terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

POR ONDE ANDEI EM 2012 - II



Continuo a descrever as viagens que fiz em 2012 através dos livros, que li. Nesta altura, princípios de Fevereiro, viajo algures pela América mais profunda e deparo-me com um retrato bem vivo dessa mesma América, de um cenário de devastação pós-industrial. É uma obra que desce à vida do americano médio numa cidade atacada pelos fumos da globalização, do desemprego colectivo, da desilusão em massa. De um presente que não oferece saída.

Este "FERRUGEM AMERICANA" é um romance que nos pinta um certo fim do sonho americano, a indústria parada, as lojas fechadas, e é essa desolação que me é aqui mostrada com toda a crueza. Contacto com vidas tristes e frustadas em que, apesar de tudo, a amizade ainda consegue ter lugar em determinadas situações.




Este jovem escritor (PHILIPP MEYER) de apenas 38 anos, trouxe-me à memória esse grande escritor realista americano John Steinbeck, de Salinas (nunca mais me esqueci do nome desta região, pois este escritor para além de me "mostrar" as paisagens, as estradas, mostrava-me também os rostos das pessoas, a bondade e a maldade delas, as suas alegrias e as suas tristezas.
Um livro ("FERRUGEM AMERICANA") de que gostei muito e que recomendo.





 
Às vezes acontece-nos partir para a leitura de um livro com enorme expectativas, e este foi um deles dado que me foi recomendado pelo meu amigo Almeidinha, um amigo que muito prezo e que nestas coisas das leituras temos gostos muito semelhantes, só que só à página 120 consegui apanhar o fio à meada, entender o que estava lendo, e só à página 120 porque o tema me despertou interesse, a autora começou a falar dos livros que a sua mãe gostava e aí eu entrei no livro, mas até ali não sabia bem se estava a ler um romance, se estava a ler as memórias da autora, e só ali percebi que estava perante um puzzle de situações diversas que tinham a ver com uma certa época e uma certa cultura europeia, e aí despertei para o livro que até me tinha suscitado interesse pelo que havia lido na  
contracapa:


-"No jardim Zoológico de Berlim, dentro de um expositor de vidro, estão exibidos todos os objectos encontrados no interior do estômago de Roland, a Morsa (que morreu em 1961).
É com este catálogo insólito que DUBRAVKA UGRESIC (na foto), que actualmente tem a nacionalidade holandesa mas continua a escrever em servo-croata, inicia o seu livro: também ele um mosaico de fragmentos narrativos, recordações e reflexões, descritos pela protagonista, uma quinquagenária croata exilada em Berlim. 







"O MUSEU DA RENDIÇÃO INCONDICIONAL" foi recebido pela crítica internacional como uma obra universal e um dos mais importantes romances contemporâneos europeus das últimas décadas. Uma obra com a chancela de qualidade da excelente editora "Cavalo de Ferro" . Não me entusiasmou.


















 



É em Março de 2012 que retrocedo a 1776 e viajo para a corte do Reino da Dinamarca. É um romance notável este "A VISITA DO MÉDICO REAL" do sueco PER OLOV ENQUIST (n. em 1934, na foto a seguir), que junta o rei (Christian VII, o rei louco coroado com 16 anos e que se corresponde com Voltaire), a rainha (sua mulher Caroline Mathilde, irmã de Jaime III de Inglaterra) e o médico real, o alemão Johann F. Struensee que faz publicar 632 decretos revolucionários que, por momentos, abrem uma fenda na história e colocam uma alavanca por baixo do mundo. É um relato  fantástico da era "Struensee (1770-1772), uma revolução fora de série, mas de curta vigência, no feudal, puritano e apodrecido reina da Dinamarca.


Um grande livro dum dos nomes chave das letras escandinavas. Gostei imenso deste livro e que recomendo vivamente.Que bela surpresa foi a leitura deste excelente romance histórico quase perfeito



Para a semana abordarei mais uma viagem que fiz para a a América (em meados de Março de 2012) onde me encontrei com o meu escritor vivo favorito (Philip Roth) que me apresentou o actor de teatro Simon Axler que, com 66 anos, perdeu a capacidade de representar. Fica para a semana com o (com quem andei em 2012 - III). Até lá - boas leituras.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

CORAÇÕES DE MÁRMORE

                                             
                                              Fernando Ulrich (banqueiro)


Se a austeridade já lhe tivesse batido à porta (e aos seus capangas)...

 





 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

OS PATRIOTAS

 

Trazem normalmente na lapela do casaco um emblema com a bandeira do seu país e a todo o momento proclamam aos quatro ventos o amor à sua pátria.

Pois são estes os primeiros a desprezarem e a renegarem até o dia da independência do seu país e os primeiros a fugirem com o seu dinheiro e até a trocarem de nacionalidade se a isso tiverem de recorrer para salvar a única pátria porque se movem e o único e verdadeiro amor que alimenta a sua gula, os seus interesses e a sua ganância: O DINHEIRO - são os PATRIOTAS.





quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

LIVROS QUE NÃO LI



Certamente que mais de 80%  dos livros que tenho em casa ainda não os li, contudo, quase todos os dias "confraternizo" com eles, embora muitos não me olhem de frente pois certamente pensam que já os esqueci, tão escondidos estão uns atrás dos outros e tão encavalitados estão uns sobre os outros.

Pois é sobre o autor (GILBERTO FREYRE) dum dos que ainda não li, ("Casa-Grande E Sanzala"), livro que me foi oferecido há mais de vinte anos pelo meu amigo Carlos Pinho e sobre o o qual Blaise Cendrars (1887-1961), um grande poeta suiço, que teve uma vida itinerante e que visitou o Brasil na década de 1920, disse: "Casa-Grande E Sanzala" uma maneira totalmente nova de escrever a história fazendo participar o povinho, o negro, gente de cor, caboclos mestiços da família brasileira.


Pois Gilberto Freyre, que foi talvez o maior dos sociólogos modernos, mas que praticamente desconhecido em Portugal, dizia uma verdade de ontem, uma verdade de hoje e uma verdade de sempre, e que, apesar de tudo, continuará a ser duma actualidade marcante em qualquer parte do universo:
-há uma nítida relação dialéctica entre o analfabetismo e a fome. Na América Latina havia fome porque grassava o analfabetismo, havia anlfabetismo porque a fome, por absoluto desprezo da justiça social, não permitia que se aprofundasse as razões do fosso que separava os cultos (quase sempre da minoria dominante) e os ignorantes (quase sempre filhos da minoria dominada). E avivou este pensamento: não existem marginais, mas apenas marginalizados económica, social e culturalmente.
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

POR ONDE ANDEI EM 2012 - I




Tal como em anos anteriores vou tentar descrever as viagens que fiz, as pessoas que conheci, os lugares  que visitei, em 2012, tudo isto através dos livros que li em 2012.





Iniciei o ano com "FREDERICO GARCIA OU EXISTÊNCIA INACABADA” de João Courinha um lisboeta a residir em Ferreira do Alentejo onde é agricultor, que me dá a conhecer a história de três amigos da província, da suas vidas, dos seus percursos distintos e fundamentalmente de três naturezas divergentes. Foi uma agradável surpresa já que este foi o primeiro livro do João Courinha; na minha escala de 1 a 7 dou-lhe 3 (bom).
Este livro foi-me gentilmente oferecido pela melhor Biblioteca de Portugal que conheço (Biblioteca José Saramago de Beja).
 
 
 

Nos fins de Janeiro, viajei depois para os finais do séc. XIX e “FOME” de KNUT HAMSUN (na foto, de monóculo) apresenta-me um jovem escritor, um homem solitário que deambula pelas ruas de Kristiania (actual Oslo) numa miséria extrema, enregelado pelo frio e tolhido pela fome. Essa miséria em que vive, provoca-lhe momentos de delírio e violentas variações de humor. Mas cedo nos apercebemos de que a “fome” desse sonhador não é apenas física. Há a procura de uma identidade e de um reconhecimento dentro das suas próprias alucinações. Gostei, por isso o classifico também com 4 na mesma escala, citada anteriormente.









Nos princípios de Fevereiro, o jovem escritor AFONSO CRUZ (na foto-de boina), através de “O PINTOR DEBAIXO DO LAVA LOIÇAS”, conta-me a a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro- Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.




 Efectivamente em 1940, os avós de Afonso Cruz acolheram em casa, na Figueira da Foz, um pintor eslovaco. Temendo as rusgas da polícia política a meio da noite, colocaram-no a dormir por baixo do lava-loiças, atrás da lenha. «Julgo que todos nós, olhando para a vida dos nossos antepassados, encontramos histórias que dariam histórias», lembra Afonso Cruz. Isto é, histórias verdadeiras que se podem transformar em literatura. Neste caso, o acto de coragem dos avós, ao esconderem um refugiado que lhes entrou um dia de rompante na loja de fotografia, levou-o a escrever “O PINTOR DEBAIXO DO LAVA LOIÇAS”, um romance muitíssimo inventivo e bem escrito – AFONSO CRUZ já me tinha surpreendido muito positivamente com o magnífico “os livros que devoraram o meu pai”, que vos aconselho vivamente. Para este “o pintor debaixo do lava loiças” dou-lhe 3,5 (interessante).



 


Estamos no início de Fevereiro e é com um dos meus escritores preferidos que viajo para a América do Norte mais profunda quando, no início da década de 1950 a poliomielite era uma doença praticamente fatal. Implacável, chegou inclusive a vitimar o presidente americano Franklin D. Roosevelt, mas atingia sobretudo crianças. Quando não levavam à morte, os efeitos eram devastadores, entre eles a paralisia nos membros e a dificuldade extrema para respirar, a ponto de obrigar os pacientes a utilizarem os temidos “pulmões de aço". Pois é com “NEMESIS” que PHILIP ROTH que fico a conhecer, Eugene “Bucky”, 23 anos, cantor, professor de educação física e inspector de pátio de uma escola judaica de Newark, vive uma vida pacata, porém é atormentado pelo facto de não poder lutar na guerra ao lado de seus contemporâneos, em razão de sua miopia fortíssima. Tudo muda num dia de verão de 1944, quando um grupo de adolescentes encrenqueiros de ascendência italiana aparece no colégio e cospe no chão, ameaçando a todos com uma doença terrível. Logo depois do incidente, vários alunos contraem poliomielite, para desespero do professor. É este o ponto de partida para mais um excelente livro deste grande escritor norte-americano.

 
Nêmesis integra uma tetralogia de novelas formada também por Homem comum, Indignação e A humilhação. Na escrita poderosa de Roth, há poucas chances de o herói sair vitorioso. Dou-lhe um 6 (excelente) na minha escala de pontuação que vai de 1 a 7.




Para a semana continuarei na América profunda, com “Ferrugem Americana” com Philip Meyer (38 anos) que me trouxe à memória a escrita realista americana de Steinbeck, um escritor que na minha adolescência me encantou e que aconselho vivamente, nomeadamente o extraordinário "As Vinhas da Ira", o memorável "A leste do paraíso" e todos os romances deste grande autor (Prémio Nobel).



 






sábado, 12 de janeiro de 2013

SINAL DOS TEMPOS




Num tempo em que cada vez mais as pessoas que trabalham, e mesmo os reformados, são sacrificadas e espoliadas as sete maiores fortunas nacionais registaram um aumento de 13% em 2012.

A riqueza da família Soares dos Santos foi a que mais subiu -714 milhões de euros-, seguindo-se Belmiro de Azevedo cuja fortuna aumentou 293 milhões.

Sinal dos tempos…









segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O RELÓGIO



O relógio da vida não pára, não podemos atrasar os seus ponteiros, ele é implacável e não conseguimos sabotá-lo de modo a que todos pudéssemos ter o tempo que desejássemos, por isso aí temos um novo ano.

Tudo de bom para 2013, que nos traga o melhor para todos.






sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

POR ONDE ANDEI EM 2011 - XIV

Estamos no fim de mais um ano, é um tempo de balanços, contudo, como é meu costume não costumo fazer o balanço dos livros que li no início de cada ano mas sim ao longo do ano seguinte. Finda hoje a minha viagem sobre os livros lidos em 2011, não tendo, infelizmente, tido tempo de falar sobre todos. Claro que no próximo ano -2013-, continuarei a fazer esta viagem mas sobre os livros que li ao longo do ano que está a findar (2012).



Estamos a meio do ano de 2011 e mais uma vez me cruzo com um autor português que muito aprecio, Gonçalo M. Tavares que me dá a conhecer "O SENHOR BRETON E A ENTREVISTA" -o autor tece aqui uma imaginativa teia com e entre personalidades/personagens literários que moram todos no mesmo bairro. 
Os livros de Gonçalo M. Tavares são sempre uma surpresa muito agradável pela imaginação, que chega a ser desconcertante, da sua escrita.



Seguidamente viajarei com mais um autor português, António Alçada Baptista, excelente e nenhum dos seus livros que já li me desapontou e este, "A PESCA À LINHA", deliciou-me com algumas das suas memórias e fez-me reviver personagens (nacionais e estrangeiras) que marcaram a consciência humana -políticos, escritores, intelectuais, grandes pensadores, gente de aquém e além fronteiras, -  ajudando-me assim a entender melhor o nosso tempo. Mais um bom livro deste simpático escritor, infelizmente já desaparecido. Recordo-me muito bem da sua simpatia pois com ele me criuzei muitas vezes em Lisboa, quando naturalmente ainda era vivo.



E concluo, viajando para os EUA, para abordar o livro que mais gostei em 2011 - "AS PONTES DE MADISON COUNTY" de Robert James Waller, uma história apaixonante, num romance fácil, sem grandes pretensões de estilo numa intriga aparentemente banal: um fotógrafo, uma dona de casa, um calor de Verão de Iowa e uma história de amor breve e apaixonada. Não sendo uma obra prima é uma história onde se dá lugar a uma reflexão sobre o significado da felicidade ou a impossiblidade de a alcançar. Encantou-me!
 

domingo, 23 de dezembro de 2012

O SILÊNCIO



Nunca fui pessoa de silêncios embora as vicissitudes da vida me tenham ensinado que o silêncio até pode ser uma arte.

E como o silêncio é um som maravilhoso quando olho o mar ou fixo o horizonte num vasto campo do Alentejo.

Sobre o silêncio, em:

-França - o silêncio é de ouro
-Alemanha - cala-te ou diz qualquer coisa melhor do que o silêncio
-Israel - saber calar-se é mais difícil do que falar bem
-Itália - aquele que nada sabe, sabe o suficiente se souber manter-se em silêncio
-Roménia - o silêncio também é uma resposta
-Espanha -perceber, ver e calar-se, senão a vida torna-se amarga
-Dinamarca - aquele que quer economizar deve começar pela sua boca

Parábola Sufi - se a palavra que vais dizer não é mais bela que o silêncio, não a digas


 
 

 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MELANCOLIA



Quando a melancolia se apodera de nós é como se algo se nos colasse à pele e que não nos deixa avançar, é como se nos sentíssemos perdidos.
Li algures que a melancolia é a porta de entrada ou de saída da tristeza.
É preciso muita luta para a podermos ir deixando para trás. Olhando sempre em frente porque a vida é um dom que nos foi concedido e que deveremos usufruir segundo a segundo porque ela (a vida) é mágica.




Estes dois excelentes quadros (Melancolia e o Grito) do pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) creio retratarem bem este estado de alma.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MO YAN





Onde há vida há morte
 
Morrer é fácil o difícil é viver



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

GRATIDÃO






Não há no mundo exagero mais belo que a gratidão*

 
 
 
 
 
 
 
*Jean de La Bruyére-escritor francês-1645-1696 
 
 
 

 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

NA MINHA OUTRA VIDA - II




Pessoas que se cruzam nos transportes,
Que todos os dias entram num campo de combate,
olhares frios e maldosos que se julgam
desconfianças e mau estar
vivem como se não houvesse amanhã

o sol esconde-se,o tempo dele está a acabar,
por mais força que tenha para brilhar,
forças superiores nao o permitem
lágrimas secas da neblina matinal
nuvens cinzentas, carregadas de ódio,raiva e rancor
prestes a desistirem da força que lhes é imposta

Pássaro solto a um alma presa
Que vive na angústia da sobrevivência
Anseia um dia chegar onde nunca antes chegou
Desconhecendo o início do fim

Momentos futuros
Antecipados em mentes
Criados na imaginação
Espelhados num sorriso
E soltos por um olhar
Dorme-se num sonho
Acorda-se num pesadelo

Brilho escondido
numa estrela perdida
algures encontrada
sem querer ser avistada

Viagens ao inesperado
Sem garantia de regresso
Paisagens que se sentem
quando vimos o inverso

escrevo por escrever?
so para quem le por ler

viver por viver
so quem espera por morrer

sábado, 10 de novembro de 2012

POR ONDE ANDEI EM 2011 - XIII


Nesta minha deambulação pelo Mundo, viagem contínua através dos livros que vou lendo, encontro-me, neste mês de Julho (2011), em Moçambique no período inicial de recuperação da guerra, com o grande escritor MIA COUTO na “VARANDA DO FRANGIPANI”, um livro de leitura fácil, e cheio de surpresas literárias, típico de Mia Couto, como estas, por exemplo:

-«Quem é gota sempre pinga, quem é cacimbo se evapora...»
-«...a tristeza tem artes de fazer música.» - o Jazz, por exemplo...
-«quem confunde céu e água acaba por não distinguir Vida e Morte.»
-«A velhice que é senão a morte estagiando em nosso corpo?»
-«Ninguém obedece senão em fingimento.»
«Em quem podes bater sem nunca magoar? - na água!.... se pode bater sem causar ferida.»
Mia Couto é efectivamente um grande escritor, claro que este não será dos seus melhores livros mas lê-se com muito agrado.

 

O escritor alemão, de 59 anos, PATRICK SÜSKIND, ficou-me na memória desde que li, há talvez uma dezena de anos o excelente e inesquecível “O PERFUME”, contudo há casos de escritores assim que escrevem um primeiro livro muito bom e ficam-se por ali.

Creio ser perfeitamente este o caso já que depois do seu excelente primeiro livro nunca mais escreveu nada de jeito e os que se lhe seguiram ficaram muito aquém das expectativas. Este “SOBRE O AMOR E A MORTE”, é um pequeno ensaio de 60 páginas e é mais uma desilusão, li-o porque tinha apenas 60 páginas. E seria um tema que teria tudo para se ter um bom livro “SOBRE O AMOR E A MORTE”,
 

Tal como Süskind também MARCEL PROUST conseguiu a imortalização no mundo das letras apenas através de um único livro (Em busca do tempo perdido-sete calhamaços) pois é deste escritor que, neste quente mês de Julho, inicio mais uma viagem com “O PRAZER DA LEITURA” um pequeno livro que nem é bom nem é mau, deve ser como o que lhe deu fama –uma estopada-, claro que nesta viagem (através dos livros que vou lendo) também vou encontrando muitas pedras no caminho….leio na badana deste livro que O Prazer da Leitura prenuncia já o estilo de Em Busca do Tempo Perdido e contém em germe todo o essencial da sua teoria estética…
 

E chego a meados de Julho (2011) e será com um dos meus escritores portugueses preferidos que viajarei nos próximo dias, e dessa viagem vos darei conta numa próxima oportunidade.  

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

FRANCISCO ASSIS versus JOSÉ MUJICA


No espaço de uma semana li no DIÁRIO DE NOTÍCIAS dois artigos sobre dois políticos que espelham perfeitamente as mentalidades de homens pequeninos e homens com H grande.

Francisco Assis (o tal dirigente do PS que levou duas abençoadas estaladas) mostrava-se muito ofendido com o facto de possivelmente passar a ter outra viatura diferente da que usa actualmente, para se deslocar (à nossa conta) e dizia: se calhar ainda querem que eu ande de Clio...é preciso ter lata, e não só..., ora na semana seguinte e para ilustrar a minha convicção inicial, permito-me reproduzir parte da notícia que li no mesmo jornal:



Lê-se no Courier International, o exemplo impressionante do presidente do Uruguai, José Mujica. Após a eleição, continua a viver na sua pequena casa, numa zona da classe média, nos arredores de Montevideu. Tem um salário de 12500 dólares mensais, mas dá 90%, vivendo com 1250 (que lhe basta, pois muitos concidadãos vivem com menos). Como transporte oficial utiliza um Chevrolet Corsa...
e outras situações (que não cito aqui) perfeitamente exemplares e dignas dum ser humano que sente as dificuldades dos seus concidadãos, que lidera.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O REI VERDE





Será que a vice-presidência do BCE (Banco Central Europeu) foi, para o Dr. Vítor Constâncio, um prémio pela sua distração enquanto governador do Banco de Portugal, na época em que o BPN roubou os portugueses em milhões de euros?

Esta sua fidelidade ao "rei verde" torna-o agora, por isso mesmo, talvez o mais atento vigilante do cumprimento do memorando de endividamento nacional.

Malhas que as "união" tece!

Poderão as pessoas acreditar nesta "gente?

Será a Democracia credível com esta "gente" ao leme?  

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS -575-


 
 
  
É um best seller.
   
É o 575

Do José Rodrigues dos Santos apenas li “A FILHA DO CAPITÃO” (talvez o seu segundo livro) e até nem desgostei, mas não fiquei um apaixonado, apesar de, naturalmente, lhe conceder méritos no seu dom de comunicação (falada e escrita). 
 
Mas o que por vezes me "chateia" deste escritor é o que me parece ser o seu oportunismo pois o tema dos seus livros  parece encomendado de acordo "com o que está a dar" e parece que a data do seu lançamento está perfeitamente condicionada ao que dizem as sondagens (se o que está a dar é Maomé lança-se um livro sobre religião, se é sobre o ambiente lança-se um sobre a poluição, se é sobre o terrorismo, aí vai bomba, etc etc...).
   

Costumo chamar-lhe o 575, pois até parece que a sua editora lhe encomenda não um livro mas 575 páginas, dado que os seus livros parecem ter sempre, mais uma menos uma, o mesmo nº. de páginas.
Monta a fábrica, contrata seis ou sete operários (a recibo verde), metem-se ao trabalho e ao fim de 6 meses está o produto acabado e pronto a ser depositado no hipermercado para ser consumido.

E não é que, a propósito desta situação deparo no livro que actualmente estou a ler (conta-corrente II da nova série-), com assunto semelhante. Eis o que, sobre o assunto, Vergílio Ferreira escrevia em 1990:


-...Já talvez tenha contado o que se passa hoje na América no que importa ao fabrico de romances. É uma indústria como a do sabão ou do papel higiénico. Há editoras com os seus funcionários escritores que têm o seu horário de trabalho e despacham em prosa romanesca as encomendas do patrão. O funcionário entra no gabinete e cumpre a tarefa encomendada. E há vários funcionários como ele. As sondagens do mercado dizem que o que está a dar é, por exemplo, o romance sobre a homossexualidade, perversão de menores, conflitos rácicos, religiosos, etc. E o patrão distribui o serviço: toma lá tu o tema da panasquice, tu toma o das lolitas, toma tu  o dos códigos. E o funcionário entra às nove e sai às cinco com uma hora para almoço, trabalhando no tema encomendado até ir para casa.

Faz-se o livro, vende-se o livro, lê-se o livro e deita-se fora-.

Que é que a literatura tem a ver com isto?


 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

POR ONDE ANDEI EM 2011 - XII

Retomo hoje os livros que li em 2011. 



Precisamente em Junho de 2011 é de me dada ouvir uma longa conversa entre Primo Levi e dois universitários italianos que iniciaram em 1982 uma recolha de testemunhos de 220 sobreviventes dos campos de extermínio nazis.
PRIMO LEVI é um sobrevivente de Auschwitz e se ainda não leram "SE ISTO É UM HOMEM" então não podem perder. Também gostei deste "O DEVER DA MEMÓRIA" embora se possa dizer que seja uma literatura mais aconselhada a quem gosta do tema -campos de extermínio nazis-eu gosto!
Numa classificação de um a sete, 3,5.



É no fim do mês de Junho que FERNANDO DACOSTA com "OS MAL AMADOS"  me revela  algumas situações curiosas de uma época não muito longínqua do nosso Portugal.
 
-Costa Gomes evita a guerra civil
-Implacabilidades de Álvaro Cunhal
-A morte silenciada de Marcello Caetano
-O fenómeno dos Retornados
-Premonições de Natália Correia
-Agostinho da Silva revela Confidências de Fernando Pessoa
-E antevê: a sobrevivência de Portugal, quando a CE bloquear, está em África
-Uma nova etapa germinará através da lusofonia.


Fernando Dacosta é muito bom a revelar-nos esta parte muito recente da história de Portugal.
São situações curiosas e que, se calhar, na altura dos acontecimentos nos passaram ao lado. Gostei deste livro: de um a sete mereceu-me 5 pontos.  




Em Julho conheço mais um jovem escritor português (CARLOS MACHADO), e sem dúvida que depois de ter lido este "UM AMOR SEM TEMPO", fiquei com vontade de ler outros que se lhe sigam.
É um livro sobre um amor que se prolonga no tempo e mais do que a história de um amor, é sobretudo um livro sobre gentes, sobre uma época, sobre mentalidades reinantes nalgumas terras e nalgumas gentes do nosso país.
Não tendo sido um livro de leitura compulsiva nunca me arrependi de o ter lido. 4 pontos (de um a sete).



Logo a seguir encontro-me com outro jovem escritor português e talvez aquele que considero de escrita mais surpreendente e absorvente. É um escritor para o qual só encontro um título se o quisesse rotular "DESCONCERTANTE" - Gonçalo M. Tavares é um escritor absolutamente surpreendente e este "MATTEO PERDEU O EMPREGO" absolutamente imperdível. Gostei de todos os livros que li dele mas este é muito bom, na minha opinião.  
Este "Matteo Perdeu o Emprego" não é só um livro, é, como li algures: enquanto objecto que seguramos nas mãos, um objecto de arte: as fotografias de manequins (bonecos articulados que exibem roupa, nas montras) constituem, também, separadores, e pedem uma outra forma de leitura, exigem leituras que se cruzem, se demorem no olhar, na pele, nos dedos. Convocam inesperadas sensibilidades e ressonâncias, misturam formas e artes.
A leitura de qualquer obra de Gonçalo M. Tavares é sempre, em vários aspectos, diferente de uma simples leitura. Oh amigo Bruno já leste? é ao teu nível!

Absorvente - 5 pontos (de um a sete). 


E é ainda neste começo de Julho que irei viajar pelas memórias de guerra em Moçambique, com um excelente escritor moçambicano, MIA COUTO. Disso vos darei conta no próximo número deste balanço.


 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O ÚLTIMO


 
"O TEU ROSTO SERÁ O ÚLTIMO"
 
Foi precisamente este o último livro que acabei de ler.
 
Contra o que é meu costume desta vez não "levei à letra" a experiência de Somerset Maugham que, num dos seus livros confessava: 
"Quando um livro causa sensação convém esperar um ano antes de tomar conhecimento dele. É surpreendente a quantidade de livros que, ao cabo desse período, nos dispensamos de ler".  

Eu gostei deste livro e li-o de seguida, em pouco mais de um dia.
 
Um leque de personagens muito interessantes e muito bem retratadas, o Celestino é uma delas, embora pudessem ser mais desenvolvidas, e muitas delas desaparecem repentinamente sem nunca mais aparecerem.
 
Cronologicamente tive algumas dificuldades em situar determinados momentos. 
 
Não costumo atentar nem dar especial ênfase ao final dos livros se poderia ou deveria ter terminado melhor ou pior mas efectivamente neste livro o final pareceu-me muito repentino ficando muitas histórias por acabar e, assim, muitas situações enleadas, e o livro é tão interessante que estamos sempre à espera de algo que permita ligar toda a história.
 
...E de repente FIM.
 
 
 
 
Obviamente que é mais fácil emendar um livro do que escrevê-lo

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

NA MINHA OUTRA VIDA

Há cerca de quatrocentos anos, por volta de 1612, na minha outra vida (chamava-me Rita), a minha pretensão de ser poeta dava os primeiros passos
 
 
 
  
Meses transformados em breves passagens
Dias cinzentos coloridos pela estação desconhecida
Horas frias que se aquecem em minutos
Minutos calorosos preenchidos por sorrisos felizes
 
Olhares trocados entre vidas, nascidas e sofridas e um dia talvez esquecidas
Olhares calorosos e ardentes que jamais alguém tentou compreender
Olhares solitários que tentam consolar sorrisos adormecidos
 
Presenças ausentes
Ausências presentes
Rumos indefinidos
Indefinições aprendidas
 
Almas limpas que por momentos captam pensamentos errados
Almas sujas que procuram uma vida transparente
 
Ruas esquecidas, esmorecidas e perdidas na mente que nelas se escondem da frieza da vida
Vidas destemidas e vividas que um dia serão recordadas
 
Pensamentos aliados a labirintos
Caminhos traçados indevidamente
Destinos por viver
Memórias de alguém que um dia foi outrem