domingo, 11 de setembro de 2011

AS TORRES GÉMEAS



O World Trade Center tomou forma durante a década de 1960, primeiro devido às ambições dos irmãos David e Nelson Rockfeller, membros de uma poderosa família das finanças e da política, e depois graças às oportunidades proporcionadas pelas alterações verificadas na construção.

O WTC foi concebido num tempo de transformações radicais na construção de edifícios altos, e o seu proprietário serviu-se das transformações de uma forma excessiva. Os novos regulamentos permitiram-lhe construir mais alto e mais barato, com as torres gémeas a serem os primeiros arranha-céus erigidos quase sem recurso à construção em alvenaria de tijolo.

Quando dos atentados, algumas daquelas modificações tornaram impossível a fuga das pessoas que estavam nos andares mais altos das torres.

As torres gémeas receberam os primeiros inquilinos em 1970.

Ao esmagar-se contra a torre o segundo avião voava a mais de 870 quilómetros por hora, inclinando-se ligeiramente no último segundo abriu uma brecha a toda a largura das asas, cortando nove andares em diagonal, entre os pisos 77º. e 85º.



-do livro 102 minutos-

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

11SETEMBRO - 102 minutos
















102 minutos foi o tempo que mediou entre o impacto do primeiro voo e o desmoronamento da segunda torre.



"Às 8h48 ou 8h49, dois ou três minutos depois de o Voo 11 se ter despenhado, foram vistas as primeiras pessoas a cair da torre norte, homens e mulheres que fugiam de um inferno de combustível a arder. Os primeiros mergulhos foram menos deliberados, mais produto de um reflexo, como acontece quando se toca num fogão muito quente. Para fugirem do calor, não tinham de abrir caminho por entre as chamas. A fachada do edifício fora rasgada. Sozinhos ou de mãos dadas, subiram para o peitoril das janelas, o único refúgio para se defenderem do fumo e do calor.
Um homem. Uma mulher. Um homem e uma mulher de mãos dadas.......

-relato de Kevin Flynn director departamental do Times no dia 11 de Setembro de 2001 no livro "102 minutos" autores: Jim Dwyer e Kevin Flynn-

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Stephen King e os livros




Os meus livros são o equivalente literário a um BIGMAC com uma dose de batatas fritas


Stephen King-um dos mais notáveis escritores americanos do terror psicológico (1947-)


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

OS MAL-AMADOS - I































Depois de uns "rápidos" dias de férias, continuo com livros, não os livros que entretanto li (alguns) mas com o que estou actualmente a ler: -"Os mal-amados", de Fernando Dacosta.



Os mal-amados tem a ver com algumas das personagens da vida portuguesa, nomeadamente da política, das artes, do desporto, da literatura, etc...Porque me pareceram interessantes algumas passagens desta obra, permito-me transcrever aqui algumas:



Por exemplo, sobre Raúl Solnado:



-Solnado significa sol-nascido, sol-nado; e Raul, luar ao contrário. Por isso, Raul Solnado é um ser de reverberações: dar luz (humor) aos outros fez-se-lhe destino. "Não sou rico nem sou pobre, que é o melhor estatuto que se pode ter em Portugal. A minha existência corre ao sabor da brisa...há, aliás, um lado bom na velhice, a tranquilidade e a sabedoria. Precisamos de recuperar o som do riso. O som do riso é um som muito bonito. Perigoso por vezes. Uma noite uma mulher morreu a rir no Teatro Variedades. Eu estava a representar a peça Oh, que Delícia de Coisa, do Miguel Grila, o autor da Ida à Guerra, quando vi, de repente, grande alvoroço nos balcões: uma espectadora falecera, sufocada pelas gargalhadas.".



Sobre Fernando Pessoa:



-"Somos, por temperamento, avessos à revolta, à agitação", sublinhava Fernando Pessoa. "Quando fazemos uma revolução é para implantar uma coisa igual ao que já estava. Ficamos os mesmos disciplinados que éramos. Não se conhece noutro povo tamanho apelo à desistência, à flagelação."



Muito interessante este "Os Mal-Amados" como, aliás, o são também os dois livros que já tinha lido deste autor ("O Viúvo" e "As Máscaras de Salazar"). Curiosissímas revelações de pessoas relevantes da vida portuguesa...

sábado, 3 de setembro de 2011

Mark Twain e os livros



É preciso ter cuidado com os livros de saúde:-podemos morrer por culpa de uma errata




Mark Twain-Escritor, humorista e conferencista americano (1835-1910)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

André Maurois e os livros



A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde




André Maurois-romancista e ensaísta francês (1885-1967)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Charles W Elliot e os livros



Livros são os mais silenciosos e constantes amigos;

os mais acessíveis e sábios conselheiros e

os mais pacientes professores



Charles W Elliot-Norte Americano (1834-1926)-exerceu o mandato como Presidente da Universidade Harvard entre 1869-1909

domingo, 21 de agosto de 2011

Jorge Luis Borges e os livros



O livro é uma extensão da memória e da imaginação




Jorge Luís Borges-escritor argentino (1899-1986). Cegou totalmente em 1914.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Henry David Thoreau e os livros



Lê em primeiro lugar os bons livros, ou muito provavelmente não terás a oportunidade de os ler




Henry David Thoreau-Norte Americano (1817-1862)-poeta, abolicionista, topógrafo, foi talvez o primeiro ambientalista/ecologista. Anarquista "O melhor governo é o que não governa".

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Benjamin Franklin e os livros



Livros e solidão: eis o meu elemento



BENJAMIM FRANKLIN-sábio e estadista norte-americano (1706-1790); inventor do pára-raios. Desempenhou um papel importante na obtenção da independência do seu país.


Nota:-Este é um mês de férias, de descontração, de relaxe, por isso, mensagens simples sobre os livros serão o tema do mês.

domingo, 7 de agosto de 2011

Bill Gates e os livros












É claro que os meus filhos terão computadores, mas antes terão livros



BILL GATES-Norte Americano nascido em 1955, fundou a Microsoft, a maior e mais conhecido empresa de software do mundo

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

POR ONDE ANDEI EM 2010 - XII

No último relembrar das minhas andanças (através dos livros que li em 2010), referia eu que foi com Bruce Chatwin (1940-1989), um grande viajante e, um nómada cheio de originalidade, que, já por mais de uma vez, viajei por paragens inóspitas, muito para além da "civilização" que, dia a dia nos submerge e, através dos seus relatos, conheci novas gentes, novas culturas, novos mundos.

"O QUE FAÇO EU AQUI" é um livro póstumo, uma selecção pessoal de ensaios, meditações e relatos de viagens.

BRUCE CHATWIN morreu de SIDA em Janeiro de 1989.

Foi um viajante infatigável e, para alguns, um grande escritor. Devo confessar que, deste escritor inglês, não foi um livro de viagens o que mais gostei mas sim dum romance que publicou em 1982 -"Os gémeos de Black Hill"-.

Uma agradável surpresa: É com o escritor espanhol JUAN JOSÉ MILLAS que assisto, lendo "LAURA E JÚLIO", à metamorforse de um homem que inventa uma nova identidade.

Júlio, recém-separado, decide ocupar em segredo o apartamento vazio de um vizinho, usurpando-lhe ao mesmo tempo as roupa e os hábitos, bem como a sua visão do mundo da ex-mulher e de si mesmo. No decurso desta metamorfose, Júlio descobre uma nova vida que terá de moldar para transformar a sua nova vida numa realidade.
Mais uma pessoa que conheci pela mão dum dos mais notáveis romancistas espanhóis do nosso tempo.

Entro no mês de Dezembro e apresso-me, com Paul Auster, a viver o colapso económico pós-Bush na Nova Iorque de 2008/2009. Para lá estou a caminhar e isso aqui relatarei brevemente........

domingo, 31 de julho de 2011

Carlos Drummond de Andrade e os livros

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede.



Carlos Drummond de Andrade-poeta, contista e cronista brasileiro (1902-1987)


quinta-feira, 28 de julho de 2011

NÃO À INDIFERENÇA











Não posso deixar de compartilhar convosco este belo poema, do poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956), que me enviou o meu amigo VV.



Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso, eu não era negro;


Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso, eu também não era operário;


Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso porque eu não sou miserável;


Depois agarraram uns desempregados, mas como tenho emprego também não me importei;


Agora estão a levar-me mas já é tarde; como eu não me importei com ninguém ninguém se importa comigo.

domingo, 24 de julho de 2011

Nasceram neste dia - 24 de Julho




SIMÃO BOLÍVAR- em 1783 - Libertador Sul-Americano

ALEXANDRE DUMAS- em 1802 - Romancista francês

JOSÉ MARIA ROMANO - em 1946 - Meu amigo (e cunhado) que muito prezo e a quem desejo uma longa vida.
São 65 anos ao serviço da humanidade. As suas sábias e acutilantes palavras são, no dizer de um amigo de ambos (o saudoso "Zé Gordo"-infelizmente já desaparecido) autênticas "chapadas na sociedade".


Nota:-Em Lisboa, Avª. 24 de Julho porquê?-é que foi neste dia, em 1833, que as tropas liberais, comandadas pelo Duque da Terceira, entraram em Lisboa depois de terem derrotado as tropas miguelistas lideradas por Teles Jordão na batalha da Cova da Piedade.

Consequente desembarque do Regente D.Pedro e dos membros do seu governo em Lisboa.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

CIDADANIA

-Basta estarem atrás de um volante, de um qualquer veículo, para se acharem os donos do mundo.
É sentir-lhes o bafo quando, por exemplo, necessitamos de utilizar a via esquerda para ultrapassar e olhar para o espelho e ver os olhos do ogre a tentarem passar-nos a ferro se de imediato não nos desviarmos.


-As vagas de estacionamento exclusivas de deficientes ocupadas, normalmente, por pessoas saudáveis.

-Nas ruas as fezes deixadas pelos cães sob o olhar despercebido dos respectivos donos.

-Nas praias, o lixo deixado na areia.

-530 e tal milhões em subsídios ilegais foi o montante detectado pelo Tribunal de Contas.

-O Presidente da Câmara de Loures tem a mulher, a filha, dois cunhados e a nora a trabalhar na sua autarquia.

Eis apenas alguns exemplos que reflectem o nível de cidadania e, sobretudo, de educação, cá do burgo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Descartes e os livros



A leitura é uma conversação com os homens mais ilustres dos séculos passados



René Descartes-Físico e matemáticos francês (1596-1650)

sábado, 16 de julho de 2011

PORTAGENS SEM PORTAGEIRO
















Confesso que me assustam.


Deixei de ver pessoas.


Lembram-se daqueles filmes de ficção científica em que, após um desastre nuclear, só se viam escombros e fumo, pois é essa imagem que vem à cabeça sempre que sou obrigado a "dialogar" com estas máquinas.


Dizem-me que é o futuro.


Mas que futuro?

E as pessoas?


Estas máquinas desumanizadas, com voz robótica, poderão preconizar um futuro nada risonho (que já anda por aí a rondar).......

segunda-feira, 11 de julho de 2011

EDUCAÇÃO




Confrangedor!







Quando vou a um restaurante um cenário que me angústia é o facto de ver no fim das refeições os pratos ainda quase cheios que até dão a impressão de que a pessoa não comeu, apenas beliscou.



O mesmo cenário vejo frequentemente nas pastelarias, muita, mas muita gente deixa por consumir metade dos bolos, metade da sandes, metade da torrada, metade do galão, metade do "sumol", é efectivamente confrangedor e revelador de uma má educação do nosso povo (na actualidade).



Lembro-me que quando eu era miúdo os meus pais me ensinaram que nunca se deixava nada no prato, nunca se deitava nada fora nem um bocado de pão (duro que fosse), e se, por qualquer eventualidade (bolor, por exemplo) se não aproveitava só se deitava fora depois de lhe dar um beijo e de lhe pedir perdão.



Não é uma questão de miserabilismo mas apenas e tão somente uma questão de educação (ou falta dela) e, fundamentalmente, um modo de estar na vida.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A EUROPA


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudança.

Luís de Camões (Lírica)


-A Europa é uma vergonha! O que se está a fazer à Grécia é uma vergonha!

Quem o proclama é o Pai/Avô/tutor mais que tudo da Europa: Mário Soares.

Dizia recentemente uma excelente jornalista portuguesa que a Europa, ou os burocratas europeus que vimos nos Jerónimos tratados como animais de luxo, com os seus carrões de vidros fumados, os seus motoristas fardados, as suas perfumadas secretárias, os seus altivos conselheiros, as suas legiões de servos, mais os banquetes e concertos, viagens, cartões de crédito, com o grande timoneiro Barroso à cabeça, perdeu, perderam a vergonha e a ética.

Somos, não somente o povo dum país (tudo para eles é pouco) mas o povo dum continente, presas à mercê dos mercados, do Dow, escravos do rating e outras designações semelhantes que cheiram profundamente a um moderno esclavagismo.

Mas atenção que o povo português não dorme......ainda na passada semana o grande líder (camponês) Tony Carreira juntou na Avª. da Liberdade (na festa do campo) milhares e milhares de seguidores.......

domingo, 26 de junho de 2011

OS PORTUGUESES E A INTERNET

Aqui há uns tempos li, creio que no jornal O PÚBLICO, um curioso artigo de uma prestigiada escritora e jornalista Portuguesa (de que não sei agora precisar o nome), sobre a relação dos portugueses com a Internet, e que dizia mais ou menos o seguinte:

"A Internet chegou a Portugal numa má encruzilhada da nossa História.

Os portugueses devem ser o único povo europeu a ter evoluído directamente do analfabetismo para o computador. Ao contrário do que sucedeu, noutros países europeus, nomeadamente em França, na Suécia ou em Inglaterra, nunca atravessámos um período em que a maioria da população possuísse livros em casa.

Não admira que, durante os últimos anos, os portugueses se tivessem posto de cócoras, como um bando de pacóvios, diante do computador."


Permito-me ainda referenciar e transcrever (dum belíssimo blogue que há pouco tempo consultei) um artigo em que a sua autora, sobre o assunto, relatava mais ou menos o seguinte: "A Internet foi uma espantosa invenção e tornou-nos mais próximos de tudo ao alcance de uns meros cliques. Mas li algures que quem tira mais proveito dela é quem já fez pesquisa em livros antes ou depois de ela aparecer e tem maior discernimento ou cultura para desconfiar de algumas coisas e separar o trigo do joio. Numa empresa (editora) onde trabalhei, havia vários licenciados em jornalismo que nunca tinham entrado numa biblioteca e se haviam acostumado a pesquisar exclusivamente na Internet desde o primeiro ano do curso, usando a Wikipédia como fonte primária e tomando tudo o que lá estava escrito como certo. Uma vez, um dos meus patrões pediu a uma dessas jornalistas que redigisse um verbete de quinze linhas sobre João de Deus. A investigação fez-se rapidamente -talvez demasiado- e, quando ele foi ver, o texto referia-se ao apóstolo S. João..................."

terça-feira, 21 de junho de 2011

10 DE JUNHO - DIA DE PORTUGAL
















As condecorações do 10 de Junho provocam-me sempre muito desconforto, pois são sempre os "mesmos" -sempre gente bem- tudo amigos-família, tudo gente da mesma escola (gente do povo, pese as circunstâncias, mas gente do povo, só me lembro da ver lá antes da implantação da "demo cracia").


Ainda relembro aquele triste e tragico-cómico 10 de Junho em que o grande cérebro-cenoura, Jorge Sampaio, condecorou com a grã-cruz de não sei quem, o "célebre" piloto de fórmula um, Pedro Lamy (que desistiu sempre ou quando isso, por acaso, não aconteceu ficou em último), ou será que a condecoração terá ficado a dever-se tão somente ao aristocrático e chiquérrimo nome do "grande" piloto........


Ainda sobre o último dia de Portugal, não pude deixar de colocar os óculos nas orelhas quando ouvi do actual presidente da república, Cavaco Silva, palavras de incentivo e de quase uma imposição/obrigação nacional sobre a necessidade dum regresso à terra, um regresso à agricultura........


E fiquei de óculos bem abertos, porque foi a mesma pessoa que há uns quinze/vinte anos atrás, quando era primeiro ministro, disse precisamente o contrário, tendo sido ele o principal carrasco da agricultura portuguesa, pois foi ele o responsável máximo pela célebre PAC (Política de Agricultura Comum); foi ele que incentivou e pagou aos agricultores para não produzirem e abandonarem as terras.


Que Memória tão Curta!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

POR ONDE ANDEI EM 2010 - XI

Depois de, sempre através dos livros que li em 2010, deixar Marrocos e viajar através dos tempos, de 1578 para os nossos dias, estamos agora no fim do mês de Novembro2010.

Retornando à nossa época, vou ao encontro de Nelson Mandela quando conquistou a presidência nas primeiras eleições livres e quando já pressupunha, no seu sexto sentido, que esta mudança formal não era suficiente para extinguir os ódios alimentados durante décadas. Claro que com aquele seu carisma que tanto sobressai pela inteligência e humanidade, como por um magnetismo fortemente sedutor, o seu esforço orientou-se no sentido de unir negros e brancos através de algo que pudesse encarnar a alma nacional.

Num golpe de génio, viu na final da Taça Mundial de Râguebi de 1995 a oportunidade única para pôr em prática o seu plano. Este romance “INVICTUS” escrito por JOHN CARLIN é um documento histórico que brilha pela clareza e complexidade dos factores em jogo, constituindo ao mesmo tempo um sentido testemunho ao homem que o inspirou. Nelson Mandela será verdadeiramente um dos homens do século!

Em pleno Inverno de 2010, e ainda viajando na África do Sul vou de encontro a um escritor daquele país que foi Prémio Nobel, J.M.COETZEE (na 1ª. foto), e por isso surge-me repentinamente “VERÃO” um romance que, sinceramente, talvez por ser na época em que estamos, traguei, devo confessar, com alguma dificuldade, e por isso mesmo não me alongo sobre ele. Contudo já li bons livros deste autor e aconselho, por exemplo, entre outros "A Vida e o tempo de Michael K" que nos conta a história de Michael K., um sul-africano que nasceu com lábio leporino......

Estamos quase a chegar ao final de 2010 e é com muita chuva e já com algum frio que me resguardo uns dias no “HOTEL SAVOY”, tomando contacto com a variada freguesia deste hotel ouvindo à época (1924) histórias às mais variadas personagens, de acordo com a riqueza e o status de cada personagem, através do seu autor JOSEPH ROTH.

Viajando sempre e mais uma vez no tempo, desloco-me para Nova Iorque e é na Primavera de 1967, ano da crescente oposição à guerra do Vietname, de rescaldo do assassínio de Kennedy e do melhor rock psicadélico, que me cruzo com o grande escritor norte-americano, PAUL AUSTER, para me contar através do seu 15º. romance “INVISÍVEL”, mais uma das suas histórias fascinantes em que cada história tem sempre uma história que se abre para outra história. Paul Auster é efectivamente um grande contador de histórias que, na minha opinião, vale a pena "escutar".

O fim do Ano aproxima-se a passos larguíssimos, o tempo voa e depois de Paul Auster estou já ansioso para, na próxima crónica, aqui transcrever o relato da minha próxima viagem com Bruce Chatwin (1940-1989) um dos mais aclamados escritores de literatura de viagens de sempre. Vou a caminho......

sábado, 11 de junho de 2011

A GREVE DOS MAQUINISTAS DA CP














A greve dos maquinistas da CP é uma situação que parece arrastar-se ad aeternum, e nem mesmo o facto de a que estava prevista para todo este mês de Junho ter sido desconvocada à última da hora, deixa de ser uma situação que merece uma reflexão.



No entanto não será, honestamente, uma situação fácil de ajuizar (nem é esse o meu propósito), sobretudo para quem está de fora e não conhece os meandros de todo este imbróglio; contudo o que aqui me proponho trazer é o que julgo ser também o pensamento da maioria das pessoas e sobretudo daqueles que são mais penalizados com este eterno impasse, nomeadamente os utilizadores do "cavalo de ferro".



É efectivamente um caso, esta misteriosa/enigmática/secular/impopular greve dos maquinistas da CP.

É algo que me põe a pensar, e que tenho cada vez mais dificuldade em compreender, já que é uma situação inoperante que se arrasta há quase ou mais de 40 anos anos; é verdade quarenta anos, pois recordo-me perfeitamente (porque o senti e muito na pele) que no princípio dos anos 70 do século passado (que lonjura, meu Deus...), quando trabalhava na baixa lisboeta (e estudava à noite) já sentia os tremendos efeitos negativos desta "dinossaura" greve e que naturalmente tinha (e certamente continuará a ter) repercussões muito negativas sobre a vida das pessoas que diariamente, se deslocavam para trabalhar; lembro-me que muitas vezes viajei pendurado nas carruagens, pondo até em perigo a própria vida e isto sem exageros (não era ó Kim?...)

Parece ter qualquer coisa de secreto esta greve dos maquinistas da CP que acontece com uma regularidade impressionante.

Ou esta é mesmo uma luta muito difícil ou então é um agradável braço de ferro (servindo afinal os interesses não se se sabe de quem), que parece passar de pais para filhos e em que sobretudo parece imperar o egoísmo.



É uma situação que parece reflectir uma absoluta incapacidade, inoperância, incompetência dos intervenientes.



Esta empresa pública de transportes ferroviários, que tem um prejuízo de 195 milhões de euros, e em que ainda recentemente veio a público que cinco gestores têm uma frota de automóveis Mercedes cuja renda anual ascende a cerca de 55 mil euros, parece ingovernável.

domingo, 5 de junho de 2011

LIVRARIA ESPERANÇA

























Sempre que vou ao Funchal só se me for de todo impossível é que não visito este "santuário" magnífico.

Efectivamente a Livraria Esperança (na Rua dos Ferreiros) é um lugar absolutamente majestoso, histórico, fascinante, diria mesmo esmagador para quem gosta de livros.

Foi o primeiro estabelecimento no Funchal a vender livros, existindo desde 1886.


É a maior livraria de Portugal a segunda maior do Mundo -o tamanho de um estádio de futebol-.

Uma existência de mais de 189.000 livros, estando mais de 100.000 virados de capa para a frente, perfeitamente disponíveis um por um, capa por capa, sendo possível visioná-los, folheá-los porque estão -todos- ali mesmo à nossa frente a pedir que lhes toquemos, é uma sensação indescritível.


Tem um exemplar de praticamente todas as obras publicadas em português.

Quando vou ao Funchal deambulo por aqueles corredores silenciosamente cheios de livros, perco-me por aqueles milhares de páginas escritas, livros em tudo quanto é sítio e totalmente à vista e é possível folheá-los todos, um por um, porque estão absoluta e inteiramente à mão de folhear.

Sempre que lá vou encontro o livro que procuro (esgotado no continente); ainda agora encontrei um que há tanto tempo procurava (o relato de uma paixão ardente de alguém que, no seu tempo, teve a ousadia de se dedicar à escultura e que por via dessa originalidade visionária "passou as passas do Algarve" e por isso morreu num asilo após um internamento de quase trinta anos; mas isso será uma conversa a seu tempo e em "su-sítio").

Impressionante esta LIVRARIA ESPERANÇA, para quem gosta de livros (e não só).


Um monumento ao livro!

terça-feira, 31 de maio de 2011

O POPULISTA




Não compreendo a reacção de crítica e contrária do Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Marinho Pinto, perante a decisão JUSTÍSSIMA (na minha modesta opinião) do juiz que determinou a prisão preventiva dos dois jovens envolvidos na bárbara, cobarde, desumana e cruel agressão da menor, junto ao C.C.Colombo.



Fiquei absolutamente desiludido, com um homem que até agora me parecia um indivíduo racional e justo, por esta opinião absolutamente desadequada do que é a justiça face à maneira de estar e de ser das nossas gentes!



Afinal a montanha pariu um rato, neste caso pariu um populista.



É por esta e por outras (semelhantes) é que a nossa justiça está como está.......

sexta-feira, 27 de maio de 2011

CALACEIROS





Levantaram-se os "donos" de Portugal, e não só, quando José Saramago se referiu ao facto de não ver com maus olhos uma união ibérica.





Mas porventura as mesmas pessoas que na altura se levantaram, agacharam-se agora, aplaudindo até, as afirmações da chanceler alemã Ângela Merkel, quando se referiu aos Portugueses como uns "calaceiros/preguiçosos/mandriões" que têm dias de férias a mais e que ganham mais para aquilo que fazem.





Porque é que, entre outras coisas, ninguém lhe recorda que a União Europeia pagou para que em Portugal não se produzisse, destruindo a produção portuguesa, podendo assim aumentar as exportações do seu país e os lucros dos seus bancos.





Será por isso que a Alemanha, se acha agora dona de Portugal e da Europa?

domingo, 22 de maio de 2011

BANDEIRAS



Aquando da recente conquista da última Liga Europa, na final disputada na passada quarta-feira, dia 18 do corrente mês de Maio, após o apito final, à chegada da equipa do F.C.Porto e durante as comemorações nas ruas daquela bela cidade Invicta, impressionou-me o facto de quase todos os jogadores do F.C.Porto trazerem pelos ombros a bandeira do seu país.


No entanto, o que mais impressionou não foi verdadeiramente o facto de ver as bandeiras de quase todos os países da América do Sul (mais uma de Cabo Verde e pelo menos outra da Roménia) mas sim não ver uma única de Portugal, ou seja a do país que afinal ganhou a taça.................. nem um jogador a trazia.



Confesso que me senti muito desconfortável.

sábado, 21 de maio de 2011

MÚSICAS NA MINHA VIDA - II

Não sei se será propriamente uma das músicas da minha vida mas esta é efectivamente uma canção que faz parte do meu imaginário.


Dalida sempre me pareceu uma mulher misteriosa e nem mesmo no dia em que ela se suicidou o mistério acabou.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

FEBO

Quando aqui falei sobre “os cães na literatura” não vos falei de Febo mas, porque se trata de uma história abominável e ao mesmo tempo sedutora, não quero nem posso deixá-la para trás.

Febo, o cão de que nos fala o grande e controverso escritor italiano Curzio Malaparte (1898-1957), no seu livro “A PELE”.

Refira-se que Curzio Malaparte era secretário da secção local da juventude do Partido Republicano; aos dezasseis anos rebenta a guerra de 14 (a 1ª. Grande Guerra Mundial), sai de casa, atravessa a fronteira e alista-se numa legião de voluntários para combater os Alemães. É deportado para a ilha Lipari e é a partir daqui que nos conta a história do seu cão Febo.

Durante os dois últimos anos de detenção, Febo está com ele e acompanha-o a caminho de Roma no primeiro dia da libertação.

Um dia, em Roma, Febo desaparece.

Após uma busca árdua, Malaparte fica a saber que, capturado por um marginal, foi vendido a um hospital para satisfazer experimentações médicas. Encontra-o vivo“estendido de costas, ventre aberto, uma sonda espetada no fígado”. Nenhum gemido sai da sua boca, pois, antes de os operarem, os médicos cortavam as cordas vocais a todos os cães. Por simpatia por Malaparte, o médico administra a Febo uma injecção mortal.

“Nunca gostei de uma mulher, um irmão, um amigo como gostei de Febo”

quarta-feira, 11 de maio de 2011

POR ONDE ANDEI EM 2010 - X

Cornish, uma localidade com cerca de 1 700 habitantes, situada nas margens do rio Connecticut, tem duas mercearias, um posto de correio, uma igreja e vários quilómetros de pinheiros, carvalhos, terra arável e colinas suaves. Há muito que é um reduto de férias para artistas e escritores, um refúgio solitário no meio da floresta. e foi aqui que descobri J. D. Salinger, falecido aos 91 anos, em Janeiro de 2010.



J.D.SALINGER (na foto) foi um dos mais misteriosos escritores norte-americanos, um feitio muito parecido com o do nosso Miguel Torga, e foi com ele (J.D.SALINGER) que fui à descoberta do seu mais célebre romance “UMA AGULHA NO PALHEIRO”, publicado pela primeira vez em 1951, talvez a mais marcante obra de J. D. Salinger, e uma das mais controversas da história da literatura norte-americana após a II Guerra Mundial.



Esta obra foi constantemente censurada e banida das escolas, livrarias e bibliotecas dos EUA devido ao seu conteúdo profano, à abordagem que faz do sexo e à forma como rejeita alguns dos ideais americanos.


O livro conta as aventuras de Holden Caulfield, um rapaz de 16 anos, que ao ter de deixar o colégio interno que frequenta, mas receoso de enfrentar a fúria dos pais, decide passar uns dias em Nova Iorque até começarem as férias de Natal e poder voltar para casa.


Confuso, inseguro, incapaz de reconhecer a sua própria sensibilidade e fragilidade, Holden percorre nesses dias um intrincado labirinto de emoções e experiências, encontrando as mais diversas pessoas, como taxistas, freiras e prostitutas, e envolvendo-se em situações para as quais não está preparado. Pareceu-me, na minha modesta opinião, um livro bem escrito.


Estamos em Novembro de 2010 e na minha rota segue-se Marrocos e viajo mais uma vez no tempo, até 1578 e dez mil guitarras jazem ao abandono no campo de batalha de Alcácer-Quibir. D. Sebastião desapareceu. Morto ou vivo? Há quem espere por ele... É isto que me oferece CATHERINE CLÉMENT no seu último romance “DEZ MIL GUITARRAS”., e ainda uma uma truculenta galeria de retratos de uma Europa em mutação: o peso dos Habsburgo, a violência das guerras religiosas, a loucura do Imperador da Áustria, a rebelião da jovem rainha Cristina da Suécia e a sua paixão por Descartes. Apesar do interesse do tema versado a escrita deste romance é (para mim) "pastosa", lenta, arrastada e não me cativou para futuros livros desta autora.



A meio do mês de Novembro vou depois ao encontro de Nelson Mandela mas disso vos darei conta na próxima crónica destas minhas andanças pelo Universo e pelas diferentes eras, sempre através dos livros que li em 2010.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

LUÍS AMARO - VELHO DIÁRIO DE INFÂNCIA

Já aqui tive ocasião de prestar a minha homenagem ao meu amigo e poeta Luís Amaro, que completa hoje mais um aniversário.


Luís Amaro - um homem que toda a vida fez bem mais pelos livros dos outros do que pelo seu desejo de escrever. Sempre foi de uma dedicação e entrega às obras dos outros, essa entrega e reconhecimento está guardada para sempre nos arquivos da Biblioteca Nacional onde em dezenas de caixas foi sendo entregue ao longo dos anos todo o acervo epistolar de Luís Amaro com Ruy Belo, Jorge de Sena, Régio, Gaspar Simões, Vergílio Ferreira, Sebastião da Gama e tantos outros, e imensos originais importantíssimos para conhecer melhor a obras de muitos dos nossos escritores e artistas.







Natural de Aljustrel, veio muito cedo para Lisboa e são dessa época estes seus versos, então publicados na revista SEARA NOVA, quando tinha apenas 20 anos; muitos entretanto passaram...

Não lhe pedi autorização para aqui os publicar mas sei que ele não me vai levar a mal apesar de ser um homem nada dado a este tipo de homenagens. A sua postura sempre foi a de passar despercebido, sempre a servir os outros e nada pedindo para si. É um amigo de sempre, para sempre!


VELHO DIÁRIO DE INFÂNCIA

I

Quando cheguei
Parecia-me ir morrer…
Atrás de mim uma sombra,
Um pesadelo e um grito,
Diante de mim – o incerto…

E só! E sem conhecer ninguém!
O comboio trouxera-me num domingo chuvoso
E triste (mesmo que o não fosse, era-o em mim)

Ia começar mais uma aventura.

Naquela cidadezinha,
Tão diferente da que deixara
-Melancólica e sombria, tumular –
Vivi horas boas e horas más,
Horas mais negras do que claras,
Porque mesmo das que eram aparentemente boas
Eu desconfiava, não as acreditando.

Mas, à medida que o tempo rolava,
Até essa falsa aparência se esvaía.
E, por fim,
Já não tinha uma ilusão para pôr no olhar,

-Com tantas horas negras eu já não podia!

Agora conhecia muita gente,
Mas, quanto mais gente conhecia,
Maior era a minha ânsia de evasão:
Por isso me encerrava no quarto
Aguardando a vinda dum sonho

….E esquecia!




II

Mas a companhia de mim
Já me pesava também,

E, então,
Na maré da minha dor,
Feita de cansaço e febre,
Minha doentia imaginação
Voejava…

Espectros antigos vieram
À chamada
Dos meus sentidos doentes.

E perdi-me de mim mesmo
No atalho
Tristíssimo, duma complexa neurastenia,

Domingos de sol claro
-O mais vibrante sol que inda vira!
Lá fora o sol e a volúpia
De vivê-lo e amá-lo…

E a noite em mim, sempre a noite.

domingo, 1 de maio de 2011

OS LIVROS DA MINHA VIDA - III

" A LÃ E A NEVE" romance de Ferreira de Castro publicado em 1947, que relata a proletarização nas fábricas têxteis da Covilhã, mostrando a dura realidade da vida do povo, através do relato de Horácio, um pastor da Serra da Estrela que pretendeu melhorar a vida, após ter tomado contacto com outras realidades durante o serviço militar.

A Lã e a Neve, tem como grande figura moral e personagem central o velho anarquista Marreta.

A LÃ E A NEVE é, depois da SELVA, o mais traduzido romance do autor. E foi a SELVA que lhe granjeou grande fama internacional, sendo traduzido em várias línguas.

As obras de Ferreira de Castro encontram-se traduzidos em vários idiomas.

Ferreira de Castro nasceu no seio de uma família pobre.

Os estudos de Ferreira de Castro foram apenas os primários. A ida para a escola e as primeira impressões colhidas do mundo exterior, são confessadas nas suas MEMÓRIAS, e, pela memória que nos poderá a nós trazer, não resisto a transcrever: - Era de Inverno. Ia de chancas, friorento, enroupadito. Creio que foi minha mãe quem me acompanhou até meio do caminho. Não me recordo bem. Mas lembro-me, nitidamente, da minha entrada na escola. Lá estava, ao fundo, a secretária, instalada sobre um estrado, o Sr. professor Portela. Era gordo e de carne muito branca e fofa. No primeiro plano, as carteiras com os alunos chilreantes. Alguns conhecia-os cá de fora. mas tomavam, ali, para a minha timidez, o papel de inimigos........

Da LÃ E A NEVE, um romance absolutamente arrebatador, aqui vai um pequeno excerto: Os homens passavam os dias e as noites dentro das fábricas só saindo aos domingos, para esquecer o cárcere. Já não viam as ovelhas, nem ouviam os melancólicos tanger dos seus chocalhos nos pendores da serra, ao crepúsculo; viam apenas a sua lã, lã que eles desensugavam, cardavam, penteavam, fiavam e teciam, lã por toda a parte......

Ferreira de Castro é um enorme, imenso escritor português, nascido em Salgueiros da freguesia de Ossela, Oliveira de Azeméis. Faleceu no Porto, aos 76 anos de idade, em 29 de Junho de 1974. É hoje um escritor injustamente esquecido e muito menos lido. Mas acreditem que vale a pena ler Ferreira de Castro!

terça-feira, 26 de abril de 2011

MÃE

Foste uma Mãe!

Uma vida intensa de trabalho, de sacrifício, como foram sempre as vidas das nossas mães.

Em Abril nasceste, Abril viveste, em Abril morreste.

Sempre tudo deste e nunca nada para ti quiseste.

Uma vida de intensa solidariedade!

Uma saudade imensa me invade quando relembro o teu olhar melancólico, o teu olhar triste o teu olhar de Mãe.












Obrigado Mãe.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

FMI












"... os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro, mas os nossos gestores recebem, em média:

- mais 32% do que os americanos;
- mais 22,5% do que os franceses;
- mais 55 % do que os finlandeses;
- mais 56,5% do que os suecos" (dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09).

No entanto, parece que para a vampiragem, onde naturalmente se inclui o famigerado FMI, a única e principal preocupação é a de manter os salários de quem trabalha o mais baixo possíveis, é reduzir em 12 meses o apoio ao desemprego, é "congelar" o salário mínimo nacional; em suma é tornar mais difícil a vida de quem trabalha ou seja daqueles que já a têem tão difícil.

sábado, 16 de abril de 2011

O CÃO

O único ser que nunca a abandonou e decidiu morrer ao seu lado, foi o seu cão; este foi um facto que aqui já citado, quando abordei a SOLIDÃO. E é a propósito dos cães, mais precisamente sobre os cães na literatura, que hoje me proponho salientar algumas passagens de livros que falam sobre o fiel amigo (que bela e correcta designação). Na "ODISSEIA" de Homero (séc. IX-VIII a.c. ; "Odisseia" conta as aventuras do herói Ulisses, no seu regresso à ilha de Ítaca, depois de ter corrido o mundo) Ulisses, depois do longo exílio, volta a Ítaca disfarçado de mendigo, e é reconhecido apenas por Argos, o seu cão, já bem velho, sem forças para fazer mais do que abanar o rabo ao reencontrar o dono. Ulisses então chora, e as lágrimas provocadas pela saudação de Argos dão a medida da cumplicidade que parece possível apenas entre cães e homens. Nem mesmo Posêidon, com a sua fúria e poder, havia conseguido fazê-lo chorar. O belga Maeterlink (1862-1949), dramaturgo, poeta e ensaísta de língua francesa, e principal expoente do teatro simbolista: “Ele é o único ser vivo que encontrou e reconhece um deus incontestável, tangível, irrecusável e definitivo. Ele sabe a quem dedicar o melhor de si, sabe a quem se dar acima de si mesmo. Ele não precisa buscar uma força perfeita, superior e infinita nas trevas, as mentiras sucessivas, as hipóteses e os sonhos”. Napoleão (1769-1821), no "Memorial de Santa Helena", conta que percorreu um campo de batalha em Itália do qual os mortos ainda não haviam sido retirados. Um cachorro está ao lado do cadáver de seu dono, geme, lambe-lhe o rosto. "Nunca nada, em nenhum dos meus campos de batalha, me impressionou tanto", declara Napoleão, que afirmou, aliás, que a morte de um milhão de homens não era nada para ele. "Eu havia, sem emoção, ordenado batalhas, que deveriam decidir o futuro do exército; havia visto, com o olho seco, serem executados movimentos que levariam à perda de muitos entre nós; e aqui eu ficava emocionado, ficava perturbado pelos gritos e pela dor de um cão!...". O cão é uma personagem frequente nos romances de José Saramago (1922-2010). É o caso do cão que lambia as lágrimas no "Ensaio sobre a Cegueira" ou das aparições do vira-lata na "História do Cerco de Lisboa" como no trecho a seguir: "O cão não se movera, apenas deixara descair a cabeça, o beiço rente ao chão. As costelas salientes, como de cristo crucificado, tremem-lhe nos encaixes da espinha, este animal é um rematado idiota, com a teima de viver nas Escadinhas de S. Crispim onde tem passado fomes de rabo, desprezando as abundâncias de Lisboa, Europa e Mundo (...)". Não esquecendo o Nero dos "BICHOS" de Miguel Torga que entrava pela cozinha e se ia deitar, junto ao lume, entre os braços balofos da sua Dona Sância.......