sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

CANADÁ




Dizia-me há dias o tradutor deste livro que ando a ler:
Francisco Agarez-"CANADÁ" foi um dos maiores desafios que enfrentei nos últimos anos. 
Seve-Um dos maiores desafio em que sentido? perguntei eu
FA-No sentido em que se trata de um livro com uma complexidade na caracterização das personagens e dos ambientes (também eles, aqui, personagens) e com uma quase ferocidade estilística que obrigam o tradutor a trabalhar no fio da navalha, correndo o risco de desagradar aos dois amos de que é servidor: o autor e o leitor.

Realmente a complexidade destas personagens e dos ambientes é absolutamente fascinante, entranhando-se-nos até aos ossos. 

Quando eu leio um livro e consigo ver as personagens, e eu vi a mãe dos gémeos Parsons - que mulher, que vida mais infeliz, e eu vi o pai dos gémeos, que homem mais "distraído da vida", tão diferente da mulher com quem casou e em quem parece nunca ter reparado, nem nos filhos, - então, dizia eu, quando eu vejo, ouço e cheiro, o livro entranhou-se-me, invadiu-me e ficou-me para sempre.  
E aquele diabólico "homem" Arthur Remlinger - que facínora, desta gente há cada vez mais...enfim, personagens e ambientes fascinantes, que estou a adorar.


Richard Ford - EU - Jackson - Mississippi - 1944
Li um livro que, de algum modo, tem também personagens e ambientes muito parecidos, "Domínios da noite" de William Gay.  

"CANADÁ" de Richard Ford - Grande Livro! Estou mesmo mesmo à beirinha do fim. São 431 páginas intensas.

Dell Parsons e sua irmã gémea Berner (de catorze anos) estavam longe de imaginar o quanto a sua vida se alteraria no dia em que os seus pais, desesperados, decidem assaltar um banco.

Foi talvez o melhor livro que li até agora neste ano de 2014, um pouco acima dos outros três que mais tinha gostado (O Herói Discreto de Mário Vargas Llosa, "Para onde vão os guarda chuvas" do Afonso Cruz e de "Clarabóia" de José Saramago.


                       



"CANADÁ" de Richard Ford - Brilhante        

 


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

COLECÇÃO DE 120 TONELADAS DE LIXO



Homer e Langley Colleyr - dois irmãos que se tornaram uma lenda de Nova Iorque quando foram encontrados (em Março de 1947) soterrados debaixo de toneladas de lixo (foram recolhidas 120 toneladas) acumulado na sua mansão da Quinta Avenida (uma das ruas mais caras de Nova Iorque e do mundo). 

Langley Collier, com o advogado, 1946.jpg
Langley Collyer (de chapéu na mão) em 1946 - um ano antes de ser encontrado morto
Homer cegou por volta dos 14 anos, intuitivo e que via pelos sons e pelos cheiros (como ele dizia) e Langley (o irmão mais velho) que durante anos comprou e juntou todos os jornais, matutinos e vespertinos que diariamente eram publicados em Nova Iorque, para além de outras revistas e publicações. 

A sua intenção era publicar um jornal para sempre; o projecto de Langley consistia em cortar e arquivar notícias por categorias: invasões, guerras, homicídios em massa, acidentes de automóvel, comboio e avião, enfim, agrupar por temas tudo o que os jornais publicavam diariamente. 

Queria portanto fixar a vida americana de maneira definitiva numa só edição, aquilo a que chamava o jornal Colleyr sem data, eternamente actual, o único jornal de que qualquer pessoa necessitaria para o resto da vida. 


Para além de jornais e revistas Langley coleccionava tudo - foram encontradas máquinas de escrever, bicicletas enferrujadas, carrinhos de bebé, armas, lustres de vidro, mais de 25 mil livros, órgãos humanos conservados em frascos, banjos, violinos, dois órgãos, acordeões, relógios, catorze pianos, enfim tudo coleccionava (e sempre mais do que um exemplar), até um automóvel Ford Modelo T foi encontrado numa das salas desta mansão com quatro pisos (desmanchou-o no quintal e, peça a peça, através de cordas, transportou-o e montou-o numa das salas da mansão). 



"Homer & Langley" do escritor nova iorquino, E.L.DOCTOROW -  é o livro que ando a ler e que me está a surpreender pela intuição de Homer (cego) e pela loucura ou genialidade de Langley, que serviu na 1ª. guerra mundial, e que me estão a proporcionar uma excelente visita guiada à América do século XX e aos becos sombrios da mente humana. 

Estranhamente, o livro tem algumas lacunas, nomeadamente relatando factos que se teriam passado na época destes dois irmãos salientando, inclusive, que tais factos os teriam abalado -a morte de Martin Luther King e a  morte de Kennedy- ora estas tragédias aconteceram nos anos 60 enquanto que a morte dos dois irmãos aconteceu em 1947; efectivamente muito estranhas estas gafes num escritor credível. 

 


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

TERENCE STAMP VS MARLON BRANDO




Terence Stamp
Já aqui referi que o melhor actor de cinema que vi até hoje foi Marlon Brando. 

Terence Stamp foi outros dos actores que me levaram  a gostar de cinema. A sua magistral interpretação no filme "O OBCECADO", de 1965, é inesquecível, antes já tinha feito outro grande filme numa adaptação de uma história de um grande livro de Herman Melville (BILLY BUDD), cuja interpretação o levou a ser indicado para Óscar. Com este filme (Billy Budd), foi consagrado nos Prémios Globos de Ouro, tendo sido considerado o melhor actor de 1962 e a revelação do ano. Namorou com estrelas famosas, dentre elas Julie Christie (a difícil) e Brigitte Bardot (nem tanto).


Terence Stamp no filme Billy Budd
Pois este grande actor, nascido em Londres, que tem actualmente 76 anos e continua em actividade, disse de Marlon Brando (que com ele filmou o Super-Homem):

Marlon Brando era um diamante raro. Tinha tudo e por isso não se levava muito a sério, nem levava a vida muito a sério. Era o tipo mais divertido que já conheci. Era um prazer estar com ele.  

Marlon Brando  1924-2004


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ADULTÉRIO DIGITAL

Mundo dos Vivos (O) - Ampliar Imagem

Gosto deste tipo de livro de pequenas (curtas e leves) crónicas, com quem aprendo muito e onde descubro sempre histórias interessantíssimas. Depois de ter lido "AS VIDAS DOS OUTROS" de PEDRO MEXIA, que reúne crónicas sobre mortos, estou agora a ler, do mesmo autor, "O MUNDO DOS VIVOS" que reúne crónicas sobre vivos.

Dele recolhi esta interessante e curiosa história (verídica).
Em Zenica (Bósnia) um casal em desavenças conjugais (Sana Klaric de 27 anos e Adnan Klaric, 32 anos) começam a frequentar um chat na Internet, ela com o nickname Sweetie, ele com um mais imponente "Prince of Joy"; assim se conhecem, e como acontece com frequência nestes casos, as conversas íntimas vão criando uma ligação que os leva a pensar que encontraram a sua alma gémea, e assim vão contando um ao outro os seus problemas matrimoniais. Descobrem afinidades e das palavras passam aos actos e marcam um encontro. Quando se vêem à entrada de um centro comercial, ambos com uma rosa na mão, ficam em estado de choque. Em vez de caírem nos braços um do outro, pediram ambos o divórcio, por traição do cônjuge.
Estou a gostar destas e outras histórias que este excelente jornalista (e escritor) me tem proporcionado com este e os vários livros que dele já li.
  

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

LICENCIADOS VS MERKEL


Não sei com que intenções a Srª. Merkel,  falando para empresários alemães, disse que Portugal e Espanha têm licenciados a mais. Contudo, não sei se será bem o caso já que, em 2013, 25,3% das pessoas na União Europeia têm cursos superiores (25,1% na Alemanha), enquanto a percentagem portuguesa era de 17,6%.

Penso que fomentar a ignorância sempre serviu aos poderosos para cimentarem o seu domínio sobre os mais fracos pelo que será talvez de desconfiar de determinadas estratégias, principalmente no tempo que passa em que cada vez mais as pessoas estão a perder os seus direitos e as suas vantagens no que respeita ao justo direito de querer ser recompensado pelo seu trabalho e de poder ter uma vida digna.

Quando referi que não sabia as intenções da Srª. Merkel ao fazer esta declaração é que não podemos deixar de lado que em 4.11.2012, o Ministro da Educação, Nuno Crato, assinou em Berlim um acordo para reforçar o ensino profissional (sendo a Alemanha a vender-nos a formação profissional). E eu, que trabalhei em mais do que uma empresa alemã, bem sei como actuam os alemães neste aspecto. Portanto... 

De qualquer modo, e podendo até parecer uma contradição, não posso deixar de referir que ter o canudo não é sinónimo de sapiência pois a ignorância continua (cada vez mais) a grassar por estas hostes e atrevo-me até a salientar que muitíssimos mal sabem ler e escrever (não estou a exagerar). Obviamente que nem todos  podem ser doutores e de facto é uma verdade que se estão a perder os bons técnicos (um bom mecânico, um bom carpinteiro, um bom canalizador, um bom electricista, etc etc...). 


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

MARLON BRANDO E O CIÚME

Marlon Brando 1924-2004

O melhor actor de cinema que vi (na tela) até hoje foi MARLON BRANDO. 

Já passaram, entretanto, dez anos sobre a sua morte. 

Leio no seu livro de memórias:

-Durante quase toda a minha vida fui uma pessoa muito ciumenta, mas sempre fiz um grande esforço para o esconder. Tinha receio de que, se alguém descobrisse que eu era ciumento, ele ou ela utilizasse isto contra mim. Agora sou diferente. Cheguei à conclusão de que o ciúme é um sentimento sem sentido, destrutivo, ao qual não me posso permitir, mas não foi fácil para mim aprender a controlar as emoções de uma vida.


Marlon Brando, apesar de tudo ter tido foi um poço de solidão e que morreu na solidão mais absoluta




sábado, 25 de outubro de 2014

O ESCRITOR E O SENTIDO DE HUMOR - III



Volto ao livro que continuo a ler CRÓNICA, SAUDADE DA LITERATURA, de Manuel António Pina, já citado nos dois posts anteriores, desta vez para transcrever a crónica em que o autor cita GROUCHO MARX, comediante e actor norte-americano, o terceiro dos célebres comediantes irmãos MARX:


Groucho Marx (1890-1977)

-Aqui onde me vêem, parti do nada e consegui chegar à mais extrema miséria


  1. os Irmãos Marx (Groucho, Chico e Arpo)



terça-feira, 21 de outubro de 2014

O ESCRITOR E O SENTIDO DE HUMOR - II

Humphrey Bogart   1899-1957 - um dos grandes mitos do cinema


Na sequência da crónica anterior que publiquei sobre o livro que ando a ler, CRÓNICA, SAUDADE DA LITERATURA de Manuel António Pina, citando Humphrey Bogart (ou Bogie, como era conhecido do grande público):



Dizia Humphrey Bogart que quanto pior é a ressaca da manhã tanto melhor foi a noite


Manuel António Pina - escritor, poeta e jornalista portuense - 1943-2012

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O ESCRITOR E O SENTIDO DE HUMOR - I


Manuel António Pina era um escritor cuja modéstia o levava a considerar as crónicas que escrevia para jornais e revistas como uma servidão diária que afirmava com humor só aceitar para alimentar a legião de gatos que tinha em casa e que, como tudo o que é jornal e como diziam os velhos tipógrafos do Jornal de Notícias, só serviriam para embrulhar peixe no dia seguinte.

Pois é precisamente o livro que foi lançado seis meses depois da sua morte e que reúne as suas melhores crónicas (publicadas na sua maioria no JN e na revista VISÃO de 1984 a 2012), que ando a ler - CRÓNICA, SAUDADE DA LITERATURA.

Ontem, sentado numa esplanada, dei por mim a rir sozinho já que o seu sentido de humor é excelente. Por exemplo, com esta desmanchei-me a rir:

-há anos convidaram-me para um debate na Antena Um, que tive de recusar, porque a coisa seria por volta das 10 da madrugada, hora a que costumo estar já deitado.



Manuel António Pina - 1943-2012

domingo, 12 de outubro de 2014

O TELEMÓVEL


A dependência do telemóvel é algo que chega a impressionar. Hoje em dia, já ninguém se imagina sem telemóvel.

São notórias algumas mudanças de comportamento quando, por qualquer razão, não é possível o uso deste: - tiques nervosos (como levar constantemente a mão ao bolso, olhar com agitação para o relógio, procurar o telemóvel sempre que, em redor, soa o toque de um), irritabilidade e depressão-.

Ontem estava sentado num café e numa outra mesa ao lado, separada por um vidro, sentou-se um jovem casal (ao que supus namorados) e durante a mais de meia hora que ali estiveram lado a lado não falaram um com o outro, nem uma palavra sequer, estiveram sempre a falar mas para o telemóvel, ignorando-se completamente um ao outro e assim continuarem quando eu saí... Vejo constantemente as pessoas a atravessarem as ruas e a olhar para o telemóvel, ignorando totalmente os veículos que possam ali circular, pessoas a andar de bicicleta e, ao mesmo tempo, a olharem para o telemóvel, é efectivamente uma dependência total que chega a impressionar quem atente bem na situação.

Ouvi e li, aqui há dias, que o medo, o autêntico pânico de ficar incontactável através do telemóvel já é considerado uma doença e até já tem nome - HOMOFOBIA -. 



Há quem o tenha constantemente, dia e noite, ligado e a sua falta poderá levar a um sentimento de tristeza, falta de apetite e aborrecimento. 

Em Portugal, há quase mais telemóveis que habitantes.




Há indivíduos que parecem dar mais importância ao telemóvel do que, por exemplo, à família e esta necessidade do uso do telemóvel (e, ao fim e ao cabo, das redes sociais) parece colmatar a fobia social de que actualmente padece a maioria das pessoas, sendo talvez resultante do medo da solidão, de não fazer parte de um grupo, é uma alienação total que parece ser o símbolo desta nova sociedade cada vez mais estúpida (e esta minha afirmação não tem a ver com velhos do Restelo) já que quem o confirmou foram estudos recentes efectuados por universidades americanas em que se provou que o Q.I. (coeficiente de inteligência) das novas gerações baixou.


Esta dependência dos telemóveis, da internet, do Facebook, do Google, parece significar que as pessoas deixaram de pensar (ó pai onde se situa a Mongólia, quem foi Leonardo da Vinci....vai ao Google, filho....), o uso das máquinas de calcular para saber quantos são 2 + 2...eu faço sempre as contas à mão por mais parcelas que tenham, poderá parecer ridículo mas obriga-me a ginasticar o cérebro (fundamental). 


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

UMA PALAVRA ENGANOSA - O LAR


A velhice - o abandono dos velhos nos lares. Uma bela história sobre o percurso de uma vida, de uma mãe, Ana, uma mulher idosa que tivera um AVC e ficara presa a uma cadeira de rodas e que para a sua filha (Marta) a ida para um lar será a única solução, já que a mãe não quer ficar em casa das filhas e o lar, apesar de ser um negócio "brutal", será a única solução para prover às necessidades básicas da sua mãe.

Teolinda Gersão

Ali (no lar), esta mãe, ao fim de algum tempo de permanência e para poupar os filhos e a família à "obrigatoriedade" de a visitarem, e até para ter algum descanso para si, finge ter Alzheimer e finge que já não conhece as pessoas.

"Ainda havia outra coisa, ligeiramente perversa; podia escutar o que as enfermeiras e as empregadas diziam de mim, da família e das outras pessoas do lar, julgando que eu não entendia uma única palavra. Era como se eu fosse um mosquito. A minha mãe costumava dizer: Gostava de ser mosquito, para ir ouvir a conversa. De algum modo, era o que eu fazia."   

Gostei deste livro, um romance intenso sobre o percurso ao longo da vida de uma pessoa e de uma família (com os seus bons e maus momentos) o primeiro que li desta excelente (mas desconhecida do grande público) escritora portuguesa, uma agradabilíssima surpresa.


Alzheimer - a doença da alma



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

HÁ CEM ANOS



"1914-PORTUGAL NO ANO DA GRANDE GUERRA" de Ricardo Marques, é o livro que ando actualmente a ler.
Interessante este livro de 300 páginas, relata-nos como era o dia a dia dos portugueses no ano em que a I Grande Guerra eclodiu na França; ficam a saber-se coisas que aconteciam em Portugal há cem anos (1914), por exemplo que: 

-Quase oito em cada dez pessoas não sabiam ler

-O grande nome da obstetrícia era de um médico falecido em Abril de 1910: Manuel Vicente Alfredo da Costa, nascido em Goa. O seu sonho, que não chegou a ver realizado, era a construção de uma maternidade (que só viria a ser construída em 1916)

Manuel Vicente Alfredo da Costa -1859 - 1910 - (médico e professor de medicina, pioneiro da obstetrícia em Portugal)  

-O nome de 1914, Manicómio Miguel Bombarda, era a homenagem do regime ao médico Miguel Bombarda, republicano convicto, assassinado no seu gabinete de Rilhafoles, por um doente mental no dia 03.10.1910, véspera da revolução
              Miguel Augusto Bombarda (Rio de Janeiro, 6 de Março de 1851 — Lisboa, 3 de Outubro de 1910) foi um médico, cientista, professor e político republicano
 -uma mulher de 70 anos vinda de uma aldeia da província que conseguira matar um lobo que lhe tinha mordido (veio a Lisboa ao Instituto da raiva). Ficara muito admirada quando, às refeições, lhe serviram carne e pescada, pois em toda a sua vida apenas tinha comido caldo-verde, pão de milho e toucinho (bacalhau uma vez). 
O ardina e o vendedor de capilé - 1908

-Havia em Portugal cerca de 3500 automóveis, um terço dos quais na capital




sábado, 27 de setembro de 2014

LER MAIS DE UM LIVRO AO MESMO TEMPO





Não gosto de ler mais de um livro ao mesmo tempo, mas desta vez estou a fazê-lo (o outro é "O INQUILINO" do excelente escritor espanhol Javier Cercas); é que "CARTAS A LUCÍLIO" é um calhamaço de mais de 700 páginas e é para se ir desfrutando (ainda só vou na página setenta). Com este "CARTAS A LUCÍLIO" constato, com algum espanto (ou nem tanto), que as situações de vida, o carácter dos homens e as suas atitudes não mudaram assim tanto em mais de 2.000 anos.

Os pensamentos de Séneca que, ao longo dos anos, ia lendo aqui e ali, dispersos em vários jornais e revistas sempre me chamaram a atenção e sempre me despertaram o máximo interesse e curiosidade. 

Com a leitura deste "CARTAS A LUCÍLIO", talvez a sua obra mais importante, que reflectirá, porventura, a forma mais amadurecida do seu pensamento, tomo finalmente contacto com este grande filósofo espanhol. Curiosamente sempre me convenci que Séneca era um filósofo grego do princípio da nossa era mas fiquei agora a saber que afinal era Espanhol, tendo nascido em Córdoba  em 4 a.c. (suicidou-se em Roma 65 d.c.).

Estas cartas, escritas ao seu amigo Lucílio, contêm uma série de reflexões sobre uma enorme variedade de problemas, na sua totalidade de carácter ético, reflexões que constituem uma análise de situações concretas e de apreciações de grande agudeza sobre a natureza e o comportamento humanos.
Este seu amigo Lucílio, cuja data de nascimento não estará longe da de Séneca (embora um pouco mais novo do que Séneca), tornou-se uma personagem de destaque na sociedade romana devido essencialmente à sua actividade literária.



Entretanto, vou tomando notas de pequenos pensamentos deste grande filósofo:

-Quem despreza a própria vida é absoluto senhor da tua
-Nada nos pertence, só o tempo é novo
-Quem passa a vida em viagem acontece ter muitos conhecimentos fortuitos, mas nenhum amigo verdadeiro
-Não deveremos confiar em todos nem não confiar em ninguém
-Há coisas que são tanto menos de temer quanto maior é o temor que inspiram
-Aquele que sabe viver em pequena pobreza esse, é verdadeiramente rico
-Evita tudo quanto se torna notado quer na tua pessoa quer no teu estilo de vida
-Um espírito superior é capaz de usar utensílios de barro como se fossem de prata, mas não é inferior aquele que usa os de prata como se fossem de barro  

   



terça-feira, 23 de setembro de 2014

BONECOS DA BOLA

FERNANDO CABRITA, faleceu ontem (22.09.2014) aos 91 anos de idade.
Um grande vulto do futebol, e um dos nomes do futebol português que ouço desde menino.

no Olhanense, o seu 1º. grande clube 
Ficou célebre a frase que parece ter proferido com o intuito de incitar e motivar os jogadores portugueses, aquando dum importante jogo de Portugal na fase final do Europeu de Futebol de 1984, em França - VAMOS A ELES QUE NEM TARZÕES -, foi este, talvez, o mais importante momento da sua carreira, pois como seleccionador nacional, no comando de um grupo notável, atingiu as meias-finais, durante o qual contou com a colaboração de José Augusto, Toni e António Morais (este último também já desaparecido).
no S.C.Covilhã 
FERNANDO CABRITA, um nome do futebol português que marcou gerações. Foi jogador (representou 3 clubes - Olhanense, Angers (França) e Sporting da Covilhã), treinador e Seleccionador Nacional. Prestou serviço em diversos clubes, mas o Benfica parece ter sido a sua maior paixão. 



Fernando Cabrita em 1967/68 como treinador principal no Benfica 

Segundo os seus jogadores era um psicólogo puro/genuíno. Por exemplo António Sousa, um dos grande jogadores portugueses que foi treinado por ele, não o esqueceu e recorda-o assim:

"Fernando Cabrita foi uma pessoa de enormes qualidades que deixou muitas marcas positivas no futebol português. Foi, curiosamente, um dos homens que impulsionou a minha carreira no Beira-Mar, quando tinha apenas 18 anos.
Era um homem puro, de aço, de coragem, amigo do amigo, com uma identidade muito própria. Tive a felicidade de conviver com ele no Beira-Mar e, mais tarde, na Selecção Nacional. Explorou muito as minhas capacidades, sobretudo a nível psicológico, em termos de liderança dentro do campo. Era dos melhores...», elogiou o técnico, que aproveitou para contar a A BOLA um episódio que não mais esqueceu:

«Quando nasceu o meu filho Ricardo, em Aveiro, Fernando Cabrita foi dos primeiros a chegar à maternidade, com a sua prendinha... São momentos como esse que nunca se esquecem. Infelizmente tinha perdido o seu rasto nos últimos anos, mas é com enorme saudade que o irei recordar para sempre.» 

na Selecção Nacional

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

LIVROS EM AGOSTO - II

Dos livros que li em Agosto já aqui falei em dois ("Os Primos da América" e "Caríssimas 40 canções). Hoje vou falar-vos doutro também lido em Agosto, um livro que me encantou, "PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS" do jovem e excelente escritor português AFONSO CRUZ, duma imaginação infinita.



Já li três ou quatro livros deste jovem escritor (nasceu na Figueira da Foz em Julho de 1971) e este foi dos livros dele que mais gostei, o primeiro que li de Afonso Cruz (escritor, ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb) foi "Os livros que devoraram o meu pai" e foi logo uma agradável surpresa. Este "PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS" também gostei imenso, prende-nos até ao fim, mantendo-nos sempre interessados, e depois ainda nos proporciona mil e uma citações, das quais me atrevo a reproduzir algumas:  

-Quanto maior é a alma de um homem mais espaço ela ocupa. Não há espaço para ninguém ao seu lado.

-Só existimos quando fazemos

-A ignorância é a mais teimosa das qualidades dos humanos

-A educação faz-se através da negação, a educação é uma limitação da nossa liberdade 

-A educação é dizer não

-Sabes qual é a diferença entre um sábio e um devoto? o devoto, num naufrágio, salva o seu tapete de orações. O sábio salva o homem que se afoga.

-A liberdade está morta. Até lhe construíram uma estátua      

-Para castigarmos os homens maus e os mentirosos, torná-los-emos ricos 

 Afonso Cruz - uma imaginação infinita



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

LIVROS EM AGOSTO

Dos livros que li em Agosto já aqui falei nos "Primos da América", que relata a aventura  de gerações de homens e mulheres (desde há 200 anos) que atravessaram o mar em busca de uma esperança que lhes faltava num Portugal demasiado pobre, demasiado pequeno, demasiado atrasado; muito trabalhou (por vezes quase escravidão) e muito sofreu aquela gente para vencer em terras distantes, mas o livro também fala dos que falharam.


Falo hoje doutro livro que também li em Agosto e através do qual, entre muitas outras curiosidades, fiquei a saber que Ray Charles viu até aos 7 anos, altura em que cegou.

É um pequeno livro de 150 páginas, de SÉRGIO GODINHO "CARÍSSIMAS 40 CANÇÕES" numa homenagem a 40 canções que marcaram Sérgio Godinho, quando passam 40 anos da sua carreira.  

Sérgio Godinho fala destas 40 canções, suas predilectas, abordando factos intrigantes, curiosos, por vezes até inesperados. Fala, por exemplo, duma das minhas canções preferidas (cantada espectacularmente por ele) "O RAPAZ DA CAMISOLA VERDE" de Frei Hermano da Câmara, abordando os mais distintos e variados cantores desde Jacques Brel ao Conjunto António Mafra.

Quase me apeteceria dizer que é mais um bom disco do que um bom livro, que gostei de ouvir.



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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O APURAMENTO PARA O EUROPEU DE FUTEBOL 2016



Com a derrota de Portugal, ontem em Aveiro, frente à modesta Albânia (0-1) toda a gente começou já a fazer contas para a possibilidade de apuramento; e isto logo na 1ª. jornada. 

Por esta circunstância logo me vieram à ideia as palavras do sábio filósofo Professor Agostinho da Silva, quando se referia, não propriamente a esta situação, evidentemente, mas ao nosso grande problema que temos que é o cumprirmo-nos:

Nós fomos feitos para o impossível. Deixe o possível para os Alemães. O possível, com grande magnanimidade, eu deixei para os Alemães. Nós o que temos de cumprir é o impossível!


Professor Agostinho da Silva - 1906-1994

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MÚSICA ANOS 80



                                                           CHERISH       -       KOOL AND GANG


Aproveitemos a vida porque só temos uma.

Esta melodia transpira felicidade por todos os poros e faz-nos sonhar....

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

OS PORTUGUESES NA AMÉRICA

Este livro que acabei de ler, "OS PRIMOS DA AMÉRICA" de Ferreira Fernandes, tem algumas reportagens interessantes sobre portugueses que ao longo dos tempos têem emigrado para a América, sobretudo histórias sobre portugueses que tiveram sucesso e de outros que nem tanto (Manuel Duarte foi o primeiro falhado assumido, que o escritor encontrou na América).



Uma das histórias que mais suscitou a minha atenção foi sobre um homem do cinema -HAL PEREIRA- que que me habituei a ver nos últimos trinta anos nas legendas, quando o filme acabava e estas (legendas) passavam de modo a que as pudéssemos ver e ler e sempre aquele nome me ficou na mente e sempre com a curiosidade de desfazer este desconhecimento, que me intrigou ao longo de tantos anos, sobretudo pelo apelido português. 




Pois finalmente, ao longo de tantos anos fiquei a saber que Hal Pereira (1905-1983) foi o descendente de portugueses que mais sucesso teve no cinema, O art director (quer dizer o homem do cenário, aquele que faz a cara de um filme). Hal Pereira era de Chicago, onde nasceu em 1905, provavelmente descendente dos protestantes madeirenses que emigraram para o Illinois em meados do séc. XIX. Foi nomeado vinte e três vezes para um Óscar, mais do que qualquer outra pessoa em Hollywood, mas só ganhou uma estatueta dourada, em 1955, no filme "A rosa tatuada". E é assinatura dele um monumento que pertence à memória universal do cinema: as traseiras da "Janela Indiscreta" de Alfred Hitchcook, colocou também a sua assinatura numa das mais famosas séries da TV - Bonanza-. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

NOITES PERDIDAS

Ao longo da minha vida tenho passado algumas noites em branco, quer por motivos profissionais, quer por motivos militares, mas por motivos de folguedo as duas que melhor conservo na memória foram a ida do homem à lua, quando, por volta das 3 da manhã de 21 de Julho de 1969, eu e os meus pais, com mais de 500 milhões de espectadores, assistimos ao vivo (na RTP) aos primeiros passos ali dados por Neil Armstrong.


 

A outra noite em branco, fez na última terça feira (12/8) 30 anos (foi a 12 de Agosto de 1984) quando Carlos Lopes conquistou a medalha de ouro na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Com esta vitória, Carlos Lopes tornou-se o primeiro atleta português a subir ao mais alto lugar do pódio nos Jogos Olímpicos. O tempo obtido por Carlos Lopes nesta prova (2 horas 9 minutos e 21 segundos) foi recorde olímpico durante 24 anos.


sábado, 9 de agosto de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

ANOS 80 - TIME BANDITS





Estes betinhos holandeses (Time Bandits) criaram nos anos 80 uma melodia fabulosa (Endless Road). 

É bonita.