A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede.Carlos Drummond de Andrade-poeta, contista e cronista brasileiro (1902-1987)


-Basta estarem atrás de um volante, de um qualquer veículo, para se acharem os donos do mundo.



Aqui há uns tempos li, creio que no jornal O PÚBLICO, um curioso artigo de uma prestigiada escritora e jornalista Portuguesa (de que não sei agora precisar o nome), sobre a relação dos portugueses com a Internet, e que dizia mais ou menos o seguinte:
Depois de, sempre através dos livros que li em 2010, deixar Marrocos e viajar através dos tempos, de 1578 para os nossos dias, estamos agora no fim do mês de Novembro2010.
encontro a um escritor daquele país que foi Prémio Nobel, J.M.COETZEE (na 1ª. foto), e por isso surge-me repentinamente “VERÃO” um romance que, sinceramente, talvez por ser na época em que estamos, traguei, devo confessar, com alguma dificuldade, e por isso mesmo não me alongo sobre ele. Contudo já li bons livros deste autor e aconselho, por exemplo, entre outros "A Vida e o tempo de Michael K" que nos conta a história de Michael K., um sul-africano que nasceu com lábio leporino...... 






Quando aqui falei sobre “os cães na literatura” não vos falei de Febo mas, porque se trata de uma história abominável e ao mesmo tempo sedutora, não quero nem posso deixá-la para trás.
Cornish, uma localidade com cerca de 1 700 habitantes, situada nas margens do rio Connecticut, tem duas mercearias, um posto de correio, uma igreja e vários quilómetros de pinheiros, carvalhos, terra arável e colinas suaves. Há muito que é um reduto de férias para artistas e escritores, um refúgio solitário no meio da floresta. e foi aqui que descobri J. D. Salinger, falecido aos 91 anos, em Janeiro de 2010.
Já aqui tive ocasião de prestar a minha homenagem ao meu amigo e poeta Luís Amaro, que completa hoje mais um aniversário. Natural de Aljustrel, veio muito cedo para Lisboa e são dessa época estes seus versos, então publicados na revista SEARA NOVA, quando tinha apenas 20 anos; muitos entretanto passaram...
Não lhe pedi autorização para aqui os publicar mas sei que ele não me vai levar a mal apesar de ser um homem nada dado a este tipo de homenagens. A sua postura sempre foi a de passar despercebido, sempre a servir os outros e nada pedindo para si. É um amigo de sempre, para sempre!
A LÃ E A NEVE" romance de Ferreira de Castro publicado em 1947, que relata a proletarização nas fábricas têxteis da Covilhã, mostrando a dura realidade da vida do povo, através do relato de Horácio, um pastor da Serra da Estrela que pretendeu melhorar a vida, após ter tomado contacto com outras realidades durante o serviço militar.
Foste uma Mãe!

O único ser que nunca a abandonou e decidiu morrer ao seu lado, foi o seu cão; este foi um facto que aqui já citado, quando abordei a SOLIDÃO. E é a propósito dos cães, mais precisamente sobre os cães na literatura, que hoje me proponho salientar algumas passagens de livros que falam sobre o fiel amigo (que bela e correcta designação). Na "ODISSEIA" de Homero (séc. IX-VIII a.c. ; "Odisseia" conta as aventuras do herói Ulisses, no seu regresso à ilha de Ítaca, depois de ter corrido o mundo) Ulisses, depois do longo exílio, volta a Ítaca disfarçado de mendigo, e é reconhecido apenas por Argos, o seu cão, já bem velho, sem forças para fazer mais do que abanar o rabo ao reencontrar o dono. Ulisses então chora, e as lágrimas provocadas pela saudação de Argos dão a medida da cumplicidade que parece possível apenas entre cães e homens. Nem mesmo Posêidon, com a sua fúria e poder, havia conseguido fazê-lo chorar. O belga Maeterlink (1862-1949), dramaturgo, poeta e ensaísta de língua francesa, e principal expoente do teatro simbolista: “Ele é o único ser vivo que encontrou e reconhece um deus incontestável, tangível, irrecusável e definitivo. Ele sabe a quem dedicar o melhor de si, sabe a quem se dar acima de si mesmo. Ele não precisa buscar uma força perfeita, superior e infinita nas trevas, as mentiras sucessivas, as hipóteses e os sonhos”. Napoleão (1769-1821), no "Memorial de Santa Helena", conta que percorreu um campo de batalha em Itália do qual os mortos ainda não haviam sido retirados. Um cachorro está ao lado do cadáver de seu dono, geme, lambe-lhe o rosto. "Nunca nada, em nenhum dos meus campos de batalha, me impressionou tanto", declara Napoleão, que afirmou, aliás, que a morte de um milhão de homens não era nada para ele. "Eu havia, sem emoção, ordenado batalhas, que deveriam decidir o futuro do exército; havia visto, com o olho seco, serem executados movimentos que levariam à perda de muitos entre nós; e aqui eu ficava emocionado, ficava perturbado pelos gritos e pela dor de um cão!...". O cão é uma personagem frequente nos romances de José Saramago (1922-2010). É o caso do cão que lambia as lágrimas no "Ensaio sobre a Cegueira" ou das aparições do vira-lata na "História do Cerco de Lisboa" como no trecho a seguir: "O cão não se movera, apenas deixara descair a cabeça, o beiço rente ao chão. As costelas salientes, como de cristo crucificado, tremem-lhe nos encaixes da espinha, este animal é um rematado idiota, com a teima de viver nas Escadinhas de S. Crispim onde tem passado fomes de rabo, desprezando as abundâncias de Lisboa, Europa e Mundo (...)". Não esquecendo o Nero dos "BICHOS" de Miguel Torga que entrava pela cozinha e se ia deitar, junto ao lume, entre os braços balofos da sua Dona Sância.......
A par de Bette Davis, Vivien Leigh e Meryl Streep, a italiana Giulietta Masina (1921-1994), será provavelmente uma das quatro maiores actrizes do cinema, de sempre. Foi a musa inspiradora dum dos maiores realizadores de cinema, Frederico Fellini, que foi seu marido e a cuja morte não resistiu, pois morreu poucos meses depois dele. Giuleta Masinna foi uma actriz verdadeiramente arrebatora e filmes como a ESTRADA, NOITES DE CABÍRIA, entre outros, são absolutamente inesquecíveis. Mesmo quem não goste muito de cinema e veja uma interpretação desta actriz, num qualquer dos seus filmes, fica de imediato agarrado ao seu desempenho; em todas as áreas da cultura há pessoas que nasceram com um determinado dom, seja na música (Mozart), seja no futebol (Maradona), seja no teatro (Laurence Olivier), seja na declamação (Vilarett), seja na comédia (o nosso António Silva) seja no Fado (Amália). No Cinema Giuleta Masinna nasceu para ele.
Estamos em Outubro (2010). conheço o Dr. Adolfo Coelho da Rocha, que se consagrou na literatura portuguesa com o pseudónimo de MIGUEL TORGA (na foto, de guarda chuva), e é com ele que vivi, por volta de 1940, as aventuras de um Indiana Jones português na China. Efectivamente é com o SENHOR VENTURA, um português de Penedono, uma aldeia do abrasador Alentejo, que na aventura da sua existência deixa para trás os seus pais, a sua casa, que percorro meio mundo. Retomo à I Guerra Mundial e assisto, com REBECCA WEST, a O REGRESSO DO SOLDADO, vindo da linha da frente, com um trauma que lhe varreu a memória dos últimos quinze anos, e encontra as mulheres do seu passado.Uma delas é Kitty, a sua mulher, fria, elegante e bela. Outra, a sua dedicada prima, Jenny, que nunca chega a admitir que está apaixonada por ele. A terceira é Margaret, o seu primeiro amor e que é agora uma mulher maltratada pela vida, de modos quase rudes e corpo
pesado. Lembra-se da prima como amiga de infância, não tem qualquer memória da esposa e está ligado à sua juvenil paixão por Margaret WALTER HUGO MÃE (em duplicado, na 2ª. foto), o escritor português (de Caxinas) que escreve só em minúsculas e me mostra A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS, e a primeira máquina com que me deparo é um lar de idosos, com o habitual nome eufemístico – Lar da Feliz Idade – e uma espécie de funcionamento para a morte. O número de residentes é fixo (93), as camas só vagam quando alguém morre, e por isso impera uma rotatividade que começa com a entrada para um dos melhores quartos (em frente ao jardim onde passam crianças) e termina na ala esquerda (com vista para o cemitério, em mórbida antecipação do fim).É a este mundo opressivo que chega, ainda atropelado de dor pela morte da mulher (Laura), o protagonista principal: António Silva, 84 anos, antigo barbeiro com problemas de consciência que nem o tempo foi capaz de sarar. Ele de início recusa a vida colectiva da casa, mas depois integra-se num grupo de homens palradores, quase todos partilhando o seu apelido, portugueses de gema que passam os dias a discutir justamente o que é isto de ser português, sobretudo quando todos levaram com quase meio século de fascismo em cima. Sigo depois para a República Dominicana para me encontrar com um dos seus mais jovens escritores, EDUARDO HALFON que, com O ANJO LITERÁRIO, faço uma pesquisa apaixonante sobre a literatura e o processo criativo dos autores. e o próprio processo da sua escrita. Através d O ESPELHO QUE FOGE pertença de GIOVANNI PAPINI fico a saber que: 
Não teria mais de três/quatro anos e parece que estou a ver o meu pai a entrar em casa e a dizer-nos (à minha mãe e a mim): acreditam que vos trago uma "caixa" que "fala"..... Era o primeiro rádio que entrava em nossa casa, estaria no final dos anos cinquenta, do século passado. Era um GELOSO (marca italiana), que ainda conservo.
Na copa/bar, que ainda existe no edifício do meu local de trabalho, é efectuado diariamente o recarregamento das máquinas (café, açúcar, chá, etc..) e o jovem brasileiro que o faz dizia-me hoje, citando até uma passagem da bíblia (que não retive), a propósito dos tempos que correm e da palavra mais usada actualmente neste país – CRISE-, que temos de ter esperança, as pessoas não podem andar tão assustadas e até melancólicas, nem a falar só da crise, como (ele) verifica que passaram a andar de há uns tempos para cá. Sabe uma coisa, insistia ele: o maior culpado do acabrunhamento e da preocupação do país e das pessoas são os meios de comunicação social, nomeadamente a televisão.
Todos dizem que vivemos um tempo de desumanidade total em que já nem os vizinhos porta a porta se conhecem, é verdade, mas atenção que a crueldade dos homens já não é de hoje nem de ontem, é de sempre, só que a ocasião faz o ladrão, e estes são efectivamente tempos em que a desumanidade vem ao de cima pois são os tempos em que a generalidade das pessoas já adoptou um modo de vida que não as deixa recuar, é o tempo do rei verde (o dinheiro) que já tomou conta das nossas vidas, da nossa gente, do nosso país. E tomou conta da nossa gente porque isso nos foi imposto por esta diabólica gente de novos boys, são os boys que estão no poder e os boys que já estão à espreita (estes dizem que não têm pressa), tudo gente sem escrúpulos, comandados por Bruxelas, Merkel e similares.... É preciso levantar a cabeça, como dizem, depois duma derrota, os jogadores de futebol, e pensar, reflectir sobre esta gente que nos "governa" e quer "governar"....gente que nos explora em todas os sentidos, não só económica mas sobretudo na vertente moral e até espiritual. Gente que nos quer "despir" de todos os sentimentos nobres que o nosso povo ainda, não há muitos anos, possuía, e de que ainda conservamos alguns resquícios.
Ouvíamos e líamos nos jornais que as pessoas lá fora morriam nas ruas e ninguém sequer se dignava olhar para elas (como no gueto de Varsóvia), mas isso acontecia lá longe do nosso país, mas agora este "american way of life" já tomou conta da nossa terra e vai ser difícil arredar das nossas gentes estes novo hábitos, trazidos com a globalização, e que a todo o custo nos querem impôr.
Que maior prova de solidão e que maior prova do que são os tempos (gélidos) que vivemos do que aquela senhora ali para os lados de Mem Martins que só a fim de nove anos depois de morta foi descoberta e tendo a seu lado o seu único amigo, que nunca a abandonou - o seu cão-!
Os três últimos casos da morte de idosos em casa, e só descobertos muitos anos depois é sintomático desta maldita globalização (em todos os piores sentidos) que tomou conta das nossas gentes.
"Balanceando" ainda 2010, através dos livros que li, e depois de o psicoterapeuta norte-americano Irvin D. Yalom me ter deitado no divã e me ter contado alguns enredos tenebrosos, divertidos e imprevisíveis, o alemão HERMAN HESSE apresenta-me o poeta popular KNULP, um vagabundo em eterno movimento, e conta-me as suas deambulações pelo mundo até ao regresso à terra natal, fisicamente já bastante debilitado por muitos anos de vagabundagem. Contempla o passado e aquilo que poderia ter sido.
trar o local ideal em Portugal, uma falésia junto à Fortaleza de Sagres.
Junho (2010) já vai a meio, o calor aperta e nada melhor que conhecer mundo, Juan José Millás foi um belo cicerone mas JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS nas CONVERSAS DE ESCRITORES não deixa os seus créditos por mãos alheias e apresenta-me alguns dos seus colegas de ofício (Ian MCEwan, Luis Sepúlveda, Sveva Casati Modignani, Paulo Coelho, Miguel Sousa Tavares, Isabel Allende, Gunter Grass, Jeffrey Archer, José Saramago e Dan Brown) que para além das suas reflexões sobre a vida, o mundo
e a escrita fico a saber ainda as histórias de bastidores destes encontros de José Rodrigues dos Santos com estes dez dos maiores escritores (vivos) da literatura universal contemporânea, para uma série de entrevistas na RTP em 2009.