sexta-feira, 17 de maio de 2013

POR ONDE ANDEI EM 2012 - IV

Vergílio Ferreira
Este não será propriamente um balanço dos livros que li em 2012, que normalmente se fazem no início de cada novo ano, será apenas mais uma oportunidade para falar de livros e de deixar registada a minha opinião sobre eles, neste caso, sobre os que li em 2012, tentando fazê-lo como que quem viaja através deles e com os respectivos autores. Hoje posso dizer que viajei com um dos meus escritores favoritos (VERGÍLIO FERREIRA) através do seu excelente diário CONTA CORRENTE, o 4, neste caso. Estes diários referem-se a pessoas e factos conhecidos e reais, localizáveis historicamente através da data que é a medida exacta do tempo e atributo do documento histórico.



Deste excelente CONTA CORRENTE 4, retive algumas frases:

-A morte é o silêncio e a vida é o ruído
-Ser neto é ser sempre pequeno
-Vou prestar atenção ao que tenho visto sem ver
-Não se têm filhos depois de velho quando já os têm os filhos que tivemos

Mais um excelente livro. Todos os volumes destes diários (são nove 9) são excelentes

 

Encontrei-me depois com um personagem com um permanente mal-estar cuja fonte é a inadequação do seu espírito à sociedade, à massa, à média e à vulgarização burguesa da vida e dos valores. É por isso que se define como "O LOBO DAS ESTEPES". É deste autor um dos livros que mais gostei até hoje (Siddharta), contudo, "O LOBO DAS ESTEPES" nunca me conseguiu "prender", não é um romance nada fácil e, só não o larguei a meio porque este autor não me oferece qualquer dúvida da excelência da sua escrita, mas, sinceramente, cheguei ao fim das 224 páginas sem conseguir "agarrá-lo", talvez o tente numa próxima oportunidade


Viajei depois para Itália e regressei aos anos 30 e 40 do século XX, e fui ao encontro da "MISTERIOSA CHAMA DA RAINHA LOANA" do grande escritor italiano UMBERTO ECO.
Um livro muito bom que vos recomendo, com imagens belíssimas.
É um livro de mais de 400 páginas mas que se lê com uma satisfação imensa, estive sempre apaixonado por este livro enquanto o lia, fala-nos da experiência de um homem, calmo bibliófilo de Milão, que após sofrer um AVC perde todas as memórias de si próprio.Não sabe quem é nem conhece quem o rodeia, vale a pena!

Gonçalo M. Tavares

E a próxima viagem iniciar-se-à com o jovem e desconcertante escritor Gonçalo M. Tavares, até lá






 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

LISBOA ANTIGA/LISBOA ACTUAL


A Brazileira do Chiado em 1911, antes da renovação da fachada e quando Pessoa ainda não bronzificava na esplanada
(Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal ; Autor: Joshua Benoliel)
 
 
 
 
 
ACTUAL
 
A BRASILEIRA DO CHIADO é um café emblemático da cidade de Lisboa,
localizado no Chiado (Rua Garrett), fundado por Adriano Telles, um
português que viveu no Brasil e que, antes da remodelação que criou
a cafetaria (em 1908), era uma loja que vendia o genuíno café do Brasil,
curiosamente um produto muito pouco apreciado na altura, e que ele com
facilidade importava do Brasil.
 

 
 


estátua a Fernando Pessoa, à porta da Brasileira, inaugurada em 1988



sexta-feira, 3 de maio de 2013

POR ONDE ANDEI em 2012 - III




Na minha última abordagem aos livros que li em 2012, mencionei o facto de ir ao encontro de um dos meus escritores favoritos (vivos), Philip Roth que me apresentou o actor de teatro Simon Axler que, com 66 anos, perdeu a capacidade de representar.

Este foi o 10º. romance de PHILIP ROTH que li e não há dúvida que é um grande escritor, gostei muita deste "A HUMILHAÇÃO", que quase podia ser um conto, embora tenha a estrutura de um romance, tem apenas 127 páginas e centra-se praticamente num único personagem. É uma pequena novela sobre a velhice e a decadência do corpo e a morte, na sequência doutros que vem publicando, como "O Fantasma sai de cena", "Todo o Mundo", "Indignação".


Recomendo vivamente, apesar de, na minha perspectiva, Philip Roth ter uma escrita "pesada" a tal que nos obriga a pensar, e daí o grande mérito dos bons livros e dos grandes escrotores.

De um a nove 6 estrelas para "A HUMILHAÇÃO".



Parti seguidamente à procura de um escritor chileno muito em voga em 2011 e 2012, ROBERTO BOLAÑO, e foi com "O TERCEIRO REICH" que me encontrei com ele, mas, sinceramente, nunca me consegui encontrar com esta escrita.

 

Se fosse publicado enquanto o autor estivesse vivo, provavelmente alguns personagens poderiam ganhar mais destaque e alguns capítulos seriam certamente mais e melhor trabalhados, contudo, nunca me consegui encontrar com este clima claustrofóbico, e dificilmente voltarei a Bolaño. Há livros que em determinadas alturas não nos agradam minimamente, poderá ter a ver, certamente, com certos ciclos da nossa vida.
Não gostei deste primeiro contacto que tive com este escritor chileno.
N
 
«Escrever é a única maneira de me defender das recordações que tantas vezes e tão inesperadamente me avassalam. Ficassem elas presas na minha memória e o tempo torná-las-ia cada vez mais pesadas, acabariam por me esmagar», confessa o escritor austríaco W.G.Sebald (1944-2001) num dos seu romances. Pois foi depois de ter lido esta frase algures que parti à descoberta deste escritor W.G.SEBALD  através do livro "O CAMINHANTE SOLITÁRIO".

Pois este livro dá-nos seis retratos ricamente ilustrados de seis ilustres e interessantes personagens, dos quais nos relata aspectos bem curiosos:
-JOHANN PETER HEBEL (1760-1826)  poeta, teólogo evangélico e pedagogo alemão;
-JEAN JACQUES ROUSSEAU - Célebre escritor e filósofo humanista de expressão francesa, nasceu em Genebra em 1712 vindo a falecer em 1778. É dele esta frase: "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe."
-GOTTFRIED KELLER - Poeta e romancista suíço, de expressão alemã, nascido em 1819, em Zurique, e falecido em 1890, na mesma cidade.
 
-ROBERT WALSER - Belíssimo escritor suiço (1878-1956), que tem alguns bons livros  publicados em Portugal ("O AJUDANTE" é um deles) , apesar de praticamente desconhecido entre nós. E ainda de um amigo de infância, o pintor JAN PETER TRIPP.
 
É um livro agradável embora esta seja, na minha perspectiva, uma escrita preguiçosa e lenta (frases demasiado longas) que, contudo, não deixa, em certas circunstâncias, de ser agradável, mas, como diria o meu amigo Almeidinha -temos tanta coisa para ler...
3 na minha escala de um a nove.
 
 
E na próxima viagem falarei dum dos meus livros favoritos (uma série de sete), com um excelente escritor português, VERGÍLIO FERREIRA e dos seus excelentes diários "CONTA CORRENTE"-excelentes.
 


 

domingo, 28 de abril de 2013

O QUE ANDO A LER


 
Do Miguel Real já tinha lido “O ÚLTIMO NEGREIRO” um livro que me tinha “vacinado” contra este autor, pois “O ÚLTIMO NEGREIRO” foi (para mim) uma chatice de todo o tamanho principalmente depois de ter lido “O VICE REI DE AJUDÁ” do Bruce Chatwin sobre a mesma personagem que foi o último português mercador de escravos que quando morreu, em 1857, deixou sessenta e três filhos mulatos e um número desconhecido de filhas cuja progenitura, cada vez mais escura, hoje incontável como gafanhotos, se estende de Luanda ao Chiado.

Mas este “O FEITIÇO DA ÍNDIA” é um belo romance, que conta a história de três portugueses, pertencentes à mesma árvore genealógica, e a sua presença indiana, em diferentes momentos da nossa história. Começamos em Lisboa com José Martins, salvo da forca no último instante e que parte como “degradado” na armada de Vasco da Gama, onde se torna num médico imprescindível, apesar de não ser diplomado. É ele o primeiro português a pisar solo indiano, numa viagem de prospecção onde uma vez mais consegue fintar uma morte que para muitos seria certa.
 
Há também a história de Augusto Martins, o único português não luso-indiano que decidiu permanecer em Goa após a invasão das tropas indianas quando corria o ano de 1961.
 
E, por último, seguimos os passos do narrador desta história, descendente de José Martins e filho de Augusto Martins, que após o reatamento das relações entre Portugal e a União Indiana parte para a Índia à procura do seu pai, remetido a um silêncio eterno desde que havia deixado a pátria lusitana.
 
Das 381 páginas apenas me faltam cem mas desde já realço que esta é uma obra bela e cruel, ousada e sensual e que vos aconselho vivamente.
 
Miguel Real

quarta-feira, 24 de abril de 2013

UMA NOVA VIDA

Passam hoje (24.04.2013) quatro anos (seriam 14h30m), quando, na Auto Estrada, me dirigia de Lisboa para Estremoz, e de repente me senti como que a "navegar em mar tormentoso, debaixo de um camião espanhol, arrastado durante cerca de 1 Km.
Pois nesse dia creio que, por alguém muito poderoso, e/ou por sorte do destino, me foi concedida a dávida de viver mais uma vida.

Obrigado


sexta-feira, 19 de abril de 2013

À HORA DA MORTE

Frases proferidas à hora da morte


IMMANUEL KANT - filosofo Prussiano   -   1724-1804

"tudo está bem" - I. Kant
 
 
Johann Wolfgang Goethe - escritor e pensador alemao - 1749-1832
 
"mais luz"  - Goethe
 
 
Fernando Pessoa - poeta portugues  -  1888-1935

"amanhã o que virá?" - Fernando Pessoa
 
 
 
 
Alexandre Herculano  -  escritor, historiador, jornalista e poeta portugues - 1810-1877  

"tirem daqui as mulheres"  -  Alexandre Herculano





 (do livro PENSAR de Vergilio Ferreira)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

LISBOA ANTIGA/LISBOA ACTUAL



abrigo e bilheteira do elevador da Glória - 1931

 
Foto de Joshua Benoliel (Lisboa 1873-1932), fotógrafo e jornalista,
talvez o maior fotógrafo português do séc. XX
 
 
 
O Ascensor da Glória, popularmente conhecido como o Elevador da Glória, situado
na cidade de Lisboa, liga os Restauradores ao Bairro Alto.

Construído pelo engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard, foi inaugurado
em 24 de Outubro de 1885. O sistema de tração original era de cremalheira (trilho
suplementar dotado de dentes e sobre o qual se engrenam rodas motrizes
igualmente dentadas das locomotivas, com o fim de subir ou descer com
segurança percursos inclinados) e cabo por contrapeso de água, passando mais
tarde a ser por vapor.
Em Setembro de 1915 passou a ser movido por electricidade.

Até finais do séc. XIX, durante as viagens nocturnas a iluminação dentro da cabine
era feita com velas.

Desde Fevereiro de 2002 encontra-se classificado como Monumento Nacional 
(devidamente grafitado, chancela e símbolo da ignorância reinante...)


sexta-feira, 5 de abril de 2013

FANTÔMAS

Este meu gosto pelos livros já vem de há muito tempo e quem, de algum modo, me "meteu" este vício foi um tio meu, infelizmente já falecido, o meu tio José António (Zé dos Talhos) e que sempre relembro com muita saudade.
Pois este meu tio, marido de uma das minhas tias mais bonitas,que tinha o gosto por alguns livros policiais, incentivou-me, teria eu os meus catorze anos, a ler "FANTÔMAS" um personagem francês fictício de literatura, criado pelos autores Marcel Allain (1885–1969) e Pierre Souvestre (1874–1914), e foi ele que me ofereceu mesmo alguns livros desta colecção de 32 volumes, editada pela Editorial Dois Continentes, há mais de cinquenta anos (depois completei a colecção, e todos os volumes são 1ª. edição (de Abril de 1952)). 





 
E assim começou, com Fantômas, este vício dos livros (vício bem salutar como diz o meu amigo Almeidinha).
 
Depois disso, tenho obviamente muitas outras recordações relacionados com os livros; lembro-me, por exemplo, perfeitamente de que na semana anterior à minha ida para a Guiné (serviço militar), fui com o meu amigo Fernando Manuel Montes, à Feira do Livro de Lisboa e comprei mais de 20 livros, a maioria recomendados por ele. Pois a única "bagagem civil" que praticamente me acompanhou naquela missão foi uma "mala de cartão" , com uma muda de roupa civil e esses vinte e tais livros.
 
Alguns ainda os conservo, e lá está, ainda bem visível, a data da compra, que costumo pôr em cada livro que adquiro -neste caso, 09Junho1972-:
 
"A minha mulher" de Anton Tchecov
"Tarass Bulba" de Nicolau Gógol
"Moby Dick" de Herman Melville
"Contos escolhidos" de Anatole France  
"Bel-Ami" de Guy Maupassant
"Os Vagabundos" de Máximo Gorki
"O Crime do Padre Amaro" de Eça de Queiroz
"O Idiota" de Dostoievesky
"Crime e Castigo" de Dostoivesky 
"Contos" de Katherine Mansfield
 
e outros que, entretanto, fui emprestando...e que nunca mais reavi.

livro emprestado é (quase sempre) livro perdido
   

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 


sexta-feira, 29 de março de 2013

O EXCESSO DE PUBLICIDADE



No outro dia fui comprar um berbequim, pedi um Black e Decker mas trouxeram-me um Bosch, e já me tinha acontecido pedir uma embalagem de lâminas Gillette e trazerem-me uma embalagem de lâminas BIC e então não é que hoje pedi uma gasosa e trouxeram-me uma Seven UP...







 

 
 
 
 

terça-feira, 26 de março de 2013

LISBOA ANTIGA/LISBOA ACTUAL

[jo.jpg]
1934 - construção da estátua ao Marquês de Pombal
 
 
 
Foto de Joshua Benoliel (Lisboa 1873-1932), fotógrafo e jornalista, talvez o maior fotógrafo português do séc. XX



ACTUAL




A Praça do Marquês de Pombal situa-se entre a Avenida da Liberdade e o Parque Eduardo VII. No centro, ergue-se o magnífico monumento em honra do Marquês de Pombal, o homem que ficou de um modo decisivo ligado à história de Lisboa, (liderou a reconstrução de Lisboa depois do terramoto de 1755). Neste monumento, inaugurado em 13.05.1934, pode ver o Marquês no topo, com a mão num leão (símbolo de poder), e é, por isso mesmo, que aqui colocamos as bandeiras do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL quando ganhamos o campeonato...


sexta-feira, 22 de março de 2013

QUE ESCRITORA

 
  
Descobri esta grandiosa escritora norte americana há cerca de três/quatro anos com um romance absolutamente fascinante e duma carga religiosa como nunca tinha lido "SANGUE SÁBIO", e fui depois descobrindo os seus outros livros que estão publicados em Portugal (muito poucos), como os livros de contos "UM BOM HOMEM É DIFÍCIL DE ENCONTRAR" e "TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR".
Convido-vos a descobrir esta magistral literatura duma escritora que viveu tão poucos anos (1925-1964).

 
 
 
 

terça-feira, 19 de março de 2013

O QUE ANDO A LER


"PENSAR" do incontornável Vergílio Ferreira, um escritor de leitura "pesada" nada fácil mas que nos obriga a pensar, e, talvez por isso, o leio com muita frequência, pois tem mesmo esse título (PENSAR), o livro que actualmente ando a ler, e é dele que (de memória) cito esta passagem:




"A seita dos saudáveis. É uma agremiação como a dos escoteiros, dos desportistas, das testemunhas de Jeová. Não beber, não fumar, evitar a carne e sobretudo as gorduras, dar preferência aos vegetais, comer pouco e várias vezes ao dia mesmo sem apetite, deitar cedo, fazer exercícios, evitar o sedentarismo, vigiar o peso, a tensão arterial...Sim. Mas para que é que eles querem a vida, se não é para a utilizarem?Lembram os que compram roupa mas guardam-na e não a usam. O seu objectivo na vida não é viveram-na mas cifrar a felicidade ao simples facto de a terem. São exemplares à vista -magros, direitos, ginasticados. Mas não tiram proveito disso, excepto o de serem saudáveis à custa de muito martírio. Ou seja o de poderem gozar a vida na sua maior amplitude. Vejo-os com frequência na TV. Mas tiro-lhes o som e ficam mais enfermiços."


Vergílio Ferreira -  1916-1996


sexta-feira, 15 de março de 2013

A AMIZADE



Segundo Heidegger* um amigo que nos trai não é falso, mas é um falso amigo aquele que nos oculta coisas, porque a falsidade é a ocultação




* Martin Heidegger (1889-1976) - filósofo alemão

sexta-feira, 8 de março de 2013

O PERFUME

 
 
"O Perfume", do escritor alemão Patrick Suskind, um livro que há cerca de vinte anos me fascinou e que foi publicado em 1985 (já vendeu mais de 15 milhões de exemplares em quarenta línguas), conta a história de um homem que possui um olfacto extraordinariamente apurado mas não possui cheiro próprio.




A história situa-se no século XVIII. O protagonista, Jean-Baptiste Grenouille, nasceu no meio de tripas de peixe atrás de uma banca, onde a mãe, que algumas semanas depois foi executada por infanticídios, vendia peixe. Grenouille possui duas características excepcionais:
 
  • ele não tem cheiro nenhum, o que assusta sua ama e as crianças com quem ele vive no orfanato, mas permite que ele passe totalmente despercebido. Durante a história, essa ausência de odor, de que ele se dá conta somente bem mais tarde, será compensada pela criação de perfumes mais ou menos atraentes, que Grenouille utiliza de acordo com as circunstâncias a fim de ser notado pelos outros.

  • ele tem um olfato extremamente desenvolvido, o que lhe permite reconhecer os odores mais imperceptíveis. Conseguia cheirá–los por mais longe que estivessem e armazenava–os todos em sua memória, também excepcional para relembrar aromas. Esse olfato é sua única fonte de alegria, que ele aproveita para confeccionar, sem a mínima experiência, perfumes de qualidade excepcional.

  • Sobre este romance, a páginas tantas do livro que ando actualmente a ler ("ESTADO CIVIL" o terceiro volume dos diários de Pedro Mexia, textos escritos para o seu blogue homónimo), encontrei uma curiosa (mas polémica) opinião da qual, por ser extensa, me permito transcrever apenas algumas passagens:

    -Nunca li O Perfume, porque sempre o ouvi altamente elogiado por gente que lê pouquíssimo ou só lê merdices. E confesso que suspeito bastante de romances que vendem quinze milhões de exemplares. A julgar pela versão fílmica, que vi agora, "O Perfume" parece um romance histórico de matriz gótica e propensão para a fábula. O filme é um europudim grotesco, previsível e preguiçoso, cheio de dinheiro mas sem nenhum talento, com um herói viciado em virgens cheirosas que mata para lhes guardar o cheiro, o qual tem um efeito muitíssimo poderoso sobre as multidões. Fiquei com a certeza de que nunca lerei tal romance.- 

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    sexta-feira, 1 de março de 2013

    A IGNORÂNCIA NA ACTUALIDADE



    Frequento, sempre que me é possível, pelo menos uma vez na semana, livrarias e gosto de mexer nos livros de os folhear, de ler pequenas passagens, e foi precisamente numa destas últimas idas, que do novo livro ("Estado de Guerra"), da excelente jornalista Clara Ferreira Alves, retive algumas palavras de um excelente texto (que transcrevo de memória):

    -Nós portugueses não estamos sozinhos na ignorância, por esse mundo fora a arte tornou-se consumo, tudo se resume ao dinheiro tudo se resume ao lucro. Enquanto que Nelson Mandela e os homens do ANC, na prisão discutiam Shekespeare, quando aos 80 anos, quase cego, Cunhal traduzia o Rei Lear, Passos Coelho era fotografado à entrada de La Féria ou do Casino.

    Entretanto, a gastronomia tornou-se uma nova filosofia, Jamie Olivier, Todd English, Henrique Sá Pessoa, são os sucessores de Cervantes, Ortega e Gasset... e assim vai Portugal e o Mundo...