quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

post-it





Andava eu à procura dum post-it (aquele pequeno papel amarelo com um adesivo de fácil remoção) para não me esquecer de que amanhã terei de comparecer num determinado local, às 10 horas, quando me lembrei de que este é um objecto muito recente e que se tornou quase indispensável nos nossos tempos e que seria curioso averiguar a história do post-it e colá-la aqui no kontestu.

A história dos post-it remonta aos anos 70 (mais precisamente em 1968) quando o cientista Spencer Silver estava a trabalhar nos laboratórios da 3M, em busca de uma fita adesiva resistente. Mas o que conseguiu foi uma cola de papel fraca e, por esse motivo, ninguém lhe deu importância. Até que, anos depois, outro cientista os usou para marcar passagens da Bíblia.

A moda pegou e actualmente o post-it existe em várias cores, tamanhos e feitios e é usado em todo o mundo. É um dos cinco artigos de escritório mais vendidos nos Estados Unidos.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

MIRÓ/ARTE e não só



 

Não falando propriamente na polémica Miró/BPN, Mário Vargas Llosa refere num dos seus mais recentes livros, que acabo de ler, "A CIVILIZAÇÃO DO ESPECTÁCULO" algo que, de algum modo, se poderá aplicar àquela polémica. Passo a transcrever:

Marcel Duchamp - pintor, escultor e poeta francês - 1887-1968

"Desde que Marcel Duchamp, revolucionou os padrões artísticos do Ocidente estabelecendo que uma sanita também era uma obra de arte se assim o decidia o artista, já tudo foi possível no âmbito da pintura e da escultura, até que um magnata pague doze milhões e meio de euros por um tubarão preservado em formol num recipiente de vidro e que o autor, Daniel Itirst, seja hoje reverenciado não como o extraordinário vendedor de embustes que é, mas sim como um grande artista do nosso tempo.
 
 
 
Uma das performances mais abjectas de que há memória na Colômbia, foi quando o artista Fernando Pertuz que numa galeria de arte defecou diante do público e, depois, "com a maior solenidade", começou a ingerir as suas fezes.
 
 
John Milton Cage Jr. (1912-1992) compositor, teórico musical, escritor, admirador anarquista e artista dos Estados Unidos
 
 

 


 
E, quanto à música, o equivalente da sanita de Marcel Duchamp é, sem dúvida, a composição (denominada 4.33) do grande guru da modernidade musical nos Estados Unidos, John Cage, em que um pianista se sentava em frente de um piano, mas não tocava numa tecla durante quatro minutos e trinta e três segundos, pois a obra consistia nos ruídos que eram produzidos na sala pelo acaso e pelos ouvintes divertidos ou exasperados...."




 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

RODAPÉS NA TV



Frequentemente vimos em rodapé (na TV) erros de palmatória e de nos fazer corar. Já não falo na linguagem respeitante ao novo Acordo Ortográfico para o qual fomos atirados sem ter qualquer voto na matéria assim como se obedecêssemos a um nosso novo dono; acho que os portugueses foram confrontados com a situação dum modo em que apenas se limitam a ter de obedecer, em que parece não terem sido analisados senão as vantagens. Eu sei que não poderemos parar o vento com as mãos mas o que é certo é que eu verifico que muito frequentemente me vejo embaraçado em escrever uma determinada palavra pois a confusão por vezes instala-se, e com alguma frequência em determinadas palavras...

E devo confessar que, no início, até fui a favor do Acordo pois me pareceu que poderia facilitar as relações entre os PALOP, e até um factor de união dos países de língua portuguesa, mas a falta de informação e a confusão que o mesmo gera fez-me recuar um pouco. 

Mas o que quero falar é sobre os erros de palmatória que vimos frequentemente nos rodapés das várias estações televisivas.

Erros ortográficos são frequentes, palavras mal escritas são o dia a dia, algumas mesmo de bradar aos céus.

Já para não falar nos exemplos a seguir, pois são palavras que frequentemente são usadas mas mal aplicadas:


ONDE e AONDE são dois casos sintomáticos :
-AONDE - exprime movimento/direcção (aonde foste ontem)
-ONDE-indica lugar estático (onde estiveste ontem)

DESCRIMINAR-tirar o crime
DISCRIMINAR-separar (discriminação racial)

Oh que pena - (interjeição)
Ó João (chamamento)

Também vejo muitas vezes erradamente escrito PME's , PALOP's
já que as siglas não têm plural PME e PALOP aplica-se tanto no singular como no plural.

Quantas vezes não vejo (e ouço) erradamente escrita a palavra RUBRÍCA , é com acento tónico na penúltima sílaba e não rúbrica (como já li algumas vezes).

Há 6 anos atrás» (claro que não poderia ser à frente?) que ouço tantas vezes aos apresentadores...são realmente muitos erros e por isso me vem sempre à cabeça e penso no bem que me fizeram as inumeráveis cópias e ditados que fiz na instrução primária...claro que todos poderemos cometer erros, é humano, mas há erros e á erros...



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

RETORNADOS

O Retorno” de Dulce Maria Cardoso (Tinta-da-china)



Um grande, excelente livro sobre os retornados, de DULCE MARIA CARDOSO.
 
"O RETORNO" que aborda uma época marcante da nossa história e perante a qual, confesso, passei um pouco ao lado já que a idade e a ânsia de viver não se compadeciam com determinadas situações e todo o tempo era pouco para viver os meus vinte anos  
 
Este romance, que aconselho vivamente, foi premiado pelo Ministério da Cultura Francês, em 2012, e valeu à Autora o Título de Cavaleira da Ordem das Artes e das Letras, já que a obra teve um grande impacto em França e, particularmente, junto das Comunidades Portuguesas naquele País. Este Prémio concedido pelo MCF constitui uma das mais elevadas distinções honoríficas atribuídas em França com vista a homenagear figuras que se destacam pela contribuição para a difusão da sua cultura em terras gaulesas.
 
O Retorno já obtivera o Prémio Especial da crítica, o Prémio da revista Ler e o Prémio Blogtailors 2011. 
 
Dulce Maria Cardoso é originária de Trás-os-Montes, mas passou a infância em Angola, tal como os dois jovens protagonistas de O Retorno. De regresso a Portugal, licenciou-se em Direito vivendo, actualmente, em Lisboa.
 
O Retorno” é um romance que aborda o tema delicado e polémico que foi para Portugal a descolonização, o fim do Império Ultramarino e o conturbado regresso dos Portugueses que habitavam as colónias, após a Revolução de Abril de 1974. Nele está bem patente o violento choque cultural face à forma de viver na metrópole, já que está implícito um certo desprezo pela forme de viver, de ser e de estar dos portugueses da metrópole, do mesmo modo que os que cá estavam também reagiram negativamente à vinda destas pessoas a quem designavam (talvez até pejorativamente) de retornados.
 
Excelente, vale a pena ler.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

JEAN MARAIS

Jean Marais   1913-1998

 

Jean Marais foi um actor francês de cinema (também pintou, também esculpiu) muito em voga nos anos 60. No livro que ando a ler ("PAPÉIS DE JORNAL" de António Mega Ferreira) deparei com este comentário sobre este actor que, na minha juventude, ainda me empolgou com alguns filmes, nomeadamente sobre FANTÔMAS:

Em meados dos anos 60 uma tal Mme. Arnoux, diz ter visto em Paris, durante uma projecção privada do filme "Mourir à Madrid", na qual estava também, segundo ela, Jean Cocteau de mão dada com o seu amante Jean Marais....

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

ABSURDO

 
ABSURDO:
 
 
-AFIRMAÇÃO OU CONVICÇÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À NOSSA PRÓPRIA OPINIÃO-    
 
 
 
Ambrose Bierce -   EU  -  1842-1914



AMBROSE BIERCE - excelente contista, tem alguns livros editados em Portugal, nomeadamente um livro de contos
       
 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O SENTIDO DA HONRA


Hiroo Onoda - 1922-2014

Eu já tinha ouvido falar dos soldados japoneses que mesmo depois da rendição do Japão e após o fim da 2ª. guerra mundial não se renderam e continuaram a luta na selva durante mais alguns anos. No passado fim de semana fui confrontado com uma notícia dum desses casos.

Hiroo Onoda, o (então) alferes do Exército Imperial Japonês que estava estacionado num dos arquipélagos das Filipinas, quando os japoneses capitularam, em 1945, foi um dos que não acreditou que a guerra tinha acabado e já que tinha jurado não se render por isso continuou a combater, escondido na selva filipina, durante quase três décadas, onde empreendeu uma guerrilha contra as tropas americanas, até que finalmente, foi convencido, e para isso foi necessária a visita do seu antigo comandante, a colocar um ponto final nesta sua guerra (pessoal).

Morreu no passado dia 16.01.2014, num hospital em Tóquio, quase 70 anos depois de a rendição do Japão ter posto fim à 2ª. Guerra Mundial.


Hiroo Onoda, na altura da sua rendição, oferece a sua espada ao Presidente Marco das Filipinas (ao lado -de óculos- o seu antigo comandante que o convenceu a render-se)


Onoda foi o penúltimo soldado japonês da 2ª. Guerra Mundial a render-se, tendo sido Teruo Nakamura, de origem taiwanesa, o último. Nakamura foi declarado morto em 1945 mas só foi descoberto (vivo) em 1974.



Teruo Nakamura quando descoberto, em meados de 1974 
Este sentido da honra, do dever, duma só palavra foi algo que ainda me foi transmitido pelos meus pais, lembro-me perfeitamente de sentir que quando o meu pai contraía um qualquer compromisso não eram precisas assinaturas para o cumprir, a palavra bastava e esse cumprimento era sagrado (nem que fosse preciso passar fome)!
É uma maneira de estar na vida que, infelizmente, parece estar em absoluta e completa extinção.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

RECONHECIMENTO POST MORTEM

 
Herman Melville -  Nova Iorque-EUA 1819 - 1891
 

No livro que ando a ler (A LOUCA DA CASA de Rosa Montero), li algumas situações muito curiosas relativamente a grandes escritores que em vida só a grande custo conseguiram ver publicados os seus livros mas que, mesmo assim, foram autênticos fracassos e o autêntico inferno e drama que isso causou nas suas vidas.


 


Por exemplo, Herman Melville, o autor do maravilhoso Moby Dick, um romance que hoje, século e meio depois da sua publicação continua a editar-se, a vender-se e a ler-se em todo o mundo, mas que na sua época não agradou absolutamente a ninguém. Moby Dick não vendeu nem duas dúzias de cópias. Melville nunca recuperou desse fracasso e, embora tenha vivido mais de quarenta anos quase não voltou a escrever. Tornou a sua vida impossível e a de todos aqueles que lhe eram próximos. Quando, aos quarenta e sete anos, se viu obrigado a aceitar um emprego miserável de inspector alfandegário, tão enfandonho como mal pago, para poder manter a família, a evidência do seu fracasso como romancista deve ter-lhe explodido na cabeça. Tornou-se meio louco, consumido pela raiva, agia com enorme violência, é provável que chegasse mesmo a bater nos filhos e na mulher, que pensou seriamente em separar-se dela. Todo este inferno esteve certamente na origem do suicídio do seu filho mais velho (Malcolm de dezoito anos) que se trancou no quarto e estoirou a cabeça com um tiro.
E isto aconteceu a outros autores fracassados; numa próxima oportunidade tentarei trazê-los aqui.



domingo, 19 de janeiro de 2014

LEITURAS DE 2013 - HORA DE BALANÇO

"A FILHA DO COVEIRO" da excelente escritora norte americana, Joyce Carol Oates, foi o melhor livro que li em 2013, seguiu-se, de muito perto, "A PASTORAL AMERICANA" do grande escritor norte-americano Philip Roth.
Qualquer livro da também norte americana Flannery O'Connor corresponde sempre as minhas (altas) expectativas, e nunca me desiludiu.

Dos Portugueses o que mais gostei foi o excelente "LIVRO" de José Luís Peixoto -uma agradável surpresa-; claro que qualquer livro de José Saramago é lido sempre com grande satisfação e nunca nenhum me desiludiu.

Vamos então ao balanço do que li em 2013

7 Obra Prima
6 Excelente
5 Muito Bom
4 Bom
3,5 Interessante
3 Razoável
2 Li, mas não me cativou
1 Desisti

Flannery O'Connor - do melhor que li em 2013

 

  1. TOLSTOI - biografia - Janko Lavain  -  3,5
  2. A CASA DO SONO - Jonathan Coe - 1
  3. TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR - Flannery O'Connor - 4
  4. O MUNDO DOS OUTROS - José Gomes Ferreira - 3,5
  5.  A CONFISSÃO DA LEOA - Mia Couto - 3
  6. OS MEUS SENTIMENTOS - Dulce Maria Cardoso - 1
  7. A CIDADE IMPURA - Andrew Miller - 3
  8. MORTE NA PÉRSIA - Annemarie Schwarzenbach - 1
  9. ESTADO CIVIL - Pedro Mexia - 2
  10. NO CORAÇÃO DAS TREVAS - Joseph Conrad - 1 
  11. A HERANÇA DE ESZTER - Sandor Marai - 4
  12. LIVRO - José Luís Peixoto - 5
  13. PENSAR - Vergílio Ferreira - 3,5
  14. ESCREVER - Vergílio Ferreira - 3
  15. A AMARGURA DOS CONTRASTES - José Rodrigues Miguéis - 3,5
  16. REFLEXÕES - Franz Kafka - 2
  17. APARIÇÃO - Vergílio Ferreira - 4
  18. AS VOZES DO RIO PAMANO - Jaume Cabré
  19. FANNY OWEN - Agustina Bessa Luís - 4
  20. CONTOS ORIENTAIS - Marguerite Yourcenar - 3,5
  21. O AROMA DE GOIABA - Gabriel Garcia Marquez - 4
  22. ENGANO - Philip Roth - 3,5
  23. O FEITIÇO DA ÍNDIA - Miguel Real - 4
  24. UM HOMEM DE PARTES - David Lodge - 3
  25. OS CÃES E OS LOBOS - Iréne Némirovsky - 4
  26. A PASTORAL AMERICANA - Philip Roth - 5
  27. O FIO DAS MISSANGAS - Mia Couto - 3
  28. URZES - Manuel Hermínio Monteiro - 3,5
  29. ENSAIOS DE HISTÓRIA - Outra opinião - Rui Ramos
  30. GRANTA - "EU" - vários - 3
  31. DENTRO DO SEGREDO - Uma viagem na Coreia do Norte - José Luís Peixoto - 3
  32. O COMPLEXO DE PORTNOY - Philip Roth - 3,5
  33. OS PORTUGUESES - Barry Hatton - 3,5
  34. O SENTIDO DO FIM - Julian Barnes - 3,5
  35. A HISTÓRIA DE ENEAS - Sebastiaan Barry - 3,5
  36. MAZAGRAN - J. Rentes de Carvalho - 3,5
  37. A ARTE DE CHORAR EM CORO - Erling Jepsen - 3,5
  38. OS MELHORES CONTOS AMERICANOS - vários - 3,5
  39. 10 CRIMES QUE ABALARAM A AMÉRICA - vários - 3
  40. JOSÉ SARAMAGO - o amor possível - Juan Marias (entrevistas) - 4
  41. OUTRAS CORES - Ohran Pamuk - 2
  42. A FILHA DO COVEIRO - Joyce Carol Oates - 6
  43. APRENDER A REZAR NA ERA DA TÉCNICA - Gonçalo M. Tavares - 3,5
  44. NO TRIBUNAL DO MEU PAI - Isaac Bashevis - 1
  45. UM DIA DIFERENTE . John Steinbeck - 1
  46. COMO LER UM ESCRITOR - John Freeman - 3,5
  47. HIS WAY - biografia não autorizada de Frank Sinatra - 3,5
  48. ESTADO DE GUERRA - Clara Ferreira Alves - 3,5
  49. LISBOA-A GUERRA NAS SOMBRAS DA CIDADE DA LUZ-1939-1945-Neill Lochery - 3
  50. BRUGES A MOORTA - Georges Rodenbach - 3
  51. O ANÃO - Pav Lagerkvist - 1
  52. O OURO . Blaise Cendrars - 4
  53. A FAMÍLIA DE PASCUAL DUARTE - Camilo José Cela - 5
  54. LITERATURA E FANTASMA - Javier Marias - 2
  55. AS LOJAS DE CANELA - Bruno Schulz - 1
  56. A IMORTALIDADE - Milan Kundera - 1
  57. A PESTE - Albert Camus - 3,5
  58. JOSÉ E PILAR-conversas inéditas - Miguel Gonçalves Mendes - 4
  59. O MUNDO É DOS VIOLENTOS - Flannery O'Connor - 4
  60. A SEGUNDA MORTE DE ANNE KARÉNINA - Ana Cristina Silva - 3,5    

Joyce Carol Oates - autora de "A FILHA DO COVEIRO" o melhor livro que li em 2013 
Philip Roth - autor de "Pastoral Americana" do melhor que li em 2013
 

José Luís Peixoto -"LIVRO" - o melhor livro, dum autor português, que li em 2013

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MORREU DE VELHICE AOS 17 ANOS

Sam Berns 10/23/96 -  01/10/14
Sam Berns  -  23.10.1996 - 10.01.2014

Lembro-me perfeitamente de que quando, há uns anos atrás, vi uma reportagem sobre a doença da velhice que atingiu uma criança nos Estados Unidos da América, fiquei impressionado e ao mesmo tempo quase pasmado com a sua força já que mesmo sabendo-se atingida por uma doença fatal e galopante mostrava uma força e alegria de viver absolutamente impressionantes.
Pois agora o meu amigo Vieira (do Porto) enviou-me uma reportagem sobre a morte recente desta criança, que passo a transcrever:
 
Sam Berns, um adolescente de 17 anos, faleceu, na sexta-feira, de velhice. O rapaz norte-americano sofria de progeria, ou Síndrome de Huntchinson-Gilford, uma doença genética que acelera o processo de envelhecimento.
Ainda com a vida pela frente, uma grave condição de saúde atirou Sam para uma velhice extrema ainda em criança e para a morte ainda na adolescência. Sam Berns morreu com uma condição física idêntica à de um idoso.
A sua doença não lhe roubou, porém, a vivacidade. Desde que soube da doença rara que tinha fez força para ajudar quem padece do mesmo problema, ficando conhecido pelo vasto leque de palestras que deu pelos Estados Unidos, de forma a promover esta rara condição física. O seu nome ficou associado à Progeria Research Foundation, instituição que ajudou, através do seu testemunho, a dar a conhecer esta doença genética.
Os médicos e os pais de Sam conseguiram, ao longo dos anos, desenvolver métodos que prolongaram a vida deste jovem-idoso. Contudo, a morte chegou ainda durante a adolescência. Os pais de Sam confirmaram a morte do filho na passada sexta-feira, através da Progeria Research Foundation.
 
 
 
 

sábado, 11 de janeiro de 2014

8 ou 80


Eusébio no clube onde se iniciou

Admirava Eusébio, apesar de não ser do meu clube.
Foi efectivamente um extraordinário jogador de futebol, que projectou o país além fronteiras e deu Portugal a conhecer ao Mundo e por isso teve uma grande e merecida homenagem do povo português. 
Paz à sua alma e que descanse em paz!

Porém, como é timbre da alma lusitana o 8 ou 80 vem ao de cima sempre que este tipo de emoções afloram e daí estar a querer fazer-se dele um expoente máximo do génio lusitano pretendendo-se transferir o seu caixão para o Panteão Nacional...

É preciso lembrar que ainda há pouco tempo faleceu Albino Aroso, um homem que contribuiu surpreendentemente para a queda da mortalidade infantil em Portugal, após o “25 de Abril” e para a divulgação do chamado «planeamento familiar».
No entanto, que homenagens se fizeram a este grande homem? é que nem mereceu uma única palavra do presidente da República, nem de qualquer outra entidade oficial, a não ser do Director-Geral da Saúde, Francisco Georges.

Há que relativizar as coisas e reconhecer-lhes o lugar próprio.

Nem oito nem oitenta!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

OS ESCRITORES E OS LIVROS II

  F. Scott Fitzgerald - 1920
 
 
William Faulkner -1897-1962
 
 Émile Zola - 1868
 
 Charlotte Bronte - 1816-1855
 
Boris Vian - 1957
 
William Faulkner - 1897-1962
 
T.S. Eliot - 1959
 
 
Virginia Woolf - 1882-1941
 
  José Saramago - 1922-2010
 
James Joyce - 1882-1941


 Virginia Woolf  - 1882-1941
 
 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

PESSOAS ABORRECIDAS

 
 
HÁ PESSOAS TÃO ABORRECIDAS QUE NOS FAZEM PERDEU UM DIA INTEIRO EM CINCO MINUTOS

 

Jules Renard -escritor francês-  1864-1910



 

 
 

sábado, 4 de janeiro de 2014

O QUE ANDO A LER - a minha primeira leitura de 2014




 

"Aprecia só os aplausos das pessoas a quem tu aplaudirias" - Uma frase do livro que Gonçalo M. Tavares levou para a entrevista com Bárbara Guimarães, "As cartas a Lucílio" de Séneca, escritas 50 anos depois de Cristo.    

Este livro "PÁGINAS DO PÁGINAS SOLTAS" de BÁRBARA GUIMARÃES de que estou a gostar, contempla uma série de entrevistas com alguns dos melhores espíritos do nosso tempo, como se pode ler na contracapa, lê-se como quem bebe uma imperial fresquinha quando temos muita sede, pois ainda por cima os entrevistados levam para a entrevista um ou dois livros que depois nos aconselham.
Por exemplo, Fernando Dacosta aconselha-me do grande, do gigante escritor Vergílio Ferreira, "Alegria Breve", Mário Zambujal aconselha-me de Rubem Fonseca - "Pequenas Criaturas", Gonçalo M. Tavares, para além do já citado Séneca, aconselha-me ainda "Austerlitz" de W.G.Sebald...e por aí fora, vou agora para a entrevista do Luís Miguel Cintra e, repito, estou a gostar deste livro que inaugura as minhas leituras de 2014, uma surpresa (ou talvez não)... 

Eis os 30 grandes espíritos entrevistados: Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Ana Hatherly, Pedro Tamen, Maria Teresa Horta, Fernando Dacosta, Pepetela, Mário Zambujal, José Hermano Saraiva, Eduardo Prado Coelho, Beatriz Batarda, Fernando Lopes, Luís Miguel Cintra, Olga Roriz, Ricardo Pais, Joaquim Benite, Bernardo Sassetti, Aldina Duarte, Adolfo Luxúria Canibal, Artur Cruzeiro Seixas, Graça Morais, Roberto Chichorro, Ângelo de Sousa, Eduardo Souto Moura, Manuel Graça Dias, Marília Gabriela, Rodrigo Guedes de Carvalho, Adelino Gomes, Francisco Pinto Balsemão

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O QUE ANDO A LER - A SEGUNDA MORTE DE ANNA KARÉNINA


Violante tinha desde criança o sonho de representar, e será com a ajuda de Luís Henrique, um grande actor com quem acabou por casar, que se viria a tornar numa das actrizes portuguesas mais aplaudidas do início do século XX, depois de aos 15 anos ter abandonado a sua pequena aldeia onde deixou destroçado o seu pai (viúvo inconsolável e já com a tuberculose a minar-lhe o corpo).

É a história de Violante mas a história de Rodrigo, o seu filho morto nas trincheiras da I Guerra Mundial, não é menos apaixonante. Rodrigo nunca chegou a conhecer a mãe já que esta o deu a uma outra família para o criar. Será no funeral do seu filho que Violante virá a descobrir no jazigo de família as cartas que este teria escrito ao seu grande amor, enquanto permaneceu nas trincheiras. Um livro que tem um começo brilhante:

“Nas trincheiras os homens andam sempre enregelados e sujos. Não há sujidade mais impertinente do que a lama que transforma a pele e os uniformes numa massa castanha e enrugada. Os soldados nunca levantam a cabeça nestas geleiras sombrias, inclinam-na apenas, embrulhados em mantas encharcadas. O tamanho do mundo está assim reduzido aos túneis escavados nas entranhas da terra, nos quais mal se respira e cujas fronteiras são definidas por sacos de areia. A vida prossegue dentro destas tocas. Ninguém precisa que lhes digam quem são, nestas circunstâncias, os animais acossados.” (pág. 79).


A SEGUNDA MORTE DE ANNA KARÉNINA é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança - e também uma obra arrojada sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças - se é que existem - entre o teatro e a vida real.”
ANA CRISTINA SILVA, mais uma jovem escritora portuguesa a que irei estar atento. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SOBRE OS PORTUGUESES









Miguel Torga:
 
"Morro com duas convicções arreigadas, a de que não há terra mais bela do que a lusitana e outra tão infeliz"





quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O QUE ANDO A LER - "O CÉU É DOS VIOLENTOS"


O Céu é dos Violentos

Já lá vão uns três/quatro anos que li o primeiro livro de FLANNERY O'CONNOR, “Um bom homem é difícil de encontrar”, (um livro de contos) e nessa altura fiquei de imediato arrebatado por escrita tão violenta e descrita com uma absoluta crueza e um intenso dramatismo. E desde logo foi uma escritora que passou a ser da minha inteira devoção. É uma escrita que nos envolve num ambiente de fanatismo religioso, com personagens a roçar a loucura, que quase nos deixa sem fôlego.

Flannery O’Connor é um dos nomes incontornáveis na literatura norte-americana do século XX. Descreve de uma forma absolutamente ímpar o mundo obscuro e absurdo do fanatismo religioso vivido nos estados do sul dos EUA dos anos 50 e 60.





"O CÉU É DOS VIOLENTOS"  é o segundo e último romance desta excelente escritora, que morreu jovem, em 1964, aos 39 anos, vítima de lupus, e conta a história do adolescente Francis Tarwater que ao ter sido raptado pelo seu tio-avô que se considerava profeta, poderia, deste modo, levar uma vida devotada a Nosso Senhor. Mas a loucura e o fanatismo destas duas criaturas era levada de tal forma em extremo que a educação deste jovem levou-o a cometer, sempre em nome de Deus, os actos mais ignominiosos e grotescos. Dá-nos ao mesmo tempo o retrato de uma comunidade, fechada, conservadora, profundamente religiosa, cega e louca.

Estou a gostar deste livro como, aliás, já tinha gostado imenso de todos os que já li de Flannery O'Connor, especialmente do excelente "Sangue Sábio" que recomendo.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O QUE ANDO A LER - JOSÉ E PILAR



"JOSÉ E PILAR" - de Miguel Gonçalves Mendes - Depoimentos sinceros e comoventes sobre trabalho, arte, morte e, é claro, o amor de um pelo outro (Pilar del Rio/José Saramago).

José Saramago, Nobel da literatura, génio das palavras, mestre do texto, não foi um académico, nunca foi querido nem consensual, pode até dizer-se que dividiu a população portuguesa. Controverso, comunista, ateu. Não ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa porque mentes mesquinhas, mentes manipuladoras, mentes invejosas, mentes menores, marionetas políticos e religiosos não o deixaram (e eles andam por aí...).

Pilar del Rio é uma mulher forte, de opiniões e convicções fortíssimas, de grande sensibilidade e de uma enorme inteligência.

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Saramago escolheu Lanzarote, para se isolar daqueles que o rejeitaram e o empurraram para fora do seu país.
Pois foi ali, na ilha perdida das Canárias da Espanha inóspita, que MIGUEL GONGALVES MENDES recolheu os textos incorporados neste livro, durante quatro anos de convivência originando não só este livro mas também um filme com o mesmo nome, que, de algum modo, mostram a grandeza e a beleza deste homem.

Saramago, como alguem escreveu: "possui o cérebro na ponta dos dedos. Pinta palavras em ecrãs de computador com aquilo que sintetiza do mundo e diz possuir um rádio no lugar da cabeça".

Neste livro que ando a ler, só não me agradou que os depoimentos de Pilar del Rio estejam em castelhano (não gostei porque não domino totalmente a língua e poderá falhar-me muita coisa); é que isto não são propriamente conversas da treta e, nestas circunstâncias, todos os pormenores são importantes.


jose saramago
José Saramago  1922-2010


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

MEMÓRIAS DUMA NOTA DE BANCO





 



Estaríamos para aí em 1970 e lembro-me perfeitamente de ver este escritor à espera do comboio na gare da estação do Metro de São Sebastião da Pedreira em Lisboa, ao fim da tarde, depois da minha saída do trabalho.
Vinha eu com um colega mais velho, que me perguntou: sabes quem é aquele senhor que tem um livro na mão? é o escritor JOAQUIM PAÇO D'ARCOS, e, disse-me o meu colega, li dele um livro que te aconselho "MEMÓRIAS DUMA NOTA DE BANCO" é muito "engraçado"; foi precisamente a palavra dele que retive até hoje, e nunca mais esqueci o livro, muito menos o título que, desde logo me pareceu muito sugestivo e muito apelativo.

Joaquim Paço d'Arcos - 1908-1979

Na semana passada, passava por um alfarrabista que tinha lá um monte de livros a € 1, e, como faço habitualmente, procurei se havia algum que me pudesse interessar e lá estava, velhinho, edição muita antiga, este que quase me fez recuar no tempo cinquenta anos.

É mais um que, na prateleira, está em fila de espera, mas há situações na vida que retemos para sempre e este conselho do meu colega foi finalmente concretizado.

Joaquim Paço d'Arcos, é um escritor muito interessante, que viveu muito tempo nos Estados Unidos, em África e no Extremo Oriente, e fala muito nos seus livros dessa vivência como também descreve muito bem a sociedade lisboeta da época.

Joaquim Belford Correia da Silva, conhecido como Joaquim Paço d'Arcos




É um escritor demasiadamente esquecido, num país que frequentemente cultiva o desleixo dos seus valores.






sábado, 30 de novembro de 2013

A CRISE EM PORTUGAL - II




 
 
O escritor Teixeira de Pascoaes observou em 1920: "As descobertas foram o despertar (...). Desde aí, temos estado a dormir

Teixeira de Pacoaes - 1877-1952