domingo, 30 de janeiro de 2011

OLHARES CRÍTICOS - II

Eis a minha resposta à reflexão do meu amigo P anteriormente publicada:

Caro Amigo CP

Creio que as tuas palavras serão demasiada e perigosamente realistas, talvez até a palavra que mais se adeqúe a este teu pensamento será fundamentalista/realista.

Talvez por isso não queira (não queira, sublinho) estar de acordo contigo, quiçá...

É que, amigo, o homem para viver precisa do sonho, mesmo que utópico, mesmo até proclamando fazer o que, no fundo, até não quererá que aconteça (será hipocrisia a palavra adequada para esta acção?)

Viver sem sonhos, sem utopias, descer à essência das coisas não é fácil. A fantasia ajuda a viver.

Se não fossem os utópicos, se não fossem os sonhadores, se não fossem os revolucionários, os insensatos em que mundo ainda viveríamos?

Relembro as palavras de George Bernard Shaw: O homem sensato adapta-se ao mundo. O homem insensato insiste em tentar adaptar o mundo a si próprio. Portanto, todo o progresso depende de homens insensatos.

Um abraço

Seve

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

OLHARES CRÍTICOS - I

Há dias recebi uma mensagem do meu amigo P (por e'mail - as cartas estão infelizmente a desaparecer....) que me revelava uma das suas reflexões (como ele sublinha).

Esta sua reflexão deixou-me taciturno, pensativo e pôs-me também a reflectir profundamente. Dizia-me ele:

Os ricos que paguem a crise! Malditos ricos....Todos queremos ser ricos

INGÉNUOS vs CÍNICOS

Só na Ásia-Pacífico existe uma população equivalente à da Europa até aos Montes Urais, que vive com 1 €/dia.

São tão pessoas como nós!!! Têm tanta dignidade como nós, apenas são os mais pobres dos pobres. Vamos a uma perfumaria e gastamos, com a maior paz de espírito, num perfume (bem não essencial) o que cada um deles tem para viver num mês.

Se, por um passo de mágica, fosse possível a divisão equitativa da riqueza, os ricos acabavam, mas não era para nós melhorarmos. Era para aqueles milhões de deserdados da sorte.

E, depois, chegaria a nossa vez. Lá se ia o carrinho, as roupas (em abundância) de marca, o perfume, as férias no estrangeiro, as grandes casas, etc. etc...

Aceitávamos?

Afinal, há muita hipocrisia nas nossas boas intenções.

CAIXA DE RESSONÂNCIA

Unidos venceremos! Em frente.

Venceremos o quê?

A nossa sociedade, o nosso bem estar ou, antes do mais, acabar com a exploração dos mais pobres do Mundo, que, afinal, são explorados por todos nós?

Há muita fantasia nas nossas cabeças. Já vai o tempo que o meu empenho revolucionário era admirável, depois vi quanto eram irrealistas, para não dizer ingénuos (falsos?) salvadores.

Genericamente, todos queremos viver o melhor possível, seja a que custo for.
A nossa generosidade fica-se pelo nosso egoísmo.
Pobre dos (verdadeiros e muito) pobres.

Já tive oportunidade de responder a este meu amigo (publicá-la-ei nos próximos dias)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

POR ONDE ANDEI EM 2010 - III

Iniciava-se o 2º.trimestre de 2010 e depois da DERROCADA do Espanhol Ricardo Menendez Salmon – revelava-me JOSÉ SARAMAGO no seu CADERNO Nº. 2, que ainda em 15 de Abril de 2009, "as FARC da Colômbia mantêm há 12 anos, 22 militares acorrentados a árvores"; Esta obra reúne o conjunto de textos que diariamente José Saramago foi escrevendo no seu blog entre Setembro de 2008 e Novembro de 2009. Representa as reflexões, as opiniões, as sugestões, críticas aos mais diversos assuntos e sobre as mais diversas questões.

Deambulei depois com AFONSO CRUZ que, tal como o seu pai, Vivaldo Bonfim, adora ler e deixa, no sótão da sua casa, uma bela biblioteca a seu filho que tem o mesmo apelido Bonfim, este herda o vício do pai e, com os LIVROS QUE DEVORARAM O MEU PAI, viaja pelos livros visitando o mundo dalguns livros que o pai adorou (Crime e Castigo de Dostoievsk, a Ilha do Tesouro, de Stevenson, etc.).

Visitei depois a agitada Lisboa de 1808 e fui tomar O PEQUENO ALMOÇO DO SARGENTO BEAUCHAMP, com VASCO DA GRAÇA MOURA (na 2ª. foto), que me contou uma história passada no tempo das Invasões Francesas, mais precisamente durante a primeira invasão francesa, na confusa situação gerada pela presença das tropas napoleónicas em Portugal. A vida, os amores e os projectos de futuro de Jacinto Negrão Bezerra de Albuquerque numa rápida sucessão de peripécias cujo encadeamento acaba por levar a um desfecho inexorável.

Com JOSÉ JORGE LETRIA mantivemos umas CONVERSAS COM LETRAS, mantendo uma série conversas com vários escritores portugueses.

Abril águas mil e é nesta altura que o norte-americano ROBIN SHARMA me relembra no seu LIVRO DA SORTE E DO SUCESSO que as melhores coisas da vida requerem paciência, concentração e sacrifício e que nem uma única vida grandiosa foi constituída sobre uma base de desculpas, por isso paremos de as inventar.

Vou retemperar forças e ganhar coragem para vos dar a conhecer um lugar imaginário onde tive oportunidade de conviver com os medos actuais e a falta de princípios nas cidades.

domingo, 16 de janeiro de 2011

POR ONDE ANDEI EM 2010 - II

Retomo o balanço das minhas leituras de 2010 e, por isso mesmo, relembro as minhas andanças por novos mundos, conhecendo novas gentes.

Ainda no Brasil, já depois de ter andado n O RASTRO DO JAGUAR, como vos contei no meu primeiro relato de 5 do corrente, conheci, através dos seus textos no PIF-PAF, o grande humorista MILLÔR FERNANDES que me ensinou que em geral o cabelo fica branco mais depressa do que o bigode porque o bigode é vinte anos mais novo.

Viajei depois para os EUA e, com PHILP ROTH, maravilhei-me com a sua INDIGNAÇÃO. Este grande autor norte-americano relata a curta vida de um filho único de um casal dono de um talho; vai para a Universidade, é um rebelde que apenas pensa em estudar desprezando tudo e dedicando-se inteiramente aos seus estudos, é um bom filho, mas é mobilizado para a guerra da Coreia (1952) e aí morre com 22 anos. Uma vida curta mas absolutamente arrebatadora.

DULCE DE SOUSA GONÇALVES revela-me a sua angústia e a sua vida nos últimos sete anos de vida do seu pai - doente de Alzheimer através da AUSÊNCIA-DIÁRIO DE UMA FILHA DOENTE DE ALZHEIMER.

UMBERTO ECO (com óculos e de chapéu), reconhecido escritor italiano e JEAN-CLAUDE CARRIÉRE argumentista ligado ao cinema, deixam-me ouvir com A OBSESSÃO DO FOGO uma bela conversa entre os dois sobre a magia dos livros e é através deles que fico a saber que foram provavelmente impressas duzentas a trezentas Bíblias de Gutenberg. Hoje sobrevivem quarenta e oito, doze delas em velino (pele de vitela que, depois de preparada, imita o pergaminho).

Aspectos bem interessantes da guerra civil espanhola é-me contada pelo JOSÉ VIALE MOUTINHO com as CENAS DA VIDA DE UM MINOTAURO.

RAYMOND CARVER, escritor norte-americano que morreu cedo com 50 anos, alcoólico, conta-me, através DE QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE AMOR, uma série de histórias bem interessantes.

Com este jovem e grande escritor norte americano PAUL AUSTER, conheci MR VERTIGO, em que Walt, um órfão adoptado por dois tios, que o tratam abaixo de cão, é depois adoptado por um mestre que o treina na levitação e faz dele uma vedeta nesta arte

Assisti à DERROCADA depois de RICARDO MENENDÉZ SALMÓN me ter confessado, em 2009, uma grande OFENSA; esta Derrocada foi uma desilusão, depois de tanto ter prometido com a tal Ofensa.

E, com esta DERROCADA, fico-me hoje por aqui, esperando, dentro de dias, continuar a contar-vos por onde andei e quem conheci em 2010.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O COMBOIO DAS 8H22

Morávamos na mesma rua (Pedro Franco), da mesma cidade (Amadora), trabalhávamos todos na baixa de Lisboa, estudávamos (à noite) na mesma escola (do Cacém), tinhamos a mesma idade -16 anos-!

Logo pela manhã apanhávamos o mesmo comboio (das 8h22) para irmos trabalhar, era o comboio da juventude, quase toda a carruagem (a segunda da frente) era lotada por rapazes e raparigas tão jovens como nós, na plenitude da vida.
A alegria de viver morava em todos nós, apesar das dificuldades que a todos era comum, os tostões eram contados até ao último mas o mundo abria-se aos nossos sonhos, pelo que a nossa alegria era uma constante, uma alegria sã, inocente e do tamanho do mundo que era nosso.

Veio o serviço militar e fomos às nossas vidas, os anos passaram e nunca mais nos vimos e só agora, passados talvez mais de trinta anos o voltámos (eu-Severino e o Kim) a encontrar, o nosso amigo Carlos Domingues, a quem sempre carinhosamente chamámos Grila. Naquele tempo o Carlos tinha alguma dificuldade em soletrar a palavra que usava muitas vezes para tratar o Kim-puto reguila, e em vez de reguila dizia grila, e daí o epíteto de Grila.

Foi no nosso encontro anual, que todos os anos realizamos no segundo sábado de cada ano. Este encontro reúne muitos dos amigos que viveram a mesma infância/juventude, e finalmente o Grila esteve presente.

Foi um reviver de emoções, um recordar de momentos inesquecíveis da nossa juventude, partidas que fizemos uns aos outros, cenas que nunca mais esqueceremos e que sabe tão bem recordar, uma juventude que vivemos tão sadiamente e tão feliz apesar de todos os contratempos que, na altura, existiam, mas todos os dias a felicidade viajava na segunda carruagem do comboio das oito e vinte dois.......

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

POR ONDE ANDEI EM 2010 - I

Um novo ano começa; para todos um bom, muito bom 2011.

É tempo de balanços e é isso que me apresto a fazer, relativamente a 2010 - por onde andei, com quem andei, o que vivi, o que passei, quem conheci, e por aí adiante, o que mais se verá.........através dos livros que li:

Iniciei em Janeiro uma viagem, por terra, de Lisboa a Viena de Áustria no dorso do elefante Salomão, que veio da Índia e esteve em Portugal apenas 2 anos, quando D.João III resolveu oferecê-lo ao seu primo Maximiliano da Áustria. E assim, em 1550, por essa Europa fora iniciei A VIAGEM DO ELEFANTE, sempre guiado por JOSÉ SARAMAGO.

Passeei depois, nos tempos actuais, por terras norte-americanas com a Srª. ABIGAIL THOMAS vivendo, em Woodstock, Nova Iorque, UMA VIDA E TRÊS CÃES, e conhecendo por eles a lealdade, o amor incondicional e o carinho.

Ainda, nos EUA, conheci ROBIN SHARMA que me ensinou a SER MESTRE NA ARTE DE VIVER, e entre outras coisas depreendi que a arte de viver consiste em conseguir que até os agentes funerários lamentem a tua morte.

Conheci a Espanha de 1940, com CARMEN LAFORET, e vivi NADA.

Viajei depois para a América Central, a um país (República Dominicana) e a um tempo de ditadura (Trujilo) com JUNOT DIAZ tendo vivido A BREVE E ASSOMBROSA VIDA DE OSCAR WAO.

Para retemperar forças, fechei-me depois numa biblioteca aonde, com SAM SAVAGE, conheci o rato FIRMIN, com quem viajei no espaço e no tempo, através dos livros. Firmin era o 13º. filho de uma ratazana alcoólica que só tinha 12 tetas e que, tal como os irmãos, nasceu no sótão de um alfarrabista. Como Firmin era o mais fraco de todos os irmãos não chegava às tetas da mãe. Assim se safou do alcoolismo e, para sobreviver, começou a comer livros, tornando-se um rato culto.....

MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA, apresentou-me um grande português, escritor, poeta, tradutor, publicitário, misterioso e sei lá que mais, ALEXANDRE O'NEILL (há mar e mar, há ir e voltar....), numa bela BIOGRAFIA LITERÁRIA e que me confidenciou; "bebo normalmente às refeições e fora das refeições".

Tomei contacto com a actual sociedade russa, fiquei a saber que o avô de Vladimir Putin (será um terrestre?) foi cozinheiro de Estaline e viajei ainda por mares profundos no submarino russo KURSK-O ROMANCE DE UMA EXECUÇÃO, com MARK DUGAIN, tendo assistido a uma tragédia absolutamente arrepiante em que 119 marinheiros russos ficaram encarcerados/blindados numa morte lenta e atroz.

Ainda nos primeiros meses deste ano de 2010, através da PIMENTA DA ÍNDIA, com ANA MARGARIDA DE OLIVEIRA, consegui viver simultaneamente em duas épocas - na época dos descobrimentos, no séc. XVI, em que vivi uma extenuante, perigosa mas inesquecível viagem marítima da Índia para Portugal, numa bela caravela portuguesa, carregada de especiarias, tendo assistido ao seu naufrágio ao largo dos Açores, e na época actual em que vivi a vida actual de duas pessoas casadas que se envolvem e que vão aos Açores à procura dum documento perdido pelo referido navio naufragado.

FRANCIS AMALFI levou-me à A OFICINA DOS ESCRITORES, uma oficina aonde conheci muitos escritores portugueses e estrangeiros, tendo, ao mesmo tempo, tomado conhecimento de algum do seu trabalho através das suas notáveis frases e máximas inesquecíveis; por exemplo George Bernard Shaw revelou-me que o homem sensato adapta-se ao mundo. O homem insensato persiste em tentar adaptar o mundo a si próprio. Portanto, todo o progresso depende do homem insensato.

Finalmente, no séc. XVIII, ainda antes do grito do Ipiranga, viajei pelo imenso e misterioso Brasil n O RASTRO DO JAGUAR , com MURILO CARVALHO, em que fiquei a conhecer a história de Pierre um índio guarani brasileiro que aos 2 anos foi trazido por um biólogo francês para Paris e ali foi criado e ali estudou e se formou, tendo ainda servido no exército francês; aos 21 anos decide voltar ao Brasil para procurar as suas origens. Conheci ainda e muito bem o que foi a colonização do Brasil, nomeadamente dos índios guaranis pelos portugueses e até pelos próprios brasileiros.

Foi um começo de ano de grandes viagens, em que conheci os mais belos, estranhos e misteriosos seres humanos, outras civilizações, outros povos, vivi aventuras e romances inequecíveis, conheci e vivi os tempos áureos dos portugueses no séc. XVI e preparei-me (em terra) para fazer mais viagens, para conhecer novas pessoas, novas gentes, novos usos e costumes, outros tempos passados e futuros, que, na próxima semana, vos continuarei a revelar.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O SALÁRIO MÍNIMO

Parece-me perfeitamente indecoroso que um indivíduo que certamente deverá ter de ordenado uns (muito) largos milhares de euros (quantos ordenados mínimos vale um BMW dum admnistrador.....), venha para os meios da comunicação social, nomeadamente para a televisão, dizer que dez €uros por mês é um aumento muito grande, e que poderá ser incomportável para as empresas.
Estamos a falar de dez euros por mês, acho que é preciso um indivíduo ter uma grande "lata", nem sei se é dizer uma grande pouca vergonha, como é possível... será que este indivíduo saberá (ao menos pensará) o que é viver com quinhentos euros por mês?
É sempre a mesma conversa, efectivamente só a luta constante que as pessoas têm desenvolvido ao longo dos tempos lhes tem permitido que tenham agora uma vida mais digna, pois se não fosse assim, se não fosse a eterna luta nada mas nada seria concedido aos que trabalham.
É preciso arrancar a ferro e fogo uns miseráveis tostões, a quem vive à grande e à francesa e esbanja num minuto o que outros terão de conseguir com grande sacrifício num mês de trabalho e basta ver agora pelo ordenado mínimo. É sempre a dizer não, sempre a recusar, sempre não...
É uma luta constante e eterna!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

OS MERCADOS

Não, não são esses que todos nós Portugueses sempre conhecemos, esses que efectivamente fazem (fizeram?) parte integrante da nossa cultura, os mercados onde os nossos pais compravam nesta época as couves, as rabanadas.........os mercados de que hoje vos quero falar não fazem parte do nosso imaginário, não fazem parte da nossa cultura, não fazem parte do nosso ser, estes são aqueles que tomaram conta das nossas vidas, conta do nosso país, conta dos nossos governos, e que, dia a dia, nos apertam o cerco, que nos exploram até ao mais fundo do nosso ser, quer material quer espiritual e inevitavelmente culturalmente, e que não só actuam sobre o nosso povo como sobre outros povos, como sejam o povo inglês, o grego, o irlandês, o espanhol, o italiano e por aí fora.

Não lhe conhecemos a cara, não lhes conhecemos o rosto, mas sabemos quem são.....

Neste tempo de Natal, em que as famílias se juntam, é tempo de pensarmos nisso e é tempo de voltar a ouvir aquela canção do José Mário Branco TODO O TEMPO É TEMPO DE MUDANÇA.

Boas Festas e Bom Natal para todos!

Bom 2011

Todo o tempo é tempo de mudança, e não nos esqueçamos como começaram as duas últimas grandes guerras.....

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

um disco - I


Virgínia Astley faz música!

Este CD caracteriza apenas uma pequeníssima parte do seu talento.
Leva-nos aos sons e aos cheiros da nossa infância.
Ouvem-se os sinos da igreja.
Ouçam o som de uma mó durante a canícula duma bela e saudosa tarde de Verão, com o canto das cigarras em fundo.
Os pássaros entoam cânticos primaveris.
A flauta e o piano traçam-nos um quadro sereno e deliciosamente rural.
É um disco editado em 1983. É um disco de sempre.

"From Gardens..." é um álbum de uma beleza rara, no qual o piano de Virginia Astley desempenha um papel fundamental envolvendo-nos totalmente num ambiente campestre.
Um ambiente, um som que mora e ecoa bem cá dentro de nós, pois são sons que nos recordam tempos felizes.

VIRGINIA ASTLEY - FROM GARDENS WHERE WE FEEL SCURE = CD

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O TEMPO


Fazia eu mais uma viagem de centenas de quilómetros por esse Portugal, galgando asfalto sem o olhar, passando pelas terras sem as ver, pensando sim e vendo o filme da minha vida e ouvindo o rádio do carro, quando de repente escuto (diferente de ouvir) de Carvalho da Silva, Secretário Geral da CGTP esta verdade absoluta: o tempo será, depois da saúde, porventura o factor mais importante na vida do ser humano.

E é efectivamente, nos tempos que correm, uma grande verdade.

O homem precisa de tempo para viver, é quase factor de sobrevivência o tempo de lazer, o tempo para aprender, para educar, para amar, enfim para viver.

E como ele passa tão depressa, como os fins de semana se sumem, como as sextas-feiras chegam tão depressa e se esvaem num sopro. E como cada vez mais as pessoas trabalham (as que ainda têm trabalho) mais horas, ao invés do que sempre foi uma reivindicação dos trabalhadores. Até a idade da reforma se quer passar para os setentas......

É um tempo de loucos, é que, como costumo dizer, eu sou do tempo em que o dia tinha três (longas) partes: a manhã, a tarde e a noite e era um longo, longo e delicioso dia....

sábado, 4 de dezembro de 2010

A CRISE


Curioso:

A crise serve para:

  • aumentar o IVA

  • aumentar o preço dos alimentos

  • aumentar o preço dos transportes

  • aumentar o preço da gasolina

  • aumentar o preço do telefone

  • aumentar o preço da água

  • aumentar o preço da luz

  • aumentar o nº. de despedimentos de trabalhadores

  • aumentar o ordenado dos deputados

  • aumentar a frota automóvel dos "tachistas"

  • aumentar o nº. de secretários de estado

  • aumentar o lucro dos bancos

  • aumentar a prestação da casa (a pagar ao banco)

  • aumentar o lucros das multinacionais

  • baixar o ordenado dos trabalhadores

  • aumentar os impostos

  • diminuir os benefícios fiscais

  • reduzir o subsídio de desemprego
  • reduzir o abono de família
  • reduzir a zero o "aumento" de ordenado dos trabalhadores

sábado, 27 de novembro de 2010

E SE A UNIÃO EUROPEIA ACABASSE?




  • Seria o apocalipse?

  • Voltaríamos a estar Orgulhosamente Sós?

  • Retornaríamos à Idade Média?

ou


  • voltaríamos a ter agricultura?

  • voltaria um café a custar menos 100%?

  • voltaríamos a ter uma entidade, uma bandeira, uma nação?

  • voltaríamos a ser independentes?

  • voltaríamos a riscar do nosso dia a dia a palavra crise que, desde a entrada para a U.E., passou a constar do nosso imaginário (apesar de ela já por cá coexistir desde a fundação de Portugal)?

  • voltaríamos a ter celeiros com trigo?

  • voltaríamos a ter azeitonas e, por consequência, lagares com azeite?

  • diminuíria a entrada de droga nas nossas fronteiras?




domingo, 21 de novembro de 2010

OPRESSÃO

Publicou o meu amigo Kim no seu blogue "Às vezes fim de semana" um belo escrito de homenagem a Aung Sang Suu Kyi, a birmanesa que, ao que parece, finalmente se libertou da prisão domiciliária a que, durante mais de uma dezena de anos, tem estado sujeita.

Ora a propósito de opressão, creio que nunca os opressores tiveram tanta força sobre os oprimidos como nos tempos que correm. Nunca o seu laço se apertou tanto sobre o pescoço dos oprimidos como nos tempos que estamos a viver e, ainda por cima, em nome da democracia e da liberdade...... e não só.

Quando, com as dificuldades que actualmente as pessoas sentem para, por exemplo, pagar os empréstimos que contrairam para pagar as suas casas, se ouve um administrador de um banco português proclamar que este ano vai ter menos vinte milhões de euros de lucro em relação aos sessenta milhões que teve no ano anterior, estamos assim absolutamente sintonizados no tempo que passa - a absoluta e total tirania vexatória deste desenfreado ultra-liberalismo/ultra-capitalista mais selvagem que estamos a viver-!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O QUE ANDO A LER - I


INVICTUS- O TRIUNFO DE MANDELA (John Carlin)

É assim como que uma biografia romanceada de um dos maiores homens do nosso tempo.

Foi concebido a partir de inúmeras entrevistas e conversas informais com figuras escolhidas em diferentes meios sociais e políticos e com o próprio Mandela.

Aqui se narra a extraordinária transição do regime do
apartheid para a democracia na África do Sul.

Nelson Mandela conseguiu para o seu país um novo modelo de revolução, em que o inimigo não foi eliminado, mas incorporado, uma revolução que, ao invés de dividir um povo, o unia.
Mandela conseguiu não só libertar os pretos do apartheid mas também libertou os brancos do medo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

UMA FRASE - 1


-Hoje ainda é um homem de esquerda?

-Sim, sempre fui. Mas uma pessoa com a minha idade não pensa como pensava há 40 anos.

Artur Jorge numa entrevista à revista VISÃO de 04 a 10.11.2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

OS LIVROS DA MINHA VIDA - II


"Para a região vermelha e parte da região cinzenta de Oklahoma, as últimas chuvas caíram suavemente, sem penetrarem fundo na terra escalavrada".

Assim começa "AS VINHAS DA IRA" um dos grandes romances do séc. XX, de um dos maiores escritores americanos - John Steinbeck, 1902-1968- .

O pai de Jane Fonda (Henry Fonda, grande actor, 1905-1982) imortalizou na tela Tom Joad a grande figura humana e personagem principal das VINHAS DA IRA.

Quatro décadas após a sua morte ele (John Steinbeck) continua a ser dos escritores mais apreciados nos EUA.

John Steinbeck seguiu-se a Victor Hugo nas minhas leituras eternas e inesquecíveis, ainda antes de descobrir alguns autores portugueses (de que falarei proximamente).

"A UM DEUS DESCONHECIDO", "A LESTE DO PARAÍSO" (lembras-te, ó amigo Almeidinha, do cágado a subir o passeio......), "RATOS E HOMENS", "A BATALHA INCERTA" (grande livro, ó Almeidinha e o puto que cai da pereira e parte-se todo......) são livros absolutamente imperdíveis e intemporais.

John Steinbeck (na foto) foi Prémio Nobel da Literatura em 1962

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

o primeiro METRO


O primeiro sistema subterrâneo de transporte rápido é inaugurado na América, neste dia (27/10) de 1904 na cidade de Nova Iorque.

O Metropolitano abriu ao público às 19h00 e mais de 100 mil pessoas pagaram um cêntimo cada para uma viagem por baixo de Manhattan.

Hoje o Metropolitano de Nova Iorque é o maior do Mundo.

sábado, 23 de outubro de 2010

O FIM DO CINEMA MUDO

Faz hoje (23/10) sessenta anos que morreu Al Jolson.

Al Jolson, nome artístico de Asa Yoelson, (Lituânia, 26 de Maio de 1886 - S. Francisco, 23 de Outubro de 1950) foi um cantor e actor que se consagrou nos Estados Unidos, tanto no cinema como na música e notabilizou-se ainda por nos seus espectáculos aparecer muitas vezes pintado de preto.

Lituano de nascimento, tornou-se um dos grandes ícones da cultura popular dos Estados Unidos durante a primeira metade do século XX.

Emigrou para os Estados Unidos em 1893.

A sua carreira teve início no ano de 1909 como actor e cantor, principalmente em comédias, tendo até um papel de destaque no espectáculo “La Belle Paree”, na Broadway.

No entanto, a sua carreira cinematográfica será sempre lembrada pela sua participação no primeiro filme falado da história - "O Cantor de Jazz" - de 1927.

E foi com este filme sonoro que se iniciou a queda do cinema mudo, do Chaplin, do Pamplinas……. (a queda do cinema mudo que não do Chaplin nem do Pamplinas, porque esses são eternos).

terça-feira, 19 de outubro de 2010

OS LIVROS DA MINHA VIDA - I

“Viviam Ursus e Homo ligados por estreita amizade. Ursus era um homem, e Homo era um lobo. Entre as disposições naturais dos dois estabelecera-se convencional harmonia. Fora o homem quem baptizou o lobo. Provavelmente também escolheu o nome que usava: achando Ursus bom para si, julgara Homo bom para a alimária”
Foi este o segundo livro que li de Victor Hugo (O HOMEM QUE RI). Uma verdadeira pérola.


“Os Miseráveis” foi a primeira obra, bem no princípio da minha adolescência e que, sem dúvida, me injectou o vício de ler.
Seguiram-se outros, qual deles o melhor (Nª. Srª. de Paris, Han de Islândia, Os Trabalhadores do Mar, etc. etc..

Victor-Marie Hugo-Besançon (França), 26 deFevereiro de 1802-Paris-22 de Maio de 1885.

Inicio hoje uma conversa sobre os livros da minha vida, pelo menos aqueles de que mais gostei e que, de algum modo, a eles volto sempre. Sendo assim, teria mesmo de começar por Victor Hugo.

Tudo o que se relacionava com este grande escritor francês eu guardava, e num destes últimos dias, quando folheava a biografia de Victor Hugo, de Francois Mauriac, um livro muito antigo da editora Livros do Brasil (custou-me trinta escudos à época), (gosto de meter entre as páginas dos meus livros as mais variadas coisas, fotos, publicidade, recortes de jornais, revistas, só lá não meto notas do BP –por razões obvias-) e assim encontrei entre as suas páginas um recorte do jornal ABOLA, uma crónica de 1985 do jornalista Baptista Bastos em que falava de Victor Hugo e dele recordava esta frase lindíssima:
“A melancolia é a felicidade de estar triste”

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

OK

Há pessoas que, por tudo e por nada, passaram a utilizar no seu discurso palavras estrangeiras (cross-selling, clains made, agreement, back-ground, program, training, dead line, feed-back, coaching, restrict sense, etc. etc…) que, por vezes, temos alguma dificuldade em entender. O mesmo, por exemplo, vem acontecendo nos comunicados das empresas na comunicação interna para os seus colaboradores, e até, infelizmente, nos telejornais, onde a linguagem deveria ser simples e perfeitamente entendível por todos e até uma "escola" de aprendizagem do português.

Estas expressões estrangeiras são por vezes perfeitamente desadequadas por não serem entendíveis pela grande maioria das pessoas (nem, porventura, por quem as soletra); enfim, um mau gosto provinciano revelador de um novo analfabetismo, que grassa por aí.

E há quem, na sua narcísica linguagem, corra o sério risco que correram os funcionários alfandegários norte-americanos, pouco letrados, que querendo indicar que as mercadorias verificadas por eles estavam em ordem, escreviam a giz aquilo que supunham ser as iniciais das palavras “all correct” –OK; contudo, este erro ortográfico, caiu bem no ouvido e a expressão generalizou-se e universalizou-se.


Claro que não foram o OK nem tão pouco o yes (palavras universais) que motivaram este meu escrito.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O NOBEL PORTUGUÊS

Quando passam hoje doze anos (8.10.1998) sobre a atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao grande escritor português José Saramago, recordo algumas palavras do seu discurso de laureado quando fez a leitura do Nobel no Salão Nobre da Academia Sueca, em Estocolmo.

Durante 40 minutos fez a leitura das 12 folhas que levou escritas e este discurso foi mais uma peça de literatura que acrescentou à sua obra. “O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao campo meia dúzia de porcos.

E assim foi contando num português fiel a história de seu avô Jerónimo e de sua avó Josefa. Aqueles que “no Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para as suas camas, assim os salvando de uma morte certa

Foi um momento único para Portugal duma figura humana fiel às suas raízes, orgulhoso da sua origem humilde, um português de raiz!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

LUÍS AMARO - poeta

Muito jovem ainda conheci Luís Amaro, lembro-me que estava eu, no banco do Metro à espera da carruagem que me conduziria ao Rossio para depois apanhar o comboio para casa, e lia OS MISERÁVEIS de Victor Hugo, quando, sob a égide de São Sebastião da Pedreira (como ele gosta de referir) iniciámos uma conversa sobre livros e foi ali que efectivamente começámos uma longa amizade que tem sido fortalecida ao longo de todos estes anos.

Tal como consta no livro “PORTUGUESES CÉLEBRES – Quem é Quem”, editado pelo Circulo de Leitores, Francisco Luís Amaro, nasceu em Aljustrel, em 05.05.1923. Foi um dos fundadores e directores da revista ÁRVORE e colaborou em muitas outras revistas, nomeadamente na prestigiada SEARA NOVA . Foi secretário da revista Colóquio/Letras.

Tenho na minha frente o seu belíssimo livro de poesia Diário Intimo, recentemente reeditado pela & etc. ; leio na contracapa: “A vida Luís Amaro tem sido em grande parte dedicada à leitura, ao estudo e à divulgação da obra alheia. A entrega –a estimulante devoção- de Luís Amaro aos autores tornados "seus", conhecidos ou por conhecer, foi processada sempre em detrimento da obra própria, esta como que encoberta por um manto de pudor – virtude rara no fluxo das orquestrações ruidosas.”

Aqui deixo a minha homenagem a este grande homem das letras em Portugal, uma pessoa que tem vivido toda a sua vida para os outros, duma humildade absolutamente divinal e um grande amigo que tive a felicidade de encontrar nos caminhos desta vida.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

PORTO


Dos meus tempos de criança, o que mais relembro do Futebol Clube do Porto, são os guarda-redes.

Do Pinho, que me parecia muito pequenino e gordinho.
Do Acúrsio Carrelo (era este o seu nome se a memoria não me atraiçoa) que também era vedeta no hóquei em patins.
Do Américo que me encantava com os seus voos, autêntico pássaro azul (embora este epíteto PÁSSARO AZUL pertencesse a outro GR azul, José Pereira dos Belenenses)
Do Barrigana porque tinha umas manápulas tamanho XXL, e a quem chamavam "o mãos de ferro".

E destes que não eram GR:

Do Cubillas, porque foi o jogador estrangeiro com o futebol mais subtil e mais melodioso que vi até hoje.
Do Pavão, que morreu em campo, num domingo à tarde, num jogo contra o Vitória de Setúbal, quando eu estava no serviço militar, precisamente no Porto em Arca d’Água.

Pois o Futebol Clube do Porto faz hoje precisamente 117 anos, a quem aproveito para endereçar os meus parabéns, e Saudações Leoninas.

Em Outubro de 1922, o emblema do F. C. Porto mudou o seu aspecto.
Da autoria de Simplício (Augusto Baptista Ferreira), jogador do clube naquela época, representa uma interessante simbiose do anterior símbolo com as armas da cidade

Nota:-Trabalhei alguns anos no Porto e posso dizer que este foi o local do País aonde, a par de Campo Maior, fui mais bem recebido. Um carinho, uma amizade, um espírito de solidariedade e entreajuda que jamais poderei esquecer. Ali conservo, felizmente, alguns bons amigos absolutamente inesquecíveis!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O ELEITO

Tempo de férias é tempo de descanso, descontracção, boa mesa, boa cama e algumas leituras.

Recomendado pelo meu caro amigo Almeidinha (em quem, nestas recomendações, confio quase a 100%) li nestas férias, de Thomas Mann, um dos maiores escritores do nosso tempo, distinguido com o Prémio Nobel em 1929, “O ELEITO”.

Não será uma leitura simples/fácil mas é uma leitura que prende do princípio ao fim.

O escritor alemão revela aqui uma acutilante penetração da ideologia cristã e dos mais profundos mitos humanos, evidentemente traumáticos e pujantes.

Refundição da lenda de São Gregório, o Édipo cristão.

Nascido do incesto, recai no pecado como no vício, e após longa penitência chega a Papa.
Esta fábula, cujo herói é o santo, denuncia a necessidade perversa do pecado no círculo cristão.
Prendeu-me da primeira à última página.

Nota:-a capa aqui retratada é duma edição recente, eu li um número antigo da extinta e velhinha (e valiosa) colecção dos livros de bolso da Europa-América


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O PAPA PORTUGUÊS




Comemoram-se hoje 734 anos que Pedro Julião, mais conhecido por Pedro Hispano, iniciou o seu pontificado que durou apenas cerca de 8 meses, tendo-o exercido até à sua morte, em Maio de 1277, apenas com 51 anos (apenas pelas contas de agora, claro).

Foi o único Papa Português (nascido em Lisboa) e o 188º. Papa eleito.

Foi também um famoso médico, professor e matemático.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

OUTROS TEMPOS

Era no tempo em que só o treinador não falava português, precisamente ao contrário do que acontece actualmente, em que só o treinador fala português (isto na maioria dos clubes portugueses - felizmente, não acontece no meu SPORTING - avis rara).

Nesta época (1971/1972) poucos estrangeiros jogavam nos clubes portugueses e este SPORTING é sinónimo disso mesmo; apenas um Luso-Brasileiro (Wagner-é o segundo da esquerda-de costas).

Da esquerda para a direita:

PEDRO GOMES (actual comentador da TSF) - defesa direito muito rápido, num estilo muito semelhante ao Secretário (ex-FCP, que, curiosamente, foi júnior do Sporting), mas melhor
WAGNER-veio de Setúbal, luso-brasileiro, excelente pessoa; centro-campista, muito habilidoso
BASTOS- já falecido (creio que há cerca de 3 anos, teria 56). Defesa Central de grande envergadura, quando tinha 18 anos mais parecia ter 40 (barba cerrada-até metia medo), aqui teria 20, (morava no Largo da Graça em Lisboa).
CARLOS PEREIRA - foi adjunto de Paulo Bento o ano passado, é irmão do maior descobridor de talentos em Portugal, Aurélio Pereira e nestes tempos morava na Venda Nova-Amadora; um bom defesa esquerdo, creio que terminou a carreira nos Belenenses.
PINHAL – Guarda Redes – perdi-lhe o rasto
TOMÉ - trabalha no V. Setúbal (ou pelo menos foi funcionário) e é simultaneamente um grande adepto do SCP, teve um café em Setúbal junto à ex-Delegação da VICTORIA-Seguros, ao lado da Rodoviária Nacional.
Ronnie Allen, treinador, veio de Espanha e foi despedido após época vergonhosa - o que, infelizmente, foi comum no meu Sporting, na década de 70
Nuno Machado (actual consultor de seguros em Lisboa) - grande talento que passou ao lado de uma grande carreira, os empresários ainda estavam para nascer e, se calhar, por isso mesmo ainda existia o amor à camisola, um jogador incendiário, quando arrancava tinha uma força...... terrível ponta de lança (fez dupla no início da carreira, com o seu irmão).
ÁLVARO JORGE – Chefe electricista, já reformado
JOSÉ CARLOS - vive em Lisboa e acompanha o SCP dia a dia, começou na CUF (Companhia União Fabril- actual FABRIL) e era um grande defesa central. Fez-se crer maldosa e injustamente que por sua causa não fomos, em 1966, campeões do mundo, que ofereceu o 2º. golo ao Bobby Charlton, aos 37 minutos de jogo-grande central- as seculares rivalidades Benfica/Sporting criavam estas desagradáveis situações.
Faltam ainda o Hilário (já em fim de carreira), também (na altura) português (creio que de Angola), considerado talvez o melhor defesa esquerdo português de todos os tempos e ainda o Alexandre Baptista – grande Defesa Central do Mundial 1966 - ilustre economista.

sábado, 11 de setembro de 2010

11/9

11/9

"102 minutos", dos jornalistas nova-iorquinos, do "New York Times", Jim Dwyer e Kevin Flynn, é um livro que reconstitui a tragédia dos que estavam por dentro, do World Trade Center.

Há histórias, muitas histórias dos que estavam lá dentro e se quiseram salvar, dos que ficaram presos (às escuras) dentro dos elevadores a poucos metros do chão sem saber o que se passava, ouvindo o horripilante som do embate contra o solo, das pessoas que caiam no átrio depois de se terem lançado no vazio, do corretor de seguros que desceu as escadas desde o 54º, andar com a colega (paralítica) ao colo, os telefonemas do filho para a Mãe, encurralado no 89º. andar, quando aquela via a tragédia na televisão, do filho do bombeiro encurralado no 97º. andar e que o pai envia para a morte aconselhando-o (por tlm) a fugir para o terraço em vez de o aconselhar a descer as escadas, algumas explicações sobre falhas de comunicação e engenharia, por exemplo: “Edifício de referência de Nova Iorque durante a primeira metade do século XX – o Empire State Building, inaugurado em 1931 – tinha nove escadas na sua base alargada e seis na parte média mais estreita, incluindo a torre de incêndio, pois as torres gémeas do World Trade Center, que receberam os primeiros inquilinos em 1970, tinham, apenas três cada uma, para além de outros factores que a ganância do lucro tornou o WTC menos seguro.


Foram os 102 minutos mais longos e dramáticos da história recente dos Estados Unidos; os 102 minutos, quase irreais, que mediaram entre o impacto do primeiro avião e o desmoronamento da segunda torre, –é o testemunho do que se passou no interior das torres gémeas e na intimidade de muitas das 14 000 pessoas que lá se encontravam. Reune centenas de entrevistas com sobreviventes e salvadores, e inúmeras transcrições de contactos telefónicos, de rádio e e-mails, esta é a recriação inédita, emocionante e realista da tragédia que se abateu sobre pessoas comuns e valorosas, do seu heroísmo e do seu desespero face à iminência da catástrofe, da sua luta pela sobrevivência num mundo que desabava sobre elas.

Não é intenção nem pretende este livro esclarecer o mistério que, acreditem, continua a ser o 11 de Setembro…..não foi só o ataque às torres…. o pentágono…..etc. etc….. é, contudo, uma reportagem jornalística irrepreensível que levanta uma série de questões vitais e incómodas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

FÉRIAS

As férias estão a acabar! (melhor, para mim acabaram)

As férias são primas dos feriados. Feriado veio do latim feriatus, do mesmo étimo de feriari, festejar. Festa, festus e fastus eram dias importantes para os antigos romanos, nos quais era bom começar alguma coisa, em oposição a nefastus, que deu o português nefasto. Nos dias nefastos eram evitados ou mesmo proibidos os negócios públicos

As férias dos trabalhadores praticamente só surgiram praticamente após a criação da OIT-Organização Internacional do Trabalho, logo após a Primeira Grande Guerra, em 1919.
Contudo, é somente a partir de 1940 que a noção de lazer se torna, na prática, uma preocupação nos Estados Unidos e na Europa.
Hoje, teoricamente, o lazer existe para todos e é reconhecido como um direito natural semelhante aos demais direitos sociais.
No entanto, a realidade evidencia que nem todos os cidadãos têm acesso ao lazer como descanso, recuperação de forças físicas e psíquicas, e momentos de descontracção.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

António Telmo - Morreu um grande homem

Morreu, no penúltimo sábado de Agosto (21.08.2010) no Hospital de Évora, o grande filósofo ANTÓNIO TELMO que residia em Estremoz, que fez o favor de ser meu amigo e com quem eu passava a quase totalidade do meu tempo livre, quando estava em Estremoz no exercício da minha actividade profissional (formador), a falar de livros, ou melhor a ouvi-lo falar de livros e não só.., ouvi-lo a falar de Portugal e dos Portugueses, era um homem com uma cultura gigantesca e que dava gosto ouvir, com um sentido de humor absolutamente notável, e que me falava de Portugal e dos Portugueses duma maneira absolutamente arrebatadora.Adicionar imagem
Fico confuso e a meditar quando nem uma das nossas quatro principais estações televisivas deu conta do facto (ou eu não ouvi).

Foi um grande vulto da cultura portuguesa, embora absoluta e totalmente um perfeito desconhecido para a grande maioria dos Portugueses; como é possível passar em branco a morte dum grande português que nos seus escritos falou de Portugal e dos Portugueses como poucos o fizeram; aliás nem sei se algum jornal Português (ou estação de rádio) noticiou a sua morte (por acaso um dos semanários noticiou-a -dos que li, claro, o que já nem foi mau)
.
António Telmo Carvalho Vitorino, nascido a 2 de Maio de 1927, em Almeida (Guarda) integrou aos 23 anos o grupo Filosofia Portuguesa depois de ter tido contacto com José Marinho (1904-1975) e Álvaro Ribeiro (1905-1981).

A convite de Agostinho da Silva (1906-1994) e de Eudoro de Sousa (1911-1987), foi professor de Literatura Portuguesa durante três anos, na Universidade de Brasília. Leccionou ainda em Granada e, de regresso a Portugal, foi director da Biblioteca de Sesimbra, onde residira.

Radicou-se definitivamente em Estremoz, onde foi professor de Português.

Era irmão do Dr. Orlando Vitorino, dos maior vultos intelectuais do liberalismo português contemporâneo (também já falecido, em 2003).
António Telmo foi autor de vários títulos, entre os quais Arte Poética (1963), Gramática secreta da língua portuguesa (1981), Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões (1982), O Bateleur (1992), O Mistério de Portugal na História e n'Os Lusíadas, (2004), Viagem a Granada (2005) e Contos Secretos (2007).
«A História Secreta de Portugal», de António Telmo, continua a ser um livro obrigatório para os Portugueses que querem pensar pela sua cabeça, honrando os seus Antepassados.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A GRAVATA

Durante este mês de Agosto estou livre deste acessório, "a coleira da civilização" como diria um amigo meu....

É, contudo, um acessório que até gosto de usar no dia-a-dia, até porque a minha actividade profissional quase a isso me obriga.

Tem uma pré-história: na Antiguidade, por razões de ordem higiénica ou climática, os soldados de diversos exércitos usavam tecidos atados em volta do pescoço. Foi o caso dos soldados do primeiro Imperador da China (séc. III antes da nossa era) cujas figuras em tamanho natural, feitas de barro, foram encontradas não há muito tempo, ou os soldados de infantaria romanos representados em Roma na coluna de Trajano.

Mas esse lenço desapareceu e foi preciso esperar quinze séculos para o voltar a encontrar.

Foi na cruel Guerra de Trinta Anos que devastou a Europa 1618-1648, que opunha a aristrocacia protestante da Boémia à autoridade católica do Sacro Império.

Uma guerra que foi sobretudo travada por soldados mercenários. Entre eles os mercenários CROATAS que usavam um pequeno lenço simplesmente atado ao pescoço.

Assim surgiu a gravata que, embora contrariado por muitos, há quem pense (erradamente, ou não) vir da palavra CROATA, por volta de 1650

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

TERAPEUTAS NOS EUA


ACUSAÇÕES A TERAPEUTAS NOS EUA

O psicoterapeuta e Professor de Psiquiatria na Faculdade de Medicina de Stamford (EUA), Irvin D. Yalom, autor de um livro de grande êxito (QUANDO NIETZCHE CHOROU) relata, numa das suas últimos publicações em Portugal (MENTIRAS NO DIVÃ), algumas acusações feitas a oito terapeutas e a quem foram levantados processos.
-Um deles dormiu com uma paciente (e cobrou-lhe) durante cada sessão, duas vezes por semana ao longo de oito anos

-Um pedopsiquiatra foi apanhado num motel com uma paciente de quinze anos. Estava coberto com calda de chocolate


É um livro com uma história curiosa e que se lê com algum interesse revelando algumas situações acontecidas com psicoterapeutas e que, por curiosas, aqui ficam.

Psicoterapeuta-uma pessoa está com problemas psicológicos, então ela procura ajuda de um psicólogo, e o tratamento realizado chama-se psicoterapia.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

GALERIA DOS NOTÁVEIS


Bela Katzirz

Contratado após o Mundial 82, pelo meu clube, para substituir o que foi a sua antítese ou seja o seu compatriota Meszaros.
Vi o seu jogo de estreia em Portugal e impressionou-me logo no aquecimento pois levantava o pé e batia com ele na trave …..
Exerce agora no seu país (Hungria) a profissão para a qual parece ter vocação: advogado. É ainda proprietário de um grandioso aviário, adquirido com as economias (em dinheiro e em espécie) feitas no nosso país.
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Rodolfo Rodriguez

O uruguaio Rodolfo Rodriguez-um autêntico toucinheiro, como diria o meu amigo Almeidinha.
Vimos os dois a aguardada estreia dele contra o V.Setúbal, num sábado de Verão, à noite, foi a primeira jornada desse campeonato e perdemos 3-2 e três (3) autênticos piruns do RR.
Curiosamente foi um caso sério de popularidade no Brasil, conseguindo ser um dos futebolistas mais acarinhados pelos adeptos do Santos, clube onde tinha jogado antes de vir para o Sporting.
Em Portugal, conseguiu ser um dos futebolistas mais acarinhados pelos adeptos das equipas adversárias do Sporting...

Carlos Bossio


Curiosamente o primeiro GRANDE (1,96 m) guarda-redes na história do futebol argentino a marcar um golo de cabeça (defendê-los era o seu problema).
Saiu do Benfica, para o Setúbal, em 2001; deixou muitas saudades …….
É actualmente treinador de GRedes, num clube da terceira divisão Argentina (equipa que estava na primeira quando ele lá chegou).

Roberto

Está a ter um começo auspicioso.
Vamos esperar, porque estas coisas, por vezes, demoram o seu tempo (embora nos GRedes não seja bem assim), mas é preciso dar-lhe o benefício da dúvida.
É que são oito milhões e meio de euros……………………..

De qualquer modo tenhamos esperanças de que não defraude as “nossas” expectativas, e consiga fazer jus aos nomes que já ocupam esta Galeria de Notáveis.



sábado, 7 de agosto de 2010

JÚLIO ISIDRO

Um dos melhores comunicadores portugueses de sempre da televisão e da rádio.

Faz agora 50 anos de carreira e pergunto –será que já lhe terá sido dado o devido realce e valor?

A sua simplicidade, o seu inteligentíssimo e subtil sentido de humor é fantástico e perfeitamente entendível pela mais simples e mais humilde das pessoas do nosso povo.

Já tive oportunidade de falar com ele pessoalmente e é uma pessoa extremamente acessível, simples, sem qualquer tique de vedeta (nada a ver com alguns indivíduos que habitualmente representam o nosso país –vidé África do Sul 2010).


Por isso mesmo a minha homenagem a este grande comunicador português - Júlio Isidro!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

LIVROS DE VERÃO?

A quase generalidade dos jornais e revistas sugere nesta altura, os livros que mais se aconselham para o período que atravessamos (Verão/Férias).

Mas quais livros de Verão, quais livros de Férias?

Há simplesmente livros e ou se gosta de ler ou, simplesmente, não se gosta (e ninguém terá obrigatoriamente de gostar, pois nem na escola isso se consegue), portanto quem habitualmente não lê, nas férias muito menos o fará e quem habitualmente lê não se rege por este tipo de sugestões, …..penso eu.

E a propósito de livros, quero falar-vos no último que li, não vo-lo aconselho nem desaconselho (não sou nem, obviamente, pretendo ser o Marcelo R.S.).

Trata-se de CHIQUITA-a história de uma vida.

Artista Cubana nascida em 1869 (66 centímetros), liliputiana*. Não será um grande livro (tem até alguns capítulos “sonolentos”) mas é uma biografia curiosa de alguém que, perante o seu aspecto físico, é constantemente confrontada com situações incomuns.
Brilhou no Vaudeville, em Nova York, Paris e Londres, no início do século XX, passeamos pela história de Cuba, acompanhando os movimentos independentistas contra os colonizadores espanhóis até à independência.

Chiquita foi sobrevivendo a tudo, experimentando tudo, cativando todos!


*Liliputiana -muito pequeno, de porte extremamente reduzido.Figura Insignificante

Chiquita
Antonio Orlando Rodríguez
518 páginas

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PALOPs - Guiné Equatorial?

NÃO CONSIGO ENTENDER ESTA POSSÍVEL ADESÃO


Na recente Conferência (a 8ª.) de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que reuniu em Luanda, no dia 23 de Julho de 2010, a Guiné Equatorial solicitou o pedido formal de obtenção do estatuto de membro de pleno direito da CPLP.

Mas CPLP não quer dizer Comunidade dos Países de Língua Portuguesa?

Que tem a GUINÉ EQUATORIAL a ver com os países da Língua Portuguesa?

E porque é que alguém, na referida conferência, não disse (pelo menos em voz alta) que esta adesão não fará sentido.