23. ESTAÇÕES DIFERENTES  - Stephan King  -  3
  24. CENAS DA VIDA AMERICANA  -  Clara Ferreira Alves  -  3
  25. VOZES E PERCURSOS  - A MEMÓRIA DOS OUTROS I  - Marcelo Duarte Mathias  -  3
  26. O QUE ESCREVERAM OS AUTORES  -  3
  27. OS RICOS  -  Maria Filomena Mónica  -  3
  28. LEVANTE-SE O RÉU OUTRA VEZ  -  Rui Cardoso Martins  -  2
  29. EMBALANDO A MINHA BIBLIOTECA  -  Alberto Manguel  -  2
  30. INSTANTÂNEOS  -  Cláudio Magris  -  2
  31. ERRO EXTREMO  -  Miguel Tamen  -  2
  32. CONTOS  -  Dorothy Parker  -  1
  33. O ESCRITOR FANTASMA  -  Philip Roth  -  1    


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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"OS RICOS" - MARIA FILOMENA MÓNICA - LEITURAS 2018 - XXXIII

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Sou um fiel leitor desta bonita lisboeta doutorada em Sociologia pela Universidade de Oxford.

Neste livro, que foi o último que li em 2018, são retratadas as grandes fortunas nacionais, seu usos e costumes.

A galeria de personagens vai desde os fidalgos antigos como o 1º. Duque de Palmela, os condes de Vila Real, condes de Rio Maior até aos capitães da indústria do século XX, Alfredo da Silva, Jorge de Mello, António Champalimaud, Américo Amorim e Belmiro de Azevedo, passando pelos milionários do liberalismo, Eugénio d´Almeida, Dona Antónia Ferreira (Ferreirinha), José do Canto e conde de Burnay.

Através destas biografias ficamos a conhecer melhor a história de Portugal e dá para vislumbrar quanta fome meia dúzia de indivíduos semearam por este país (muita fome —grandes fomes—têem passado a grande maioria dos portugueses, ao longo dos séculos), enquanto meia dúzia sempre viveu "à tripa-forra".

Um senão neste livro: as constantes notas de rodapé, algumas parecendo-me demasiado longas, quiçá, perfeitamente dispensáveis; senti que quebram o ritmo da leitura. 

Confesso que este livro (pelo tema abordado) ficou aquém das minhas expectativas.

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Maria Filomena Mónica
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

"SEI PORQUE CANTA O PÁSSARO NA GAIOLA" - MAYA ANGELOU - LEITURAS 2018 - XXXII

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Desconhecia em absoluto este clássico americano que marcou gerações e que conserva toda a sua actualidade.

Um livro de memórias da activista social norte americana Maya Angelou (1928-2014), que é uma poética viagem de libertação.

Um relato inspirador da infância e da juventude da autora, nos anos 30 e 40, do século passado.

O olhar de uma extraordinária criança sobre a violência inexplicável do mundo de adultos e a crueldade do racismo, na procura da dignidade em tempos adversos.

Do Arkansas rural às cidades da Califórnia, Maya Angelou traça neste livro um tocante retrato da comunidade negra do Estados Unidos, durante a segregação.

Através deste livro fiquei a conhecer aquele que é considerado o primeiro abolicionista branco americano, que defendia a insurreição armada que era, para si, a única maneira de acabar com a escravatura nos Estados Unidos.

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John Brown - 1800-1850
Foi considerado, por alguns, um vilão desequilibrado, e o pai do terrorismo, por outros um mártir heróico da liberdade e o homem que acabou com a escravidão.
Foi preso, julgado por traição e enforcado.
A sua morte acendeu a fagulha para o início da Guerra da Sucessão. 


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Maya Angelou  -  St.Louis, Missouri 1928-2014

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

"O QUE ESCREVERAM OS AUTORES" - LEITURAS 2018 - XXXI

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Aqui se reúnem, neste livro de 244 páginas, textos de grandes nomes da cultura portuguesa, originalmente publicados na revista Autores, uma publicação da SPA-Sociedade Portuguesa de Autores.

São importantes reflexões sobre o teatro, a música, a dança, a arte, a censura, a imprensa ou a condição de escritor, entre outros temas, em diferentes épocas, reflexões que são memória indispensável para a preservação da nossa identidade.

Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Joly Braga Santos, José Rodrigues Miguéis, José Galhardo, António Lopes Ribeiro, Gustavo de Matos Sequeira, José Régio, Miguel Torga, Manuela de Azevedo, Natália Correia e Rosa Lobato Faria são alguns dos autores dos artigos, assim como Júlio Dantas, o primeiro presidente da SPA, entre muitas outras grandes personalidades da criação artística em Portugal. Os textos são acompanhados de breves notas biográficas.  


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Aquilino Ribeiro                  Ferreira de Castro              José Rodrigues Miguéis                              António Lopes Ribeiro

Já sabia que o Miguel Torga é o pseudónimo literário de Adolfo Correia da Rocha, mas só depois de ler este livro fiquei a saber o porquê deste pseudónimo:

— MIGUEL, em homenagem ao poeta espanhol Miguel de Unamuno e TORGA como elo de ligação à sua terra natal, dado ser esse o nome de um arbusto abundante em Trás os Montes.  


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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

"VOZES E PERCURSOS - A MEMÓRIA DOS OUTROS I" - MARCELLO DUARTE MATHIAS - LEITURAS 2018 - XXX

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Havia sido editado em 2001, "A Memória dos Outros" e distinguido com o prémio Jacinto Prado Coelho e com o prémio D. Dinis da Fundação de Mateus (ex-aequo).

Foi agora reeditado com o título "VOZES E PERCURSOS-A MEMÓRIA DOS OUTROS I".

De Raymond Aron a Kissinger, de Matisse a Rothko, de Almada Negreiros a Miguel Torga e Vitorino Nemésio. de Woody Allen à Geração Perdida, sem esquecer a paixão pela diarística e o jogo de xadrez.

Reúnem-e aqui algumas dezenas de textos que, sob aparência diversa, exprimem uma visão rica de análises, comentários e interrogações que é também, como o título indica, evocação e convívio.
Por exemplo, esta visão do charme, numa confissão (sobre as mulheres) autobiográfica  de Albert Camus:  "Sabe o que é o charme? Um modo de elas nos responderem sim sem que da nossa parte haja sido formulada pergunta alguma"       

Gosto da escrita simples e dos textos interessantes, não só deste mas dos outros livros que já li deste autor de ficções, ensaios e diários, nascido em Lisboa, em 1938, diplomata e escritor.  

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Marcello Duarte Mathias
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

"ERRO EXTREMO" - MIGUEL TAMEN - LEITURAS 2018 - XXIX

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Este conjunto de crónicas escritas pelo autor para o jornal "Observador", entre Maio de 2014 e Junho de 2016, que, segundo o crítico literário Pedro Mexia:
   "são escritos de um modo (ou método) Wittgensteiniano herdeiro da tradição anglo-saxónica da filosofia analítica"    —  perceberam? eu também não! — (desculpem-me a insensatez mas, certamente, insuficiência minha).

Apesar de todas as crónicas versarem temas interessantes (do repúdio absoluto do acordo ortográfico, da crítica feroz ao sistema educativo português ao desinteresse dos noticiários televisivos) — crónicas pequenas de página e meia—, contudo, eu não alcancei, em nenhuma, o que o autor certamente pretenderia transmitir. 

Assim, confesso que não me entusiasmaram, nunca me "agarraram", para não dizer que não entendi (quase) nenhuma das crónicas deste livro.

De qualquer modo, penso que nunca nenhum livro é zero porque adquirimos sempre algum conhecimento, somamos sempre algo; por exemplo retive esta frase que tão bem me soou e me pareceu muito interessante: - "Aqueles a quem como eu falta a imaginação, praticam ainda actividades em desuso como a confiança em terceiros, a admiração pela prosa, e de um modo geral aquilo a que os melhores chamaram a sabedoria da insegurança."


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Miguel Tamen - Lisboa - 1934
2 - li, mas não me cativou

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

"AS ÚLTIMAS TESTEMUNHAS" - SVETLANA ALEXIEVICH - LEITURAS 2018 - XXVIII


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"Havia uma mulher com um bebé ao colo, ele sorvia água do biberão. Os alemães primeiro dispararam contra o biberão, depois contra o bebé!.. Só depois disso mataram a minha mãe."

A 22 de Junho de 1941, a Alemanha invade a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão celebrado entre as duas nações e dando início ao que ficaria conhecido do lado russo como a Grande Guerra Patriótica. 

No final do conflito, em 1945, tinham morrido cerca de três milhões de crianças e só na Bielorússia vinte e sete mil viviam em orfanatos. 

Os relatos destes órfãos foram recolhidos, passados mais de quarenta anos, por esta escritora bielorussa, Svetlana Alexievich, Prémio Nobel da Literatura 2015.  

O resultado é uma visão única da guerra, testemunhada pelas crianças e não por soldados, políticos ou historiadores — os narradores mais sinceros, simultaneamente mais injustiçados.

São cem relatos impressionantes, profundamente comovedores e autênticos de crianças sem infância.

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Svetlana Alexievich  -  n. 1948


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