
"A Internet chegou a Portugal numa má encruzilhada da nossa História.
Os portugueses devem ser o único povo europeu a ter evoluído directamente do analfabetismo para o computador. Ao contrário do que sucedeu, noutros países europeus, nomeadamente em França, na Suécia ou em Inglaterra, nunca atravessámos um período em que a maioria da população possuísse livros em casa.
Não admira que, durante os últimos anos, os portugueses se tivessem posto de cócoras, como um bando de pacóvios, diante do computador."
Permito-me ainda referenciar e transcrever (dum belíssimo blogue que há pouco tempo consultei) um artigo em que a sua autora, sobre o assunto, relatava mais ou menos o seguinte: "A Internet foi uma espantosa invenção e tornou-nos mais próximos de tudo ao alcance de uns meros cliques. Mas li algures que quem tira mais proveito dela é quem já fez pesquisa em livros antes ou depois de ela aparecer e tem maior discernimento ou cultura para desconfiar de algumas coisas e separar o trigo do joio. Numa empresa (editora) onde trabalhei, havia vários licenciados em jornalismo que nunca tinham entrado numa biblioteca e se haviam acostumado a pesquisar exclusivamente na Internet desde o primeiro ano do curso, usando a Wikipédia como fonte primária e tomando tudo o que lá estava escrito como certo. Uma vez, um dos meus patrões pediu a uma dessas jornalistas que redigisse um verbete de quinze linhas sobre João de Deus. A investigação fez-se rapidamente -talvez demasiado- e, quando ele foi ver, o texto referia-se ao apóstolo S. João..................."