domingo, 1 de março de 2020

"TUDO O QUE NÃO ESCREVI" - DIÁRIO I - EDUARDO PRADO COELHO - LEITURAS 2020 - IV

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Eduardo Prado Coelho era um "tudólogo", como já o ouvi designar por alguns escritores, nomeadamente pela bonita escritora Patrícia Reis, que às 4ª.s feiras, às 23h, oiço com frequência na Antena Um, com as suas amigas e igualmente belíssimas escritoras Rita Ferro e Inês Pedrosa e ainda Ana Daniela Soares, no programa "A páginas tantas", o único programa (excelente) sobre literatura de que tenho conhecimento na nossa Rádio, e do qual sou ouvinte assíduo.

Eduardo Prado Coelho não era propriamente um desconhecido para mim, pois lia sempre com muito interesse as suas crónicas jornalísticas e até já tinha lido um livro seu (agora não me lembro do título). 
Infelizmente, esta edição deste seu Diário I, de "Tudo o que não escrevi", edição da ASA, que requisitei numa Biblioteca Pública, tem (a meio do livro e às vezes intercaladamente) cerca de vinte páginas totalmente em branco que, certamente por lapso (quiçá até por desleixo), não foram impressas e, como facilmente se deduz, há assim longos trechos do livro que ficaram completamente destruídos.

Contudo, do que li, não deixei de gostar, até porque gosto de diários e a referência a personagens como Baptista Bastos, Vergílio Ferreira, Luís César Monteiro interessaram-me sobretudo.

Por exemplo, esta passagem referente ao João César Monteiro parece-me genial:
  - O João César será sempre o indivíduo que tendo matado o pai e a mãe, chega ao tribunal e diz: "Perdoe-me, Senhor Doutor Juiz, que eu sou um orfãozinho"; e outras passagens muito engraçadas como, por exemplo, sobre Luiz Pacheco, Vasco Pulido Valente e outros personagens interessantes.

Retive ainda esta sua brilhante análise sobre o que era a sua biblioteca particular: 
-"a minha biblioteca só seria uma realidade tranquilizante se obedecesse à regra muito simples de conter tantos livros por ler quanto os livros que nela já li."

Não fora o facto deste Diário I estar "bombardeado" do modo que já salientei e diria que a leitura do mesmo tinha sido óptima, assim...a leitura do Diário II ficará para segundas núpcias.  


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Eduardo Prado Coelho  1944-2007


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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

"MARIA ADELAIDE COELHO DA CUNHA - DOIDA NÃO E NÃO" MANUELA GONZAGA - LEITURAS 2020 - III



A prepotência, a malvadez, a tirania estão bem expressas neste excelente documento muito bem escrito por esta autora que eu desconhecia (Manuela Gonzaga). Aqui são retratadas e postas a nu figuras preponderantes da alta sociedade da época e que encaixavam em si a malvadez, que com o seu poder conseguiram (à força) internar num manicómio uma mulher saudável de corpo e mente. Para grande espanto meu (ou não) uma dessas pessoas foi o nosso primeiro Nobel, o Dr. Egas Moniz que juntamente com os poderosos alienistas da época (médicos especializados em doenças mentais) Júlio de Matos e Sobral Cid, assinaram, a troco de privilégios (de classe) e monetários, um documento comprovando a loucura desta mulher, utilizando, entre outros, o argumento climatério (idade crítica) para declarar Maria Adelaide Coelho da Cunha "degenerada hereditária, na qual se vem manifestando em relação com a menopausa, graves perturbações dos afectos  e dos instintos que a privam e capacidade civil para reger a sua pessoa e administrar os seus bens."

Os factos relevantes têm início em Novembro de 1918: era uma vez uma senhora muito rica (Maria Adelaide Coelho da Cunha, filha mais velha e herdeira do fundador do Diário de Notícias, o jornalista Eduardo Coelho) que fugiu de casa, trocando o marido, escritor e poeta, por um homem (Manuel Cardoso Claro) que, ao contrário do rude e déspota do marido, sempre a tratou digna e carinhosamente, com consideração e amor. Tinha quarenta e oito anos, pertencia à melhor sociedade portuguesa. O homem com quem esta senhora se mudou, de um palácio lisboeta para um modestíssimo andar em Santa Comba Dão, tinha praticamente metade da sua idade e fora seu motorista particular. 

É mais do que um livro é um documento comprovando excelentemente aonde poderá chegar a prepotência de certas pessoas poderosas que usam o seu poder para levar por diante os seus infames objectivos. E é, acima de tudo, o testemunho da vontade indómita de uma mulher que tudo arriscou por amor. 

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

"ÚLTIMO CADERNO DE LANZAROTE" - JOSÉ SARAMAGO - LEITURAS 2020 - II

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Já me tinha deliciado com os cinco volumes dos "Cadernos de Lanzarote" - este, embora no título não tenha a indicação de que seja o 6º. volume, creio que se insere na categoria dos referidos cinco e poder-se-à considerar como o sexto dos Cadernos de Lanzarote.  Ao título ainda se acrescenta um chamamento "o diário do ano do Nobel", que é mais um apelativo para a sua leitura.

Gosto de diários e devo salientar que os referidos cinco volumes dos "Cadernos de Lanzarote" estão dentro daqueles belos livros, bela escrita do nosso Prémio Nobel.
E este "Último Caderno de Lanzarote" também tem o "selo" do grande escritor, integrando este relato diarístico elementos da agenda do escritor, artigos da revista Visão, cartas e discursos sobre a sua obra.

Os sublinhados são quase uma constante nos livros de Saramago, e este não escapa, por exemplo: 

-"O tempo tem razões que os relógios desconhecem, para o tempo não existem o antes e o depois, para o tempo só existe o agora", ou 

-a referência à matança de Acteal, ocorrida em 22 de Dezembro de 1977, e consistiu na chacina de 45 indígenas no estado mexicano de Chiapas (estado do sul do México, na fronteira da Guatemala, que não poupou crianças nem velhos nem mulheres)

-o urinol, que alguém considerou como uma obra de arte, a que Marcel Duchamp deu o nome de Fonte (dupla contradição: sendo, como é, receptáculo um urinol é precisamente o contrário de uma fonte).

E muitas, muitas outras referências a situações que desconhecia e que, repito, me deliciaram.


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José Saramago  -  1922-2010

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

"NA FLORESTA" - EDNA O'BRIEN - LEITURAS 2020 - I

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Há quanto tempo não lia um livro que me entusiasmasse tanto?

Um livro para o qual partimos sem qualquer expectativa e de repente estamos totalmente embrenhados em cada página sentindo a satisfação do que é o prazer da leitura — há quanto tempo?
  
Este é realmente um livro daqueles em que estamos sempre ansiosos de passar à página seguinte para saber o que se vai passar —e isto aconteceu-me precisamente com o primeiro livro que li em 2020—.

"NA FLORESTA" , da irlandesa Edna O´Brien, nascida em 1930, foi-me recomendado por um amigo que, no que respeita a livros, tem mais ou menos os mesmos gostos do que eu e mais uma vez tal se confirmou. 

Baseado num caso real que chocou a Irlanda dos anos 90.

"Na Floresta" conta-nos a história do regresso de Mick O´Kane a casa. Órfão violento e perturbado, tratado desde criança por todos como um bicho-papão, ninguém na pequena comunidade onde cresceu consegue lidar com ele. Até que uma jovem mãe e o seu filho de quatro anos desaparecem na floresta.

"Na Floresta" arrasta o leitor para o interior da mente psicótica de um assassino, compondo um retrato chocante e compassivo da solidão, do desespero da carência e da violência.

É um excelente livro de uma magnífica escritora, que não conhecia.

Li-o de um fôlego! 
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Edna O´Brien- Irlanda  1930


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

LEITURAS 2019 - BALANÇO

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2019 não foi um ano de muitas leituras, foram vinte e seis livros lidos, uns cinco ou seis de que realmente gostei bastante, mas não "apanhei" nenhum daqueles a que poderei referir como obra-prima. 

Algumas desilusões, nomeadamente num livro que tinha comprado já há uns anos e sobre o qual depositava grandes expectativas "Homem Invisível" de Ralph Ellison. 

Philippe Claudel continua a não me desiludir, li mais um belíssimo livro dele ("O Relatório de Brodeck"), e também gostei imenso das longas viagens de João Céu e Silva com os escritores José Saramago, António Lobo Antunes e Miguel Torga. 
Outro excelente livro que li em 2019 foi "Morte dum Caixeiro Viajante".  

Eis, começando pelos que mais gostei, os livros que li em 2019, com a respectiva pontuação de 1 a 7:



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  1. "O Relatório de Brodeck"  -  Philippe Claudel   -  4
  2. "Um longa viagem com António Lobo Antunes"  -  João Céu e Silva  -  4
  3. "Morte dum Caixeiro Viajante" - Arthur Miller  -  4
  4. "Uma longa viagem com José Saramago"  -  João Céu e Silva  -  4
  5. "Em tudo havia beleza"  -  Manuel Vilas  -  4
  6. "O Fantasma sai de cena" -  Philip Roth  -  4
  7. "Nunca dancei num coreto"  -  Maria Filomena Mónica  - 3,5
  8. "Sul profundo"  -  Paul Theroux  -  3,5
  9. "O diário secreto de Hendrik Groen aos 83 anos e 1/4"   -  3,5
  10. "Quando os tontos mandam"  -  Javier Cercas   -  3,5
  11. "Manual de Pintura e Caligrafia"  -  José Saramago   -  3,5
  12. "Nos mares do fim do mundo"  -  Bernardo Santareno   -  3.5
  13. "Uma longa viagem com Miguel Torga"  -  João Céu e Silva  -  3,5
  14. "Soldados de Salamina"   - Javier Cercas    -   3,5
  15. "Lá fora" -  Pedro Mexia  -   3,5
  16. "Manobras de Guerrilha-Pugilistas, Pokemons & Génios- Bruno Vieira Amaral - 3
  17. "Judas, o obscuro"  -  Thomas Hardy  -  3
  18. "Os vícios dos escritores"  -  André Canhoto Costa   -   3
  19. Diário - Vols. IX e X"  -  Miguel Torga   -  3
  20. "Os cães ladram"  -  Truman Capote   -   3
  21. "Contos"  -  Vergílio Ferreira  -  3
  22. "Contos Argentinos"   -  vários autores  -   2
  23. "Porto-Sudão"  -   Olivier Rolin  -  2
  24. "Homem Invisível"  -  Ralph Ellison   -   2
  25. Viagem Marítima com Dom Quixote"   -   Thomas Mann   -   2
  26. "No bosque do espelho"   -  Alberto Manguel  -  2 



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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

"O FANTASMA SAI DE CENA" - PHILIP ROTH - LEITURAS 2019 XXVI

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Este foi o último livro que li em 2019 (o vigésimo quinto). Aliás, é uma releitura pois já o havia lido em 2010, mas já não me lembrava de nada.  

Philip Roth é um dos meus escritores favoritos e este é mais um bom livro, mas "A Pastoral Americana" foi o que mais gostei.

"O Fantasma sai de cena" é um excelente retrato sobre a velhice, sobre a solidão. Nathan Zuckerman, o personagem habitual dos seus livros, vive sozinho na sua montanha da Nova Inglaterra, sem vozes, sem jornais nem televisão, sem ameaças terroristas, sem mulheres, sem notícias, sem outras ocupações que não fossem trabalhar (é escritor) e enfrentar a velhice. 

Nathan decidiu voltar a Nova Iorque, a cidade que abandonara há onze anos. Percorrendo as ruas como uma alma penada, depressa estabelece relações que fazem explodir a sua solidão tão cuidadosamente protegida. Uma é com um jovem casal com quem combina permutar a sua casa na montanha com o apartamento destes em Nova Iorque. 

É, como se pode ler na contracapa, mais um testemunho do que têm de incomparável o estilo e os temas de Roth e um salto surpreendente para uma nova fase na insaciável entrega deste grande escritor à ficção. 

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Philip Roth  -  EUA  1933-2018

Li e retive:    
  -...senti-me por momentos como Rip Van Winkel (o nome de um conto, publicado em 1819, sobre uma personagem homónima escrito por Washington Irving, personagem que, quando ao cabo de vinte anos a dormir, desceu das montanhas e voltou para a sua aldeia convencido de que só tinha passado uma noite fora. Só quando inesperadamente sentiu na mão a barba comprida e grisalha que lhe crescia do queixo percebeu que tinha passado muito tempo e ficou a saber que já não era um súbdito colonial da Coroa Inglesa mas sim um cidadão dos recém-fundados Estados Unidos) 


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domingo, 5 de janeiro de 2020

"LÁ FORA" - PEDRO MEXIA - LEITURAS 2019 - XXV

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Tudo o que me venha à mão e seja escrito por Pedro Mexia eu leio!

Gostava de escrever assim tão bem e tão simples!

Este livro de crónicas de Pedro Mexia foram, na sua maioria, publicadas no jornal Expresso entre 2011 e 2017.

Tal como se pode ler na contracapa "Lá fora" não é um livro sobre viagens demoradas a lugares exóticos, passeios venturosos a altas montanhas ou selvas escuras, ou grandes temporadas em metrópoles sofisticadas; aqui, mais do que lugares físicos onde tenha estado, Pedro Mexia escreve sobre lugares mentais. Há os teatros e as livrarias de Londres, mas também "Paris, Texas" de Wim Wenders. Há a Lisboa das Avenidas Novas e do Chiado, mas também as viagens de liteira de Camilo Castelo Branco. Há os Verões da infância na Figueira da Foz, mas também a ilha grega de Leonard Cohen. Deambulando por geografias de espécie diferente, Mexia descreve lugares por onde passou e que, de alguma forma, não esqueceu.

Pedro Mexia é realmente um talentoso cronista com olhar certeiro e prosa afiada, que leio sempre com muito interesse. É sóbrio, é contido e tem talento!


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Pedro Mexia  - Lisboa  1972
   
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-KIPÁ (QUIPÁ)  -  é o chapéu, boina, touca ou outra peça de vestuário utilizada
pelos judeus tanto como símbolo da religião como símbolo de temor a Deus. 


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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

"NO BOSQUE DO ESPELHO" - ALBERTO MANGUEL - LEITURAS 2019 - XXIV

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Alberto Manguel é um homem que gosta de livros, um homem que sabe de livros mas, na minha perspectiva, não será um grande escritor.

Contudo, tenho sempre alguma curiosidade em ler os livros dele, embora fiquem sempre aquém das minhas expectativas.

Neste livro de ensaios sobre literatura e o mundo, também se fala da ditadura na Argentina, das Mães da Praça de Maio, do político Mário Vargas Llosa (a antítese do escritor).

Alberto Manguel recorre a histórias pessoais e reflexões literárias com humor e uma erudição subtil, levando-nos a reflectir sobre as delícias e responsabilidades da leitura — uma viagem despoletada pela humanidade do autor, pela sua curiosidade insaciável e extraordinária abrangência da percepção do mundo.

Um livro que fala de livros é sempre interessante!


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Alberto Manguel  -  Buenos Aires  1948
Li e anotei:

-Poucos são os que têm a coragem ou a influência literária de um Graham Greene,
que, quando o editor lhe sugeriu a alteração do título do seu romance "Viagens com a minha tia" respondeu com um telegrama de cinco palavras: "Mais fácil trocar editor do que trocar título"
    



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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

"VIAGEM MARÍTIMA COM DOM QUIXOTE" - THOMAS MANN - LEITURAS 2019 - XXIII

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Quando iniciei a leitura deste livro pensava que estava perante um pequeno diário, só que, afinal, este não é propriamente um diário mas sim um ensaio, escrito durante uma viagem do autor, com a sua mulher, aos Estados Unidos da América e que testemunha o envolvimento do escritor com a obra-prima de outro grande nome da literatura. 

Efectivamente é durante essa viagem marítima que o autor se dedica à leitura de Dom Quixote, expressando as suas opiniões sobre a obra de Cervantes. 

Devo realçar que estas opiniões não foram para mim entusiasmantes nem tão pouco me criaram grandes (nem grandes nem pequenas) expectativas com vista a uma futura leitura deste clássico, aliás, fizeram até muita mossa nas muitas que eu mantinha sobre o livro, há muito tempo.

E sobre a vida a bordo?
E sobre os eventuais incidentes que porventura poderão ter ocorrido durante a travessia?
São  muito poucas as páginas em que tal é descrito.

Por isso as expectativas que depositava neste pequeno livrinho de 123 páginas, deste grande escritor, foram por água abaixo. 
Desilusão!

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Thomas Mann - Império Alemão - 1875-1955
fotografia tirada durante a travessia rumo a
Nova Iorque, em 18 de Junho 1934, com sua
mulher Katia Mann
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-Tudo o que é bom requer o seu tempo
    


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domingo, 22 de dezembro de 2019

"EM TUDO HAVIA BELEZA" - MANUEL VILAS - LEITURAS 2019 - XXII

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Quantas vezes não pensámos já no que não dissemos e queríamos dizer a quem já partiu, aos nossos pais já perdidos, aos nossos tios mais queridos.

Um relato intimo de perda e vida, de luto e dor, de afecto e pudor.

"Livro potente, sincero, por vezes descarnado, sobre a perda dos pais, sobre a dor das palavras não ditas e sobre a necessidade de amar e ser amado. Além de tudo isto, muito bem escrito". Estas são palavras do escritor espanhol Fernando Aramburu, de quem li, não há muito tempo, um livro excelente e que nos traça um retrato assombroso da extinta ETA.

A história profundamente íntima e comovente de um homem que procura no passado o caminho para regressar ao presente.

Um livro autobiográfico de uma força telúrica em que a tristeza e a melancolia varre cada página do mesmo. 


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Manuel Vilas -  n. 1962 - Aragão-Espanha


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-Por muito mal que nos corra a vida, há sempre alguém que nos inveja

-As pessoas amam os heróis, não vítimas 
    

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

"SOLDADOS DE SALAMINA" - JAVIER CERCAS - LEITURAS 2019 - XXI


Soldados de Salamina

Este é o nº. 2 da Colecção Miniatura, numa nova edição dos Livros do Brasil, e da qual já estão publicados doze. A antiga Colecção foi publicada entre 1951 e 1967.

Aborda um tema que sempre me despertou curiosidade pela escassez de informação referente à mesma — a Guerra Civil Espanhola, que decorreu entre 17.07.1936 e 01.04.1939—.

Neste livro, em que o autor cria, como se poderá ler na contracapa, uma nova forma de abordagem deste fratricídio, construindo o seu relato sem apriorismos ideológicos.

Um soldado republicano pôde matar um militar fascista mas não o fez. Javier Cercas transforma esse soldado que teve um gesto de piedade num herói.

Refira-se que o soldado fascista tinha escapado a um pelotão de fuzilamento e andava fugido, tendo um dos seus perseguidores, o soldado republicano, conseguido localizá-lo, ficando frente a frente com ele mas fez que o não viu, poupando-lhe assim a vida e, consequentemente, facilitando-lhe a fuga.  


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Javier Cercas  1962 -   Cáceres-Espanha 

Nota: a antiga e excelente Colecção Miniatura, Edição Livros do Brasil, compreendia 170 volumes em formato de bolso (11 x 16 cm, mais pequena que a actual) foi editada entre 1951 - 1967. 
As bonitas capas dos primeiros 115 volumes foram ilustradas por Bernardo Marques e os restantes por Infante do Carmo.
Traduções dos mais credenciados escritores portugueses (e não só), nomeadamente Jorge de Sena, Alexandre Pinheiro Torres, João Palma Ferreira, Alexandre Cabral, Artur Portela Filho, Erico Veríssimo, Ilse Losa, António Ramos Rosa, António Lopes Ribeiro e outros.

Nº. 1 da antiga Colecção Miniatura
"O LIivro das Lendas" - Selma Lagerlöf
Nº. 170  -  "O Aniversário da Infanta"
Oscar Wilde e outros (o último volume publicado
desta antiga colecção)

Li e anotei;

-Javier Cercas em conversa com Bolaño:
    JC - leste os livros que te dei?
     B  - claro, eu até leio os papéis que encontro na rua 


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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

"UMA LONGA VIAGEM COM MIGUEL TORGA" - JOÃO CÉU E SILVA - LEITURAS 2019 - XX

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Adolfo Correia da Rocha era o seu verdadeiro nome, Miguel Torga era o seu pseudónimo, criado quando tinha vinte e sete anos (em 1934).

TORGA é o nome de uma planta modestíssima que se queimava nas lareiras dos pobres que não tinham lenha mas, ao mesmo tempo a torga é um arbusto muito retorcido e o Torga também era uma pessoa assim. Está perfeitamente adequado ao seu temperamento, é uma planta silvestre, modesta, humilde, com as raízes retorcidas na terra para custar mais a arrancar. Não é por acaso que a escolhe.

MIGUEL por ser um nome universal, Miguel Ângelo, o singular, o húmus nativo e o mundo.  

Também se diz que (Miguel) em homenagem a dois grandes vultos  da cultura ibérica, Miguel de Cervantes e Miguel Unamuno.

Torga não seria um homem de trato fácil e tal como refere João Céu e Silva "a primeira conversa feita com os que o conheceram foi sempre difícil. E se me apresentava como jornalista pior ainda, portanto, à terceira foi de vez e a partir daí deixei de mencionar esta parte da identificação".

Gosto muito de ler Miguel Torga mas desconhecia este livro (uma edição da ASA de 2007) que tanto prazer me proporcionou, pois fiquei a conhecer um pouco mais do homem e do seu amor à terra e aos seus lugares de eleição. 

"Torga era um homem que foi criado com valores de pessoas que quando deixavam cair ao chão um bocado de pão o apanhavam e beijavam, e um homem assim tem um compromisso com a vida e com a dignidade do ser humano". 


1984
Miguel Torga   -  1907-1995  


retive e anotei:

-...lembra-se de o poeta lhe perguntar com é que iam os estudos e que ao dizer-lhe que iam mais ou menos ele respondeu-me que as coisas mornas não interessam ou é quente ou é frio.



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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

"NOS MARES DO FIM DO MUNDO" - BERNARDO SANTARENO - LEITURAS 2019 - XIX


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O jornal "O Público" tem publicado uma interessante colecção de livros (Fac-Similados = cópias ou reproduções) de Médicos Escritores, e que normalmente estão à venda com o jornal de terça-feira, por € 6,90.

"Nos mares do fim do mundo" dá-nos o retrato de doze meses passados pelo autor (era o médico do navio) com os pescadores bacalhoeiros portugueses, por barcos da Terra Nova e da Gronelândia.

Interessante, capítulos muito pequenos, de leitura simples e que relata episódios muito curiosos passados com figuras de homens simples como o Ti Fausto que ali viu morrer o próprio pai, o Ângelo e o mano Pereira, que endoideceram no mar, o "Gazela" que, sozinho no seu pequeno dóri (pequeno barco de fundo chato) andou perdido no Oceano durante cinco dias e cinco noites, o Armando e o Zé Pinto que caíram ao mar e para sempre ali ficaram a dormir.

Segundo o autor "Nos mares do fim do mundo" foi, em grande parte escrito a bordo do arrastão "David Melgueiro", na primeira campanha de 1957, a primeira também que o autor serviu na frota bacalhoeira portuguesa, como médico.

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Bernardo Santareno (Santarém 1924 - 1980)


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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

"MANUAL DE PINTURA E CALIGRAFIA" - JOSÉ SARAMAGO - LEITURAS 2019 - XVIII

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Este foi o segundo romance de José Saramago, é também uma autobiografia ("Terra do Pecado" foi o primeiro, publicado em 1947).

História de H, um pintor desanimado que vai sendo atraído pela escrita.

Viajamos pelo seu universo, recordamos a sua infância, as mulheres da sua vida e meditamos sobre a criação e sobre a sociedade no Portugal dos anos 70, partilhando as inquietações e interrogações constantes no seu diário, o conflito entre a vida e a morte.

Confesso, no entanto, que foi dos livros, que li até agora, do nosso Prémio Nobel, do que menos gostei e cheguei a "arrastar-me" por algumas páginas mas lendo-o até ao fim, por vezes até um pouco de esguelha, o que num livro de José Saramago me deixou um pouco triste e sem sal. É realmente um livro lento mas, apesar de tudo, a escrita de Saramago está lá.   

Não sei se, ou não, a propósito da evolução da sua escrita, Saramago escreve (pág.276): "Com a idade, aprendemos a cuidar das palavras. Usámo-las mal, vestimo-las do direito e do avesso, sem olhar, e um dia encontramo-las coçadas como um fato velho e temos vergonha delas, como eu me lembro de ter tido vergonha delas, como eu me lembro de ter tido vergonha de umas calças que usei e tive de usar, esfiadas na bainha, que todas as semanas aparava com uma tesoura cautelosa, atento a não cortar de mais nem de menos".

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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

"UMA LONGA VIAGEM COM JOSÉ SARAMAGO" - LEITURAS 2019 - XVII


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Depois de "Uma longa viagem com Álvaro Cunhal" e de "Uma longa viagem com Miguel Torga", esta longa viagem com José Saramago é o terceiro volume de uma série que pretende fazer o retrato biográfico de alguns portugueses ilustres, através de uma longa entrevista e dos testemunhos de quem os conheceu. Foi, entretanto, já publicado "Uma longa viagem com António Lobo Antunes", livro que já li e de que já aqui, neste blogue, dei conta.

Nesta longa viagem com João Céu e Silva, que durou mais de um ano, José Saramago como que se entregou às confissões sobre a sua vida dando a conhecer os pormenores vividos ao longo da mesma e mostrando a sua humanidade que creio seria efectivamente um homem de grande carácter e de uma nobreza elevada.

Já li algumas (pequenas) biografias sobre José Saramago mas este foi o livro de que mais gostei e onde me pareceu melhor retratado o homem e o escritor que foi.

Eis alguns (dos muitos) excertos que anotei: 

  - como me ocorreu o título de "O ano da morte de Ricardo Reis"? foi em Berlim, num quarto de hotel. Sentei-me na cama para descansar um pouco, deixei-me cair para trás, e, nesse momento, caíram-me do tecto as palavras "o ano da morte de Ricardo Reis". 

  - Ler um romance não é ler história, porque um romancista não é um historiador, ele é um homem que vê a religião pelo lado da tristeza e não entende nem acha que queira entender a Igreja Católica.


  -  O ataque de soluções que tive durou um mês e meio


  - O Álvaro Cunhal era um homem com quem se podia conversar duas horas e quando se saía do encontro se nos perguntássemos do que é que tínhamos falado, não nos recordávamos! Porque armava uma conversa — taka taka taka taka — e um tipo ia naquele embalo e sobre algo de concreto que se queria saber, mesmo que se expusesse o problema muito concretamente, ele dava uma volta  e nunca haveria uma resposta esclarecedora.


  - Os inteligentes adoram encontrar personagens com opinião própria, os ignorantes é que não 


José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998, é certamente o escritor português mais traduzido e mais lido no estrangeiro, e creio mesmo que mais conhecido do que em Portugal.

Poderei estar a exagerar (para alguns) mas José Saramago será porventura o melhor escritor português depois de Camões.

Vale a pena lê-lo!

Devo confessar que o primeiro livro que li do José Saramago (O Memorial do Convento) da primeira vez que lhe peguei não consegui passar da página 50 mas à segunda, uns meses depois, li-o de uma só vez, foi de seguida e é realmente um livro fantástico!


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4 - bom

0 - li, mas foi zero
1 - desisti
2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima

sábado, 21 de setembro de 2019

"O RELATÓRIO BRODECK" - PHILIPPE CLAUDEL - LEITURAS 2019 - XVI


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Misteriosamente Philippe Claudel continua a ser (julgo eu) um escritor quase desconhecido. E que grande escritor que ele é!

Mais um excelente livro deste melancólico (que chega a ser quase triste) escritor francês.

Este é efectivamente mais um livro, brilhante e perturbador, em que tão bem é relatada a desumanidade do homem perante o homem, da estupidez vulgar e brutal, do medo e da rendição ao mal.

Brodeck está de regresso à sua aldeia, mesmo depois  de o seu nome já constar numa placa aos mortos do campo de concentração para onde tinha sido deportado. Retoma o seu trabalho de escrivão.

Um dia, um estrangeiro vai viver para a povoação, mas os seus modos e hábitos estranhos levantam suspeitas; o seu discurso é normal, faz longas e solitárias caminhadas e apesar de ser extremamente cordial e educado, nada revela de si próprio, Quando o estrangeiro começa a retratar a aldeia e os seus habitantes em quadros pouco lisonjeiros mas perspicazes, os aldeões matam-no.
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As autoridades que assistiram impávidas ao linchamento, ordenam a Brodeck que escreva um relatório que branqueie o incidente.

À medida que escreve o relatório oficial, Brodeck passa também para o papel a sua própria versão da verdade numa narrativa paralela.

Passado num tempo e lugar não definidos, embora tudo nos "cheire" a uma típica aldeia bem francesa, daquelas onde nas ruas as galinhas e os patos se nos metem debaixo dos pés, "O Relatório de Brodeck" mistura o familiar com o desconhecido, mito e história, num romance poderoso e inesquecível.

Philippe Claudel é realmente um belíssimo escritor, e depois do magnífico envolvente e inquietante "Almas Cinzentas" me ter feito procurar todos os seus livros e me ter "agarrado" como seu leitor, também já li, "A neta do Senhor Linh" (uma fábula carregada de tristeza e silêncio) e o soberbo e impressionante "O barulho das chaves", livro que surgiu depois do escritor se ter deslocado todas as semanas, durante onze anos a uma prisão para dar aulas de Francês, e ainda "Desisto" um pequeno livrinho que é uma descida ao inferno da perda e do desespero. 

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Philippe Claudel - Nancy - França - 1952

Retive e anotei:

pág. 12 -desde que estive no campo de concentração. sei que há mais lobos que cordeiros

pág. 252 - há um tempo para dizer e um tempo para ouvir


0 - li, mas foi zero
1 - desisti
2 - li, mas não me cativou 
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

"OS CÃES LADRAM" - TRUMAN CAPOTE - LEITURAS 2019 - XV


Wook.pt - Os Cães Ladram

Grande escritor foi Truman Capote!
"A sangue frio" e "A Harpa de Ervas", são excelentes, sou efectivamente um leitor fiel de Truman Capote!

Contudo, "OS CÃES LADRAM" não será dos melhores, pelo menos eu apenas gostei a partir da última metade, quando começou a abordar figuras como Marlon Brando, Isak Dinesen (do África Adeus), Louis Armstrong, Humphrey Bogart, e outros, já que, na primeira metade, em que fundamentalmente falou das cidades em que viveu ou outras por onde foi passando, achei-o demasiado pastoso e por vezes mesmo chato.

Interessante e curiosa a sua abordagem às figuras que conheceu e com quem conviveu:

Por exemplo, sobre Marlon Brando (que eu considero o melhor actor de cinema que vi até hoje);
-Brando estava no Japão, nas filmagens de Sayonara, há mais de um mês e, nesse tempo, mostrara-se nas filmagens como um jovem com uma dignidade desleixada e trato afável que estava sempre pronto para cooperar e até para encorajar os seus colegas, especialmente os actores, mas que no geral não se mostrava socialmente disponível, preferindo, durante os enfadonhos intervalos entre as cenas, sentar-se sozinho a ler filosofia ou a garatujar num caderno de tipo escolar. 
Findo o dia de trabalho em vez de aceitar os convites dos colegas para beber uns copos em grupo, comer um prato de peixe num restaurante e passear no bairro das gueixas de Quioto, em vez de contribuir para a bonomia familiar, para o ambiente de festa caseira que teoricamente se desenvolve em filmagens no exterior, costumava voltar para o hotel e lá ficar...


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Até o realizador do filme, Joshua Logan, se viu forçado a reconhecer, depois de trabalhar com Brando durante duas semanas: "o Marlon é a pessoa mais empolgante que já conheci desde a Garbo. Um génio. Mas não sei que tipo de pessoa é. Não sei nada dele."

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Marlon Brando - EUA - 1924-2004 

-Dizia ainda Capote: Marlon era a pessoa menos oportunista que já conheci. Nunca quis saber de ninguém que o pudesse ajudar; diria mesmo que se esforçava por evitá-los.
O Marlon tinha um fraco por moças estrábicas.

Sobre Humphrey Bogart: -um homem muitíssimo moral. Apresentava-se sempre a horas nas rodagens, maquilhado e com o papel na ponta da língua.


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Humphrey Bogart  - EUA - 1899-1957

Sobre Bob Dylan: - um músico sofisticado (?), um aldrabão que se faz passar por um revolucionário de bom coração (?), mas que não passa de um campónio sentimental.


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Bob Dylan - EUA . 1941

Tal como já referi, deste escritor americano "A Sangue Frio" está entre os melhores livros que li até hoje. Este "OS CÃES LADRAM" não me merece mais do que uma nota 3-razoável.

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Truman Capote  -  Nova Orleans -EUA 1924-1984


para reflectir (pág.45)
-Será que a transição da inocência para a sabedoria se dá no momento em que descobrimos que nem todo o mundo nos adora?



0 - li, mas foi zero
1 - desisti
2 - li, mas não me cativou
3 - razoável
3,5 - interessante
4 - bom
5 - muito bom
6 - excelente
7 - obra prima