segunda-feira, 25 de abril de 2016

LEITURAS 2016 - XV - "DIÁRIO vols. III e IV" - MIGUEL TORGA

Miguel Torga   1907-1995

Tornei-me um ávido leitor de diários (de escritores) depois de ter lido oito dos nove que Vergílio Ferreira publicou sob o título de  "Conta-Corrente".

E também estou a gostar imenso dos diários de Miguel Torga. Acabei agora de ler os volumes III (1943 a 1946) e IV (1946 a 1949).

Miguel Torga, apesar de não conduzir, era um viajante e por isso corre Portugal do Gerês a Monchique e do Caldeirão a Bornes e, segundo sei, sem saber ao certo para quê, já que "não sou geógrafo, tenho um patriotismo suspeito, sou fraco apreciador de petiscos, de modo que nem eu chego a saber por que é tanta peregrinação". 
Mas ver, olhar era para o poeta uma forma de vida (ver e olhar é um dom de que actualmente poucos conseguem desfrutar), para além disso nestes diários há muita literatura, mais um dado que faz com que me tornasse um acérrimo leitor do género.

Torga era um homem "terra a terra" e descreve-se a si próprio como intransigente, duro e obcecado.
A imagem que Torga tem de si próprio confunde-se com a paisagem das terras onde nasceu e onde se sente como peixe na água; é no meio das pedras da natureza que se sente feliz, e não no seu consultório de médico em Coimbra.

Torga era contra os caçadores de autógrafos e contra a publicidade.
O "contra" era mesmo o seu forte.
Gostava da solidão, e prezava muito quem lha respeitava.
A arte para ele não era uma ambição era um destino.
"Ansiedade" foi o primeiro livro que escreveu, aos 20 anos.   

Excelente.


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1 comentário:

  1. Também gosto muito de diários e os do Torga são dos melhores retratos da ditadura.

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