sábado, 16 de fevereiro de 2019

"CONTOS" - VERGÍLIO FERREIRA - LEITURAS 2019 - III

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Os 26 contos aqui reunidos abrangem uma diversidade de temas bem característicos da obra de Vergílio Ferreira.

Divagações filosóficas marcam cada um dos contos, onde o existencialismo e o drama quase sempre estão presentes.
São contos pequenos, não mais de 5/6 páginas cada um.

Dizia Vergílio Ferreira:
"Escrever contos foi-me sempre uma actividade marginal e eles relevam assim um pouco da desocupação e do ludismo. E se um conto (como uma cerâmica ou uma gravura), bem realizado, excede em importância um mal realizado romance (ou um quadro a óleo) será sempre um conto, ao que julgo, de uma dimensão menor que a dum romance."


Na minha opinião, destes 26 contos, alguns, não mais de seis ou sete, são bons, os outros nem por isso, acho que, como o autor salientou, não se comparam aos seus romances, não que os não tivesse trabalhado com o mesmo afã dos romances mas um conto é um conto sempre inferior à dimensão de um romance.

Nalguns vem ao de cima o seu grande sentido de humor que tive oportunidade de saborear no seu espectacular "conta-corrente", em 9 volumes, absolutamente imperdível.

Vergílio Ferreira é um dos grandes escritores da língua portuguesa!  

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

"PORTO-SUDÃO" - OLIVIER ROLIN - LEITURAS 2019 - II



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Foi este o último livro, o nº. 10, publicado na interessante colecção Miniatura dos Livros do Brasil — bonitos livros —.

Creio que se poderá dizer que esta é uma colecção retomada, e não reeditada porque agora são outros os  títulos editados; e digo isto porque, por exemplo, tenho o nº. 6 da colecção antiga (O terceiro homem-Graham Greene) que comprei num alfarrabista e tem uma dedicatória, certamente do dono inicial, com uma data (1951), enquanto que o mesmo nº. 6, desta nova colecção, é "História do Bom Deus" de Rainer Maria Rilke.

Este nº. 10, "PORTO-SUDÃO" de Olivier Rolin, que acabei de ler, não me entusiasmou (nem me decepcionou), apesar de ter uma história interessante e com personagens muito bem imaginadas. Contudo, estas personagens ocupam muito pouco da história, porventura não mais de 10% das suas noventa e cinco páginas e, talvez por isso, o autor não me tenha ganho. 

Há neste livro muita melancolia, onde se fala muito da morte, do luto, da depressão. 

Deste autor nascido em França, com muitos anos de África, que esteve recentemente em Lisboa, quero ver se leio "O Meteorologista".

"Porto-Sudão" foi o primeiro livro que li deste escritor francês que completará 72 anos de idade no próximo mês de Maio.


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Olivier Rolin - França - 1947


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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

"CONTOS ARGENTINOS" - LEITURAS 2019 - I


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Foi este o primeiro livro que li em 2019.

São nove contos de autores argentinos (finais séc. XIX e princípios séc. XX), seleccionados e apresentados pelo escritor argentino Jorge Luís Borges (ao que dizem o maior — confesso a minha ignorância sobre o porquê de tal título— os dois livros que dele li não deram, longe disso, para confirmar tal grandiosidade)

Autores seleccionados: 
  1. Leopoldo Lugones (1874-1938)
  2. Adolfo Bioy Casares  (1914-1999)
  3. Arturo Cancela  (1892-1957)
  4. Pilar de Lusarreta   (1914-1967)
  5. Júlio Cortázar  (1914-1984)
  6. Manuel Mujica Láinez   (1910-1984)
  7. Silvina Ocampo   (1906-1993)
  8. Frederico Peltzer   (1924-2009)
  9. Manuel Peyrou   (1902-1973)
  10. Maria Esther Vásquez  (n. 1937)
Devo confessar que nenhum dos contos me fascinou de tal modo que me levasse à procura de outros livros destes autores (o que costumo fazer quando gosto).

Contudo, YZUR, de Leopoldo Lugones, não deixa de ser um conto interessante, em que um homem tenta, durante anos, ensinar um macaco a falar.  

O CHOCO OPTA PELA TINTA - Adolfo Bioy Casares - uma alegação, segundo Borges, contra a estupidez e a cobardia.

Do mesmo modo que CASA OCUPADA de Júlio Cortázar é um conto fascinante em que dois irmãos vivem em incesto.

Mas talvez aquele que mais me prendeu terá sido O DESTINO É CANHESTRO escrito a duas mãos - Arturo Cancela e Pilar de Lusarreta - a história de um guarda-freio que, graças à pressa e ao desmazelo de um médico, ficou com a perna direita encurtada em 4 cm.

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Jorge Luís Borges - Buenos Aires - 1899-1986
Este foi o último livro que adquiri desta excelente colecção de literatura fantástica A Biblioteca de Babel, editada pela Presença. Este é o nº. 17 e nos outros dezasseis já editados, todos tão bonitos como este, contam-se grandes nomes da literatura como Henry James, Edgar Allan Poe, Jack London, Tolstói, Kafka, Oscar Wilde e sobretudo o fantástico livro "BARTLEBY, O ESCRIVÃO" de Hermann Melville (imperdível).  


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

BALANÇO LEITURAS 2018

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Utilizo este blogue principalmente para aqui ir mencionando, ao longo do ano, os livros que vou lendo, mas não só, embora ultimamente apenas para isto o tenha utilizado.

Será sobre os livros que li em 2018 que se centra esta minha abordagem. 

2018 não foi um ano de muitas leituras — li 33 livros— algumas surpresas muito agradáveis como foi o caso do excelente "Adeus, até amanhã", que desconhecia por completo e que comprei, por € 6,00, em saldos, na última Feira do Livro de Lisboa, numa daquelas bancadas que estão no meio do caminho. 

"Teresa Desqueyroux" de François Mauriac e "1933 Foi um mau ano" do admirável John Fante, foram outros dois excelentes livros que me entusiasmaram, principalmente "Teresa Desqueyroux" (uma bela surpresa que estava há anos a apanhar pó na estante).

John Fante não foi para mim uma surpresa pois sou um seu leitor fiel. Para além deste "1933 Foi um mau ano", já havia lido "A Primavera Há-de Chegar", "Estrada para Los Angeles", "Pergunta ao Pó", "Sonhos de Bunker Hill" e "A Confraria do Vinho" e foram livros que me agarraram da primeira à última página.

Mas também algumas desilusões, como foi o caso dos "Contos" de Dorothy Parker, escritora em quem depositava muitas expectativas, apesar de, como disse Vergílio Ferreira, um conto será sempre um conto, de uma dimensão menor que a de um romance.

Outra grande desilusão foi "O escritor Fantasma" de um dos meus escritores preferidos, Philip Roth.  

Mas vamos aos livros que li em 2018, por ordem de satisfação (de 0 a 6):   
  1. ADEUS, ATÉ AMANHà -  William Maxwell  -  6   
  2. TERESA DESQUEYROUX  -  François Mauriac  -  5
  3. 1933 FOI UM MAU ANO  -  John Fante  -  5
  4. A NOVELA DE XADREZ  -  Stefan Zeig  -  5
  5. RELÓGIO SEM PONTEIROS  -  Carson McCullers  -  4
  6. O ALIENISTA  -  Machado de Assis  -  4
  7. A CARNE  -  Rosa Montero  -  4
  8. PÁTRIA  .  Fernando Aramburu  -  4
  9. A ESTRADA DO TABACO  -  Erskine Caldwell  -  4
  10. SÓ ACONTECE AOS OUTROS  -  Maria Antónia Palla  -  4
  11. HISTÓRIAS DE ALMANAQUE  -  Bertold Brecht  -  3,5
  12. MOBY DICK  -  Herman Melville  -  3,5
  13. REMÉDIOS LITERÁRIOS  -  Ella Berthoud e Susan Elderkin  -  3,5
  14. PASSAPORTE  -  Maria Filomena Mónica  -  3,5
  15. O MUNDO DE ONTEM  -  Stefan Zweig  -  3,5
  16. GUIA PARA 50 PERSONAGENS DA FICÇÃO PORTUGUESA - Bruno Vieira Amaral -  3,5
  17. AS ÚLTIMAS TESTEMUNHAS  -  Svetlana Alexievich  -  3,5 
  18. SEI PORQUE CANTA O PÁSSARO NA GAIOLA  -  Maya Angelou  -  3,5
  19. VIDAS  -  Maria Filomena Mónica  -  3,5
  20. O CÃO E O DONO  -  Thomas Mann  -  3
  21. ENTREVISTAS DE PARIS REVIEW  -  3
  22. DICIONÁRIO DE COISAS PRÁTICAS   -  Francisco José Viegas  -  3
  23. ESTAÇÕES DIFERENTES  - Stephan King  -  3
  24. CENAS DA VIDA AMERICANA  -  Clara Ferreira Alves  -  3
  25. VOZES E PERCURSOS  - A MEMÓRIA DOS OUTROS I  - Marcelo Duarte Mathias  -  3
  26. O QUE ESCREVERAM OS AUTORES  -  3
  27. OS RICOS  -  Maria Filomena Mónica  -  3
  28. LEVANTE-SE O RÉU OUTRA VEZ  -  Rui Cardoso Martins  -  2
  29. EMBALANDO A MINHA BIBLIOTECA  -  Alberto Manguel  -  2
  30. INSTANTÂNEOS  -  Cláudio Magris  -  2
  31. ERRO EXTREMO  -  Miguel Tamen  -  2
  32. CONTOS  -  Dorothy Parker  -  1
  33. O ESCRITOR FANTASMA  -  Philip Roth  -  1    


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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"OS RICOS" - MARIA FILOMENA MÓNICA - LEITURAS 2018 - XXXIII

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Sou um fiel leitor desta bonita lisboeta doutorada em Sociologia pela Universidade de Oxford.

Neste livro, que foi o último que li em 2018, são retratadas as grandes fortunas nacionais, seu usos e costumes.

A galeria de personagens vai desde os fidalgos antigos como o 1º. Duque de Palmela, os condes de Vila Real, condes de Rio Maior até aos capitães da indústria do século XX, Alfredo da Silva, Jorge de Mello, António Champalimaud, Américo Amorim e Belmiro de Azevedo, passando pelos milionários do liberalismo, Eugénio d´Almeida, Dona Antónia Ferreira (Ferreirinha), José do Canto e conde de Burnay.

Através destas biografias ficamos a conhecer melhor a história de Portugal e dá para vislumbrar quanta fome meia dúzia de indivíduos semearam por este país (muita fome —grandes fomes—têem passado a grande maioria dos portugueses, ao longo dos séculos), enquanto meia dúzia sempre viveu "à tripa-forra".

Um senão neste livro: as constantes notas de rodapé, algumas parecendo-me demasiado longas, quiçá, perfeitamente dispensáveis; senti que quebram o ritmo da leitura. 

Confesso que este livro (pelo tema abordado) ficou aquém das minhas expectativas.

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Maria Filomena Mónica
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

"SEI PORQUE CANTA O PÁSSARO NA GAIOLA" - MAYA ANGELOU - LEITURAS 2018 - XXXII


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Desconhecia em absoluto este clássico americano que marcou gerações e que conserva toda a sua actualidade.

Um livro de memórias da activista social norte americana Maya Angelou (1928-2014), que é uma poética viagem de libertação.

Um relato inspirador da infância e da juventude da autora, nos anos 30 e 40, do século passado.

O olhar de uma extraordinária criança sobre a violência inexplicável do mundo de adultos e a crueldade do racismo, na procura da dignidade em tempos adversos.

Do Arkansas rural às cidades da Califórnia, Maya Angelou traça neste livro um tocante retrato da comunidade negra do Estados Unidos, durante a segregação.

Através deste livro fiquei a conhecer aquele que é considerado o primeiro abolicionista branco americano, John Brown - 1800-1850, que defendia a insurreição armada que era, para si, a única maneira de acabar com a escravatura nos Estados Unidos.

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John Brown
Foi considerado, por alguns, um vilão desequilibrado, e o pai do terrorismo, por outros um mártir heróico da liberdade e o homem que acabou com a escravidão.
Foi preso, julgado por traição e enforcado.
A sua morte acendeu a fagulha para o início da Guerra da Sucessão. 


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Maya Angelou  -  St.Louis, Missouri 1928-2014

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

"O QUE ESCREVERAM OS AUTORES" - LEITURAS 2018 - XXXI

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Aqui se reúnem, neste livro de 244 páginas, textos de grandes nomes da cultura portuguesa, originalmente publicados na revista Autores, uma publicação da SPA-Sociedade Portuguesa de Autores.

São importantes reflexões sobre o teatro, a música, a dança, a arte, a censura, a imprensa ou a condição de escritor, entre outros temas, em diferentes épocas, reflexões que são memória indispensável para a preservação da nossa identidade.

Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Joly Braga Santos, José Rodrigues Miguéis, José Galhardo, António Lopes Ribeiro, Gustavo de Matos Sequeira, José Régio, Miguel Torga, Manuela de Azevedo, Natália Correia e Rosa Lobato Faria são alguns dos autores dos artigos, assim como Júlio Dantas, o primeiro presidente da SPA, entre muitas outras grandes personalidades da criação artística em Portugal. Os textos são acompanhados de breves notas biográficas.  


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Aquilino Ribeiro                  Ferreira de Castro              José Rodrigues Miguéis                              António Lopes Ribeiro

Já sabia que o Miguel Torga é o pseudónimo literário de Adolfo Correia da Rocha, mas só depois de ler este livro fiquei a saber o porquê deste pseudónimo:

— MIGUEL, em homenagem ao poeta espanhol Miguel de Unamuno e TORGA como elo de ligação à sua terra natal, dado ser esse o nome de um arbusto abundante em Trás os Montes.  


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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

"VOZES E PERCURSOS - A MEMÓRIA DOS OUTROS I" - MARCELLO DUARTE MATHIAS - LEITURAS 2018 - XXX

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Havia sido editado em 2001, "A Memória dos Outros" e distinguido com o prémio Jacinto Prado Coelho e com o prémio D. Dinis da Fundação de Mateus (ex-aequo).

Foi agora reeditado com o título "VOZES E PERCURSOS-A MEMÓRIA DOS OUTROS I".

De Raymond Aron a Kissinger, de Matisse a Rothko, de Almada Negreiros a Miguel Torga e Vitorino Nemésio. de Woody Allen à Geração Perdida, sem esquecer a paixão pela diarística e o jogo de xadrez.

Reúnem-e aqui algumas dezenas de textos que, sob aparência diversa, exprimem uma visão rica de análises, comentários e interrogações que é também, como o título indica, evocação e convívio.
Por exemplo, esta visão do charme, numa confissão (sobre as mulheres) autobiográfica  de Albert Camus:  "Sabe o que é o charme? Um modo de elas nos responderem sim sem que da nossa parte haja sido formulada pergunta alguma"       

Gosto da escrita simples e dos textos interessantes, não só deste mas dos outros livros que já li deste autor de ficções, ensaios e diários, nascido em Lisboa, em 1938, diplomata e escritor.  

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Marcello Duarte Mathias
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

"ERRO EXTREMO" - MIGUEL TAMEN - LEITURAS 2018 - XXIX

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Este conjunto de crónicas escritas pelo autor para o jornal "Observador", entre Maio de 2014 e Junho de 2016, que, segundo o crítico literário Pedro Mexia:
   "são escritos de um modo (ou método) Wittgensteiniano herdeiro da tradição anglo-saxónica da filosofia analítica"    —  perceberam? eu também não! — (desculpem-me a insensatez mas, certamente, insuficiência minha).

Apesar de todas as crónicas versarem temas interessantes (do repúdio absoluto do acordo ortográfico, da crítica feroz ao sistema educativo português ao desinteresse dos noticiários televisivos) — crónicas pequenas de página e meia—, contudo, eu não alcancei, em nenhuma, o que o autor certamente pretenderia transmitir. 

Assim, confesso que não me entusiasmaram, nunca me "agarraram", para não dizer que não entendi (quase) nenhuma das crónicas deste livro.

De qualquer modo, penso que nunca nenhum livro é zero porque adquirimos sempre algum conhecimento, somamos sempre algo; por exemplo retive esta frase que tão bem me soou e me pareceu muito interessante: - "Aqueles a quem como eu falta a imaginação, praticam ainda actividades em desuso como a confiança em terceiros, a admiração pela prosa, e de um modo geral aquilo a que os melhores chamaram a sabedoria da insegurança."


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Miguel Tamen - Lisboa - 1934
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

"AS ÚLTIMAS TESTEMUNHAS" - SVETLANA ALEXIEVICH - LEITURAS 2018 - XXVIII


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"Havia uma mulher com um bebé ao colo, ele sorvia água do biberão. Os alemães primeiro dispararam contra o biberão, depois contra o bebé!.. Só depois disso mataram a minha mãe."

A 22 de Junho de 1941, a Alemanha invade a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão celebrado entre as duas nações e dando início ao que ficaria conhecido do lado russo como a Grande Guerra Patriótica. 

No final do conflito, em 1945, tinham morrido cerca de três milhões de crianças e só na Bielorússia vinte e sete mil viviam em orfanatos. 

Os relatos destes órfãos foram recolhidos, passados mais de quarenta anos, por esta escritora bielorussa, Svetlana Alexievich, Prémio Nobel da Literatura 2015.  

O resultado é uma visão única da guerra, testemunhada pelas crianças e não por soldados, políticos ou historiadores — os narradores mais sinceros, simultaneamente mais injustiçados.

São cem relatos impressionantes, profundamente comovedores e autênticos de crianças sem infância.

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Svetlana Alexievich  -  n. 1948


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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

"GUIA PARA 50 PERSONAGENS DA FICÇÃO PORTUGUESA" - BRUNO VIEIRA AMARAL - LEITURAS 2018 - XXVII

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Cinquenta das melhores e mais representativas personagens da Literatura Portuguesa dos últimos dois séculos são apresentadas num único livro. 

Uma viagem fascinante pelas grandes figuras da ficção portuguesa e ao mesmo tempo um excelente guia de 50 grandes livros de ficção e que, muitas vezes, são quase mais reais do que nós.

Descobrimos aqui personagens que nos incitam à leitura do respectivo livro (muito bem organizado). 

Os textos escritos por Bruno Vieira Amaral são um convite à leitura dos romances, o habitat natural de cada uma das personagens, mas também um extraordinário retrato da história e evolução de um país, Portugal.

Uma viagem literária compreendida entre 1846 — "Viagens na Minha Terra" de Almeida Garrett — e 2011 "O Retorno" de Dulce Maria Cardoso. Deparamos com fascinantes personagens, como, por exemplo, o viúvo do romance "O Viúvo" de Fernando Dacosta, a Juliana de "O Primo Basílio", o Professor de "A Amante Holandesa" de J. Rentes de Carvalho...

O que aprendi com a leitura deste livro? como sempre muita, muita coisa, por exemplo

— (mulher de) LOT - Ao fugir de Sodoma com a esposa e filhas, enquanto escapavam, a esposa olhou para trás, contrariando a ordem dada, e, por isso, foi transformada numa estátua de sal. 


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Bruno Vieira Amaral - n. 1978

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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

"SÓ ACONTECE AOS OUTROS" - MARIA ANTÓNIA PALLA - LEITURAS 2018 - XXVI

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Maria Antónia Palla oferece-nos aqui um retrato de uma sociedade (portuguesa) em que os mais fracos, eram normalmente as mulheres e as crianças, são massacrados até escravizados por corações de pedra que, certamente, também na sua infância foram vítimas das mesmas situações.

A alma humana pode ser muito dura e muito má e são as circunstâncias que moldam essas mentes e tornam cegos esses corações.

Muito bem retratada uma época e uma sociedade em que a ignorância predominava.

Gostei deste livro que, sobretudo, retrata as pessoas!


O que aprendi com a leitura deste livro? como sempre muita, muita coisa, por exemplo

— Com uma alteração legislativa introduzida em 1984, o aborto deixou de ser punido em determinadas circunstâncias (ex.: violação da mulher, desde que realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez). Com a nova alteração legislativa de 2007, deixou de ser punido quando realizado por mera opção da mulher até 10 semanas da gravidez.

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Maria Antónia Palla - Seixal 1933, mãe do actual 1º.
ministro  Antónia Costa e viúva do escritor Orlando
Costa 



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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

"O MUNDO DE ONTEM" - STEFAN ZWEIG - LEITURAS 2018 - XXV


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Stefan Zweig é daqueles grandes escritores que se encontram quase praticamente esquecidos.
Quem é que hoje lê "AMOK"?

Este "O MUNDO DE ONTEM", escrito no exílio (Brasil), é um livro de memórias deste excelente escritor austríaco que retrata o mundo nostálgico que ele sentia desaparecido — o mundo de Viena e o da Europa anterior a 1914— a que se contrapõe o período conturbado de duas guerra mundiais.

Nestas memórias se entrecruza, como se poderá ler na contracapa, a paixão da escrita e da leitura, a sua generosidade filantrópica. Numa escrita esmerada o autor dá voz ao seu empenhamento em prol da liberdade espiritual e ao crescente desencanto face ao esboroar do ideal de confraternização europeia, que incansavelmente acarinhou e que a ascensão do nacional-socialismo veio abalar.

Stefan Zweig nasceu em Viena, 1881, viveu em Salzburgo, daí emigrando para Inglaterra, em 1934, de depois para o Brasil, onde acabaria por se suicidar em Fevereiro de 1942.
Filho de um rico industrial judeu, pacifista convicto, amante de letras e do teatro, da filosofia e da história manteve um intenso contacto com as mais diversas personalidades da vida cultural europeia, do seu tempo, 

Da sua extensa obra destacam-se o ensaio e a biografia (Magalhães, Maria Antonieta, Casanova...)   

O que aprendi com a leitura deste livro? como sempre muita, muita coisa, por exemplo: 

— medida OFICIOSA - que não tem carácter oficial mas emana de fontes oficiais;

— medida OFICIAL -  proposta por autoridade competente ou dela emanado; apresentado como verdade pela autoridade pública ou por uma autoridade competente. 


Muito interessante a leitura deste livro para se ir lendo com calma e descontracção (capítulo a capítulo) e desfrutar.


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Stefan Zweig  - Viena (Áustria)  - 1881 - 1942

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

"A ESTRADA DO TABACO" - ERSKINE CALDWELL - LEITURAS 2018 - XXIV

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Das centenas de livros que possuo, provavelmente 70% ainda não os li, e este é daqueles que tem andado, há muitos anos, perdido ali pelas prateleiras de cima.

Porventura, "A Estrada do Tabaco" terá sido o romance que mais prestígio trouxe a Erskine Caldwell. Foi o 3º. livro que este grande escritor norte americano escreveu e creio que será provavelmente o mais conhecido. 

Gostei, sobretudo pelo tema, como tenho gostado de todos os livros que já li deste autor. 

Este é um livro cujo conteúdo versa um assunto que me agrada imenso (a vida no Sul dos Estados Unidos no tempo da Grande Depressão). 


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EUA - Grande Depressão - 1929
A tragédia das suas personagens é absorvente. São páginas duras onde se fica a conhecer toda a epopeia dos pequenos lavradores de um Estado da Geórgia (Sudoeste dos EUA) que vêem os terrenos abandonados pelos proprietários ricos após a monocultura do tabaco  e depois do algodão os ter esgotado; os menos abastados. incapazes de pagar as despesas de exploração partem à procura de trabalho nas cidades.

Aqui se relata a mais abjecta miséria, por vezes até caricata, do herói do romance, que tudo sacrificou pela terra.

Que bem aborda Erskine Caldwell a miséria e as dificuldades destas pessoas.

Creio que, sobre o tema, só John Steinbeck, William Faulkner e pouquíssimos mais o poderão superar.

Um bom livro, de 220 páginas, que me proporcionou mais umas horas de prazer.


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Erskine Caldwell  -  EUA  -  1903-1987

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

"NOVELA DE XADREZ" - STEFAN ZWEIG - LEITURAS 2018 - XXIII

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O escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942) era um europeu acostumado a viajar livremente por vários países e poderia perfeitamente ter sido numa das suas viagens entre Nova Iorque e Buenos Aires que se poderia ter desenrolado esta novela. 

Os passageiros do navio descobrem que a bordo segue com eles o campeão do mundo de xadrez, um homem arrogante e pouco amigável. Será com este campeão que um desconhecido se irá bater e vencê-lo magistralmente. E todos perguntam onde adquiriu ele este domínio espantoso do jogo de xadrez? pois é esse mistério que irá surpreender o leitor já que é notável a mestria com que o autor nos revela o espantoso dom que o desconhecido possuía para este jogo, entre um enorme suspense e uma reflexão pungente sobre o nazismo.

Stefan Zweig será porventura um escritor esquecido mas é brilhante. 
O sucesso incomodava-o, tal como refere um dos seus biógrafos (Alberto Dines), ("toda a forma de notoriedade perturba o equilíbrio...se pudesse recomeçar a vida, procuraria gozar os dois estados de felicidade: o do triunfo na literatura e o do anonimato"). Adoraria escrever sob pseudónimo. Trabalhava como poucos dos seus colegas.


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Stefan Zweig - Viena Áustria - 1881-1942

Este é o nº. 4 da excelente colecção Miniatura, dos Livros do Brasil, de que já estão publicados 9 volumes. Refira-se que esta colecção Miniatura era uma das pérolas da referida editora nos seus tempos áureos (anos 60 e 70 do século passado) e esta republicação é muito semelhante, para não dizer igual, tanto na capa como no tamanho (miniatura) e talvez até superior na qualidade do papel.

"A Novela de Xadrez" foi a sua obra derradeira, concluída pouco antes do seu suicídio, em Petrópolis, no Brasil em 1942; a sua mulher suicidou-se imediatamente após verificar que o marido, na mesma cama ao seu lado, já não respirava. 


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O casal como foi encontrado pela polícia: ele matou-se antes, por isso
as mãos cruzadas. A sua mulher, Lotte esperou para certificar-se de que
Stefan já não respirava, depois abraçou-o. Os tóxicos foram diferentes. 

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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

"VIDAS" - BIOGRAFIAS, PERFIS E ENCONTROS - MARIA FILOMENA MÓNICA - LEITURAS 2018 - XXII

Vidas - Biografias, Perfis e Encontros

Quando um livro me agrada tenho curiosidade em conhecer toda a obra do autor. 

"VIDAS" é um livro que, conforme se poderá ler na contracapa, tenta demolir heróis, esquadrinhar as suas vidas, desvendar sentimentos. 

E, tal como os anteriores que já li, posso dizer que também este livro me agradou. 

Dividido em duas partes, século XIX e o século XX, este livro recupera textos sobre personagens tão díspares como a burguesa família Dabney, do Faial, os reis D. Pedro V e D. Luís, o capitalista conde de Burnay, "Os vencidos de vida" (definidos por Eça de Queiroz — um dos seus membros — como um grupo jantarista, congregando vultos da literatura e da política) ou os operários do têxtil, passando depois a retratar outros casos reais de um menor em risco e uma emigrante em Inglaterra, e acabando com uma série de perfis masculinos, entre os quais, o papa Bento XVI, o ri Juan Carlos, Clint Eastwood, José Sócrates, Francisco Louçã e Cavaco Silva.

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Maria Filomena Mónica

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sábado, 1 de setembro de 2018

"PASSAPORTE" - MARIA FILOMENA MÓNICA - LEITURAS 2018 - XXI



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Não é este o primeiro livro que leio de Maria Filomena Mónica e realmente confirmei, se tal fosse preciso, que, para além de bonita, esta Senhora escreve bem!

Gostei destes relatos de viagens que a escritora efectuou entre 1994 e 2008.

Dá-nos, por exemplo, pormenores da cidade de Lisboa que certamente muitos lisboetas desconhecerão.
As pessoas, os lugares, os cheiros, são realmente bocados de escrita que me deliciaram.

O Algarve, o que de bom e mau ali tem acontecido, por exemplo uma curiosa descrição de Vilamoura, um local que tem um pouco de tudo, hotéis em forma de bolo de noiva, vivendas invocando um passado mourisco, prédios estilo Amadora, aldeamentos imitando ruas de Londres, moradias brincando ao neoclássico.


Alguns termos que são usados quase diariamente e que só agora soube donde derivam — o termo "moiro" (do latim MAURUS, os nativos da Mauritânia), com o qual nós, portugueses, ainda brincamos— os meus amigos do Porto é assim que me designam, era usado para descrever os habitantes árabes e berberes, de Espanha, de Portugal e do Norte de África. E muitas outras situações e termos que desconhecia. 

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Maria Filomena Mónica

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