domingo, 5 de agosto de 2012

CLOSED




São tempos de descansar, olhar, passear, ler, meditar e descontrair

Regressaremos em Setembro

terça-feira, 31 de julho de 2012

POR ONDE ANDEI EM 2011 - XI


Quem me acompanha minimamente sabe que não sendo esta coluna (POR ONDE ANDEI) propriamente um balanço será contudo uma oportunidade para relembrar os livros que li no ano anterior, neste caso em 2011, assim como se estivesse ainda em viagem pois é isso (e muito mais) que a leitura dos mesmos me proporciona.

Deste modo, estamos em Junho de 2011 e é com "A BAGAGEM DO VIAJANTE" que acompanho José Saramago numa viagem pela selva da vida contemporânea através destas crónicas, que o escritor publicou primeiramente em jornais e que partem dos mais variados assuntos: das mentiras da política e da publicidade à poesia dos pequenos gestos quotidianos, da vida secreta das cidades aos mistérios que se escondem na criação artística, nada escapa ao olhar arguto do escritor.

"O empregado estende-me o pires com a conta hipocritamente dobrada. Por que será que se dobram as contas? Por que será que falsificamos tudo? Hã? Pago e levanto-me, deixo umas moedas adicionais, também hipócritas, passo ao lado das mulheres, três parcas maléficas, três vezes três vezes três, noves fora, coisa nenhuma. Por que dobram as contas? Por que dobram? Por que se dobram as pessoas? Por que se dobram? Porquê?"


Nota 5 (de 1 a 7) - mais um livro à altura do grande escritor que é José Saramago.


De braço dado com outro dos meus escritores preferidos (Mia Couto) caminho em Junho por terras africanas e é através de "E SE OBAMA FOSSE AFRICANO? E OUTRAS INTERVENÇÕES" que ele me dá a conhecer um conjunto de intervenções públicas feitas pelo escritor em diversos contextos nos último anos. Este escritor nunca me desiludiu -nota 4 (de 1 a 7)-

E chego a finais do mês de Junho com "O DIÁRIO REMENDADO - 1971-1975" do controverso e polémico escritor que foi Luiz Pacheco.
Este Diário foi escrito quando, aos 45 anos, Luiz Pacheco recuperava no Hospital de Santa Marta de problemas relacionados com o excesso de álcool, aliás toda a sua vida foi de excessos, libertinagem, sacanagem. Carinhosamente sacana como alguém, que o conheceu muito bem, escreveu.


Vale a pena descobrir esta curiosa e excessiva personagem - um homem de excessos.


Este diário mostra as angústias de um homem que quis ser escritor de profissão e que por tal se debate diariamente com problemas financeiros, vendendo textos e livros aqui e ali para suportar o seu dia a dia.
Não foi dos que mais gostei (de 1 a 7 dou-lhe nota 2), não deixando de ser por isso, recomendável.    




Foi com "O DEVER DA MEMÓRIA" que, em finais de Junho 2011, lidei com um sobrevivente de Auschwitz, e desse dever vos darei conta no regresso de férias.











quarta-feira, 25 de julho de 2012

UMA MULHER SUBLIME


Quando revejo a galeria das mulheres notáveis, um nome me surge de imediato: a pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954)  -  ''Pinto-me a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''.

É mais do que uma pintora, mais do que uma escritora, mais do que uma revolucionária, é uma mulher sublime.

Muito cedo ficou, por força da poliomielite, com a perna direita mais magra e o pé esquerdo atrofiado     -   ''Não estou doente. Estou partida. Mas sinto-me feliz por continuar viva enquanto puder pintar.''
Aos 18 anos, quando regressava da escola, o autocarro onde viajava sofreu um acidente terrível que lhe provocou danos irreparáveis e que a marcaram para o resto da sua vida.

O grande amor da sua vida, que lhe provocou igualmente grande sofrimento, foi outro grande pintor mexicano, Diego Rivera -  ''Ele leva uma vida plena, sem o vazio da minha. Não tenho nada porque não o tenho.''

Diego. princípio
Diego. construtor
Diego. meu bebê
Diego. meu noivo
Diego. pintor
Diego. meu amante
Diego. meu marido
Diego. meu amigo
Diego. meu pai
Diego. minha mãe
Diego. meu filho
Diego. eu
Diego. universo
Diversidade na unidade.
Porque é que lhe chamo Meu Diego?
Ele nunca foi e nem será meu.
Ele pertence a si próprio.


Vale a pena conhecer esta sublime mulher através dos inúmeros livros que têm sido publicados sobre a sua grandiosa vida  -  ''Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?''.


Vale a pena conhecer os seus quadros bem reveladores da sua dimensão humana e que nos levam aos mais longínquos tempos da nossa memória.

Descubram Frida Kahlo uma mulher sublime!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

INTELECTUAL versus CINEASTA





Eduardo Prado Coelho escrevia, em 25 de Abril de 1992, no Volume II de "Tudo o que não escrevi", sobre Spielberg:

- Um cineasta que, como toda a gente sabe é um débil mental que faz filmes para débeis mentais.


São declarações que me põem a pensar, e não é que....não posso deixar de reflectir.



domingo, 15 de julho de 2012

QUE PERSONAGEM ADMIRÁVEL



O actor Ernest Borgnine morreu no domingo, 8Julho2012, aos 95 anos de idade.

Este actor tem feito parte de toda a minha vida no que se refere ao imaginário do cinema, pois é uma personagem que me lembro desde sempre de admirar desde que passei a ir ao cinema; quando o via na tela sentia-o como se fosse uma pessoa de família, é algo de estranho para o qual nunca consegui encontrar explicação.
Quando o vejo no cinema é como se visse um tio que não via há muito tempo.

Ernest Borgnine, venceu um Óscar pelo seu desempenho «Marty» (1955), de Delbert Mann, também participou em vários filmes e programas televisivos ao longo da sua carreira.
Nasceu a 24 de Janeiro de 1917, em Cinnecticut, Estados Unidos.
Filho de emigrantes italianos, alistou-se na Marinha aos 18 anos, que deixou em 1941, para regressar quando os Estados Unidos entraram na II Guerra Mundial. Participou na II Guerra Mundial e as suas ações em combate valeram-lhe cinco medalhas da Marinha Norte-Americana.
Participou em 2011, com 94 anos, no seu último filme.

Não foram revelados pormenores sobre as circunstâncias da sua morte. Segundo o noticiado, o actor terá morrido de insuficiência renal.

Para a história fica a participação em mais de uma centena de filmes e séries televisivas e esta estranha ligação (não sei explicar de que modo) que sempre me ligou a esta simpática personagem.

terça-feira, 10 de julho de 2012

1991 - PRESSENTIMENTO


A páginas tantas do primeiro dos dois volumes de "TUDO O QUE NÃO ESCREVI" Eduardo Prado Coelho, conjecturava, em Novembro de 1991:

"Melancólicas recordações de um jantar numa noite demasiado belga de Outuno: quando se convive de perto com "eurocratas" (digamos: funcionários de organizações internacionais), teme-se muito pelo destino da Europa.
Espero que o futuro me não dê razão."


É uma pena já cá não estar, não só pelo que representava para as letras portuguesas como para ver "ao vivo" que as suas previsões parecem confirmar-se.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

POR ONDE ANDEI EM 2011 - X



Referia eu no passado dia 23 de Junho, relativamente aos livros que li em 2011, que me iria encontrar em final de Maio de 2011, com o grande escritor chileno, LUÍS SEPÚLVEDA e é sobre esse encontro que hoje resumidamente falarei (é o de chapéu nesta foto com o poeta argentino Juan Gelman).
Luis Sepúlveda é um escritor que parece escrever não só com o coração mas também com o estômago já que através das suas palavras escritas nos consegue comover intensamente, mas também fazer-nos arrancar sorrisos e até gargalhadas.


É através d"A SOMBRA DO QUE FOMOS" o seu penúltimo livro, publicado em 2010, que me consegui imiscuir nas vidas daqueles que regressaram do exílio chileno sem que tenham sarado as feridas de um passado marcado pela violência.
É um bom livro que se lê num ápice (160 páginas) e que me mereceu a nota 4-bom (de 1 a 7).




Entro no mês de Junho pela mão de RUI CARDOSO MARTINS, mais um jovem escritor português, de que aqui já falei anteriormente.

 
Rui Cardoso Martins apresenta-me António, um advogado cego devido a um acidente desde os seus sete anos de idade, e um escuteiro com oito anos e com uma personalidade fantástica, que num dia de chuvadas torrenciais caiem ambos num buraco provocado por uma enxurrada, num túnel antigo e assim vão percorrendo a cidade de Lisboa à procura da salvação acontecendo-lhe as mais variadas peripércias. Nesta busca pela salvação desenvolvem uma relação de amizade intensa e ambos vão passando em revista a vida de cada um.
"DEIXEM PASSAR O HOMEM INVISÍVEL"é um livro que me prendeu do início ao fim e que recomendo.Nota 4-bom (de 1 a 7).
Estamos na primeira semana de Junho de 2011 e mais uma vez me irei encontrar, pela pena de um dos meus escritores preferidos (Philip Roth), com um velho conhecido dos seus livros: Nathan Zucherman, nesta altura um senhor de setenta e poucos anos de idade que mora há uma década longe da sua New York natal, escondido numa pequena cidade, escrevendo seus livros sem acompanhar os acontecimentos do seu tempo e praticamente sem vida social -um verdadeiro eremita, impotente por conta de um cancro da próstata e com todos os efeitos que daí derivam.
Este "FANTASMA SAI DE CENA" é uma tocante reflexão sobre a velhice que mais uma vez me deliciou (sou suspeito porque gosto de todos os livros dele, reconhecendo no entanto que este não será o melhor) . Nota 4-bom (de 1 a 7). 
PHILIP ROTH é, na minha opinião, o melhor escritor americano (vivo).



Estamos no fim da primeira semana de Junho (2011) e vou tomar nas mãos a bagagem do viajante e encontrar-me com o meu preferido escritor português (na foto os pais dele).
Acontecerá esse relato num dos próximos escritos de que aqui pretendo deixar memória.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

CASAMENTO ENTRE HOMENS


Uma situação que eu pensava ser uma característica dos tempos actuais já poderá afinal ter acontecido há cerca de cinco séculos atrás, ou ainda muito antes já que os primeiros registos do casamento entre homens vem do Império Romano. 


Analisemos agora o que Jean de Léry, missionário protestante e escritor francês (1536-1613), escreveu, cerca de quarenta anos depois de Cristovão Colombo ter alcançado uma das ilhas do arquipélago das Bahamas, no seu livro "Viagem à terra do Brasil":



-Na América do Sul as pessoas gostavam de comer aranhas, gafanhotos, formigas, lagartos e morcegos. Havia tribos americanas em que as virgens mostravam abertamente as suas partes íntimas, as noivas tinham orgias no dia do casamento, OS HOMENS PODIAM CASAR-SE UNS COM OS OUTROS, e os mortos eram cozidos, misturados até ficarem numa papa, misturados com vinho e bebidos pelos seus parentes em festas animadas.
Muitos dos homens chegavam aos 120 anos e poucos eram os que na velhice tinham cabelos brancos ou grisalhos. 
A história repete-se, pelo menos no que concerne ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, já que quanto ao resto, aguarde-se...

sábado, 23 de junho de 2012

POR ONDE ANDEI EM 2011 - IX

Não sendo propriamente um balanço, pois esses fazem-se normalmente no final de cada ano, é com este título (por onde andei) que falo sobre os livros que li no ano transacto, neste caso em 2011. E o título tem a ver com o facto de que ler é, para mim, como que viajar por outros sítios, conhecer outras gentes e outras culturas, enfim ler é viajar, sonhar, amar e tudo o que os homens se desunham para destruir.

Philipp Roth é um dos meus escritores preferidos, e o livro (A MANCHA HUMANA) faz-me viajar para os EUA e ali conhecerei o professor e reitor da Universidade de Athena, um homem que foge às suas raízes procurando ludribiar o seu passado que lhe agrilhoava os planos de vida, tornando-se professor e reitor na Universidade de Athena. No final da sua vida, o seu impecável percurso académico é manchado por uma acusação de racismo.
É mais um livro entusiasmante deste belíssimo escritor norte americano, felizmente ainda vivo. 
Livro notável, pelo que, numa classificação de 1 a 10, dou-lhe 7 estrelas.

Estamos em Maio de 2011 e é através dum novo escritor português, o jovem Gonçalo M. Tavares, para o qual só tenho uma palavra: bom escritor? mau escritor? aborrecido? nada disto, eu gosto imenso e a única palavra que encontro para  descrever a sua escrita é desconcertante, absolutamente desconcertante a sua maneira de escrever. Entusiasma-me a sua maneira de escrever. E, permito-me salientar, uma pessoa simpática com quem já tive oportunidade de trocar umas breves palavras no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

"UM HOMEM: Klaus Klump" é um romance que me apresenta Klaus Klump, um homem forte, filho de famílias ricas, homem que se manterá sempre no centro de conflitos, quer esteja de um lado ou de outro. Com ele se cruzará também uma mulher forte - Herthe - alguém que fará tudo para se manter sempre no lado dos que vencem. Este é um dos romances que faz parte de um conjunto de romances cujo tema central é o mal (os também conhecidos livros de capa preta).
Vale a pena conhecer a escrita deste novo valor das letras portuguesas.  
5 estrelas (de 1 a 10) para "UM HOMEM: Klaus Klump".

Estamos a chegar ao fim de Maio de 2011, e o escritor Chileno Luis Sepúlveda relata-me uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos desfeitos e de ideais destruídos pelo golpe de estado de Pinochet. Luis Sepúlveda é um homem que escreve como vive: com o coração e o estômago, um homem com quem gostava de beber uma cerveja e trocar umas palavras.
Com ele regressarei quando voltar a esta tema numa próxima oportunidade.



 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

POSSO FALAR?



Falei da censura (Racine e o lápis azul) aqui há duas ou três semanas atrás, e sobre este mesmo tema permito-me trazer à lembrança o poeta timorense Fernando Sylvian (1917-1993), que passou a maior parte da sua vida em Portugal.


Sobre a censura, que melhor resumirá esta nódoa do que o seu Poema Horrível:

- Posso falar?

- Não!



(de "Tempo Teimoso", 1974)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

MIA COUTO


"O OUTRO PÉ DA SEREIA" é o livro que ando actualmente a ler, do grande escritor moçambicano MIA COUTO.
Na linha do que são os seus livros, escrito numa linguagem que tem muito a ver com as gentes de África nomeadamente das terras donde nasceu (Moçambique) conta-nos simultaneamente duas histórias, com séculos de distância: a de D. Gonçalo da Silveira (no séc. XVI) e de Mwadia Malunga, na actualidade. 
São histórias de viagens; viagens feitas no espaço e no tempo mas, acima de tudo, viagens ao cerne dos personagens que povoam as histórias e que povoam o romance com as suas histórias, as suas angústias de vida.


Gostei de todos os livros que, deste escritor, li até agora, e permito-me recomendar três que achei excelentes: "O ÚLTIMO VOO DO FLAMINGO", "VENENOS DE DEUS REMÉDIOS DO DIABO" e "JESUSALÉM".


Sobre o que estou actualmente a ler ("O OUTRO PÉ DA SEREIA", vou a meio do livro"), já retive algumas frases que, mesmo desenquadradas do contexto, me pareceram muito interessantes:

-a melhor maneira de fugir é ficar parado
-a melhor maneira de mentir é ficar calado
-o silêncio não é ausência da fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra
-só é olhado pelo céu quem olha para as estrelas
-gosto de surpresa, mas só quando sou avisado
-ela se estava fazendo maior que o seu tamanho
-não é morrer que me dói. O que me dá tristeza é ficar morto
-quem parte treme, quem regressa teme
-grandes palavras, escondem grandes enganos
-o homem esquece para ter passado e mente para ter futuro
-sou um ateu mas não praticante
 


e Mia Couto deixa esta pergunta?
-o que não é nosso num mundo em que nos roubam?




 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

PONTUALIDADE



Segundo um estudo de uma empresa especializada, 95% dos portugueses não são habitualmente pontuais.


Ora a pontualidade é uma forma importante de demonstrar respeito pelos outros e, na minha perspectiva, está directamente relacionada com o carácter, com a maneira de estar, com a disciplina e posso até acrescentar com a organização, produção e responsabilidade de cada um.


Por força da minha actividade profissional sou confrontado, quase diariamente, com esta "nossa" característica e este péssimo hábito que está enraizado nos portugueses, que é o chegarem atrasados.
Normalmente, num grupo de 12 pessoas, apenas uma, duas no máximo, chega a horas.
Claro que me fui habituando a conviver com o facto e em vez de o combater tento viver com ele, não deixando contudo de ironizar com a situação, invocando a diferença do fuso horário entre Portugal e o local onde na altura estiver.


Os pretextos e desculpas esfarrapadas já não convencem ninguém pois quem é que acredita ainda em coisas do tipo: congestionamento de trânsito, autocarro atrasado, desastre na auto-estrada, etc etc...


Efectivamente como alguém me disse um dia: a pontualidade é uma qualidade que apenas é reconhecida por quem é pontual.



domingo, 3 de junho de 2012

RACINE E O LÁPIS AZUL



A propósito de como os escritores portugueses sentiram na pele a repressão do Estado Novo e viram os seus livros proibidos ou riscados pelo lápis azul da censura, e de que modo a conseguiam iludir, li algures num blogue extraordinário, esta belíssima tirada:
Os agentes da censura e da polícia tinham, é certo, as suas limitações.
Mas há que reconhecer que, em matéria de literatura, levavam a coisa à letra.
Uma pessoa vinda de Paris chegou à fronteira trazendo na bagagem um livro de Racine.
O polícia apreendeu o livro.
Justificação: – «Lenines, Estalines e Racines, não entra cá nenhum!»




Racine Jean Baptiste Racine (1639-1699), poeta, dramaturgo, matemático e historiador francês.  

terça-feira, 29 de maio de 2012

A FLEXIBILIZAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO



Um dos maiores factores publicitados para a flexibilização da legislação do trabalho seria que iria  aumentar o emprego (em Portugal), contudo:

-O número de desempregados inscritos nos centros de emprego do país em Março aumentou 19,8 por cento face ao mesmo mês do ano passado, penalizando sobretudo os jovens, de acordo com um boletim mensal hoje divulgado.

Segundo o boletim 'Informação Mensal do Mercado de Emprego', do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), no final de março deste ano, estavam inscritos nos centros de emprego 661.403 desempregados (dados de 'stock'), mais 19,8 por cento do que em Março de 2011 e mais 2,1 por cento do que em Fevereiro de 2012.

Ao longo do mês (dados de fluxo), inscreveram-se nos centros de emprego do país 65.429 desempregados, mais 19,9 por cento do que em Março de 2011 e mais 8,6 por cento do que em Fevereiro....

quinta-feira, 24 de maio de 2012

POR ONDE ANDEI EM 2011 - VIII



É na segunda semana de Abril (2011) que, nas minhas andanças pelo mundo, através dos livros que vou lendo, que me cruzo com Arthur (Conan Doyle) e George (Edalji).
Cresceram em mundos completamente diferentes e a vários quilómetros de distância um do outro, na Grã-Bretanha do final do sécúlo XIX.
O primeiro é médico e tornou-se mundialmente conhecido por ser o criador do célebre Sherlock Holmes. Arthur torna-se escritor e um dos mais famosos homens do seu tempo, enquanto George, solicitador em Birmingham, permanece na obscuridade. Mas com o despontar do novo século, as suas vidas cruzam-se devido a uma sequência de acontecimentos reais que ficaram conhecidos como "Os Ultrajes de Great Wyrley".
O segundo, George Edalji quer apenas ser muito inglês e acredita na lei; contudo, a sua ascendência pársi é um entrave às suas aspirações e colocá-lo-á a braços com a justiça. Por seu lado, Arthur é um homem moderno para a sua época, mas os seus ideais de cavalheirismo e dever empurram-no para um insolúvel dilema moral: ama profundamente Jean, mas existe Touie, a sua mulher, a quem encara com afecto e respeito. É então, após dez anos a viver esta mentira, que Arthur descobre a história de George. O óbvio erro judiciário galvaniza-o. Uma vez que o público o identifica com Sherlock Holmes, ele vai actuar como a sua criação, limpar o nome do inocente e desmascarar o culpado. A uni-los está o facto de ambos serem vítimas dos sistemas que mais admiram: a lei e o cavalheirismo, e juntos serão capazes de redimir as suas vidas destroçadas pela falta de esperança e frustração.



Julian Barnes (Inglaterra 1946, na foto anterior) é efectivamente um excelente escritor e gostei deste seu livro (Arthur & George) que se lê com muito agrado mas que é preciso ler com alguma concentração para não perdermos o fio à meada.


Chego a meados de Abril e recebo um precioso convite do escritor francês Villiers de l'Isle-Adam (1838-1889), para o seu livro O Convidado das Últimas Festas.

Este escritor acreditava que a imaginação continha mais beleza do que a realidade e disse mesmo, num conto, que "uma coisa é tanto mais real para nós quanto mais nos interessa, já que uma coisa que não nos interesse de todo não existirá para nós."


Escreveu contos profundamente marcados pelo sonho, pela ironia e pelo sentido do grotesco. O Convidado das Últimas Festas, conto que dá nome à colectânea, tem como personagem central um homem estranho, com um segredo assustador. E seguem-se outras 7 histórias na mesma veia.


Este livro faz parte de uma excelente colecção (A BIBLIOTECA DE BABEL) publicada pela Editorial Presença, tendo sido publicados até agora dezasseis excelentes livros, todos eles escolhas do grande escritor argentino Jorge Luís Borges.


E já em fins de Abril entrando no mês de Maio que chego aos EUA aonde me encontrarei com o professor e reitor da Universidade de Athena, um homem que foge às suas raízes procurando ludribiar o seu passado, mas disso falarei na próxima oportunidade quando aqui nos encontramos para vos descrever mais esta viagem pelos livros que fui lendo e consequentemente pelas vidas que fui descobrindo, neste caso com o grande escritor Philpp Roth, felizmente ainda vivo.