segunda-feira, 29 de maio de 2017

JORNAL SARAMAGUIANO

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"JOSÉ SARAMAGO - Nas Suas Palavras", foi o último livro que li sobre este grande escritor português.

É uma recolha seleccionada de interessantíssimas intervenções de José Saramago feitas por esse mundo fora. 

Fiquei por exemplo a conhecer um pouco melhor do seu carácter: melancólico e reservado, solidário e relativista, orgulhoso e irónico, sempre propenso à indignação. 
Disciplinado, tenaz, ateu, cosmopolita (cidadão de todos os países; que despreza as fronteiras), austero, coerente, firme nas suas convicções, sério, solitário por temperamento, racionalista, céptico, tímido, terno, anti-pedante, implacável, pessimista, polémico, leal, sincero, generoso, duro por fora e frágil por dentro, elegante, frugal, directo, compassivo, inconformista, trabalhador, independente, distante, ético, imaginativo, comunista, solidário, orgulhoso, reflexivo, possuidor de um acentuado sentido de dignidade, irónico, austero, beligerante, meticuloso, relativista, português, brilhante, sensível, honesto, incómodo, sarcástico, individualista. 

Um homem possuído desde a juventude por uma insaciável curiosidade cartográfica que defendia com firmeza as opiniões sem calcular as consequências, acostumado a dizer o que pensava e a meditar o que dizia, disposto a forjar o seu perfil público nos meios de comunicação de todo o mundo, uma tarefa que assumia como mais uma obrigação do seu compromisso, até tomar a aparência de uma espécie de labor missionário laico.




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quarta-feira, 24 de maio de 2017

"BILHETE PARA A VIOLÊNCIA" - LUÍS ALVES MILHEIRO - LEITURAS 2017 - IX

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"Bilhete para a Violência" foi-me amavelmente oferecido pelo próprio autor e, por isso mesmo, passou logo a ser uma das minhas prioridades de leitura passando-o à frente da fila de livros que tinha (e tenho) em espera. 

Conheço o Luís Alves Milheiro apenas virtualmente das "lides literárias", mais propriamente através de alguns blogues que regularmente visitamos e, sobretudo, através do belíssimo "Largo da Memória", onde tenho visto lindíssimas fotos. 
Há pessoas que, mesmo não havendo contacto pessoal e estando longe, algo as aproxima, talvez pela coincidência ou semelhança de gostos, interesses. sentimentos, etc...

Não terá sido uma surpresa o facto de ter gostado deste livro pois conheço minimamente a escrita do autor, nomeadamente através dos seus excelentes blogues, "Largo da Memória", "A minha carroça de livros", "Viagens pelo Oeste" e "Casario do Ginjal", que visito com frequência.. 

"Bilhete para a violência" aborda um tema bem actual na sociedade portuguesa -a violência no futebol português e, sobretudo, sobre a arbitragem portuguesa-, que julgo nunca ter visto (em livro) abordado desta forma, ao mesmo tempo tão simples mas tão nua e crua. Sabemos que é um tema demasiado obscuro e que mexe com muitos interesses e muita gente da sociedade portuguesa para que haja coragem para ser esmiuçado.

O Pedro Gama é um jornalista desempregado, divorciado, que resolve aceitar um convite de uma amiga que dava aulas no secundário, para passarem um fim de semana junto ao mar.

Este fim de semana, que não corre bem, vai desencadear uma série de situações que vão torná-lo numa aventura cheia de uma violência absolutamente inimaginável numa pequena aldeia em que os seus habitantes se tornam absolutamente irracionais durante um jogo de futebol que opõe a equipa da terra a um rival de uma aldeia próxima. E o absurdo inimaginável acontece... 

História simples mas bem actual que consegue prender-nos (à história e aos personagens). Tive pena de não ter "convivido" mais com o Leonardo o cão amigo que afinal foi dos únicos que lhe deram (ao Pedro Gama) o gosto do que é saborear a amizade.

Obrigado e Parabéns Luís Eme!


A minha foto




sexta-feira, 19 de maio de 2017

JOSÉ SARAMAGO E PORTUGAL

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As convicções iberistas de José Saramago reforçadas pela fraterna relação que manteve com Espanha, mereceram-lhe descréditos e acérrimas críticas, acentuados pela firmeza e precisão das suas declarações e agravadas quando, em 1993, por decisão pessoal, se mudou para Lanzarote. 

Mas José Saramago via-se e entendia-se a si mesmo como um escritor português e nem as injustiças que determinada classe dirigente lhe infligiu, turvaram o seu sentimento de ser português nem afectaram os laços emocionais que o uniam ao seu próprio povo. 

Ao Jornal espanhol El País, em Abril de 1989, confessou:

-Não sei até que ponto Portugal precisa de mim, mas sei até que ponto eu preciso dele. Este país agrada-me, até aquilo que tem de menos bom. Há uma relação muito mais importante do que isso que se chama patriotismo; é uma relação carnal, de raízes. Tenho-a. Sobretudo, procuro saber quem sou, nunca como um ser individual, mas como alguém que está nesta coisa que é um povo e uma história-



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domingo, 14 de maio de 2017

LEITURAS 2017 - VIII - "JOSÉ SARAMAGO - NAS SUAS PALAVRAS"

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Ontem, quando no interior de uma Biblioteca fazia a minha ronda (de autêntico rato de biblioteca) quase diária, uma pessoa minha conhecida com quem, ocasionalmente, costumo beber café, pediu-me a opinião sobre um determinado livro que queria levar para leitura domiciliária, e se eu já o tinha lido; como não tinha, recomendei-lhe outro, "O ano da morte de Ricardo Reis" de José Saramago. Eis um breve resumo do diálogo que na altura encetámos:

-José Saramago? mas os livros dele não têem pontuação.
eu -não têem pontuação? mas já leu algum livro do Saramago?
-ainda não li nenhum, mas é o que tenho ouvido dizer
eu-ó caro amigo isso são apenas conversas de escárnio e mal dizer

Realmente criou-se, de algum modo, o mito de que os livros de José Saramago não teriam pontuação. São apenas palavras maldosas que se inventaram para denegrir um homem que é, ainda continua a ser, ao mesmo tempo amado e odiado, e bem injustiçado foi por alguns governantes deste país.

Naturalmente que este aspecto da pontuação não está isento de controvérsia. Para o professor universitário Carlos Reis, da Universidade de Coimbra, só os comentadores apressados e os críticos que o não leram é que dizem que Saramago não usa pontuação -"um disparate sem remissão possível". 

Saramago é um grande escritor, costumo dizer, o melhor escritor português depois de Camões (obviamente que esta afirmação é minha e, claro, vale o que vale).

O livro que acabo de ler (José Saramago-Nas Suas Palavras) é uma recolha de intervenções/afirmações que o grande escritor português fez ao longo da sua -curta- vida literária, intervenções que, como se refere no prefácio, constituíram um dos traços centrais do perfil intelectual de José Saramago.

Gostei muito deste livro que se lê como um jornal Saramaguiano.

Tem interessantíssimas intervenções de José Saramago feitas por esse mundo fora e fiquei, por exemplo, a conhecer um pouco melhor do seu carácter, que brevemente tentarei abordar.


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José Saramago jovem
 na foto da esquerda, curioso o que me parece ser, na lapela do casaco, o emblema do Benfica 



nota 4  -  bom

0-li, mas foi zero
1-desisti
2-li, mas não me cativou
3-razoável
3,5-interessante
4-bom
5-muito bom
6-excelente
7-obra-prima

terça-feira, 9 de maio de 2017

JOSÉ SARAMAGO E AS MULHERES

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Humildes e leais, generosas e autênticas, a obra de Saramago sustenta efectivamente excepcionais figuras femininas e brilham nas suas páginas, Blimunda, Lídia, Maria Sara, Maria Guavaira, Joana Carda, Maria Madalena, Marta, Isaura...


Sobre as mulheres, são suas estas palavras que confiou a Inês Pedrosa, numa entrevista ao Jornal de Letras, Artes e Ideias, em Novembro de 1986:

-Sinto que as mulheres são, em regra, melhores do que os homens. É como se o homem tivesse renunciado ao ponto de vista viril, marialva, e depois não soubesse muito bem como é que havia de ser. A mulher, ao mesmo tempo que já está a ser, está sempre para ser.



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Blimunda, personagem do "MEMORIAL DO CONVENTO"

quinta-feira, 4 de maio de 2017

JOSÉ SARAMAGO E OS LIVROS

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O Prémio Nobel da Literatura 1998, José Saramago, será talvez o maior escritor português depois de Camões. É um dos meus escritores preferidos. 

Ando actualmente a ler "JOSÉ SARAMAGO - NAS SUAS PALAVRAS", uma selecção de textos respeitantes às mais diversas intervenções do escritor nas várias esferas da comunicação. 

Fala de Lisboa, da Vida, de Portugal, da Ética, de Deus, do Pessimismo, da Morte, da Mulher, de História, do Ser Humano enfim, dos mais variados temas e fala, naturalmente, da literatura e dos seus escritores preferidos:

"Os meus escritores de referência são Montaigne, Cervantes, o padre António Vieira, Gogol e Kafka. O padre António Vieira era um jesuíta do século XVII. Nunca se escreveu na língua portuguesa com tanta beleza como ele o fez."  


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Padre António Vieira, Lisboa 1608-1697, religioso, filósofo, 
    escritor e orador português da Companhia de Jesus