sábado, 27 de setembro de 2014

LER MAIS DE UM LIVRO AO MESMO TEMPO





Não gosto de ler mais de um livro ao mesmo tempo, mas desta vez estou a fazê-lo (o outro é "O INQUILINO" do excelente escritor espanhol Javier Cercas); é que "CARTAS A LUCÍLIO" é um calhamaço de mais de 700 páginas e é para se ir desfrutando (ainda só vou na página setenta). Com este "CARTAS A LUCÍLIO" constato, com algum espanto (ou nem tanto), que as situações de vida, o carácter dos homens e as suas atitudes não mudaram assim tanto em mais de 2.000 anos.

Os pensamentos de Séneca que, ao longo dos anos, ia lendo aqui e ali, dispersos em vários jornais e revistas sempre me chamaram a atenção e sempre me despertaram o máximo interesse e curiosidade. 

Com a leitura deste "CARTAS A LUCÍLIO", talvez a sua obra mais importante, que reflectirá, porventura, a forma mais amadurecida do seu pensamento, tomo finalmente contacto com este grande filósofo espanhol. Curiosamente sempre me convenci que Séneca era um filósofo grego do princípio da nossa era mas fiquei agora a saber que afinal era Espanhol, tendo nascido em Córdoba  em 4 a.c. (suicidou-se em Roma 65 d.c.).

Estas cartas, escritas ao seu amigo Lucílio, contêm uma série de reflexões sobre uma enorme variedade de problemas, na sua totalidade de carácter ético, reflexões que constituem uma análise de situações concretas e de apreciações de grande agudeza sobre a natureza e o comportamento humanos.
Este seu amigo Lucílio, cuja data de nascimento não estará longe da de Séneca (embora um pouco mais novo do que Séneca), tornou-se uma personagem de destaque na sociedade romana devido essencialmente à sua actividade literária.



Entretanto, vou tomando notas de pequenos pensamentos deste grande filósofo:

-Quem despreza a própria vida é absoluto senhor da tua
-Nada nos pertence, só o tempo é novo
-Quem passa a vida em viagem acontece ter muitos conhecimentos fortuitos, mas nenhum amigo verdadeiro
-Não deveremos confiar em todos nem não confiar em ninguém
-Há coisas que são tanto menos de temer quanto maior é o temor que inspiram
-Aquele que sabe viver em pequena pobreza esse, é verdadeiramente rico
-Evita tudo quanto se torna notado quer na tua pessoa quer no teu estilo de vida
-Um espírito superior é capaz de usar utensílios de barro como se fossem de prata, mas não é inferior aquele que usa os de prata como se fossem de barro  

   



terça-feira, 23 de setembro de 2014

BONECOS DA BOLA

FERNANDO CABRITA, faleceu ontem (22.09.2014) aos 91 anos de idade.
Um grande vulto do futebol, e um dos nomes do futebol português que ouço desde menino.

no Olhanense, o seu 1º. grande clube 
Ficou célebre a frase que parece ter proferido com o intuito de incitar e motivar os jogadores portugueses, aquando dum importante jogo de Portugal na fase final do Europeu de Futebol de 1984, em França - VAMOS A ELES QUE NEM TARZÕES -, foi este, talvez, o mais importante momento da sua carreira, pois como seleccionador nacional, no comando de um grupo notável, atingiu as meias-finais, durante o qual contou com a colaboração de José Augusto, Toni e António Morais (este último também já desaparecido).
no S.C.Covilhã 
FERNANDO CABRITA, um nome do futebol português que marcou gerações. Foi jogador (representou 3 clubes - Olhanense, Angers (França) e Sporting da Covilhã), treinador e Seleccionador Nacional. Prestou serviço em diversos clubes, mas o Benfica parece ter sido a sua maior paixão. 



Fernando Cabrita em 1967/68 como treinador principal no Benfica 

Segundo os seus jogadores era um psicólogo puro/genuíno. Por exemplo António Sousa, um dos grande jogadores portugueses que foi treinado por ele, não o esqueceu e recorda-o assim:

"Fernando Cabrita foi uma pessoa de enormes qualidades que deixou muitas marcas positivas no futebol português. Foi, curiosamente, um dos homens que impulsionou a minha carreira no Beira-Mar, quando tinha apenas 18 anos.
Era um homem puro, de aço, de coragem, amigo do amigo, com uma identidade muito própria. Tive a felicidade de conviver com ele no Beira-Mar e, mais tarde, na Selecção Nacional. Explorou muito as minhas capacidades, sobretudo a nível psicológico, em termos de liderança dentro do campo. Era dos melhores...», elogiou o técnico, que aproveitou para contar a A BOLA um episódio que não mais esqueceu:

«Quando nasceu o meu filho Ricardo, em Aveiro, Fernando Cabrita foi dos primeiros a chegar à maternidade, com a sua prendinha... São momentos como esse que nunca se esquecem. Infelizmente tinha perdido o seu rasto nos últimos anos, mas é com enorme saudade que o irei recordar para sempre.» 

na Selecção Nacional

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

LIVROS EM AGOSTO - II

Dos livros que li em Agosto já aqui falei em dois ("Os Primos da América" e "Caríssimas 40 canções). Hoje vou falar-vos doutro também lido em Agosto, um livro que me encantou, "PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS" do jovem e excelente escritor português AFONSO CRUZ, duma imaginação infinita.



Já li três ou quatro livros deste jovem escritor (nasceu na Figueira da Foz em Julho de 1971) e este foi dos livros dele que mais gostei, o primeiro que li de Afonso Cruz (escritor, ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb) foi "Os livros que devoraram o meu pai" e foi logo uma agradável surpresa. Este "PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS" também gostei imenso, prende-nos até ao fim, mantendo-nos sempre interessados, e depois ainda nos proporciona mil e uma citações, das quais me atrevo a reproduzir algumas:  

-Quanto maior é a alma de um homem mais espaço ela ocupa. Não há espaço para ninguém ao seu lado.

-Só existimos quando fazemos

-A ignorância é a mais teimosa das qualidades dos humanos

-A educação faz-se através da negação, a educação é uma limitação da nossa liberdade 

-A educação é dizer não

-Sabes qual é a diferença entre um sábio e um devoto? o devoto, num naufrágio, salva o seu tapete de orações. O sábio salva o homem que se afoga.

-A liberdade está morta. Até lhe construíram uma estátua      

-Para castigarmos os homens maus e os mentirosos, torná-los-emos ricos 

 Afonso Cruz - uma imaginação infinita



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

LIVROS EM AGOSTO

Dos livros que li em Agosto já aqui falei nos "Primos da América", que relata a aventura  de gerações de homens e mulheres (desde há 200 anos) que atravessaram o mar em busca de uma esperança que lhes faltava num Portugal demasiado pobre, demasiado pequeno, demasiado atrasado; muito trabalhou (por vezes quase escravidão) e muito sofreu aquela gente para vencer em terras distantes, mas o livro também fala dos que falharam.


Falo hoje doutro livro que também li em Agosto e através do qual, entre muitas outras curiosidades, fiquei a saber que Ray Charles viu até aos 7 anos, altura em que cegou.

É um pequeno livro de 150 páginas, de SÉRGIO GODINHO "CARÍSSIMAS 40 CANÇÕES" numa homenagem a 40 canções que marcaram Sérgio Godinho, quando passam 40 anos da sua carreira.  

Sérgio Godinho fala destas 40 canções, suas predilectas, abordando factos intrigantes, curiosos, por vezes até inesperados. Fala, por exemplo, duma das minhas canções preferidas (cantada espectacularmente por ele) "O RAPAZ DA CAMISOLA VERDE" de Frei Hermano da Câmara, abordando os mais distintos e variados cantores desde Jacques Brel ao Conjunto António Mafra.

Quase me apeteceria dizer que é mais um bom disco do que um bom livro, que gostei de ouvir.



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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O APURAMENTO PARA O EUROPEU DE FUTEBOL 2016



Com a derrota de Portugal, ontem em Aveiro, frente à modesta Albânia (0-1) toda a gente começou já a fazer contas para a possibilidade de apuramento; e isto logo na 1ª. jornada. 

Por esta circunstância logo me vieram à ideia as palavras do sábio filósofo Professor Agostinho da Silva, quando se referia, não propriamente a esta situação, evidentemente, mas ao nosso grande problema que temos que é o cumprirmo-nos:

Nós fomos feitos para o impossível. Deixe o possível para os Alemães. O possível, com grande magnanimidade, eu deixei para os Alemães. Nós o que temos de cumprir é o impossível!


Professor Agostinho da Silva - 1906-1994

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MÚSICA ANOS 80



                                                           CHERISH       -       KOOL AND GANG


Aproveitemos a vida porque só temos uma.

Esta melodia transpira felicidade por todos os poros e faz-nos sonhar....

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

OS PORTUGUESES NA AMÉRICA

Este livro que acabei de ler, "OS PRIMOS DA AMÉRICA" de Ferreira Fernandes, tem algumas reportagens interessantes sobre portugueses que ao longo dos tempos têem emigrado para a América, sobretudo histórias sobre portugueses que tiveram sucesso e de outros que nem tanto (Manuel Duarte foi o primeiro falhado assumido, que o escritor encontrou na América).



Uma das histórias que mais suscitou a minha atenção foi sobre um homem do cinema -HAL PEREIRA- que que me habituei a ver nos últimos trinta anos nas legendas, quando o filme acabava e estas (legendas) passavam de modo a que as pudéssemos ver e ler e sempre aquele nome me ficou na mente e sempre com a curiosidade de desfazer este desconhecimento, que me intrigou ao longo de tantos anos, sobretudo pelo apelido português. 




Pois finalmente, ao longo de tantos anos fiquei a saber que Hal Pereira (1905-1983) foi o descendente de portugueses que mais sucesso teve no cinema, O art director (quer dizer o homem do cenário, aquele que faz a cara de um filme). Hal Pereira era de Chicago, onde nasceu em 1905, provavelmente descendente dos protestantes madeirenses que emigraram para o Illinois em meados do séc. XIX. Foi nomeado vinte e três vezes para um Óscar, mais do que qualquer outra pessoa em Hollywood, mas só ganhou uma estatueta dourada, em 1955, no filme "A rosa tatuada". E é assinatura dele um monumento que pertence à memória universal do cinema: as traseiras da "Janela Indiscreta" de Alfred Hitchcook, colocou também a sua assinatura numa das mais famosas séries da TV - Bonanza-. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

NOITES PERDIDAS

Ao longo da minha vida tenho passado algumas noites em branco, quer por motivos profissionais, quer por motivos militares, mas por motivos de folguedo as duas que melhor conservo na memória foram a ida do homem à lua, quando, por volta das 3 da manhã de 21 de Julho de 1969, eu e os meus pais, com mais de 500 milhões de espectadores, assistimos ao vivo (na RTP) aos primeiros passos ali dados por Neil Armstrong.


 

A outra noite em branco, fez na última terça feira (12/8) 30 anos (foi a 12 de Agosto de 1984) quando Carlos Lopes conquistou a medalha de ouro na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Com esta vitória, Carlos Lopes tornou-se o primeiro atleta português a subir ao mais alto lugar do pódio nos Jogos Olímpicos. O tempo obtido por Carlos Lopes nesta prova (2 horas 9 minutos e 21 segundos) foi recorde olímpico durante 24 anos.


sábado, 9 de agosto de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

ANOS 80 - TIME BANDITS





Estes betinhos holandeses (Time Bandits) criaram nos anos 80 uma melodia fabulosa (Endless Road). 

É bonita.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

POR UM PRATO DE LENTILHAS

A GUINÉ EQUATORIAL NA CPLP


E OS PATRIOTAS OSTENTAM  NA LAPELA O EMBLEMA DE PORTUGAL
E ASSIM SE VAI VENDENDO A LÍNGUA PORTUGUESA, A DIGNIDADE, A HISTÓRIA DE UM POVO...


VERGONHA, HUMILHAÇÃO, INDIGNIDADE, SÃO PALAVRAS QUE CERTAMENTE NOS VIERAM À MENTE QUANDO FOMOS TESTEMUNHAS DE CENAS QUE NADA NOS DIGNIFICAM E QUE SÓ NOS PODEM ENVERGONHAR
Cavaco Silva cumprimenta Teodoro Obiang que governa a Guiné Equatorial há 35 anos, e, ao que parece, da língua portuguesa pouco mais saberá dizer que a única palavra que, na nossa língua, se lhe ouviu-sim





quinta-feira, 24 de julho de 2014

NASCIDOS A 24 DE JULHO


Simão Bolívar - 1793- 1830 - Libertador Sul Americano


Alexandre Dumas, pai - 1802-1870 - romancista francês




José Maria Nureyev Romano




Também a 24 de Julho (1911) é descoberta a cidade perdida dos Incas - Machu Picchu, pelo explorador americano  Hiram Bingham



domingo, 20 de julho de 2014

DIOGO ALVES - O ASSASSINO DO AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES


Acabei de ler "O ASSASSINO DO AQUEDUTO" da jornalista Anabela Natário, que recentemente publicou uma interessante colecção de seis livros com 177 biografias de mulheres, denominada "Portuguesas com História".

Este "O ASSASSINO DO AQUEDUTO", narra a história de Diogo Alves, o homem que aterrorizou Lisboa no século XIX, e que se tornou uma verdadeira lenda. Através da consulta de jornais da época e de peças do processo a autora tenta recriar o processo policial contra Diogo Alves, um verdadeiro assassino que se julga ter sido responsável pela morte de setenta pessoas, muitas delas foram lançadas (de 65 m. de altura) do Aqueduto das Águas Livres, depois de roubadas (ora aqui está, entre muitas outras, uma das pechas do livro, pois quase nada diz deste facto-sobre as pessoas lançadas do aqueduto-, onde, depois de ter conseguido uma chave falsa, Diogo Alves se escondia). 



Todavia confesso que criei talvez demasiadas expectativas quanto à leitura deste romance e talvez por isso quando cheguei ao fim do livro fiquei desiludido, dado que esperava que a escritora nos mostrasse, para além da biografia do Diogo Alves, os usos e costumes da época e isso creio que a autora não conseguiu. 
Penso sinceramente que Diogo Alves tinha tudo para dar um grande livro e este fica-se por um romance que nem poderei dizer que será um romance histórico pois nem os usos e costumes são recriados, como já apontei, é assim como que uma ficção à roda dum facto histórico sem contudo usar a história como pretexto, resultando assim num levezinho romance histórico escrito por alguém que usa a ficção para dar informação a quem não a sabe; é pena porque havia tudo para ser um grande livro e não é!    




A cabeça decepada de Diogo Alves encontra-se, ainda hoje, conservada num recipiente de vidro, numa solução de formol, no teatro anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Diogo Alves foi um dos últimos sujeitos a quem foi aplicada a Pena de morte em Portugal, algo bastante significativo para a história judicial de Portugal. A sentença de morte foi aplicada em 19 de Fevereiro de 1841, tinha 31 anos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O MARCO PAULO AMERICANO




A Música dos anos 80 continua a fascinar-me e este "SAILING" do norte-americano Christopher Cross, embora seja porventura uma canção de embalar ao som das águas do mar, tem um mavioso som que não me canso de ouvir. Relembro agora que um amigo meu na altura alcunhava este cantor por Marco Paulo Americano, não sei se com intenções de valorizar o cantor português ou o americano....



sexta-feira, 11 de julho de 2014

ACABEI DE LER


"Eu e as minhas manas fizemos assim durante anos - levava-se um alguidar muito grande que se tinha para o quarto da cama, punha-se a panela de ferro cheia de água (a minha mãe tinha sempre uma panela de ferro ao lume com água). Em estando bem quente levávamos para o alguidar. Despíamos a roupa e uma dizia à outra "anda-me cá esfregar as costas". Em lavando as costas, punha-se ali um banco ou uma cadeira, metíamos os pés e ficávamos com o banho dado. Limpávamo-nos a um lençol que se tirasse da cama.Não tínhamos lençóis de banho (...). Tomávamos banho ao domingo."   

É apenas um pequeno excerto de uma história de vida contada na 1ª. pessoa, por alguém que viveu nos primeiros cinquenta anos do século XX em Portugal.

Um livro de que gostei, pois traz-me à memória conversas que ouvi muitas vezes aos meus pais e até situações que ainda vivi, fala e define muito bem o que foram as nossas gentes, as nossas necessidades, os tempos difíceis que muitos de nós vivemos, o tempo da sardinha para três que muitos ouvimos falar aos nossos pais, o tempo da educação dura que nos era dada, tão diferente da que é dada actualmente aos filhos de hoje, claro que os tempos são outros, mas...nem tanto ao mar nem tanto à terra... 

O livro divide-se em duas grandes partes. A primeira diz respeito aos aspectos do quotidiano e às diferentes formas de viver -e sobreviver- no Portugal do século XX. A segunda procura compreender processos e politização, espaços e formas de resistência.
Finalmente, em jeito de epílogo, já sobre o 25 de Abril de 1974. 

Uma curiosidade (positiva): este é um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

PRIMEIRA MULHER EXECUTADA NOS ESTADOS UNIDOS


Faz hoje 149 anos que foi executada a primeira mulher nos Estados Unidos, pelo seu alegado contributo para a conspiração do assassínio de Abraham Lincoln, 16º. presidente dos EU (1809-1865), apesar da existência de provas suficientes da sua inocência.

Mary Surratt foi executada por enforcamento em 7 de Julho de 1865. Tinha 42 anos.

"Não me deixem cair" foram as suas últimas palavras sobre o andaime em que estava montada a forca. 


 Mary Surratt durante o julgamento.





sexta-feira, 4 de julho de 2014

COMENTADORES DESPORTIVOS


Rui Tovar
Rui Tovar, que faleceu ontem em Lisboa, aos 66 anos, seria talvez um dos últimos duma escola de verdadeiros jornalistas desportivos que conseguia, ao mesmo tempo, escrever bem sobre futebol e ser um dos bons comentadores do jogo que ouvi na Televisão, a par de outros mais antigos (porque sabiam do que falavam). 


Alves dos Santos, de óculos e de chapéu
Talvez o mestre e primeiro desta escola tenha sido o grande e inesquecível (para a minha geração) Alves dos Santos, não esquecendo o inimitável Gabriel Alves, homens que percebiam de bola e que nada têm a ver com alguns dos actuais comentadores "cientistas" que falam de futebol como se falassem da NASA, autênticos pavões que utilizam expressões irritantes (algumas absolutamente indecifráveis) para caracterizar um jogador ou uma jogada como se de uma experiência em laboratório e incubadora se tratasse. 

Um dos que, neste aspecto, mais se salienta e que desconfio que nunca deu um pontapé numa bola, nem sequer se calhar calçou umas chuteiras e que fala do futebol como se fosse uma ciência pensada e trabalhada ao milímetro em laboratório é o comentador Luís de Freitas Lobo, a meu ver uma "nódoa" absoluta por estar absolutamente desenquadrado com a função e o público amante do jogo e que muito deve irritar as pessoas que jogaram à bola e que percebem alguma coisa do jogo. Um jogo fácil e simples que requer leituras simples e não análises absolutamente bacocas e complicadas, quais experiências cientificas realizadas em Marte. Creio que terá sido ele que em vez de contra ataque passou a chamá-lo de transição e outras coisas mais...ao menos inventou qualquer coisa...
E até já poderá, se for o caso, registar a sua patente... 


Luís de Freitas Lobo, sem óculos nem chapéu

Eis algumas das suas "pérolas" que fui anotando em recentes jogos, por si comentados neste Mundial 2014:

-a forma de perder é igual à forma de ganhar e vice-versa
-Não necessita de tanta rigidez posicional
-à medida que arrancava ia atropelando toda a população russa
-tem dois braços e quatro pernas e nesta equipa haverá quem tenha quatro braços e quatro pernas
-dá-me vontade de gritar e agradecer à minha mãezinha por me ter posto neste mundo para ter a felicidade de relatar este jogo
-o pássaro gigante apareceu a voar na área da Bélgica
-ambas avançam em bloco ficando reduzidas a um 3x2x3x1x1
-duas equipas que conseguiram ler-se bem uma à outra
-Reparem que parte do lado direito como um vagabundo para depois aparecer na plataforma central, reparem tudo ao milímetro
-este empate acaba por ser o retrato do nó táctico deste encontro
-jogar sem bola não é para todos muito menos quando ela não está em campo
-O treinador está a transmitir-lhes precisamente o sabor amargo dos últimos 30 metros 
-Tenta dar-se ao jogo mas a equipa parece não o ver
-As equipas conseguem antecipar o que cada uma vai fazer
-quatro pivôts, três trincos, isto é um tubo de ensaio de futebol aqui representado c/régua e esquadro e tudo...

etc etc






terça-feira, 1 de julho de 2014

O MUNDIAL DE FUTEBOL 2014 - UMA LIÇÃO


ALEMANHA 2 - ARGÉLIA 1  

Que jogo, que carácter, que dignidade!

Os Argelinos deverão estar orgulhosos da equipa de futebol representativa do seu país; que garra, que dignidade, que orgulho, vendendo cara a derrota (de ontem) com a Alemanha, lutando até à exaustão, uma lição para os jogadores portugueses que tão mal representaram o nosso país neste Mundial de futebol.

Que contraste com a selecção portuguesa que foi esmagada, humilhada pela mesma selecção alemã (até tiveram pena de nós parecendo não querer marcar-nos mais golos). Humilhação é a palavra que melhor reflecte a prestação da selecção portuguesa, uns meninos ricos e mimados que nos envergonharam, uns meninos sem raça, sem garra, sem ponta de dignidade, uma tristeza, a maioria dos portugueses sentiu certamente (como eu) vergonha daquela gente derrotada e de cabeça baixa (eles que só sabem dizer que é preciso levantar a cabeça), perder não é vergonha, vergonha é perder daquela maneira.

Os Argelinos perderam o jogo mas de cabeça bem erguida, deram uma lição de honra, dignidade e carácter - como é bonito o futebol jogado por desportistas desta estatura. 


Vahid Halilhodzic - o treinador da Argélia, chorando a imerecida derrota de ontem frente à Alemanha

terça-feira, 24 de junho de 2014

ELE HÁ COISAS ESTRANHAS...



Este casal (Florindo e Flora) chega pelas sete horas da manhã à porta principal do Palácio Palmela em Lisboa, onde funciona a Procuradoria-Geral da República, na Rua da Escola Politécnica (perto do Largo do Rato). Quando ali chega, a sua primeira preocupação é substituir o número dos dias que passaram desde que, em Março de 1996, decidiu instalar-se, em protesto contra uma hipotética morte, à porta da PGR.
Portanto estão ali há quase vinte anos e a sua história está contada num cartaz no qual, em linguagem telegráfica, acusam um juiz e um notário, irmãos de Florindo, de os terem dado como mortos e o terem enterrado a ele em Aljustrel. A mulher, supostamente viúva, voltou a casar e também morreu; a filha deles desapareceu entretanto sem deixar rasto. 
O objectivo era, afirmam,  apoderarem-se dos bens adquiridos pelo casal, o que terão conseguido a partir de uma folha de papel em branco assinada por Florindo, em 1983.


Claro que eles juram (a pés juntos) que estão vivos (e eu vi-os...) e são como que habitantes "eternos" desta movimentada rua.
É tudo muito confuso mas parece-me que esta rotina que seguem há mais de dezoito anos poderá ter um efeito contrário ao desejado, pelo menos para quem ali passa diariamente,  já que, supostamente, só repararão neles quando algum dia eles ali não estiverem...

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A VELHA MENINA




Miley Cyrus essa velha menina norte-americana de 21 anos, que já foi a menina Hannah Montana um genuíno produto da Disney/América, esteve neste último fim de semana em Lisboa, e uns dois milhares de crianças (dos dez aos quinze anos) viraram histerismo, com cenas completamente confrangedoras e duma tristeza indescritível, como se esta fosse um farol e um modelo a seguir...e os pais destas crianças fazem-lhes companhia nos concertos...esperando/acampando à porta, horas e horas, para apanharem um lugar na frente do concerto...será que esta gente não pensa?

E que trouxe a Portugal esta Cyrus a quem a Imprensa alcunhou de "porno-Disney"?  o mesmo que já nos trouxeram outras que tais, como Shakiras, Rihannas e afins - apenas o espalhafato sexualizado, semidespida, língua de fora, simulação do acto sexual, linguagem rude, asneiras, enfim a pornografia e o vómito ao mais baixo nível e tudo aquilo que os agora tão famosos mercados exportam (certamente em nome do empreendedorismo) e que nos seus próprio países condenam mas vão vendendo aos outros, e vendendo em grande escala... é sem dúvida um produto vomitado pela indústria aqui expressa nas botas brancas desta cantora porno, um espectáculo que é efectivamente um culto à estupidez e uma completa lavagem ao cérebro de pitas que pensam que a vida é seguir as tendências destas modas, que afinal nos trazem apenas depravação e que nada de nada acrescentam à educação e formação das nossas gentes, bem pelo contrário...





domingo, 15 de junho de 2014

OS FORA DA LEI


A Constituição é a lei suprema do país. Consagra os direitos fundamentais dos cidadãos, os princípios essenciais porque se rege o Estado português e as grandes orientações políticas a que os seus órgãos devem obedecer, estabelecendo também as regras de organização do poder político.



O tribunal constitucional é o órgão cuja principal função é zelar pela correcta interpretação e aplicação da Constituição, ou seja, julgar se determinado tema é constitucional ou inconstitucional.

Portanto não entendo sinceramente porque é que o Governo reclama, por o Tribunal Constitucional cumprir a obrigação para que foi mandatado.

E o Presidente de Boliqueime, qual abantesma, continua quedo e mudo.

Tudo pelos mercados nada pelas pessoas!