Um país onde até os sinos
das igrejas são roubados é um país adiado.
Digo apenas adiado, porque
o progresso não pára.
Mas parecem estar a faltar-nos valores
éticos que enrijecem a têmpera de um Povo e o fazem progredir e esta falta de valores contribuirão e inibir-nos-ão certamente de andar
para a frente. Será que os valores deste Povo estarão retratados no que aconteceu no domingo passado no Pingo Doce (por
acaso dia 1 de Maio)?...ninguém tem dinheiro, tudo se queixa, tudo choraminga, é
lamúria a toda a hora mas quase um milhão de pessoas gastaram dinheiro (se calhar a maioria) no que
precisam e no que não precisam... e que, porventura, lhes faltará para o resto do mês, então onde está a falta de dinheiro? Que moral
vir depois para a televisão reivindicar qualquer coisa, ou para se revoltar contra as
injustiças, quando lhe oferecem um osso com um bocadinho de carne e se matam
uns aos outros, quais abutres, para a ele chegarem, comprando o que apanham à
mão precisem ou não, é preciso é levar (vi carrinhos de mão carregados de
cerveja e garrafas de whiskie, se fosse injecção marchava na mesma). Certamente que fez jeito a algumas pessoas que lá estiveram, e até poderemos pensar que afinal foi um bodo aos pobres, mas...

E
o Pingo Doce? estarei a condená-lo? não, não estou, é a estratégia (plenamente dentro do sistema), e que, segundo o Director Geral do Pingo Doce, “limitaram-se”, qual
filantropia, a dar ao Povo um osso com carne... e por metade do preço...e, segundo ainda o referido Director Geral, afinal todos lucraram.
Não poderei ainda, de modo nenhum, deixar de salientar que até foi uma genial jogada, em que se viram livres de monos e material quase a exceder o prazo, contabilizaram num dia o que certamente não fariam num mês, quiçá num ano, tiveram publicidade à borla que lhes custaria milhões (até aberturas de telejornal), foi sem dúvida alguma uma jogada genial de Marketing.
Mas será que todos lucraram?
É que dar um osso a um cão não é caridade. A caridade é partilhar o osso com o cão quando estás tão faminto como ele.
(Jack London - escritor - EUA - 1876-1916)