quarta-feira, 30 de abril de 2014

KAFKA

 
O princípio de um livro quase sempre me diz se me apresto para ler uma pastelada, se tenho em mãos um bom, um excelente, um extraordinário livro e o início do que acabo de ler "A METAMORFOSE" diz-me que estou perante um livro importante: "Uma manhã ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco insecto" .
 

"A METAMORFOSE" convida o leitor a acompanhar os sentimentos de Gregor Samsa, caixeiro viajante, surpreendido ao acordar com o corpo na forma de um insecto e se vê confrontado com tudo o que esta mudança lhe vai mostrar relativamente ao ser humano e fundamentalmente ao seu seio familiar.
Gregor, já insecto, pensava e sentia como humano e a sua família demonstrava sentimentos de repulsa e desconforto com esta transformação pois os conflitos que gera no seio familiar possibilitam inúmeras reflexões do que são as relações humanas perante determinadas situações. Aqui são muito bem mostradas as transformações ocorridas em função de mudanças provocadas pela origem do dinheiro que promovia a manutenção da família, pela imposição moral e alienação intelectual, ausência de liberdade, sentimento de culpa, além de outros temas relacionados à humanidade.
Isolado no seu quarto, excluído pela empresa onde trabalhava e ignorado pela família, Gregor, sentiu, no corpo de um insecto, os reflexo das atitudes humanas e percebeu o incômodo da submissão social.
 

Vem a talhe de foice salientar que, também de Franz Kafka, "O Processo", que li há muitos anos, foi dos livros mais perturbantes que li e que melhor me mostraram o que, em determinadas situações, pode ser e fazer ao seu semelhante o ser humano. 

Franz Kafka (Praga-República Checa, 1883-1924), deve ter sido um homem duma sensibilidade extrema (e dum sofrimento extremo) pois essa sensibilidade e esse sofrimento reflectem-se nos livros que dele já li e este "A METAMORFOSE" (escrito em 1912) é um bom exemplo disso.
 
É uma novela que não chega a ter cem páginas e que se lê num ápice.



 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

UMA SEGUNDA VIDA


Quando acontece, acontece tão depressa que nem acreditamos que está a acontecer e só mais tarde temos a noção do que aconteceu e do que (mais) poderia ter acontecido.


Mais ou menos a esta hora (-14h30-), faz hoje precisamente cinco anos (24.04.2008) aconteceu num "abrir e fechar de olhos" e foi mesmo assim num abrir e fechar de olhos, o sono apanhou-me totalmente e de repente (é algo tão instantâneo que nem dá para explicar) um estrondo absolutamente indescritível e que vejo à minha frente? apenas uma parede azul e como que um comboio a arrastar-me (durante mais de mil metros); era a traseira do camião espanhol em que me acabara de enfaixar e ao qual continuava "ligado" já que os espigões da barra traseira do camião se "enfiaram" no motor do meu veículo e assim continuámos ligados por mais cerca de um quilómetro, como que siameses.

Em mim nem um arranhão, o veículo (tinha apenas seis meses de vida) para o lixo.


Era sexta-feira, a semana tinha sido de intenso trabalho com o sono bastante deficitário, ia (com cruise controle* ligado) na Auto-Estrada de Setúbal para Estremoz e o meu veículo (SEAT Altea XL) choca violentamente contra a traseira dum camião espanhol, cujo condutor teve o sangue frio de não parar (pelo contrário acelerei porque tive a noção que algo não estava bem e que você me ia abalroar, deu-me para acelerar como me podia ter dado para travar de repente, se o fizesse você era esmagado, assim desta safou-se deve uma nova vida; foram estas as primeiras palavras do condutor do camião que se meteu à minha frente quando, numa fracção de segundo o sono me pretendeu dar  uma boleia para o além).

Parecia um filme a preto e branco daqueles que só existem durante a noite quando acordamos com a televisão ligada.  


*CRUISE CONTROLE-sistema que mantém a velocidade de condução de um veículo previamente programada.  Uma vez atingida e memorizada a velocidade pretendida, pode-se retirar o pé do acelerador.
Mas uma lição me ficou- cuidado com o uso do cruise controle

sábado, 19 de abril de 2014

PISCA-PISCA




De acordo com o Artigo 21.º. do Código da Estrada:
 
1 - Quando o condutor pretender reduzir a velocidade, parar, estacionar, mudar de direção ou de via de trânsito, iniciar uma ultrapassagem ou inverter o sentido de marcha, deve assinalar com a necessária antecedência a sua intenção.

2 - O sinal deve manter-se enquanto se efectua a manobra e cessar logo que ela esteja concluída.

3 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 60 a € 300.

Contudo, não sei se em Portugal o pisca pisca será um extra nos veículos que circulam nas nossas estradas, dado que a grande maioria dos condutores não os utiliza, inclusive já vi veículos das autoridades (PSP, GNR, etc...) não o fazerem.

É uma situação que revela uma falta de respeito pelo próximo e um autêntico sinónimo de deseducação, e não só... 


DIZ-ME COMO CONDUZES DIR-TE-EI QUEM ÉS
 
Car Flasher Light
 
 

domingo, 13 de abril de 2014

A TRAGÉDIA DO TITANIC


Editora: Presença
Ano de Publicação: 1998
Nº de Páginas: 176
Passam (na hora da publicação) precisamente 102 anos, faltavam 20 minutos para as onze da noite, daquele domingo, 14 de Abril de 1912, quando, de súbito Frederick Fleet, um dos seis vigias embarcados no TITANIC (os vigias -só tinham uma única preocupação- não tinham de se preocupar com os passageiros) viu qualquer coisa mesmo na direcção da proa, algo mais escuro do que a própria escuridão era a montanha  de gelo, com uns 30 metros acima da linha de água, que estava cada vez mais próxima do inafundável navio, e que viria a provocar uma das maiores tragédias marítimas às 2h20 do dia seguinte (15 de Abril de 1912), quando viajava com 2200 pessoas a bordo, e no qual morreram cerca de 1.500 pessoas. 
o historiador e escritor Walter Lord em 1966


"A TRAGÉDIA DO TITANIC" escrito pelo historiador norte-americano WALTER LORD e publicado em 1955, é talvez, dentre as imensas obras que foram publicadas sobre o desastre, a melhor sobre a última noite do Titanic.

Quando decidiu fazer um relato sobre o desastre, Walter Lord (que faleceu nos EUA em 2002, com 84 anos) localizou e entrevistou (ao vivo e por correspondência), mais de sessenta sobreviventes, além de outras dezenas de pessoas que, de algum modo, estiveram envolvidas no naufrágio, sendo, por isso mesmo, a mais autêntica narração dos factos ocorridos a bordo entre a noite de 14 e a madrugada de 15 de Abril de 1912.

Edith Rosenbaum

Edith Rosenbaum, sobrevivente do Titanic a quem pertencia o brinquedo (em forma de porco) que tocava a melodia (La Sorella, composta em 1905 por Charles Borel-Clerc) que foi ouvida consecutivamente durante a tragédia.
Um dos passageiros terá repetidamente posto a música a tocar num dos botes de emergência para tranquilizar as crianças, abafando o som das pessoas a morrer à sua volta.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

NADA A TEMER

Eu que tanto gostei dos primeiros livros que li do JULIAN BARNES ("Mesa Limão", "O Papagaio de Flaubert" e, sobretudo, "Arthur & George"), tenho vindo a sofrer alguma desilusão com os últimos que li nomeadamente com os dois últimos ("O sentido do fim") e mais recentemente com este, "NADA A TEMER", que acabo de ler.


Apesar de ser apelativo o que se lê na capa (Quando se tem medo da morte, há um romance que se deve ler: este), "NADA A TEMER" é um livro que se arrasta sem ritmo, sem uma história que nos agarre, e só para lá do meio do livro ganha algum interesse.

Não sei se será um romance se será um ensaio sobre a morte (tema que se pretende abordar, -sem êxito-), parece-me mais um livro de memórias, já que aborda com alguma profundidade as mortes do pai e da mãe; li-o até ao fim, mas numa escala de 0 a 10 - dou-lhe um dois.

No entanto, como aprendo sempre qualquer coisa com qualquer livro que leio, retive algumas curiosas passagens (algumas de franzir o sobrolho):

-o camponês é a única espécie de ser humano que não gosta do campo e nunca olha para ele-

-se me intitulei ateu aos cinquenta e aos sessenta, não é porque tenha entretanto adquirido mais saber: apenas mais consciência da ignorância-

-no mundo não existiriam homens maus se não existissem más mulheres-

-comparo a vida humana a um pássaro que sai da escuridão, entra numa sala de banquete vivamente iluminada e sai de novo para a escuridão do outro lado- 

Sobre RAVEL (O bolero de Ravel) - na sua velhice já não sabia quem era, nem, quando ouvia as suas músicas, sabia que eram dele

LIMÃO - o símbolo chinês da morte

Julian Barnes - escritor inglês, nascido em 1946




domingo, 6 de abril de 2014

CHIADO - ANOS 60 AO FIM DA TARDE

Modas, Novidad.jpg


Todas as tardes subíamos o Chiado, íamos ver as montras...de vez em quando, recolhíamos amostras para mandar fazer um casaco, para mandar fazer um fato (no Ferreira da Graça)...até camisas (na Maria Espanhola) no Largo das traseiras do Teatro D. Maria
 
 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

AS VOZES IGNORADAS


"Temos uma elite política mais voltada para o exterior do que para os portugueses. Nunca se falou tanto em números, e os números servem para enganar.
Há um desprezo total pela ciência, pela cultura e pelas humanidades.
Ora, sem humanidades não há nada.
Não são os grandes engenheiros analfabetos que resolvem as crises."



António Borges Coelho- historiador - 1928




(declarações do Professor Catedrático jubilado da Universidade de Lisboa, ao jornal Expresso de 08.03.2014)

Nota:-O Professor António Borges Coelho está a escrever a história de Portugal vista de baixo, a história dos submetidos, dos desprotegidos porque a história dos poderosos já foi mil vezes escrita.  




quinta-feira, 27 de março de 2014

A CRISE

 
  
 se és bigorna aguentas se és martelo bates



 
(ditado italiano)

sábado, 22 de março de 2014

AS PRIMEIRAS COISAS



 
 
BRUNO VIEIRA AMARAL é o autor dum livro que me ficou debaixo de olho mas que ainda não tive oportunidade de ler (Guia para 50 personagens da Ficção Portuguesa); entretanto, este veio parar-me às mãos e como fiquei com curiosidade de conhecer a sua escrita parti para a leitura do seu primeiro romance "AS PRIMEIRAS COISAS".
 
A acção deste livro decorre num bairro social, um bairro social situado na Margem Sul onde viveu e cresceu o autor.
 
Aquando do seu lançamento recordava o autor: Sendo apenas quem escreveu este livro, não posso ser culpado de alguns dos eventuais leitores da obra conhecerem os “pobres” só através do neo-realismo, dos noticiários ou de reportagens eivadas de boas intenções. Em todos estes casos mencionados, as pessoas são definidas pela condição sócio-económica, são “os pobres” e a quem as conhece desta maneira escapa o resto e o resto é o que me interessa. Garanto que, a mim, a nível literário, não me interessam particularmente os pobres, nem escrevi este livro para lhes dar voz – até porque os pobres não me passaram procuração – e espero que a minha voz seja verdadeira o suficiente para falar apenas por mim. O bairro que serve de cenário a este livro, a melancolia rude, por vezes, cruel dos nossos subúrbios, os estendais de gente mórbida, não são manifestos sociológicos ou políticos. Pelo contrário, não podia ser uma escolha mais egoísta e mais centrada nos meus interesses: é este o mundo que conheço melhor, o mundo que me exigia menos trabalho e menos imaginação para o recriar. É verdade que as pessoas que vivem em bairros como este são maioritariamente pobres ou vivem com grandes dificuldades mas quando vivemos com elas e partilhamos com elas essas condições, aos nossos olhos elas não se distinguem por isso. Num meio em que só haja brancos, ninguém se identifica como o “branco”.
 
Um bom livro que retrata um lugar perdido na Margem Sul do Tejo e que bem são retratados os brancos das barracas, os retornados, o inferno, os pretos, os ciganos, enfim personagens que tentamos ignorar mas que fazem parte do nosso universo.
 

 
 
 






terça-feira, 18 de março de 2014

JORGE JESUS E O BAILINHO INGLÊS

A polémica entre o treinador do Benfica Jorge Jesus e o treinador inglês Tim Sherwood, aquando do recente jogo contra o Tottenham, estimulou os mais variados comentários e normalmente todos politicamente correctos, ou seja o de condenar imediatamente o treinador português mas, desta vez, eu não estou contra JJ já que os Ingleses precisam que, de vez em quando, os ponham na ordem, pois estão imbuídos de uma total arrogância e convencidos da sua absoluta supremacia e superioridade sobre todos os outros; daí que "o baile" do Jorge Jesus ao técnico inglês saiba a (mais) uma vitória sobretudo sobre a arrogância e a mania da superioridade.

 
 
Naturalmente que não esteve bem nas atitudes que teve para com o seu adjunto, para com o Shéu e parece que com o Rui Costa, mas isso são contas de outro rosário.

 
vídeos que podem ser visualizados no YouTube
 
 

quinta-feira, 13 de março de 2014

UM LIVRO SOBRE A I GUERRA MUNDIAL

Gosto de livros sobre a I e a II Guerra Mundial.

 
 
"OS OLHOS DE TIRÉSIAS", da lisboeta CRISTINA DRIOS, narra a história de Mateus, Mateus (avô da autora) que partiu no contingente português, para a Flandres durante a I Guerra Mundial.
 
Devo no entanto realçar que, o que poderia ser a vida extraordinária de um soldado português no conflito, soube-me assim como que uma meia-vida, já que a autora resolveu intrometer-se e contar também a história da sua ida a França à procura dos lugares onde esteve e  por onde passou o seu avô (o gigante do olhar estranho Mateus, Mateus) e, na minha perspetiva, aquele que deveria ser o principal protagonista desta ida à guerra e que poderia ter resultado num belíssimo livro, ficou-se assim, consequentemente, por uma meia história.
 
Não deixa contudo de ser um livro interessante, até porque é o primeiro romance desta autora, já que cruza épocas e espaços muito distintos por onde desfila um leque de personagens notáveis e muito curiosas. 
 
 
Cristina Drios - nasceu em Lisboa em 1969
 

segunda-feira, 10 de março de 2014

PARENTES FAMOSOS

Julia Roberts - tia de Emma Roberts  (atriz de cinema e modelo)


 
 
 
Nicolas Cage é sobrinho do famoso cineasta Francis Ford Coppola



 
 
Emilio Estévez  e Charlie Sheen filhos de Martin Sheen

 




 

 
 

Jon Voight  o pai de  Angelina Jolie
 
 

 

sexta-feira, 7 de março de 2014

FANNY OWEN - Agustina Bessa Luís

 
 
 
Agustina Bessa Luís - 1922 -  _
 
 
 
 
marido velho vira parente
 
 
 

terça-feira, 4 de março de 2014

PESSOAS ABORRECIDAS


HÁ PESSOAS TÃO ABORRECIDAS QUE NOS FAZEM PERDER UM DIA INTEIRO EM CINCO MINUTOS

Jules Renard - (1864-1910)





JULES RENARD - escritor, dramaturgo (escritor de peças de teatro), muito conhecido em França mas que não sei se alguma vez foi publicado em Portugal

sábado, 1 de março de 2014

JOSÉ SARAMAGO dixit


José Saramago - 1922-2010
 
 
Nós vivemos com os nossos pais um dia após outro e, de repente, desaparecem e damo-nos conta de que não tínhamos chegado a conhecê-los
 
 
 
"dixit” é referido quando se quer enunciar que alguém disse algo, normalmente com autoridade, superioridade ou legitimidade para o fazer. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

post-it





Andava eu à procura dum post-it (aquele pequeno papel amarelo com um adesivo de fácil remoção) para não me esquecer de que amanhã terei de comparecer num determinado local, às 10 horas, quando me lembrei de que este é um objecto muito recente e que se tornou quase indispensável nos nossos tempos e que seria curioso averiguar a história do post-it e colá-la aqui no kontestu.

A história dos post-it remonta aos anos 70 (mais precisamente em 1968) quando o cientista Spencer Silver estava a trabalhar nos laboratórios da 3M, em busca de uma fita adesiva resistente. Mas o que conseguiu foi uma cola de papel fraca e, por esse motivo, ninguém lhe deu importância. Até que, anos depois, outro cientista os usou para marcar passagens da Bíblia.

A moda pegou e actualmente o post-it existe em várias cores, tamanhos e feitios e é usado em todo o mundo. É um dos cinco artigos de escritório mais vendidos nos Estados Unidos.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

MIRÓ/ARTE e não só



 

Não falando propriamente na polémica Miró/BPN, Mário Vargas Llosa refere num dos seus mais recentes livros, que acabo de ler, "A CIVILIZAÇÃO DO ESPECTÁCULO" algo que, de algum modo, se poderá aplicar àquela polémica. Passo a transcrever:

Marcel Duchamp - pintor, escultor e poeta francês - 1887-1968

"Desde que Marcel Duchamp, revolucionou os padrões artísticos do Ocidente estabelecendo que uma sanita também era uma obra de arte se assim o decidia o artista, já tudo foi possível no âmbito da pintura e da escultura, até que um magnata pague doze milhões e meio de euros por um tubarão preservado em formol num recipiente de vidro e que o autor, Daniel Itirst, seja hoje reverenciado não como o extraordinário vendedor de embustes que é, mas sim como um grande artista do nosso tempo.
 
 
 
Uma das performances mais abjectas de que há memória na Colômbia, foi quando o artista Fernando Pertuz que numa galeria de arte defecou diante do público e, depois, "com a maior solenidade", começou a ingerir as suas fezes.
 
 
John Milton Cage Jr. (1912-1992) compositor, teórico musical, escritor, admirador anarquista e artista dos Estados Unidos
 
 

 


 
E, quanto à música, o equivalente da sanita de Marcel Duchamp é, sem dúvida, a composição (denominada 4.33) do grande guru da modernidade musical nos Estados Unidos, John Cage, em que um pianista se sentava em frente de um piano, mas não tocava numa tecla durante quatro minutos e trinta e três segundos, pois a obra consistia nos ruídos que eram produzidos na sala pelo acaso e pelos ouvintes divertidos ou exasperados...."




 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

RODAPÉS NA TV



Frequentemente vimos em rodapé (na TV) erros de palmatória e de nos fazer corar. Já não falo na linguagem respeitante ao novo Acordo Ortográfico para o qual fomos atirados sem ter qualquer voto na matéria assim como se obedecêssemos a um nosso novo dono; acho que os portugueses foram confrontados com a situação dum modo em que apenas se limitam a ter de obedecer, em que parece não terem sido analisados senão as vantagens. Eu sei que não poderemos parar o vento com as mãos mas o que é certo é que eu verifico que muito frequentemente me vejo embaraçado em escrever uma determinada palavra pois a confusão por vezes instala-se, e com alguma frequência em determinadas palavras...

E devo confessar que, no início, até fui a favor do Acordo pois me pareceu que poderia facilitar as relações entre os PALOP, e até um factor de união dos países de língua portuguesa, mas a falta de informação e a confusão que o mesmo gera fez-me recuar um pouco. 

Mas o que quero falar é sobre os erros de palmatória que vimos frequentemente nos rodapés das várias estações televisivas.

Erros ortográficos são frequentes, palavras mal escritas são o dia a dia, algumas mesmo de bradar aos céus.

Já para não falar nos exemplos a seguir, pois são palavras que frequentemente são usadas mas mal aplicadas:


ONDE e AONDE são dois casos sintomáticos :
-AONDE - exprime movimento/direcção (aonde foste ontem)
-ONDE-indica lugar estático (onde estiveste ontem)

DESCRIMINAR-tirar o crime
DISCRIMINAR-separar (discriminação racial)

Oh que pena - (interjeição)
Ó João (chamamento)

Também vejo muitas vezes erradamente escrito PME's , PALOP's
já que as siglas não têm plural PME e PALOP aplica-se tanto no singular como no plural.

Quantas vezes não vejo (e ouço) erradamente escrita a palavra RUBRÍCA , é com acento tónico na penúltima sílaba e não rúbrica (como já li algumas vezes).

Há 6 anos atrás» (claro que não poderia ser à frente?) que ouço tantas vezes aos apresentadores...são realmente muitos erros e por isso me vem sempre à cabeça e penso no bem que me fizeram as inumeráveis cópias e ditados que fiz na instrução primária...claro que todos poderemos cometer erros, é humano, mas há erros e á erros...



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

RETORNADOS

O Retorno” de Dulce Maria Cardoso (Tinta-da-china)



Um grande, excelente livro sobre os retornados, de DULCE MARIA CARDOSO.
 
"O RETORNO" que aborda uma época marcante da nossa história e perante a qual, confesso, passei um pouco ao lado já que a idade e a ânsia de viver não se compadeciam com determinadas situações e todo o tempo era pouco para viver os meus vinte anos  
 
Este romance, que aconselho vivamente, foi premiado pelo Ministério da Cultura Francês, em 2012, e valeu à Autora o Título de Cavaleira da Ordem das Artes e das Letras, já que a obra teve um grande impacto em França e, particularmente, junto das Comunidades Portuguesas naquele País. Este Prémio concedido pelo MCF constitui uma das mais elevadas distinções honoríficas atribuídas em França com vista a homenagear figuras que se destacam pela contribuição para a difusão da sua cultura em terras gaulesas.
 
O Retorno já obtivera o Prémio Especial da crítica, o Prémio da revista Ler e o Prémio Blogtailors 2011. 
 
Dulce Maria Cardoso é originária de Trás-os-Montes, mas passou a infância em Angola, tal como os dois jovens protagonistas de O Retorno. De regresso a Portugal, licenciou-se em Direito vivendo, actualmente, em Lisboa.
 
O Retorno” é um romance que aborda o tema delicado e polémico que foi para Portugal a descolonização, o fim do Império Ultramarino e o conturbado regresso dos Portugueses que habitavam as colónias, após a Revolução de Abril de 1974. Nele está bem patente o violento choque cultural face à forma de viver na metrópole, já que está implícito um certo desprezo pela forme de viver, de ser e de estar dos portugueses da metrópole, do mesmo modo que os que cá estavam também reagiram negativamente à vinda destas pessoas a quem designavam (talvez até pejorativamente) de retornados.
 
Excelente, vale a pena ler.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

JEAN MARAIS

Jean Marais   1913-1998

 

Jean Marais foi um actor francês de cinema (também pintou, também esculpiu) muito em voga nos anos 60. No livro que ando a ler ("PAPÉIS DE JORNAL" de António Mega Ferreira) deparei com este comentário sobre este actor que, na minha juventude, ainda me empolgou com alguns filmes, nomeadamente sobre FANTÔMAS:

Em meados dos anos 60 uma tal Mme. Arnoux, diz ter visto em Paris, durante uma projecção privada do filme "Mourir à Madrid", na qual estava também, segundo ela, Jean Cocteau de mão dada com o seu amante Jean Marais....

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

ABSURDO

 
ABSURDO:
 
 
-AFIRMAÇÃO OU CONVICÇÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À NOSSA PRÓPRIA OPINIÃO-    
 
 
 
Ambrose Bierce -   EU  -  1842-1914



AMBROSE BIERCE - excelente contista, tem alguns livros editados em Portugal, nomeadamente um livro de contos
       
 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O SENTIDO DA HONRA


Hiroo Onoda - 1922-2014

Eu já tinha ouvido falar dos soldados japoneses que mesmo depois da rendição do Japão e após o fim da 2ª. guerra mundial não se renderam e continuaram a luta na selva durante mais alguns anos. No passado fim de semana fui confrontado com uma notícia dum desses casos.

Hiroo Onoda, o (então) alferes do Exército Imperial Japonês que estava estacionado num dos arquipélagos das Filipinas, quando os japoneses capitularam, em 1945, foi um dos que não acreditou que a guerra tinha acabado e já que tinha jurado não se render por isso continuou a combater, escondido na selva filipina, durante quase três décadas, onde empreendeu uma guerrilha contra as tropas americanas, até que finalmente, foi convencido, e para isso foi necessária a visita do seu antigo comandante, a colocar um ponto final nesta sua guerra (pessoal).

Morreu no passado dia 16.01.2014, num hospital em Tóquio, quase 70 anos depois de a rendição do Japão ter posto fim à 2ª. Guerra Mundial.


Hiroo Onoda, na altura da sua rendição, oferece a sua espada ao Presidente Marco das Filipinas (ao lado -de óculos- o seu antigo comandante que o convenceu a render-se)


Onoda foi o penúltimo soldado japonês da 2ª. Guerra Mundial a render-se, tendo sido Teruo Nakamura, de origem taiwanesa, o último. Nakamura foi declarado morto em 1945 mas só foi descoberto (vivo) em 1974.



Teruo Nakamura quando descoberto, em meados de 1974 
Este sentido da honra, do dever, duma só palavra foi algo que ainda me foi transmitido pelos meus pais, lembro-me perfeitamente de sentir que quando o meu pai contraía um qualquer compromisso não eram precisas assinaturas para o cumprir, a palavra bastava e esse cumprimento era sagrado (nem que fosse preciso passar fome)!
É uma maneira de estar na vida que, infelizmente, parece estar em absoluta e completa extinção.