sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OS LIVROS QUE LI EM 2014

0 - li, mas não me merece mais do que zero, porque não entendi
1 - desisti  (quando, a páginas tantas, não sei nem compreendo o que se trata, desisto, embora me custe muito desistir de qualquer livro
2 - li, mas não me cativou  (e se for a primeira vez que leio este autor dificilmente voltarei a lê-lo)
3 - razoável (costumo dar-lhe uma segunda oportunidade, não ao livro mas sim ao autor) 
3,5 - interessante  (gostei e será mais um autor a ter em consideração)
4 - bom  (gostei muito pelo que estarei sempre atento a obras do autor)
5 - muito bom (fico sempre com a vontade de o voltar a ler-o livro-)
6 - excelente  (um autor que passará a ser primeiro nas minhas preferências
7 - obra prima  (só muito raramente costumo ter a sorte de o encontrar)




Por ordem de satisfação, com pontuação de 0 a 7:


  1. CANADÁ - Richard Ford - 6
  2. O HERÓI DISCRETO - Mário Vargas Llosa - 5
  3. O PALÁCIO DA LUA - Paul Auster - 5
  4. CLARABÓIA - José Saramago - 5
  5. O RETORNO - Dulce Maria Cardoso - 5
  6. ANTOLOGIA INDISPENSÁVEL - Flannery O'Connor - 5 
  7. ATÉ AO FIM - Vergílio Ferreira - 4 
  8. A CIDADE DE ULISSES - Teolinda Gersão - 4
  9. A PRIMAVERA HÁ-DE CHEGAR, BANDINI - John Fante - 4 
  10. RÓMULO DE CARVALHO/ANTÓNIO GEDEÃO - PRÍNCIPE PERFEITO - Cristina Carvalho - 4
  11. HOMER & LANGLEY - E.L.DOCTOROW - 4
  12. CRÓNICA, SAUDADE DA LITERATURA - Manuel António Pina - 4
  13. PASSAGENS - Teolinda Gersão - 4
  14. O BOTEQUIM DA LIBERDADE (Natália Correia) - Fernando Dacosta - 4
  15. O INQUILINO - Javier Cercas - 4
  16. CARTAS A LUCÍLIO - Lúcio Abreu Séneca - 4
  17. DIÁRIO DE INVERNO (memórias) - Paul Auster - 4
  18. PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS - Afonso Cruz - 4
  19. DESISTO - Philippe Claudel - 4 
  20. O GERÂNIO - CONTOS DISPERSOS - Flannery O'Connor - 4
  21. O INTRÍNSECO DE MANOLO - João Rebocho Pais - 4
  22. O LIVRO DE AGUSTINA BESSA LUÍS - (por ela própria) - 4
  23. TEORIA GERAL DO ESQUECIMENTO - José Eduardo Agualusa - 4
  24. JESUS CRISTO BEBIA CERVEJA - Afonso Cruz - 4
  25. A METAMORFOSE - Franz Kafka - 4
  26. PAPÉIS DE JORNAL - António Mega Ferreira - 4
  27. A LOUCA DA CASA - Rosa Montero - 3,5
  28. A CIVILIZAÇÃO DO ESPECTÁCULO - Mário Vargas Llosa - 3,5
  29. A GUERRA DO SALAVISA - J. F. Matias - 3,5
  30. A ÚLTIMA ENTREVISTA DE JOSÉ SARAMAGO - José Rodrigues Santos - 3,5
  31. A INFÂNCIA DE JESUS - J. M. Coetzee - 3,5
  32. ENTRE COZ E ALPEDRIZ - José Cipriano Catarino - 3,5
  33. PORTUGAL - A FLOR E A FOICE - J. Rentes de Carvalho - 3,5
  34. UMA OUTRA VOZ - Gabriela Ruivo Trindade - 3,5
  35. VIVER E RESISTIR NO TEMPO DE SALAZAR - Maria Alice Samara/Raquel P. Henriques - 3,5 
  36. O ASSASSINO DO AQUEDUTO - Anabela Natário - 3,5
  37. FALAR É FÁCIL - Zé Diogo Quintela - 3,5
  38. A ESPÉCIE HUMANA - Robert Antelme - 3,5
  39. 1914-PORTUGAL NO ANO DA GRANDE GUERRA - Ricardo Marques - 3,5
  40. AUTORES,LEITORES E EDITORES - Francisco Vale - 3,5
  41. AS VIDAS DOS OUTROS - Pedro Mexia - 3,5
  42. GOODBYE, COLUMBUS - Philip Roth - 3,5
  43. VICENTE JORGE SILVA CONVERSAS COM ISABEL LUCAS - 3,5
  44. TEMPO DE COMBATE - Baptista-Bastos - 3
  45. OS FACTOS - Philip Roth - 3
  46. O MUNDO DOS VIVOS - Pedro Mexia - 3
  47. OS NÍVEIS DA VIDA - Julian Barnes - 3
  48. CARÍSSIMAS 40 CANÇÕES - Sérgio Godinho - 3
  49. OS PRIMOS DA AMÉRICA - Ferreira Fernandes - 3
  50. A IRMÃ DE FREUD - Goce Smilovski
  51. AS VIDAS DOS ANIMAIS - J.M.Coetzee - 3
  52. A ILHA - J.M.Coetzee - 3
  53. OS OLHOS DE TIRÉSIAS - Cristina Drios - 3
  54. AS PRIMEIRAS COISAS - Bruno Vieira Amaral - 3
  55.  SONO - Haruki Murakami - 3
  56. OS ESCRITORES (TAMBÉM) TÊM COISAS A DIZER - Carlos Vaz Marques - 3
  57. AQUILO EM QUE ACREDITO - Carlos Fuentes - 3
  58. PÁGINAS DO PÁGINAS SOLTAS - Bárbara Guimarães - 3
  59. NADA A TEMER - Julian Barnes - 2
  60. O EIXO DA BÚSSOLA - Mário Cláudio - 2
  61. VIVER PARA CONTÁ-LA - Gabriel Garcia Marquez - 2
  62. EXPLICAÇÕES DE PORTUGUÊS-EXPLICADAS OUTRA VEZ - Miguel Esteves Cardoso - 2
  63. RETRATO DE RAPAZ - Mário Cláudio - 2
  64. OS VENTOS E OUTROS CONTOS - Eudora Welty - 2
  65. UMA BIBLIOTECA DA LITERATURA UNIVERSAL - Hermann Hesse - 2
  66. HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA - Jorge Luís Borges - 2
  67. TUDO SÃO HISTÓRIAS DE AMOR - Dulce Maria Cardoso -2 
  68. ENCICLOPÉDIA DA HISTÓRIA UNIVERSAL - Afonso Cruz - 2
  69. OLHOS DE CÃO AZUL (contos) - Gabriel Garcia Marquez - 2
  70. UMA MENTIRA MIL VEZES REPETIDA - Manuel Jorge Marmelo - 1
  71. DESUMANIZAÇÃO - Valter Hugo Mãe - 1
  72. MISTÉRIOS - KNUT HAMSUN - 1
  73. A RECOMPENSA DO SOLDADO - William Faulkner - 1
  74. CANÇÕES MEXICANAS - Gonçalo M. Tavares - 0




sábado, 10 de janeiro de 2015

TONY CARREIRA/MIKE BRANT


Tony Carreira

Na semana passada ouvi, na Antena Um, uma curiosa entrevista (de cerca de duas horas) feita pelo grande António Macedo a um dos maiores sucessos de venda, da música ligeira portuguesa, Tony Carreira.


Mike Brant - 1947-1975

De propósito referi curiosa entrevista, apesar de a mesma não ter acrescentado nada à personalidade deste cantor romântico, para além da sua humildade na descrição do que foram os seus inícios, um pouco mala de cartão e um pouco o fado português de "desgraçadinho", não referiu nem gostos nem interesses por algo de cultural para além da sua melodia sempre igual, mas curiosamente referiu como seu ídolo na música um cantor que me fez recuar à minha adolescência: MIKE BRANT, e que, um pouco estranhamente, o entrevistador revelou desconhecer em absoluto (uma surpresa para mim).

Mike Brant foi um cantor da minha adolescência, quando reinava o eterno Salvatore Adamo, cuja nacionalidade nem sempre foi (para mim) muito clara, tive sempre dúvidas se era francês, belga, suiço, ou italiano (afinal parece que é mesmo italiano, da Sicília, ao que parece nascido em Como, embora belga do coração, como ele costuma salientar e conforme me disse o meu amigo Kim um verdadeiro e eterno fã de Adamo) ...

Mike Brant foi um cantor francês (porém de nacionalidade israelita) pouco conhecido em Portugal, até porque morreu cedo (suicidou-se ao 28 anos), que até poderá ter tido algumas semelhanças com Tony Carreira, pelo menos na pose para a fotografia...

Esta sua canção -de Mike Brant- (Rien qu'un larme) traz-me à lembrança milhentas recordações.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

ÚLTIMO LIVRO QUE LI EM 2014




"VICENTE JORGE SILVA CONVERSAS COM ISABEL LUCAS"

Foi este o último livro que li em 2014.

Vicente Jorge Silva é um grande homem dos jornais um homem a quem me habituei a reconhecer uma qualidade que não vejo a mais ninguém na imprensa deste país.
Este livro retrata bem o seu trabalho ao longo de toda uma vida dedicada aos jornais, desde o mítico jornal cor de rosa "O Comércio do Funchal" até àquele que foi, na altura, uma pedrada no charco "O PÚBLICO", passando, claro, pelo EXPRESSO.




Este livro é uma longa conversa que passa a vida profissional e pessoal de Vicente Jorge Silva, sessenta e oito anos, natural do Funchal, jornalista, um homem que marcou alguns dos mais estimulantes projectos do jornalismo em Portugal.



Aqui se fala de pessoas - 
-António Guterres que me pareceu demasiado condescendente, sem firmeza bastante para defender as suas convicções
-Augusto Santos Silva um homem de mão e um panfletário grosseiro do socratismo
-Manuel Alegre, independentemente das suas vaidades pessoais, tinha uma energia de combate, um certo idealismo com o qual eu me identificava um pouco
-com Jorge Sampaio as coisas eram mais simples, transparentes
-Cavaco Silva é uma personagem oblíqua   
-Alberto João Jardim - Há tempos, numa inauguração num bairro social, um grupo de populares lançou uns impropérios contra Jardim e ele respondeu: "não vale a pena ladrar porque ainda não aprenderam a ser cachorros". A verdade é que ele sempre olhou para os madeirenses como cachorros dóceis e mudos e, agora, os cachorros começaram a ladrar..."
e muitos outros - Belmiro de Azevedo, Mário Soares, Ferro Rodrigues, Álvaro Cunhal...

Aqui se fala de livros:

-"A SANGUE FRIO" de Truman Capote-um livro absolutamente extraordinário, de uma força esmagadora.
-"AS PALAVRAS" de Jean Paul Sartre-talvez seja o livro mais fabuloso sobre a infância e a construção de uma personalidade a partir da infância
-"O ESTRANGEIRO" de Albert Camus - foi um romance essencial da minha adolescência, que li e reli não sei quantas vezes.

Um livro que li com curiosidade e satisfação. 












Contudo, notei uma falta, que talvez até possa considerar uma lacuna, é que não foi abordado algo que creio ter sido uma iniciativa pioneira do jornal lançado por Vicente Jorge Silva "O PÚBLICO": a venda de livros juntamente com o jornal, nomeadamente a excelente "COLECÇÃO MIL FOLHAS" de 100 títulos; e julgo que também Vicente Jorge Silva terá estado neste extraordinário projecto da imprensa portuguesa, daí a minha estranheza na não abordagem deste tema.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

INTERMEZZO

"O campo é onde não estamos. Ali, só ali, há sombras verdadeiras e verdadeiro arvoredo."






sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O PRÍNCIPE PERFEITO


Um profundo, um imenso desânimo, uma incompreensão e desgosto da humanidade foi sempre uma característica da sua personalidade.

Rómulo de Carvalho/António Gedeão com sua filha Cristina Carvalho, a autora desta biografia 

(...) A vida nunca me seduziu. Entre o viver e o morrer sempre preferi o morrer. Se não tivesse nascido, ninguém daria pela minha falta. É preciso ter vocação para viver e é por isso que alguns se suicidam, o que é digno de todo o respeito. Nunca pensei nisso e só em consequência e um sofrimento excessivo o faria.

Desde o dia em que Manuel Freire cantou a Pedra Filosofal (no Zip-Zip, cujo primeiro programa foi transmitido a 24 de Maio de 1969) foi talvez das músicas mais cantadas até ao dia de hoje.

Foi este poema que deu a conhecer António Gedeão (pseudónimo de Rómulo de Carvalho) aos portugueses. As pessoas sabiam de cor a letra deste poema e os seus últimos versos:

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha 
o mundo pula e avança 
como bola colorida
entre as mãos de uma criança

Li este livro com muito agrado, pois a sua leveza de escrita e a facilidade e clareza com que a autora nos dá a conhecer o poeta e o homem torna a leitura tão agradável que nem se dá por chegar ao fim deste belíssimo livro de apenas 160 páginas.


RÓMULO DE CARVALHO/ANTÓNIO GEDEÃO - Príncipe Perfeito - Eis uma pequeníssima biografia de um grande poeta, cientista e ilustre Português que se lê num ápice, escrita por quem certamente melhor o conhecia -sua filha, CRISTINA CARVALHO-. 



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A CIDADE DE ULISSES


Continuo, não continuo, paro aqui, desisto agora...foi esta a minha hesitação durante a leitura das primeiras trinta páginas, só que, de repente, o livro começa a transformar-se e eis que estou completamente apanhado pela descrição das personagens que foram os pais do principal protagonista da história (Paulo Vaz). O pai, major do exército, autoritário de tal modo que envenena as relações com os que com ele vivem, e que, antes de morrer, perdeu no Casino todas as suas economias. A sua mãe que se refugia na pintura e acaba num lar com Alzheimer: no verão ao fim da tarde eu levava-a até à varanda, na cadeira de rodas em que se encontrava, pois entretanto tinha sofrido um AVC. Mas ela não via a relva, as flores, os guarda-sóis abertos, as estátuas, na esplanada do Museu do Chiado, o pedaço de rio ao fundo. Por vezes sorria vagamente, apontando um pardal ou um pombo. Ou uma gaivota, mas as gaivotas voavam menos por ali. Quase nunca falava, não me reconhecia. Se lhe mostrava fotografias, revistas ou postais, olhava-os com um olhar cego, com se não visse. Quando me ia embora dizia-me adeus com a mão, uma vez ou outra, Mas quase sempre ignorava-me, como se eu fosse um pedaço de tecto ou de parede.




Gostei deste livro e aprendi!


-Portugal foi o primeiro país europeu a fazer o comércio de escravos e o último a deixar de ter colónias, no século XX. Embora fosse o primeiro a abolir a escravatura, e também foi pioneiro na abolição da pena de morte, em 1867.

-Já em 1557 Garcia de Resende apontava a falta de bons governos.

-E muito mais...

"A CIDADE DE ULISSES" foi o segundo livro de TEOLINDA GERSÃO que li, depois do excelente "PASSAGENS", e gostei deveras deste livro que, repito, nas primeiras páginas, não me prendeu mas que, daí para a frente, não mais me largou e me agarrou até à última página.




sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

CANADÁ




Dizia-me há dias o tradutor deste livro que ando a ler:
Francisco Agarez-"CANADÁ" foi um dos maiores desafios que enfrentei nos últimos anos. 
Seve-Um dos maiores desafio em que sentido? perguntei eu
FA-No sentido em que se trata de um livro com uma complexidade na caracterização das personagens e dos ambientes (também eles, aqui, personagens) e com uma quase ferocidade estilística que obrigam o tradutor a trabalhar no fio da navalha, correndo o risco de desagradar aos dois amos de que é servidor: o autor e o leitor.

Realmente a complexidade destas personagens e dos ambientes é absolutamente fascinante, entranhando-se-nos até aos ossos. 

Quando eu leio um livro e consigo ver as personagens, e eu vi a mãe dos gémeos Parsons - que mulher, que vida mais infeliz, e eu vi o pai dos gémeos, que homem mais "distraído da vida", tão diferente da mulher com quem casou e em quem parece nunca ter reparado, nem nos filhos, - então, dizia eu, quando eu vejo, ouço e cheiro, o livro entranhou-se-me, invadiu-me e ficou-me para sempre.  
E aquele diabólico "homem" Arthur Remlinger - que facínora, desta gente há cada vez mais...enfim, personagens e ambientes fascinantes, que estou a adorar.


Richard Ford - EU - Jackson - Mississippi - 1944
Li um livro que, de algum modo, tem também personagens e ambientes muito parecidos, "Domínios da noite" de William Gay.  

"CANADÁ" de Richard Ford - Grande Livro! Estou mesmo mesmo à beirinha do fim. São 431 páginas intensas.

Dell Parsons e sua irmã gémea Berner (de catorze anos) estavam longe de imaginar o quanto a sua vida se alteraria no dia em que os seus pais, desesperados, decidem assaltar um banco.

Foi talvez o melhor livro que li até agora neste ano de 2014, um pouco acima dos outros três que mais tinha gostado (O Herói Discreto de Mário Vargas Llosa, "Para onde vão os guarda chuvas" do Afonso Cruz e de "Clarabóia" de José Saramago.


                       



"CANADÁ" de Richard Ford - Brilhante        

 


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

COLECÇÃO DE 120 TONELADAS DE LIXO



Homer e Langley Colleyr - dois irmãos que se tornaram uma lenda de Nova Iorque quando foram encontrados (em Março de 1947) soterrados debaixo de toneladas de lixo (foram recolhidas 120 toneladas) acumulado na sua mansão da Quinta Avenida (uma das ruas mais caras de Nova Iorque e do mundo). 

Langley Collier, com o advogado, 1946.jpg
Langley Collyer (de chapéu na mão) em 1946 - um ano antes de ser encontrado morto
Homer cegou por volta dos 14 anos, intuitivo e que via pelos sons e pelos cheiros (como ele dizia) e Langley (o irmão mais velho) que durante anos comprou e juntou todos os jornais, matutinos e vespertinos que diariamente eram publicados em Nova Iorque, para além de outras revistas e publicações. 

A sua intenção era publicar um jornal para sempre; o projecto de Langley consistia em cortar e arquivar notícias por categorias: invasões, guerras, homicídios em massa, acidentes de automóvel, comboio e avião, enfim, agrupar por temas tudo o que os jornais publicavam diariamente. 

Queria portanto fixar a vida americana de maneira definitiva numa só edição, aquilo a que chamava o jornal Colleyr sem data, eternamente actual, o único jornal de que qualquer pessoa necessitaria para o resto da vida. 


Para além de jornais e revistas Langley coleccionava tudo - foram encontradas máquinas de escrever, bicicletas enferrujadas, carrinhos de bebé, armas, lustres de vidro, mais de 25 mil livros, órgãos humanos conservados em frascos, banjos, violinos, dois órgãos, acordeões, relógios, catorze pianos, enfim tudo coleccionava (e sempre mais do que um exemplar), até um automóvel Ford Modelo T foi encontrado numa das salas desta mansão com quatro pisos (desmanchou-o no quintal e, peça a peça, através de cordas, transportou-o e montou-o numa das salas da mansão). 



"Homer & Langley" do escritor nova iorquino, E.L.DOCTOROW -  é o livro que ando a ler e que me está a surpreender pela intuição de Homer (cego) e pela loucura ou genialidade de Langley, que serviu na 1ª. guerra mundial, e que me estão a proporcionar uma excelente visita guiada à América do século XX e aos becos sombrios da mente humana. 

Estranhamente, o livro tem algumas lacunas, nomeadamente relatando factos que se teriam passado na época destes dois irmãos salientando, inclusive, que tais factos os teriam abalado -a morte de Martin Luther King e a  morte de Kennedy- ora estas tragédias aconteceram nos anos 60 enquanto que a morte dos dois irmãos aconteceu em 1947; efectivamente muito estranhas estas gafes num escritor credível. 

 


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

TERENCE STAMP VS MARLON BRANDO




Terence Stamp
Já aqui referi que o melhor actor de cinema que vi até hoje foi Marlon Brando. 

Terence Stamp foi outros dos actores que me levaram  a gostar de cinema. A sua magistral interpretação no filme "O OBCECADO", de 1965, é inesquecível, antes já tinha feito outro grande filme numa adaptação de uma história de um grande livro de Herman Melville (BILLY BUDD), cuja interpretação o levou a ser indicado para Óscar. Com este filme (Billy Budd), foi consagrado nos Prémios Globos de Ouro, tendo sido considerado o melhor actor de 1962 e a revelação do ano. Namorou com estrelas famosas, dentre elas Julie Christie (a difícil) e Brigitte Bardot (nem tanto).


Terence Stamp no filme Billy Budd
Pois este grande actor, nascido em Londres, que tem actualmente 76 anos e continua em actividade, disse de Marlon Brando (que com ele filmou o Super-Homem):

Marlon Brando era um diamante raro. Tinha tudo e por isso não se levava muito a sério, nem levava a vida muito a sério. Era o tipo mais divertido que já conheci. Era um prazer estar com ele.  

Marlon Brando  1924-2004


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ADULTÉRIO DIGITAL

Mundo dos Vivos (O) - Ampliar Imagem

Gosto deste tipo de livro de pequenas (curtas e leves) crónicas, com quem aprendo muito e onde descubro sempre histórias interessantíssimas. Depois de ter lido "AS VIDAS DOS OUTROS" de PEDRO MEXIA, que reúne crónicas sobre mortos, estou agora a ler, do mesmo autor, "O MUNDO DOS VIVOS" que reúne crónicas sobre vivos.

Dele recolhi esta interessante e curiosa história (verídica).
Em Zenica (Bósnia) um casal em desavenças conjugais (Sana Klaric de 27 anos e Adnan Klaric, 32 anos) começam a frequentar um chat na Internet, ela com o nickname Sweetie, ele com um mais imponente "Prince of Joy"; assim se conhecem, e como acontece com frequência nestes casos, as conversas íntimas vão criando uma ligação que os leva a pensar que encontraram a sua alma gémea, e assim vão contando um ao outro os seus problemas matrimoniais. Descobrem afinidades e das palavras passam aos actos e marcam um encontro. Quando se vêem à entrada de um centro comercial, ambos com uma rosa na mão, ficam em estado de choque. Em vez de caírem nos braços um do outro, pediram ambos o divórcio, por traição do cônjuge.
Estou a gostar destas e outras histórias que este excelente jornalista (e escritor) me tem proporcionado com este e os vários livros que dele já li.
  

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

LICENCIADOS VS MERKEL


Não sei com que intenções a Srª. Merkel,  falando para empresários alemães, disse que Portugal e Espanha têm licenciados a mais. Contudo, não sei se será bem o caso já que, em 2013, 25,3% das pessoas na União Europeia têm cursos superiores (25,1% na Alemanha), enquanto a percentagem portuguesa era de 17,6%.

Penso que fomentar a ignorância sempre serviu aos poderosos para cimentarem o seu domínio sobre os mais fracos pelo que será talvez de desconfiar de determinadas estratégias, principalmente no tempo que passa em que cada vez mais as pessoas estão a perder os seus direitos e as suas vantagens no que respeita ao justo direito de querer ser recompensado pelo seu trabalho e de poder ter uma vida digna.

Quando referi que não sabia as intenções da Srª. Merkel ao fazer esta declaração é que não podemos deixar de lado que em 4.11.2012, o Ministro da Educação, Nuno Crato, assinou em Berlim um acordo para reforçar o ensino profissional (sendo a Alemanha a vender-nos a formação profissional). E eu, que trabalhei em mais do que uma empresa alemã, bem sei como actuam os alemães neste aspecto. Portanto... 

De qualquer modo, e podendo até parecer uma contradição, não posso deixar de referir que ter o canudo não é sinónimo de sapiência pois a ignorância continua (cada vez mais) a grassar por estas hostes e atrevo-me até a salientar que muitíssimos mal sabem ler e escrever (não estou a exagerar). Obviamente que nem todos  podem ser doutores e de facto é uma verdade que se estão a perder os bons técnicos (um bom mecânico, um bom carpinteiro, um bom canalizador, um bom electricista, etc etc...).