Este foi o primeiro livro que li neste ano de 2018.
Mais um livro de uma escritora que Tennessee Williams definia como alguém que entendia o coração dos homens com uma profundidade que nenhum outro escritor consegue alcançar.
Carson McCullers escreve magistralmente sobre a solidão, sobre a necessidade de encontrarmos amigos, de falar, em suma sobre as mais diversas inquietações e frustrações.
"Relógio sem Ponteiros" decorre numa pequena cidade no sul dos EUA, (por volta de 1953) em que quatro homens de diferentes idades se debruçam sobre o seu passado e futuro:
-J.T. Malone, um homem solitário de meia-idade que gere uma farmácia, descobre que está a morrer e tenta reconciliar-se com o que resta da sua vida.
-O velho Juiz Clane, antigo congressista e uma glória do estado e do Sul, membro da igreja e crente, resiste aos novos tempos (da libertação dos escravos) e anseia pelo regresso das antigas maneiras do Sul.
-Jester o seu neto, de ideias contrárias às do seu avô, mostra-se arrogante e, ao mesmo tempo, demasiado delicado, com qualquer coisa de misterioso na sua suavidade parecendo a sua inteligência demasiado perigosa.
-Sherman, um órfão negro, encontrado abandonado na Igreja da Sagrada Ascensão, por quem Jester nutre simpatia, é alegre e de olhos azuis e anda em procura da sua identidade pressentindo que o Juiz Malone lhe ocultava qualquer coisa de muito importante.
Este foi o último romance de Carson McCullers e mais uma vez o seu enorme talento se revela nestas 226 páginas ao descrever tão bem a América dos anos 50, em que ainda se fazem sentir os mais variados sintomas dos conflitos raciais nas pequenas cidades do Sul dos EUA, explorando igualmente com humor e talento temas como o preconceito, o segredo e a redenção.
Carson McCullers - Columbus - EUA - 1917 - 1967 |
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