segunda-feira, 18 de maio de 2020

"DIÁRIO Vols. XI e XII" - MIGUEL TORGA - LEITURAS 2020 - XIII


Mito de Sísifo: Diário Vols. I e II - Miguel Torga

SE CANTASSE

Se cantasse, talvez o coração
Sossegasse no  peito.
Mas vou perdendo o jeito
De cantar.
A vida, devagar,
Leva-nos tudo,
E deixa-nos na boca o gosto de ser mudo.

-Miguel Torga era de pedra por fora mas de algodão por dentro-

Gosto de ler diários e memórias de escritores e estes Diários, Vols. XI e XII, de Miguel Torga são um manancial de memórias, de literatura, de poesia e de muitos outros aspectos da vida portuguesa; e que bem os relata este grande escritor português!

Como se sabe, Miguel Torga é o pseudónimo literário do médico Adolfo Correia da Rocha.

Nasceu em S. Martinho da Anta (Trás-os-Montes) em 12 de Agosto de 1907 e faleceu em Coimbra em 17.01.1995.

Aos dez anos foi para uma casa apalaçada de familiares, no Porto, onde é um criado para todo o serviço. Contudo, devido à sua insubmissão, foi despedido um ano depois.

Teve seguidamente uma breve passagem pelo Seminário de Lamego mas não querendo ser padre, como disse ao seu pai, emigrou aos treze anos para o Brasil tendo aí trabalhado numa fazenda de café do tio, em Minas Gerais, até aos dezoito anos, O tio, querendo compensá-lo por estes anos de árduo trabalho, dispôs-se a pagar-lhe os estudos e por isso regressa a Portugal licenciando-se pela Faculdade de Medicina, em 1933.  

E em Coimbra exerce clínica durante mais de seis décadas.

Publicou mais de cinquenta livros e foi várias vezes indicado para o Prémio Nobel da Literatura.

Gosto dos seus diários pois em todos, os que li até agora, se afirma, de modo mais ou menos explícito, a vontade de preservar a pureza do ambiente natural.

Nos seus Diários (publicados de 1941 a 1987), estes vols. XI e XII, entre 1968 e 1977, encontramos, em prosa e em verso, admiráveis textos de variada espécie: reflexões culturais do mais longo alcance, lúcidos e pungentes instantâneos de vida quotidiana; corajosas tomadas de posição no campo ideológico; fulgurantes análises da alma e da paisagem portuguesas; apontamentos de deambulações além-fronteiras; belíssimos poemas (como o que acima reproduzo). 

Em suma, é sempre um prazer a leitura dos diários deste grande escritor e grande poeta português, e estes Vols. XI e XII não foram excepção. 

Foi, entre muitas outras honras, distinguido com o Prémios Camões em 1989.


Língua Portuguesa: 10 brilhantes poemas de Miguel Torga | VortexMag
Miguel Torga  -  1907 - 1995
  

sublinhei:

-(pág.23)   -   Leve tudo a sério na vida, mas não se leve a sério a si

-(Pág.35)   -  As pessoas confundiram no meu temperamento modéstia com orgulho, pudor com egoísmo, franqueza com agressividade, desinteresse com estratégia.



3,5 - interessante

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quinta-feira, 30 de abril de 2020

"COMO UM ROMANCE" - DANIEL PENNAC - LEITURAS 2020 - XII

Como Um Romance - Livro De Bolso

"Como um Romance" - delicia-nos a contrariar todas as ideias feitas sobre o prazer de ler e sobre os valores da escrita.

É sublinhado neste livro delicioso, de capítulos curtos e de apenas 180 páginas, que a leitura deve ser um prazer e os leitores de hoje têm de usufruir de alguns direitos inalienáveis.

A profunda originalidade de "Como um Romance" está na forma ao mesmo tempo muito divertida e muita séria com que o autor aborda a questão central de que dependem tanto o destino do livro como o destino da cultura e da educação. 

Claro que muito haveria para dizer sobre o viciado em livros, que não só gosta de livros como os admira na estante, folheia-os com regularidade, obviamente que, como dizia Eduardo Prado, certamente mais de 70% dos livros que possui ainda os não leu. 

O viciado em livros, normalmente possui vários exemplares de vários títulos, adora falar dos livros que acaba de ler. 

Mas nem só de livros vive o bibliófilo, ele também junta marcadores de livros, não os colecciona, junta-os. 
O bibliófilo adora fazer listas, dos livros lidos, dos livros não lidos, dos que pretende adquirir, mas fica muito chateado quando começa a ler um livro no qual depositava muitas expectativas e o não consegue acabar largando-o com a intenção de mais tarde o recomeçar (o que raramente acontece).

Eis, segundo Pennac, em matéria de leitura os direitos do leitor:
  1. O direito de não ler
  2. O direito de saltar páginas
  3. O direito de não acabar um livro
  4. O direito de reler
  5. O direito de ler não importa o quê 
  6. O direito de amar os "heróis" dos romances
  7. O direito de ler não importa onde
  8. O direito de saltar de livro em livro
  9. O direito de ler em voz alta
  10. O direito de não falar do que se leu
É um livro para todos os que gostam de ler e também para os que não gostam!


Daniel Pennaccioni, Pennac, romancista | Trocando em Miúdos
Daniel Pennac - Casablanca-Marrocos  1948


sublinhei:

-(pág.56)   -   geralmente conseguimos mais depressa e com mais garantias, o que não nos apressámos em obter.



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terça-feira, 21 de abril de 2020

MARYA UMA VIDA - JOYCE CAROL OATES - LEITURAS 2020 - XI


Xis.pt

Poucos se podem igualar a esta escritora americana em intensidade, profundidade e paixão. Esta é uma qualidade, um dom que sempre me maravilhou nos seus livros.

Um fatídico incidente, nunca completamente esclarecido, deixa Marya orfã de pai e desamparado face ao comportamento irresponsável de uma mãe alcoólica que depois a abandona. Este acontecimento converte-se num ponto de referência fundamental na vida de Marya: nada será jamais tão intenso como a força dessa recordação.

Adoptada pelos tios, irá crescendo com ela uma aguda consciência de hostilidade do mundo, a violenta e marcante iniciação sexual (forçada) com o seu primo Lee.

O reencontro com a mãe muitos anos mais tarde, surge a Marya como um ponto aberto à esperança, um desafio inevitável, o risco que tem de correr para conseguir libertar-se dos seus conflitos interiores  —este reencontro, para grande pena minha, é assunto que, penso eu, deveria ser abordado com mais intensidade e não ao de leve como realmente aqui acontece —  

Romance de carácter marcadamente autobiográfico, Marya Uma Vida (1986) é uma comovente recapitulação da história de uma verdadeira heroína dos tempos modernos, de uma infância humilde e obscura até à sua consagração como intelectual brilhante.

Aquilo de que mais gosto nesta escritora está neste livro, já que Joyce Carol Oates envolve-nos no seu universo particular de uma América povoada de monstros, alucinada pelo sangue, pelo crime e pela rejeição. Este clima das gentes da profunda América é fascinante.

Joyce Carol Oates - grande escritora!

Joyce Carol Oates - Joyce Carol Oates promove "Palavras do autor para viver perto" de CAROLEE
Joyce Carol Oates - Lockport - Nova Iorque  1938

retive:

 (pg. 214) - "Sabiam, por exemplo, que a mulher de Freud, Martha, era uma dona de casa e do marido tão compulsiva, tão atenta ao seu génio a ponto de lhe pôr todos os dias a pasta de dentes na escova"



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sábado, 11 de abril de 2020

"TEMPO DE CATANAS" - JEAN HATZFELD - LEITURAS 2020 - X

Tempo de Catanas - Livro - WOOK


Entre Abril e Julho de 1994, foram massacrados no Ruanda 800.000 tutsis —homens, mulheres e crianças — retalhados até à morte, uma a uma, pelos hutus.
Foi um genocídio que seguiu uma estratégia delineada ao pormenor.

Representando cerca de 15% dos ruandeses, os tutsis foram favorecidos pelos colonizadores belgas e dominaram até à independência em 1962. Depois, os hutus procuraram sempre controlar o poder, tendo de enfrentar no início da década de 1990 uma guerrilha tutsi que os desafiava e foi essa guerrilha que depois (da matança) conseguiu derrotar os genocidas.

Neste livro, o jornalista e repórter de guerra Jean Hatzfeld, dá a palavra a um conjunto de assassinos hutus que tentaram exterminar os seus compatriotas tutsis. E são os mecanismos deste genocídio que o autor nos revela. São os relatos sobre o que se passou na cabeça dos homicidas durante as poucas semanas em que decorreu o genocídio.

Em depoimentos alucinantes, nas suas próprias palavras, homens vulgares contam a banalidade de um impensável horror, confrontando o leitor com a inexplicável violência de que o ser humano é capaz.

Estes depoimentos foram recolhidos na prisão, procurando o autor as raízes desse genocídio nas palavras dos executantes do crime. Já condenados e nada tendo a perder estes falam livremente das razões que os levaram a matar de forma sistemática, um a um, os vizinhos, os antigos colegas de escola, aqueles com quem partilhavam o trabalho e inclusivamente a mesma religião católica.

Uma lição de história sobre a barbárie que decorreu no nosso tempo.

Um livro alucinante. 


   Jean Hatzfeld, de retour au Rwanda aux côtés d' Engelbert - A l ...



Anotei:

(pg. 164)  -  há actos por causa dos quais somos condecorados, e formos os vencedores, e enviados para o cadafalso, se formos os vencidos.


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sexta-feira, 3 de abril de 2020

"ALGUMAS DISTRACÇÕES" - FRANCISCO JOSÉ VIEGAS - LEITURAS 2020 - IX


Algumas Distracções - Livro - WOOK


Francisco José Viegas é o actual director da revista LER.
É jornalista, colunista de diversos jornais e revistas.
É um homem culto, escreve bem e eu gosto de o ler.

"ALGUMAS DISTRACCÕES" é uma colectânea de textos provenientes dos blogs AVIZ, entretanto encerrado, e A ORIGEM DAS ESPÉCIES.

São pequenos (e atraentes) textos de coisas gerais, por ordem alfabética de acordo com o tema abordado, seja matéria literária, política, futebol ou outras distracções quotidianas. 

Interessante, fácil de ler e, sobretudo, fala de muita coisa, isto apesar de alguns temas, nomeadamente do futebol, poderem estar ultrapassados e certamente só do gosto de quem se interessa pelas coisas da bola.

Dentre muitos outros fala-se de Álvaro Cunhal, Apito Dourado, Arrastão de Carcavelos, Barry White, Cavaco, Cesariny, Dinis Machado, Einstein, Figo, Gerações, Harold Bloom, Idiotas, James Joyce, Laranja Mecânica, Naide Gomes, Optimismo e muitos mais assuntos interessantes. 

Crónicas de Francisco José Viegas: Maio 2007
 
Li e anotei:

(pg. 92)  -  Há uma diferença entre conhecimento e informação. 


(p.191)  -  compreender não é concordar, tal como discordar não significa não compreender.



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sexta-feira, 27 de março de 2020

"O ESCAFANDRO E A BORBOLETA" - JEAN-DOMINIQUE BAUBY - LEITURAS 2020 - VIII


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Um livro escrito com os olhos.

No dia 8 de Dezembro de 1995, um acidente vascular mergulhou Jean-Dominique Bauby num estado de coma profundo. Quando dele emergiu, todas as suas funções motoras se haviam deteriorado, pois fora atingido por aquilo a que a Medicina chama "locked-in syndrom" (literalmente: fechado no interior de si próprio), ficando por isso totalmente paralisado, e só o seu cérebro e a sua pálpebra esquerda eram excepção ficando assim condenado a viver como um vegetal.

Sabia-se que o seu cérebro estava intacto, mas os médicos não acreditavam que um dia fosse possível que ele estabelecesse qualquer tipo de comunicação minimamente elaborada com o exterior.

E inicialmente, apenas o ensinaram a dizer sim e não com a pálpebra —uma piscadela queria dizer "sim", duas "não"—

Um dia, uma ortofonista (especialista em métodos de reeducação verbal e da voz) olhou bem para ele e para os seus movimentos com a pálpebra esquerda. E percebeu que seria possível estabelecer, com relativa facilidade. um contacto inteligente.
E com a ajuda de um alfabeto especial (conhecido em França com o nome de ERSATUIL) e através de 200 mil piscadelas de olho escreveram um livro que é uma reflexão sobre a vida. 

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Um livro que nos descreve o que só ele via o que só ele ouvia, as pessoas que dele tratavam, o enfermeiro que lhe apagava a televisão a meio de um jogo de futebol do seu clube que seguia com todo o fervor, os comentários do enfermeiro que entrava no quarto como se ninguém lá tivesse, o que lhe dizia bom dia sempre com o mesmo tom e sempre sem o ver...

Quatro dias depois do início da distribuição do livro, o jornalista Jean-Dominique Bauby, faleceu aos 45 anos de idade.

Na altura da morte do autor desta obra, o jornalista Daniel Ribeiro correspondente do jornal Expresso em Paris, escreveu: 
Até ao dia em que sofreu o derrame que o paralisou, Jean-Dominique Bauby era um homem de acção. Andava de moto, frequentava os circuitos da Formula 1, conduzia a alta velocidade e, mundano, bebia e gostava de conversar e de frequentar bares na moda. Adorava Paris e Nova Iorque e florestas tropicais. Era chefe de redacção da revista "Elle" desde 1994. Antes, tinha sido jornalista no "Combat" e no "Quotidien de Paris", chefe de redacção do "Matin de Paris" e editor da secção cultural do "Paris Match".

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Jean-Dominique Bauby com os filhos

 -sublinhei: 

- (da pág. 137) - As portas do BMW fecham-se suavemente. Disseram-me um dia que os bons carros se reconhecem pela qualidade desse som.



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sábado, 21 de março de 2020

"DIÁRIO DE ANNE FRANK" - LEITURAS 2020 - VII

diarioannefrankxs


Este é um dos livros mais lidos de sempre, sobre a tragédia da jovem judia holandesa que, entre 1942 (tinha então 13 anos) e 1944, foi acolhida, com a família, num sótão e que deixou os seus pensamentos escritos neste diário, em que regista os últimos 14 meses de tormento vividos com os pais e a irmã mais velha num anexo clandestino de Amesterdão, às escondidas das autoridades hitlerianas.

O esconderijo foi descoberto por denúncia, só que nunca se apurou ao certo quem foi o autor da denúncia que levou à descoberta do refúgio. Recentemente um estudioso sobre Anne Frank sustenta que o denunciante terá sido um sócio de Otto Frank, o pai de Anne. Mas outros historiadores aventam outros nomes.

Anne Frank e os restantes sete "mergulhados" (assim se chamavam aos que se mantinham escondidos da fúria nazi) foram descobertos e enviados para campos de concentração. O pai sobreviveu mas Anne e sua irmã morreram em Março de 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen (norte da Alemanha), dois meses antes da libertação da Holanda.

Já havia lido este livro há mais de dez anos e é um livro que toda a gente deveria ler. 

É um livro importante!

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-sublinhei: 

- (da pág. 12) - As lágrimas humanas são as mesmas em todos os seres humanos e em todas as partes do mundo

- (da pág. 115) - É sempre melhor não adiar o que tem de se dizer


4 - bom

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quarta-feira, 11 de março de 2020

"LIVRARIAS" - JORGE CARRIÓN - LEITURAS 2020 - VI

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Uma pequena viagem pelas maiores e mais antigas livrarias do mundo.

Por exemplo, a mais antiga de Itália, a LIBRERIA BOZZI foi fundada em 1810 e continua aberta, o seu primeiro proprietário foi um sobrevivente da Revolução Francesa, chamava-se António Beuf.

A mais antiga do mundo é, segundo o Record Guiness, a Livraria Bertrand, em Lisboa. 

A Livraria Lello, do Porto, cujas origens remontam a 1881, foi fundada com o nome Livraria Internacional de Ernesto Chardron, na Rua dos Clérigos, foi depois rebaptizada como Sociedade José Pinto Sousa Lello & Irmão, estabelecendo-se na Rua do Almada. Finalmente em 1906, a livraria receberia o seu nome definitivo, Livraria Lello & Irmão, com a construção do edifício actual —entre neogótico e art deco—

                                                     Livraria Lello - Porto


Resultado de imagem para livraria lello portoLivraria Lello, Porto, Portugal - #oporto #porto #portugal #lello A Livraria Lello é considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo.  Já visitei várias vezes a cada visita à cidade do Porto.  Nesta última visita, fiquei surpreendido com a notícia de que a entrada era paga.  O preço da entrada pode, no entanto, ser deduzido do preço da compra de qualquer livro.  A Livraria Lello é considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo.  Eu o visitei várias vezes toda vez que visito o Porto.  Nesta última visita, fiquei surpreso com a notícia de que a entrada foi paga.  O preço do bilhete pode, no entanto, ser deduzido do preço da compra de qualquer livro.


Num misto de ensaio e livro de viagens, Jorge Carrión cria uma possível cronologia do desenvolvimento das livrarias e do que elas representam, não apenas como actividade económica mas sobretudo como mitos culturais, centros de tertúlia e de debate político, ou lugares para a troca de ideias e refúgio dos solitários.

Nestas páginas nomes míticos desfilam como emblemas da melancolia e de conforto, como a Bertrand do Chiado lisboeta, as parisienses La Hune ou a mítica Shakespeare & Co., Lello (Porto), entre muitas outras.

                               Livraria Bertrand - Lisboa - a mais antiga do mundo  (1732)








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Motivado pelo tema, esperava eu que fosse uma viagem fascinante ao coração dos livros mas devo confessar que, talvez porque as minhas expectativas eram muito altas, senti alguma frustração pois o livro será, talvez, demasiado condensado e, na minha modesta opinião, pouco esclarecedor (por vezes até maçador), e, repito, se as minhas expectativas eram altas...talvez daí esta pequena desilusão. 

Em bom português, e o Jorge Carrión que me perdoe, mas aqui talvez o autor tenha tido mais olhos que barriga...   



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Jorge Carrión - n. Tarragona-Espanha-1976

 Li e retive: 

 - (pg.76) - Oscar Wilde morreu na capital francesa, sumido na indigência


- (pg. 225) - A FNAC nasceu em 1954 como uma espécie  de clube literário de espírito socialista


- (pg. 233) - A primeira edição da Reader's Digest saiu em Fevereiro de 1922


- (pg. 262) - A Ler Devagar é, actualmente, a livraria com mais livros em Portugal





2 - li, mas não me cativou

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quarta-feira, 4 de março de 2020

"UMA ABELHA NA CHUVA" - CARLOS DE OLIVEIRA - LEITURAS 2020 - V

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"UMA ABELHA NA CHUVA" é o nº. 13 da nova Colecção Miniatura dos Livros do Brasil e foi o último volume publicado desta interessante e bonita colecção. 

Sei lá há quantos anos ando para ler este livro de Carlos de Oliveira, que nasceu em Belém do Pará, filho de pais portugueses emigrados no Brasil. Tinha apenas dois anos quando a família regressou a Portugal.

Um bom livro que nos conta a história de Álvaro Silvestre que vive um casamento falhado e estéril, gerado pela conveniência de antigos interesses familiares, na pequena aldeia de Montouro, espaço provinciano onde todas as biografias se cruzam, se intrometem umas nas outras. 

Num Outono chuvoso e lamacento, as vidas dos protagonistas de uma "Abelha na Chuva" afundam-se num ciclo trágico de mentiras, vingança e amores frustrados, que põe a nu a estrutura social de um Portugal pobre, desamparado, do século XX. 

Lançada em 1953, esta é uma obra incontornável do neorealismo português e um livro que li com muito interesse.




Resultado de imagem para Carlos de Oliveira escritor
Carlos de Oliveira - Belém do Pará-Brasil- 1921-1981


-sublinhei (da pág. 31): - Se as orações dos cães chegassem ao céu choviam ossos



4 - bom

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domingo, 1 de março de 2020

"TUDO O QUE NÃO ESCREVI" - DIÁRIO I - EDUARDO PRADO COELHO - LEITURAS 2020 - IV

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Eduardo Prado Coelho era um "tudólogo", como já o ouvi designar por alguns escritores, nomeadamente pela bonita escritora Patrícia Reis, que às 4ª.s feiras, às 23h, oiço com frequência na Antena Um, com as suas amigas e igualmente belíssimas escritoras Rita Ferro e Inês Pedrosa e ainda Ana Daniela Soares, no programa "A páginas tantas", o único programa (excelente) sobre literatura de que tenho conhecimento na nossa Rádio, e do qual sou ouvinte assíduo.

Eduardo Prado Coelho não era propriamente um desconhecido para mim, pois lia sempre com muito interesse as suas crónicas jornalísticas e até já tinha lido um livro seu (agora não me lembro do título). 
Infelizmente, esta edição deste seu Diário I, de "Tudo o que não escrevi", edição da ASA, que requisitei numa Biblioteca Pública, tem (a meio do livro e às vezes intercaladamente) cerca de vinte páginas totalmente em branco que, certamente por lapso (quiçá até por desleixo), não foram impressas e, como facilmente se deduz, há assim longos trechos do livro que ficaram completamente destruídos.

Contudo, do que li, não deixei de gostar, até porque gosto de diários e a referência a personagens como Baptista Bastos, Vergílio Ferreira, Luís César Monteiro interessaram-me sobretudo.

Por exemplo, esta passagem referente ao João César Monteiro parece-me genial:
  - O João César será sempre o indivíduo que tendo matado o pai e a mãe, chega ao tribunal e diz: "Perdoe-me, Senhor Doutor Juiz, que eu sou um orfãozinho"; e outras passagens muito engraçadas como, por exemplo, sobre Luiz Pacheco, Vasco Pulido Valente e outros personagens interessantes.

Retive ainda esta sua brilhante análise sobre o que era a sua biblioteca particular: 
-"a minha biblioteca só seria uma realidade tranquilizante se obedecesse à regra muito simples de conter tantos livros por ler quanto os livros que nela já li."

Não fora o facto deste Diário I estar "bombardeado" do modo que já salientei e diria que a leitura do mesmo tinha sido óptima, assim...a leitura do Diário II ficará para segundas núpcias.  


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Eduardo Prado Coelho  1944-2007


3 - razoável

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

"MARIA ADELAIDE COELHO DA CUNHA - DOIDA NÃO E NÃO" MANUELA GONZAGA - LEITURAS 2020 - III



A prepotência, a malvadez, a tirania estão bem expressas neste excelente documento muito bem escrito por esta autora que eu desconhecia (Manuela Gonzaga). Aqui são retratadas e postas a nu figuras preponderantes da alta sociedade da época e que encaixavam em si a malvadez, que com o seu poder conseguiram (à força) internar num manicómio uma mulher saudável de corpo e mente. Para grande espanto meu (ou não) uma dessas pessoas foi o nosso primeiro Nobel, o Dr. Egas Moniz que juntamente com os poderosos alienistas da época (médicos especializados em doenças mentais) Júlio de Matos e Sobral Cid, assinaram, a troco de privilégios (de classe) e monetários, um documento comprovando a loucura desta mulher, utilizando, entre outros, o argumento climatério (idade crítica) para declarar Maria Adelaide Coelho da Cunha "degenerada hereditária, na qual se vem manifestando em relação com a menopausa, graves perturbações dos afectos  e dos instintos que a privam e capacidade civil para reger a sua pessoa e administrar os seus bens."

Os factos relevantes têm início em Novembro de 1918: era uma vez uma senhora muito rica (Maria Adelaide Coelho da Cunha, filha mais velha e herdeira do fundador do Diário de Notícias, o jornalista Eduardo Coelho) que fugiu de casa, trocando o marido, escritor e poeta, por um homem (Manuel Cardoso Claro) que, ao contrário do rude e déspota do marido, sempre a tratou digna e carinhosamente, com consideração e amor. Tinha quarenta e oito anos, pertencia à melhor sociedade portuguesa. O homem com quem esta senhora se mudou, de um palácio lisboeta para um modestíssimo andar em Santa Comba Dão, tinha praticamente metade da sua idade e fora seu motorista particular. 

É mais do que um livro é um documento comprovando excelentemente aonde poderá chegar a prepotência de certas pessoas poderosas que usam o seu poder para levar por diante os seus infames objectivos. E é, acima de tudo, o testemunho da vontade indómita de uma mulher que tudo arriscou por amor. 

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

"ÚLTIMO CADERNO DE LANZAROTE" - JOSÉ SARAMAGO - LEITURAS 2020 - II

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Já me tinha deliciado com os cinco volumes dos "Cadernos de Lanzarote" - este, embora no título não tenha a indicação de que seja o 6º. volume, creio que se insere na categoria dos referidos cinco e poder-se-à considerar como o sexto dos Cadernos de Lanzarote.  Ao título ainda se acrescenta um chamamento "o diário do ano do Nobel", que é mais um apelativo para a sua leitura.

Gosto de diários e devo salientar que os referidos cinco volumes dos "Cadernos de Lanzarote" estão dentro daqueles belos livros, bela escrita do nosso Prémio Nobel.
E este "Último Caderno de Lanzarote" também tem o "selo" do grande escritor, integrando este relato diarístico elementos da agenda do escritor, artigos da revista Visão, cartas e discursos sobre a sua obra.

Os sublinhados são quase uma constante nos livros de Saramago, e este não escapa, por exemplo: 

-"O tempo tem razões que os relógios desconhecem, para o tempo não existem o antes e o depois, para o tempo só existe o agora", ou 

-a referência à matança de Acteal, ocorrida em 22 de Dezembro de 1977, e consistiu na chacina de 45 indígenas no estado mexicano de Chiapas (estado do sul do México, na fronteira da Guatemala, que não poupou crianças nem velhos nem mulheres)

-o urinol, que alguém considerou como uma obra de arte, a que Marcel Duchamp deu o nome de Fonte (dupla contradição: sendo, como é, receptáculo um urinol é precisamente o contrário de uma fonte).

E muitas, muitas outras referências a situações que desconhecia e que, repito, me deliciaram.


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José Saramago  -  1922-2010

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

"NA FLORESTA" - EDNA O'BRIEN - LEITURAS 2020 - I

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Há quanto tempo não lia um livro que me entusiasmasse tanto?

Um livro para o qual partimos sem qualquer expectativa e de repente estamos totalmente embrenhados em cada página sentindo a satisfação do que é o prazer da leitura — há quanto tempo?
  
Este é realmente um livro daqueles em que estamos sempre ansiosos de passar à página seguinte para saber o que se vai passar —e isto aconteceu-me precisamente com o primeiro livro que li em 2020—.

"NA FLORESTA" , da irlandesa Edna O´Brien, nascida em 1930, foi-me recomendado por um amigo que, no que respeita a livros, tem mais ou menos os mesmos gostos do que eu e mais uma vez tal se confirmou. 

Baseado num caso real que chocou a Irlanda dos anos 90.

"Na Floresta" conta-nos a história do regresso de Mick O´Kane a casa. Órfão violento e perturbado, tratado desde criança por todos como um bicho-papão, ninguém na pequena comunidade onde cresceu consegue lidar com ele. Até que uma jovem mãe e o seu filho de quatro anos desaparecem na floresta.

"Na Floresta" arrasta o leitor para o interior da mente psicótica de um assassino, compondo um retrato chocante e compassivo da solidão, do desespero da carência e da violência.

É um excelente livro de uma magnífica escritora, que não conhecia.

Li-o de um fôlego! 
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Edna O´Brien- Irlanda  1930


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

LEITURAS 2019 - BALANÇO

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2019 não foi um ano de muitas leituras, foram vinte e seis livros lidos, uns cinco ou seis de que realmente gostei bastante, mas não "apanhei" nenhum daqueles a que poderei referir como obra-prima. 

Algumas desilusões, nomeadamente num livro que tinha comprado já há uns anos e sobre o qual depositava grandes expectativas "Homem Invisível" de Ralph Ellison. 

Philippe Claudel continua a não me desiludir, li mais um belíssimo livro dele ("O Relatório de Brodeck"), e também gostei imenso das longas viagens de João Céu e Silva com os escritores José Saramago, António Lobo Antunes e Miguel Torga. 
Outro excelente livro que li em 2019 foi "Morte dum Caixeiro Viajante".  

Eis, começando pelos que mais gostei, os livros que li em 2019, com a respectiva pontuação de 1 a 7:



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  1. "O Relatório de Brodeck"  -  Philippe Claudel   -  4
  2. "Um longa viagem com António Lobo Antunes"  -  João Céu e Silva  -  4
  3. "Morte dum Caixeiro Viajante" - Arthur Miller  -  4
  4. "Uma longa viagem com José Saramago"  -  João Céu e Silva  -  4
  5. "Em tudo havia beleza"  -  Manuel Vilas  -  4
  6. "O Fantasma sai de cena" -  Philip Roth  -  4
  7. "Nunca dancei num coreto"  -  Maria Filomena Mónica  - 3,5
  8. "Sul profundo"  -  Paul Theroux  -  3,5
  9. "O diário secreto de Hendrik Groen aos 83 anos e 1/4"   -  3,5
  10. "Quando os tontos mandam"  -  Javier Cercas   -  3,5
  11. "Manual de Pintura e Caligrafia"  -  José Saramago   -  3,5
  12. "Nos mares do fim do mundo"  -  Bernardo Santareno   -  3.5
  13. "Uma longa viagem com Miguel Torga"  -  João Céu e Silva  -  3,5
  14. "Soldados de Salamina"   - Javier Cercas    -   3,5
  15. "Lá fora" -  Pedro Mexia  -   3,5
  16. "Manobras de Guerrilha-Pugilistas, Pokemons & Génios- Bruno Vieira Amaral - 3
  17. "Judas, o obscuro"  -  Thomas Hardy  -  3
  18. "Os vícios dos escritores"  -  André Canhoto Costa   -   3
  19. Diário - Vols. IX e X"  -  Miguel Torga   -  3
  20. "Os cães ladram"  -  Truman Capote   -   3
  21. "Contos"  -  Vergílio Ferreira  -  3
  22. "Contos Argentinos"   -  vários autores  -   2
  23. "Porto-Sudão"  -   Olivier Rolin  -  2
  24. "Homem Invisível"  -  Ralph Ellison   -   2
  25. Viagem Marítima com Dom Quixote"   -   Thomas Mann   -   2
  26. "No bosque do espelho"   -  Alberto Manguel  -  2 



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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

"O FANTASMA SAI DE CENA" - PHILIP ROTH - LEITURAS 2019 XXVI

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Este foi o último livro que li em 2019 (o vigésimo quinto). Aliás, é uma releitura pois já o havia lido em 2010, mas já não me lembrava de nada.  

Philip Roth é um dos meus escritores favoritos e este é mais um bom livro, mas "A Pastoral Americana" foi o que mais gostei.

"O Fantasma sai de cena" é um excelente retrato sobre a velhice, sobre a solidão. Nathan Zuckerman, o personagem habitual dos seus livros, vive sozinho na sua montanha da Nova Inglaterra, sem vozes, sem jornais nem televisão, sem ameaças terroristas, sem mulheres, sem notícias, sem outras ocupações que não fossem trabalhar (é escritor) e enfrentar a velhice. 

Nathan decidiu voltar a Nova Iorque, a cidade que abandonara há onze anos. Percorrendo as ruas como uma alma penada, depressa estabelece relações que fazem explodir a sua solidão tão cuidadosamente protegida. Uma é com um jovem casal com quem combina permutar a sua casa na montanha com o apartamento destes em Nova Iorque. 

É, como se pode ler na contracapa, mais um testemunho do que têm de incomparável o estilo e os temas de Roth e um salto surpreendente para uma nova fase na insaciável entrega deste grande escritor à ficção. 

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Philip Roth  -  EUA  1933-2018

Li e retive:    
  -...senti-me por momentos como Rip Van Winkel (o nome de um conto, publicado em 1819, sobre uma personagem homónima escrito por Washington Irving, personagem que, quando ao cabo de vinte anos a dormir, desceu das montanhas e voltou para a sua aldeia convencido de que só tinha passado uma noite fora. Só quando inesperadamente sentiu na mão a barba comprida e grisalha que lhe crescia do queixo percebeu que tinha passado muito tempo e ficou a saber que já não era um súbdito colonial da Coroa Inglesa mas sim um cidadão dos recém-fundados Estados Unidos) 


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domingo, 5 de janeiro de 2020

"LÁ FORA" - PEDRO MEXIA - LEITURAS 2019 - XXV

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Tudo o que me venha à mão e seja escrito por Pedro Mexia eu leio!

Gostava de escrever assim tão bem e tão simples!

Este livro de crónicas de Pedro Mexia foram, na sua maioria, publicadas no jornal Expresso entre 2011 e 2017.

Tal como se pode ler na contracapa "Lá fora" não é um livro sobre viagens demoradas a lugares exóticos, passeios venturosos a altas montanhas ou selvas escuras, ou grandes temporadas em metrópoles sofisticadas; aqui, mais do que lugares físicos onde tenha estado, Pedro Mexia escreve sobre lugares mentais. Há os teatros e as livrarias de Londres, mas também "Paris, Texas" de Wim Wenders. Há a Lisboa das Avenidas Novas e do Chiado, mas também as viagens de liteira de Camilo Castelo Branco. Há os Verões da infância na Figueira da Foz, mas também a ilha grega de Leonard Cohen. Deambulando por geografias de espécie diferente, Mexia descreve lugares por onde passou e que, de alguma forma, não esqueceu.

Pedro Mexia é realmente um talentoso cronista com olhar certeiro e prosa afiada, que leio sempre com muito interesse. É sóbrio, é contido e tem talento!


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Pedro Mexia  - Lisboa  1972
   
Li e anotei;

-KIPÁ (QUIPÁ)  -  é o chapéu, boina, touca ou outra peça de vestuário utilizada
pelos judeus tanto como símbolo da religião como símbolo de temor a Deus. 


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