terça-feira, 30 de julho de 2013

A CRISE EM PORTUGAL

 
 
O escritor Almeida Faria, observou em 1980 :
 
"Os portugueses são um povo desempregado desde Vasco da Gama" 
 


quinta-feira, 25 de julho de 2013

O QUE ANDO A LER




Será a Irlanda um país tão verde e ao mesmo tempo tão cinzento? Um povo que, ao longo dos séculos, parece ter sido castigado pelas fomes e povoado por muita gente de coração empedernido em que as vinganças parecem passar, ao longo dos anos, de pais para filhos, gente de uma incompreensão absoluta que obrigam um homem a fugir ao longo da sua vida, abandonando a sua terra, os seus pais, os seus irmãos tornando-se um homem acossado e em constante fuga.
Pois é com esta sensação que fico quando estou mesmo a acabar "A HISTÓRIA DE ENEAS" do romancista Sebastian Barry que já me tinha proporcionado umas belas horas de leitura através de um seu outro excelente romance, que aconselho vivamente (ESCRITOS SECRETOS).


Curiosamente estive para "largar este livro à página 50 já que até aí não me tinha conseguido prender. Contudo, a pouco e pouco fui entrando na trama e acabei por me envolver totalmente numa época em que começam a despontar e a organizar-se os movimentos de luta pela independência da Irlanda, quando Eneas faz a escolha inocente, mas inoportuna de ingressar na marinha mercante Britânica. No seu regresso a Sligo (a sua terra natal) apercebe-se das alterações vividas na cidade e nos que o rodeiam e começa aí uma vida de fuga, proscrição e de solidão, tornando-se um apátrida, sempre em fuga da incompreensão e da vingança negra dos da sua terra.

É uma bela escrita de uma melancolia excepcional.

 
 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

LIVRARIAS/MERCADOS

 
 
No próximo sábado (20.07.2013), fechará mais uma livraria (as finanças puseram-na a leilão, por um valor base de 175 mil euros).
Depois da Livraria Portugal, da Livraria do Diário de Notícias, da Barateira, da Livraria Camões e muitas outras por esta cidade, chega agora a vez da bonita LIVRARIA SÁ DA COSTA, portas abertas desde 1913 (fez cem anos anos em 10 de Junho), nº. 100 da Rua Garrett no Chiado, em Lisboa.
 
Mas que país é este, mas que gente é esta que só sabe falar em mercados, em nasdak's, gente que tudo vende, gente que deixa morrer tudo, como é que é possível livrarias centenárias que fazem parte da nossa cultura, fazem parte do nosso país deixarem, numa meia dúzia de anos, de ter viabilidade? e se houve má e comprovada danosa gestão porque não se julgam os responsáveis? porque ficam e continuam impunes os vigaristas que contribuem para estas situações e continuam a mercandear por aí como se não fosse nada com eles e assim vão continuando a assobiar para o lado...

Restam os supermercados livreiros, as cadeias livrescas onde se vendem bestsellers como quem vende batatas, instalados em shopping centers com trabalhadores com contratos miseráveis; deixa assim de haver razão para irmos à Baixa, andar pelas livrarias (que já não existem), transformando-se assim a baixa em mais um shopping center...
 
Mais uma livraria que vai ser transformada num fast food qualquer ou em mais uma loja de luxos onde os cachuchos vêm gastar os ouros que movimentam os mercados (vêm à 5ª. e vão ao sábado).
É preciso acordar, é preciso gritar bem alto esta venda desavergonhada dum país inteiro, dum povo inteiro. Que nos resta?  Os Big Brother's - os Castelos Brancos - o Mister Ed-o cavalo que fala (apresentando o Big Brother) - os Ronaldos - o JJ - ...entretanto, salvam-se os BPN's, os BANIF's... um Povo assim, de ombros caídos, de braços em baixo que se deixa "governar" por esta gente maldita é um Povo triste, um Povo sem futuro,
 
 

sábado, 13 de julho de 2013

UNIÃO EUROPEIA - O PRESIDENTE

 



 
 
Esta foto de Eduardo Gageiro foi publicada na revista "VISÃO" e conquistou na China o 1º. prémio no mais importante concurso de fotografias.
Eis Durão Barroso (esse mesmo …o europeu nº. 1)  a encabeçar uma manifestação do MRPP em 1975, foto que valeu a Gageiro uma bárbara agressão e câmara partida...
 
Observe-se que o semblante de Durão Barroso parece já estar todo direccionado para o tipo de benefícios que esta (ou outra) liderança lhe poderia trazer...



sábado, 6 de julho de 2013

DEUSES DO CINEMA




No passado fim de semana, revi os bons tempos dos Estúdios de Hollywood, entre inícios dos anos 20 e meados dos 60 do século passado, numa visita à exposição "MADE IN HOLLYWOOD", que está actualmente patente no Centro Cultural de Cascais, até ao próximo dia 1 de Setembro.

Rodolfo Valentino


Retratos lindos de alguns deuses do cinema, e de alguns dos filmes que fazem parte da sua história, obras (originais fotográficos) daqueles a quem mais tarde viriam a chamar-se os Fotógrafos Retratistas de Hollywood.

Greta Garbo
 
Charlie Chaplin, Orson Wells, O Bucha e Estica, o Pamplinas, Rodolfo Valentino, Greta Garbo, Humphrey Bogart, "As Vinhas da Ira", "E tudo o Vento Levou", "O Mundo a seus Pés", Marlon Brando, M. Monroe, e muitos, muitos outros que são a história da 7ª. arte. 

Gary Cooper

Através desta exposição fiquei também a saber que estes fotógrafos, utilizados pelos diferentes estúdios, faziam fotografia da quase totalidade das cenas dos filmes em realização dado que, na altura, porque não havia a tecnologia que há hoje, e não se poderia voltar com a cassete atrás, poderia haver a necessidade de repetir uma determinada cena e seria através da fotografia dessas cenas que se poderiam ver os cenários onde a mesma estava inserida.

Marlon Brando


Grande fotografia e grande cinema que vale a pena visitar, é como que um regresso ao passado.  

Colecção de fotografias originais de John Kobal, propriedade da John Kobal Foundation de Londres, já expostas em muitos museus do mundo e uma oportunidade única para as ver agora em Portugal.

Marilyn Monroe (uma "leitoira" compulsiva) 
 

As Vinhas da Ira
 
 
Orson Welles


Rock Hudson

 

Buster Keaton (PAMPLINAS)
Ginger Rogers e Fred Astaire
James Dean


 


sábado, 29 de junho de 2013

FUTEBOL - AS CLAQUES...



Estamos no defeso. O futebol foi a banhos. Contudo, é sempre tempo de se falar de situações relacionados com ele, situações que a mim me parecem absolutamente incompreensíveis.
Efectivamente, por muito que goste do meu clube (e de quem gosta dele) tenho muita, diria mesmo quase uma dificuldade absoluta, se assim se poderá dizer, em compreender como é que há pessoas que se deixam conduzir como animais (selvagens) numa manada...

sábado, 22 de junho de 2013

Cresce/Creche



Nem o prestigiado DIÁRIO DE NOTÍCIAS, escapa a este analfabetismo que grassa pelos nossos meios de comunicação, quer escritos quer falados. Basta estar atento aos telejornais de qualquer uma das nossas estações TV, para deparar com autênticas "borradas", absolutamente impensáveis para quem tem também uma responsabilidade (acrescida) de ensinar.

Ainda no DIÁRIO DE NOTÍCIAS do passado sábado, 15.06.2013, nesta notícia escrevia-se cresce em vez de creche...como é possível? um jornal diário centenário, de tamanha projecção que tem uma obrigação cultural fundamental na nossa população escrever desta maneira...

Com o novo Acordo Ortográfico o caos linguístico instalou-se, às vezes já não sei se estou  escrever correctamente ou não e depois, ainda por cima, vêem estas "ajudas"...

Claro que todos erramos mas há situações demasiado confrangedoras.


sábado, 15 de junho de 2013

LIVROS - POR ONDE ANDEI EM 2012 - V




Este meu modo e vício de viajar tem-me levado aos mais recônditos lugares da terra e, ao mesmo tempo, aos mais profundos lugares da mente humana, daí vos estar a contar por onde andei em 2012, através dos livros que li.
-Abril chegava ao fim e eu vagueando por outras paragens e é precisamente no fim deste mês de Abril que me encontro com um dos meus autores preferidos, um escritor absolutamente desconcertante, que neste livro, um romance negro, como parece avisar, desde logo, a cor da sua capa do livro, leva-nos a mergulhar no mais profundo da mente humana, no que ela tem de mais terrível e me apresenta personagens dilaceradas que se cruzam, se entrelaçam, se movimentam, por vezes se amam e, quase sempre, se magoam na noite de uma fria e emblemática cidade, supostamente, alemã.

Deste livro (JERUSALEM) e do seu autor (GONÇALO M. TAVARES) disse José Saramago no discurso de atribuição dum prémio literário a este jovem escritor: "Gonçalo M.Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater".
É um livro denso e difícil mas muito bem escrito, não há palavras a mais ou desperdiçadas. Apenas as palavras necessárias.
A época e a localização da acção só podem ser intuídas e remetem-nos para um país europeu (Alemanha, porventura) no pós segunda guerra mundial.

Não consigo encontrar uma palavra, para além de desconcertante, para descrever a escrita deste jovem e magnífico escritor-vale a pena ler-.

Maio chegou e é com MIA COUTO que


embarco em mais uma viagem, quando tive o privilégio de ser incluído a sua comitiva, ou seja quando ele me "meteu" dentro do seu excelente romance "O OUTRO PÉ DA SEREIA" - em que me dá a conhecer personagens riquíssimas, descrições preciosas do início de processo de colonização e da sociedade de Moçambique em 2002, independente deste 1975, a relação entre os portugueses, os indianos e os negros. Mia Couto é um excelente escritor!

 
A viagem não começa quando se percorrem as distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores.”
 Maio avança e como ele viajo para outros tempos e para outras paragens
O Tempo Entre Costuras Livro O Tempo Entre Costuras de María Dueñas   Pré Venda
E não é que, de repente, me encontro a viajar por Espanha, em plena ditadura franquista, e conheço uma costureira prestes casar-se com um rapaz bonzinho, porém sem graça, que conhece um homem mais velho e altamente sedutor. Abandona o noivo e embarca numa vida intensa com o homem que conhecera. No entanto, esse será também um caminho de perdição: a moça será enganada, vai parar a outro país, viajamos por Portugal, nos anos cinquenta, Lisboa, Estoril... e é aqui obrigada a reconstruir a sua vida. Tudo isso sob a luz de uma guerra. Essa é a trama de "O TEMPO ENTRE COSTURAS" o primeiro romance da espanhola MARIA DUEÑAS, que nasceu em Puertollano (Ciudad Real) em 1964, é casada, tem dois filhos e reside em Cartagena.
Com ela aprendi um pouco da realidade espanhola nas mãos do Generalíssimo Franco; e um pouco sobre os serviços de espionagem internacionais que se mantinham atentos ao namoro e noivado do governo espanhol com a Alemanha de Hitler.E que curioso retrato o de Portugal nos anos quarenta e cinquenta. E assim, neste bonito mês de Maio 2012, viajando pelos livros as surpresas vão surgindo...e que bela surpresa (por inesperada) foi este encontro com Maria Dueñas.


Estamos a meio de Maio e será com O SENHOR JUARROZ que retomarei o caminho para mais uma viagem desconcertante...mas disso darei conta proximamente


domingo, 9 de junho de 2013

UMA PESSOA? UMA COISA?

José Castelo Branco - Famosos na 39ª Modalisboa - Dia 4 Foto: Artur Lourenço/Lux


Será:
Terrestre?
Extraterrestre?
Aquático?
Uma coisa?

Não conheço a pessoa mas a "embalagem" é absolutamente abjecta,
desprezível, só encontro uma palavra para a(o) descrever:
-inumana
 
 
Castelo Branco em caso de orgias sexuais violentas

domingo, 2 de junho de 2013

LISBOA ANTIGA/LISBOA ACTUAL

 
 
A Casa dos Bicos em Alfama-Lisboa, a oriente do Terreiro do Paço, foi mandada construir em 1523 por D. Brás de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque (Governador da Índia Portuguesa).

A fachada está revestida de pedra aparelhada em forma de ponta de diamante, os "bicos", que demonstram uma clara influência renascentista italiana.
Com o terramoto de 1755 foram enormes os danos, tendo desaparecido os dois últimos andares.

Foi, entretanto utilizada para os mais variados efeitos, dentro os quais como armazém de bacalhau.

Aqui funciona hoje a Fundação José Saramago.
 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

BACK-GROUND, BLACK-OUT, COFFE BREAK


Desde que se passou a designar uma camiseta por T-shirt e  uma cueca por slip, tem sido um ver se te avias, porque o que tem fundamento passou dizer-se back-ground, um apagão passou a designar-se por black-out, em vez de um aperitivo passou a pedir-se um drink, fazer jogo limpo, na linguagem do inimitável e grande dinamizador da língua portuguesa, JJ (já o ouviram certamente a falar na 2ª. pessoa...se tu jogas assim, se tu fazes assim...) pois para JJ jogar limpo é ter fair play, em vez de passatempo hobby, feed back em vez de retorno/resposta, ele não corre a pé faz jogging, a rádio deixou de passar música de propaganda para passar jingles, um conjunto é palavra absolutamente ultrapassada na língua portuguesa já que fino é dizer-se um KIT,  não há mais pequenas camionetas há sim PICK UP's, não existem mais lemas existem sim slogans, já não há intervalos para beber café há sim coffee break's, e por aí fora NON STOP...



Efectivamente não há cão nem gato, com grandes laivos de presunção e de superioridade anglófona, tentando revelar um elevado grau sofisticação intelectual, que, quando bota discurso, não vomite um timing, um trade-off, um off-record, um feeling, um outsourcing

Não aprecio nada este linguajar que é apenas revelador dum tremendo provincianismo e identificador de um elevado grau de incultura e, sobretudo, uma submissão a tudo o que é estrangeiro.revelador dum profundo desconhecimento do português. 



 
Quantas vezes eu não ouvi já na televisão e na rádio a jornalistas, comentadores vociferarem éfe-bi-ai em vez de FBI, de ci-ai-ei em vez de CIA e nei-tou para se referirem à NATO, a quem, registe-se, nunca os Espanhóis deixaram de chamar OTAN (e assim o deveríamos nós ter continuado a fazer).



Quando vou a Espanha ninguém me entende se não falar em espanholês, mas quando os espanhóis, ingleses, franceses, vêem a Portugal aí estamos nós a falar espanhol, inglês e francês. Obviamente que, neste caso, até poderá ser um sinal positivo de hospitalidade que só nos fica bem mas creio que é sobretudo a submissão que está plenamente inclulcada no espírito português; parece que ainda continuamos com aquela marca de água que tudo o que vem de lá de fora é que é bom e é superior.

Qual globalização qual carapuça, qual aldeia global, não desleixemos a nossa língua, não tornemos o português uma língua sem nexo, absolutamente desfigurada, falemos Português, falemos a língua que sempre falaram os nossos pais e os nossos avós e que muito nos deve orgulhar!

 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

POR ONDE ANDEI EM 2012 - IV

Vergílio Ferreira
Este não será propriamente um balanço dos livros que li em 2012, que normalmente se fazem no início de cada novo ano, será apenas mais uma oportunidade para falar de livros e de deixar registada a minha opinião sobre eles, neste caso, sobre os que li em 2012, tentando fazê-lo como que quem viaja através deles e com os respectivos autores. Hoje posso dizer que viajei com um dos meus escritores favoritos (VERGÍLIO FERREIRA) através do seu excelente diário CONTA CORRENTE, o 4, neste caso. Estes diários referem-se a pessoas e factos conhecidos e reais, localizáveis historicamente através da data que é a medida exacta do tempo e atributo do documento histórico.



Deste excelente CONTA CORRENTE 4, retive algumas frases:

-A morte é o silêncio e a vida é o ruído
-Ser neto é ser sempre pequeno
-Vou prestar atenção ao que tenho visto sem ver
-Não se têm filhos depois de velho quando já os têm os filhos que tivemos

Mais um excelente livro. Todos os volumes destes diários (são nove 9) são excelentes

 

Encontrei-me depois com um personagem com um permanente mal-estar cuja fonte é a inadequação do seu espírito à sociedade, à massa, à média e à vulgarização burguesa da vida e dos valores. É por isso que se define como "O LOBO DAS ESTEPES". É deste autor um dos livros que mais gostei até hoje (Siddharta), contudo, "O LOBO DAS ESTEPES" nunca me conseguiu "prender", não é um romance nada fácil e, só não o larguei a meio porque este autor não me oferece qualquer dúvida da excelência da sua escrita, mas, sinceramente, cheguei ao fim das 224 páginas sem conseguir "agarrá-lo", talvez o tente numa próxima oportunidade


Viajei depois para Itália e regressei aos anos 30 e 40 do século XX, e fui ao encontro da "MISTERIOSA CHAMA DA RAINHA LOANA" do grande escritor italiano UMBERTO ECO.
Um livro muito bom que vos recomendo, com imagens belíssimas.
É um livro de mais de 400 páginas mas que se lê com uma satisfação imensa, estive sempre apaixonado por este livro enquanto o lia, fala-nos da experiência de um homem, calmo bibliófilo de Milão, que após sofrer um AVC perde todas as memórias de si próprio.Não sabe quem é nem conhece quem o rodeia, vale a pena!

Gonçalo M. Tavares

E a próxima viagem iniciar-se-à com o jovem e desconcertante escritor Gonçalo M. Tavares, até lá






 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

LISBOA ANTIGA/LISBOA ACTUAL


A Brazileira do Chiado em 1911, antes da renovação da fachada e quando Pessoa ainda não bronzificava na esplanada
(Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal ; Autor: Joshua Benoliel)
 
 
 
 
 
ACTUAL
 
A BRASILEIRA DO CHIADO é um café emblemático da cidade de Lisboa,
localizado no Chiado (Rua Garrett), fundado por Adriano Telles, um
português que viveu no Brasil e que, antes da remodelação que criou
a cafetaria (em 1908), era uma loja que vendia o genuíno café do Brasil,
curiosamente um produto muito pouco apreciado na altura, e que ele com
facilidade importava do Brasil.
 

 
 


estátua a Fernando Pessoa, à porta da Brasileira, inaugurada em 1988



sexta-feira, 3 de maio de 2013

POR ONDE ANDEI em 2012 - III




Na minha última abordagem aos livros que li em 2012, mencionei o facto de ir ao encontro de um dos meus escritores favoritos (vivos), Philip Roth que me apresentou o actor de teatro Simon Axler que, com 66 anos, perdeu a capacidade de representar.

Este foi o 10º. romance de PHILIP ROTH que li e não há dúvida que é um grande escritor, gostei muita deste "A HUMILHAÇÃO", que quase podia ser um conto, embora tenha a estrutura de um romance, tem apenas 127 páginas e centra-se praticamente num único personagem. É uma pequena novela sobre a velhice e a decadência do corpo e a morte, na sequência doutros que vem publicando, como "O Fantasma sai de cena", "Todo o Mundo", "Indignação".


Recomendo vivamente, apesar de, na minha perspectiva, Philip Roth ter uma escrita "pesada" a tal que nos obriga a pensar, e daí o grande mérito dos bons livros e dos grandes escrotores.

De um a nove 6 estrelas para "A HUMILHAÇÃO".



Parti seguidamente à procura de um escritor chileno muito em voga em 2011 e 2012, ROBERTO BOLAÑO, e foi com "O TERCEIRO REICH" que me encontrei com ele, mas, sinceramente, nunca me consegui encontrar com esta escrita.

 

Se fosse publicado enquanto o autor estivesse vivo, provavelmente alguns personagens poderiam ganhar mais destaque e alguns capítulos seriam certamente mais e melhor trabalhados, contudo, nunca me consegui encontrar com este clima claustrofóbico, e dificilmente voltarei a Bolaño. Há livros que em determinadas alturas não nos agradam minimamente, poderá ter a ver, certamente, com certos ciclos da nossa vida.
Não gostei deste primeiro contacto que tive com este escritor chileno.
N
 
«Escrever é a única maneira de me defender das recordações que tantas vezes e tão inesperadamente me avassalam. Ficassem elas presas na minha memória e o tempo torná-las-ia cada vez mais pesadas, acabariam por me esmagar», confessa o escritor austríaco W.G.Sebald (1944-2001) num dos seu romances. Pois foi depois de ter lido esta frase algures que parti à descoberta deste escritor W.G.SEBALD  através do livro "O CAMINHANTE SOLITÁRIO".

Pois este livro dá-nos seis retratos ricamente ilustrados de seis ilustres e interessantes personagens, dos quais nos relata aspectos bem curiosos:
-JOHANN PETER HEBEL (1760-1826)  poeta, teólogo evangélico e pedagogo alemão;
-JEAN JACQUES ROUSSEAU - Célebre escritor e filósofo humanista de expressão francesa, nasceu em Genebra em 1712 vindo a falecer em 1778. É dele esta frase: "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe."
-GOTTFRIED KELLER - Poeta e romancista suíço, de expressão alemã, nascido em 1819, em Zurique, e falecido em 1890, na mesma cidade.
 
-ROBERT WALSER - Belíssimo escritor suiço (1878-1956), que tem alguns bons livros  publicados em Portugal ("O AJUDANTE" é um deles) , apesar de praticamente desconhecido entre nós. E ainda de um amigo de infância, o pintor JAN PETER TRIPP.
 
É um livro agradável embora esta seja, na minha perspectiva, uma escrita preguiçosa e lenta (frases demasiado longas) que, contudo, não deixa, em certas circunstâncias, de ser agradável, mas, como diria o meu amigo Almeidinha -temos tanta coisa para ler...
3 na minha escala de um a nove.
 
 
E na próxima viagem falarei dum dos meus livros favoritos (uma série de sete), com um excelente escritor português, VERGÍLIO FERREIRA e dos seus excelentes diários "CONTA CORRENTE"-excelentes.