Faz hoje (23/10) sessenta anos que morreu Al Jolson.
Al Jolson, nome artístico de Asa Yoelson, (Lituânia, 26 de Maio de 1886 - S. Francisco, 23 de Outubro de 1950) foi um cantor e actor que se consagrou nos Estados Unidos, tanto no cinema como na música e notabilizou-se ainda por nos seus espectáculos aparecer muitas vezes pintado de preto.
Lituano de nascimento, tornou-se um dos grandes ícones da cultura popular dos Estados Unidos durante a primeira metade do século XX.
Emigrou para os Estados Unidos em 1893.
A sua carreira teve início no ano de 1909 como actor e cantor, principalmente em comédias, tendo até um papel de destaque no espectáculo “La Belle Paree”, na Broadway.
No entanto, a sua carreira cinematográfica será sempre lembrada pela sua participação no primeiro filme falado da história - "O Cantor de Jazz" - de 1927.
E foi com este filme sonoro que se iniciou a queda do cinema mudo, do Chaplin, do Pamplinas……. (a queda do cinema mudo que não do Chaplin nem do Pamplinas, porque esses são eternos).
“Viviam Ursus e Homo ligados por estreita amizade. Ursus era um homem, e Homo era um lobo. Entre as disposições naturais dos dois estabelecera-se convencional harmonia. Fora o homem quem baptizou o lobo. Provavelmente também escolheu o nome que usava: achando Ursus bom para si, julgara Homo bom para a alimária” Foi este o segundo livro que li de Victor Hugo (O HOMEM QUE RI). Uma verdadeira pérola. “Os Miseráveis” foi a primeira obra, bem no princípio da minha adolescência e que, sem dúvida, me injectou o vício de ler. Seguiram-se outros, qual deles o melhor (Nª. Srª. de Paris, Han de Islândia, Os Trabalhadores do Mar, etc. etc..
Victor-Marie Hugo-Besançon (França), 26 deFevereiro de 1802-Paris-22 de Maio de 1885.
Inicio hoje uma conversa sobre os livros da minha vida, pelo menos aqueles de que mais gostei e que, de algum modo, a eles volto sempre. Sendo assim, teria mesmo de começar por Victor Hugo.
Tudo o que se relacionava com este grande escritor francês eu guardava, e num destes últimos dias, quando folheava a biografia de Victor Hugo, de Francois Mauriac, um livro muito antigo da editora Livros do Brasil (custou-me trinta escudos à época), (gosto de meter entre as páginas dos meus livros as mais variadas coisas, fotos, publicidade, recortes de jornais, revistas, só lá não meto notas do BP –por razões obvias-) e assim encontrei entre as suas páginas um recorte do jornal ABOLA, uma crónica de 1985 do jornalista Baptista Bastos em que falava de Victor Hugo e dele recordava esta frase lindíssima: “A melancolia é a felicidade de estar triste”
Há pessoas que, por tudo e por nada, passaram a utilizar no seu discurso palavras estrangeiras (cross-selling, clains made, agreement, back-ground, program, training, dead line, feed-back, coaching, restrict sense, etc. etc…) que, por vezes, temos alguma dificuldade em entender. O mesmo, por exemplo, vem acontecendo nos comunicados das empresas na comunicação interna para os seus colaboradores, e até, infelizmente, nos telejornais, onde a linguagem deveria ser simples e perfeitamente entendível por todos e até uma "escola" de aprendizagem do português.
Estas expressões estrangeiras são por vezes perfeitamente desadequadas por não serem entendíveis pela grande maioria das pessoas (nem, porventura, por quem as soletra); enfim, um mau gosto provinciano revelador de um novo analfabetismo, que grassa por aí.
E há quem, na sua narcísica linguagem, corra o sério risco que correram os funcionários alfandegários norte-americanos, pouco letrados, que querendo indicar que as mercadorias verificadas por eles estavam em ordem, escreviam a giz aquilo que supunham ser as iniciais das palavras “all correct” –OK; contudo, este erro ortográfico, caiu bem no ouvido e a expressão generalizou-se e universalizou-se.
Claro que não foram o OK nem tão pouco o yes (palavras universais) que motivaram este meu escrito.
Quando passam hoje doze anos (8.10.1998) sobre a atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao grande escritor português José Saramago, recordo algumas palavras do seu discurso de laureado quando fez a leitura do Nobel no Salão Nobre da Academia Sueca, em Estocolmo.
Durante 40 minutos fez a leitura das 12 folhas que levou escritas e este discurso foi mais uma peça de literatura que acrescentou à sua obra. “O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao campo meia dúzia de porcos.
E assim foi contando num português fiel a história de seu avô Jerónimo e de sua avó Josefa. Aqueles que “no Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para as suas camas, assim os salvando de uma morte certa ”
Foi um momento único para Portugal duma figura humana fiel às suas raízes, orgulhoso da sua origem humilde, um português de raiz!
Muito jovem ainda conheci Luís Amaro, lembro-me que estava eu, no banco do Metro à espera da carruagem que me conduziria ao Rossio para depois apanhar o comboio para casa, e lia OS MISERÁVEIS de Victor Hugo, quando, sob a égide de São Sebastião da Pedreira (como ele gosta de referir) iniciámos uma conversa sobre livros e foi ali que efectivamente começámos uma longa amizade que tem sido fortalecida ao longo de todos estes anos.
Tal como consta no livro “PORTUGUESES CÉLEBRES – Quem é Quem”, editado pelo Circulo de Leitores, Francisco Luís Amaro, nasceu em Aljustrel, em 05.05.1923. Foi um dos fundadores e directores da revista ÁRVORE e colaborou em muitas outras revistas, nomeadamente na prestigiada SEARA NOVA . Foi secretário da revista Colóquio/Letras.
Tenho na minha frente o seu belíssimo livro de poesia Diário Intimo, recentemente reeditado pela & etc. ; leio na contracapa: “A vida Luís Amaro tem sido em grande parte dedicada à leitura, ao estudo e à divulgação da obra alheia. A entrega –a estimulante devoção- de Luís Amaro aos autores tornados "seus", conhecidos ou por conhecer, foi processada sempre em detrimento da obra própria, esta como que encoberta por um manto de pudor – virtude rara no fluxo das orquestrações ruidosas.”
Aqui deixo a minha homenagem a este grande homem das letras em Portugal, uma pessoa que tem vivido toda a sua vida para os outros, duma humildade absolutamente divinal e um grande amigo que tive a felicidade de encontrar nos caminhos desta vida.